# Debate sobre doenças ligadas ao sexo entra na pauta das empresas, informa jornal ‘Valor Econômico’

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- Published: 2009-06-19T22:56:19-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**Editoria:**

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 * [Agência de Notícias da Aids](https://soropositivo.org/debate-sobre-doencas-ligadas-ao-sexo-entra-na-pauta-das-empresas-informa-jornal-valor-economico-2/#agencia-de-noticias-da-aids)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/debate-sobre-doencas-ligadas-ao-sexo-entra-na-pauta-das-empresas-informa-jornal-valor-economico-2/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/debate-sobre-doencas-ligadas-ao-sexo-entra-na-pauta-das-empresas-informa-jornal-valor-economico-2/#relacionado)

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**29/FEVEREIRO/08**

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28/02/2008 – 11h30

Berivelto dos Santos Abreu é artífice de manutenção da Ferrovia Tereza Cristina,
em Santa Catarina. Silvia Almeida é telefonista da Anglo American, em São Paulo.
Ele, solteiro, trabalha na empresa há seis anos, seu primeiro emprego. Ela, viúva,
dois filhos, trabalha na mineradora há 23. Não se conhecem, mas têm em comum o fato
de integrarem o quadro de colaboradores de duas companhias que romperam o tabu de
falar sobre sexo dentro do ambiente corporativo. Abreu pode ter acesso não apenas
a preservativo no ambulatório da empresa em qualquer dia do ano como, principalmente,
a informações importantes sobre prevenção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis(
DST) e também contra o HIV.

“Toda e qualquer informação é sempre muito bem-vinda”, diz ele. A telefonista tem
apoio total da empresa desde 1994, quando foi diagnosticada soropositiva, um ano
depois de seu marido descobrir que tinha Aids. A partir daí, formou-se uma parceria
entre Silvia e a companhia a ponto de ela se transformar em porta-voz do trabalho
de prevenção realizado pela Anglo American não apenas internamente como também fora
dos muros da empresa.

Nem todas as companhias brasileiras romperam essas barreiras. Porém, as que ainda
na década de 80 as derrubaram para alertar funcionários sobre a prevenção do vírus
do HIV mostram que aproveitaram a oportunidade para também prevenir contra qualquer
outra DST e câncer de colo de útero ou próstata. A Philips do Brasil foi uma das
pioneiras a inserir o tema sexualidade no planejamento da área voltada para a saúde
e qualidade de vida. A política de tratar o tema prevenção ao HIV foi mundial, mas
a forma brasileira de abordagem transformou a filial brasileiras em benchmark.

“Nosso diferencial é a ousadia”, afirma Anna Thereza Marone, assistente de saúde
e qualidade de vida da empresa. Num determinado ano, por exemplo, atores vestidos
de drag queens entraram nos escritórios da empresa para distribuir preservativos
e transmitir informações. A idéia era chamar a atenção para um tema importante, 
sem constrangimento, através do humor. Situações semelhantes também acontecem na
Galvani, empresa da área de fertilizantes, que inseriu questões sobre sexualidade
na área da qualidade de vida a partir do ano 2000.

Para tirar a vergonha dos colaboradores e transformá-los em multiplicadores de informação
sobre prevenção a DST, a empresa acredita que a abordagem lúdica é sempre a melhor
receita. “Sempre contratamos pessoal externo, especializado na área médica e que
realize palestras de forma a não gerar mais tabu. Insistimos nas palestras porque
acreditamos na sua importância”, reforça Rodolfo Galvani Neto, gerente de comunicação
e marketing.

A tendência que se observa entre as empresas que apostaram em discutir a prevenção
ao HIV e a DST internamente é de ampliar a abordagem. “A gente percebe que a necessidade
de prevenir o HIV fez as empresas começarem a abordar o sexo pelo tema doença. Mas
a sexualidade precisa ser tratada bem do princípio, pelo tema prazer”, reforça a
sexóloga Carla Cecarello, presidente da Associação Brasileira de Sexualidade e que
no ano passado ministrou 212 palestras sobre variados assuntos ligados ao sexo.

Segundo ela, a Organização Mundial da Saúde elenca quatro pilares fundamentais para
o bom equilíbrio da vida de um trabalhador: vida em família, lazer e atividade física,
trabalho e sexo. “Todos esses aspectos se interligam e conduzem a uma boa ou má 
produtividade de uma pessoa no trabalho”, afirma Cecarello. “Não se pode menosprezar
esse assunto”.

Na Philips do Brasil, dos temas HIV e DST, o programa de saúde da empresa evoluiu
também para exames anuais de prevenção em todos os colaboradores de câncer de próstata
e colo de útero. “Prezamos pela constante transparência e abertura e incentivamos
nossos funcionários a levarem a discussão para sua casa e roda de amigos”, afirma
Walter Sanches Aranda, gerente médico da companhia que tem vários colaboradores 
soropositivos em seu quadro.

Na Anglo American, a abertura é total. A política de prevenção ao HIV começou de
forma internacional, mas a filial brasileira, em razão da forma como Silvia Almeida
decidiu enfrentar a Aids, passou a se diferenciar. “Juntamos forças. Nunca cogitamos
deixar de dar e demonstrar apoio a Silvinha e passamos a estruturar um programa 
de prevenção que atingisse funcionários, familiares e adolescentes em escolas do
Brasil todo”, relata Juliana Rehfeld, gerente de desenvolvimento sustentável.

“A empresa é um canal extremamente importante na discussão de temas ligados à sexualidade
e na prevenção do HIV e outras DST. Já perdemos muito tempo questionando a opção
sexual, a moralidade e o preconceito. É hora de termos mais projetos e um leque 
maior de discussão a respeito em todas as empresas”, afirma de forma contundente
a colaboradora da empresa.

A Ferrovia Tereza Cristina também ampliou seu projeto sobre sexualidade. “Dentro
da área de qualidade de vida e saúde, prevenir DST e HIV é trabalhado como a prevenção
ou tratamento de diabetes, pressão alta, colesterol. Nossos colaboradores sabem 
que podem pegar no nosso ambulatório preservativos em qualquer dia do ano, sem restrição
de quantidade”, diz Fernanda Ramos, técnica de gestão social da companhia.

Alianças são nova estratégia de combate

Desde que a Aids deixou de ser encarada apenas como um problema dos chamados grupos
de risco, governos de diferentes países ganharam nas empresas um aliado de peso 
no enfrentamento do problema. A criação de programas especiais de prevenção para
colaboradores e familiares e adoção de políticas de apoio a funcionários soropositivos
e sua manutenção no ambiente de trabalho passaram a fazer parte do calendário de
atividades de inúmeras companhias.

Na última edição do World Economic Fórum, em Davos, em janeiro, a Global Health 
Initiative (GHI) divulgou seu primeiro estudo global sobre o tema, batizado de Alianças
Empresariais Enfrentando a Aids: Uma Análise Global. O objetivo é analisar o caráter
das atividades que tornaram as empresas mais conhecedoras de seu potencial no tr

abalho de abordagem da Aids no local de trabalho.

E compartilhar com o mercado em geral as melhores práticas. Integram esse universo
de alianças empresariais quatro blocos regionais e 47 nacionais, que apóiam mais
de um milhão de empresas na implementação de programas de discussão e prevenção 
do tema e sua disseminação no universo corporativo como um todo.

“A batalha contra a Aids é algo que afeta a todos nós. Toda companhia deve se preocupar
com a saúde de seus funcionários e consumidores ao redor do mundo. As alianças empresariais
proporcionam o compartilhamento das melhores práticas, ferramentas e comunicação
de forma a ajudar as organizações a terem rapidamente ações específicas de prevenção
à doença junto a sua força de trabalho”, afirma Mark Foster, executivo da área de
gestão e marketing integrado da Accenture nos Estados Unidos, em entrevista ao Valor.

No Brasil, a iniciativa privada também tem papel importante na prevenção e combate
à doença. O Conselho Empresarial Nacional de Prevenção ao HIV/Aids (CENAids) completa
em 2008 dez anos de atividades com vinte grandes empresas e seis confederações patronais
associadas. Durante esse período, o órgão tem sido procurado por entidades e empresas
estrangeiras para apresentar o programa de combate à Aids desenvolvido pelo país
e as experiências das companhias brasileiras.

“Já recebemos as visitas de executivos da África, de países da América do Sul, como
Argentina, Uruguai, Paraguai, da Rússia, Espanha, Índia e até Estados Unidos. Recentemente,
fomos convidados a fazer uma apresentação no Equador”, afirma o médico Murilo Alves
Moreira, presidente do CENAids e diretor de saúde do Itaú.

“O fato de sermos benchmark internacional nesse tema atrai o interesse de vários
países nos programas que desenvolvemos aqui”, diz ele. Na avaliação de Moreira, 
o que mais desperta a atenção de outros países com relação ao cenário brasileiro
é justamente a capacidade de mobilização junto à sociedade como um todo. Daí também
a importância da participação das companhias na tarefa de prevenção, que começam
com os colaboradores, mas podem atingir familiares e amigos.

Margareth Boarini

Fonte: Valor Econômico

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 * [Debate sobre doenças ligadas ao sexo entra na pauta das empresas, informa jornal ‘Valor Econômico’](https://soropositivo.org/debate-sobre-doencas-ligadas-ao-sexo-entra-na-pauta-das-empresas-informa-jornal-valor-economico/)
 * [Procuradorias tentam reduzir processos por medicamentos, informa valor econômico](https://soropositivo.org/procuradorias-tentam-reduzir-processos-por-medicamentos-informa-valor-economico/)
 * [Debate: Uso da camisinha ](https://soropositivo.org/debate-uso-da-camisinha/)

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