# Direitos Humanos: Plano também tem defensores

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- Published: 2010-01-11T11:32:48-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

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Associação de gays e lésbicas e presidente da OAB apoiam a polêmica proposta do 
governo, alvo de críticas de militares, agricultores e entidades da mídia

 

Flávia Foreque

 

Na semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna do recesso de fim
de ano, o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, criado por decreto na véspera
do Natal, continua provocando polêmica. Após críticas de autoridades e de setores
da sociedade civil ao texto, entidades apoiaram o documento e prestaram solidariedade
ao ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, à frente da elaboração
do plano.

 

 

Ontem, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais(
ABGLT) defendeu o conteúdo do plano e sua forma de elaboração, por meio de encontros
e de debates com diferentes setores da população. Um dos trechos do plano nacional,
que trata da “garantia do respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero”,
prevê o apoio a projeto de lei que trate da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

 

 

Em nota, a ABGLT defendeu também uma “reforma agrária democrática” e maior atenção
ao período da ditadura militar no país. “No mínimo, precisamos saber a verdade, 
mas sem revanchismo. Devemos conhecer o passado para não repetir os mesmos erros”,
afirma a associação.

 

 

Esse, aliás, foi o motivo para o Ministério da Defesa e o comando das Forças Armadas
se manifestarem contrários ao documento. O ministro Nelson Jobim e os comandantes
da Marinha, do Exército e da Aeronáutica chegaram a apresentar carta de demissão
diante da criação, prevista no decreto, de uma “comissão nacional da verdade”, para
investigar casos de violação de direitos humanos durante a ditadura.

 

 

Apoio

 

 

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e representantes de veículos
de comunicação também reagiram ao Plano Nacional de Direitos Humanos. Ontem, diante
do bombardeio, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto,
telefonou para o ministro Paulo Vannuchi para manifestar seu apoio. Britto afirmou,
em alusão à Comissão da Verdade, que “o regime do medo que sustentava o passado 
não pode servir de desculpa no presente democrático” e considerou que “um país que
tem medo de sua história não pode ser considerado um país sério”.

 

 

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Paulo Vannuchi afirmou que pedirá demissão
a Lula caso o texto, alterado, permita a investigação de militantes da esquerda.
De férias até sexta-feira, o ministro descansa no litoral paulista, mas segundo 
assessores, pode antecipar o retorno a Brasília a pedido do presidente.

 

 

O setor agrícola se juntou ao grupo de insatisfeitos e contestou a mudança das regras
para a reintegração de posse de terras invadidas no país. O decreto presidencial
prevê a realização de audiências públicas entre os envolvidos antes da concessão
de medida liminar como solução para o impasse. O trecho do documento provocou atrito
entre os ministros do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e da Agricultura,
Reinhold Stephanes.

 

 

Publicado no Diário Oficial da União em 22 de dezembro, esse é o terceiro Plano 
Nacional de Direitos Humanos. O então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
criou o primeiro plano em 1996 e o segundo, no último ano do governo tucano, foi
publicado em 2002. A elaboração do terceiro plano teve início em 2008, em conferências
entre o governo e diferentes setores da sociedade civil.

 

 

Polêmica governamental

 

 

Desde a publicação do terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, em dezembro, 
diversos ministros e setores da sociedade civil criticaram o conteúdo do decreto
presidencial.

 

 

Defesa

 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica entregaram carta de demissão ao presidente Lula devido à criação da 
Comissão Nacional da Verdade, que prevê a investigação de casos de violação de direitos
humanos durante a ditadura militar (1964-1985).

 

 

Agricultura

 

Trecho do decreto presidencial defende a realização de audiências para mediar o 
conflito entre proprietários de terra e invasores. A medida foi alvo de crítica 
da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Ministério da Agricultura.
O titular da pasta, Reinhold Stephanes, afirmou que o mecanismo cria “insegurança
jurídica”.

 

 

Católicos

 

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou-se contrária a diversos
pontos do plano nacional. O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, criticou
trecho que defende “mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos 
em estabelecimentos públicos da União”. O apoio à descriminalização do aborto, à
união civil entre pessoas do mesmo sexo e à adoção por casais homossexuais também
foram criticados pela entidade.

 

 

Comunicação

 

Representantes de veículos de comunicação temem o controle da liberdade de imprensa
por meio da elaboração de “critérios de acompanhamento editorial” no que diz respeito
aos princípios de Direitos Humanos, como afirma o decreto. O texto prevê também 
punição às empresas que violarem direitos humanos em sua programação.

 

 

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 * [União civil homossexual é mantida no Plano Nacional de Direitos Humanos, informa Valor Econômico](https://soropositivo.org/uniao-civil-homossexual-e-mantida-no-plano-nacional-de-direitos-humanos-informa-valor-economico/)
 * [Cooperação com a áfrica](https://soropositivo.org/cooperacao-com-a-africa/)
 * [STF volta ao trabalho com julgamentos polêmicos, como o casamento HOMOSSEXUAL](https://soropositivo.org/)

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