# Disque DST/Aids, aprimora trabalho de prevenção com informações estratégicas

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- Published: 2009-06-19T22:50:32-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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## **Caderno Digital**** **

  |  **Editoria:** |  **Pág.** |

**Dia / Mês/Ano:**

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**23/NOVEMBRO/07**

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No início dos anos 80 a **Aids** ainda era uma doença desconhecida pela população
e pela maioria dos técnicos de saúde. Até então, achava-se que era uma ameaça apenas
para o chamado grupo de risco, como profissionais do sexo, homossexuais e usuários
de drogas. Com o rápido avanço da **Aids**, viu-se que isso era um grande engano
e frente a este cenário, os profissionais de saúde iniciaram uma cobrança intensiva
junto à área pública por uma posição proativa com relação à ameaça. Assim, a primeira
resposta para o enfrentamento da epidemia foi dada pela Secretaria de Estado da 
Saúde do Estado de São Paulo, que criou, em 1983, o serviço de utilidade pública
Disque DST/**Aids**, que a patir de 1998 passou a contar com o serviço 0800 (0800
16 25 50) para fornecer esclarecimentos à população e aos profissionais de saúde
sobre **Aids** e doenças sexualmente transmissíveis. “O Disque DST/**Aids** é uma
das estratégias que o programa de prevenção do Brasil vem desenvolvendo há alguns
anos e, graças a esta iniciativa, hoje, o Brasil é reconhecido mundialmente como
referência em tratamento e prevenção do vírus **HIV**”, ressalta Dreyff de Assis
Gonçalves, diretor da área de Informação, Educação e Comunicação e Insumos de Prevenção
do CRT-DST/**Aids**.

O 0800 logo se tornou um importante instrumento público, na luta contra a epidemia.
O Disque DST/**Aids** registra, em média, 300 ligações por mês. Na busca pelo aproveitamento
inteligente das informações coletadas pelos profissionais, a Gerência de Prevenção
do CRT-DST/**Aids**, que coordena o Disque DST/**Aids**, adotou o software estatístico
SPSS para ter maior controle sobre os dados do serviço público e entender melhor
quais são as principais dúvidas da população referentes às doenças sexualmente transmissíveis
e **Aids**. “A análise das informações com a solução SPSS nos permitiu enxergar 
de modo ágil o perfil do público que acessa o serviço, o que é de vital importância
para nós, pois podemos direcionar as ações de acordo com informações mais precisas,
buscando sempre o aprimoramento das atividades de prevenção.”, destaca Gonçalves.

Além disso, a Gerência de Prevenção passou a contar com o suporte das informações
extraídas pelo software para melhor organizar a distribuição de insumos em todo 
o Estado de São Paulo, entre eles, preservativos. “Graças aos registros podemos 
identificar melhor quais são os pontos que necessitam de uma maior quantidade de
preservativos, seja cotidianamente ou em épocas específicas o Carnaval e 1º de dezembro,
Dia Mundial da Luta Contra a **Aids**”, diz Gonçalves.

Por meio do Disque DST/**Aids**, a população recebe orientação e aconselhamento 
sobre práticas de sexo seguro, informações sobre serviços especializados para realização
de teste anti-**HIV**, atendimento de DST e tratamento de pessoas portadoras de **
HIV**/**Aids**. Atualmente o atendimento do serviço é realizado por uma equipe multidisciplinar
composta por cinco profissionais. De acordo com o último levantamento da organização,
58,8% das ligações são feitas por homens. As mulheres são responsáveis por 41,2%.
A faixa etária que mais utiliza o serviço é entre 20 e 29 anos.

Primeiro obstáculo

Anteriormente, os dados das ligações eram registrados manualmente e não havia eficiência
no processo de análise das informações. Assim, era preciso quebrar a barreira da
utilização de tecnologia para incorporar a cultura da organização dos dados.

“Trabalhar com informações na área pública é um enorme desafio”, assim Gonçalves
aponta o maior desafio enfrentado pela área de Prevenção do CRT-DST/**Aids**. “Não
havia uma cultura de uso da tecnologia para análise e cruzamento de dados. Então,
não conseguíamos tirar proveito do mundo de informações que tínhamos”, lembra.

Após a aquisição do SPSS e com um trabalho forte de conscientização da importância
da utilização da tecnologia para aprimorar os processos, foi possível mudar este
cenário. “Demos um salto de qualidade. Hoje, temos os dados padronizados e a consciência
de que trabalhar com dados é essencial”, afirma Gonçalves. Ao todo, quatro colaboradores
usam o SPSS para análise de dados.

Informações que valem ouro

Os profissionais registram diversos dados que, embora básicos do ponto de vista 
de informação, são críticos para o trabalho de prevenção, desde sexo, faixa etária,
localização da ligação, comportamento sexual até o motivo pelo qual o cidadão entrou
em contato com o serviço. Essas informações são passadas para o SPSS e a partir 
da ferramenta, a área de Prevenção gera relatórios completos com o cruzamento dos
dados. “Com o SPSS, extraímos conclusões confiáveis sobre as informações que chegam
ao Disque DST/**Aids** e a partir daí conseguimos determinar ações mais eficientes
e direcionadas, de acordo com os resultados das análises dos dados”, salienta Gonçalves.

Graças ao software, a Gerência de Prevenção do CRT-DST/**Aids** consegue identificar,
por exemplo, quais os tipos de parcerias sexuais predominantes em certas faixas 
etárias, as formas de prevenção mais conhecidas e usadas, de acordo com a classificação
social e dúvidas mais freqüentes sobre várias temáticas, divididas por sexo e idade
ao mesmo tempo. Entre essas temáticas estão: dúvidas sobre formas de transmissão
do vírus **HIV**, questionamentos sobre DSTs, informações sobre clínicas e serviços,
dúvidas sobre uso de preservativo, entre outras. Estes cruzamentos resultam em dados
estratégicos para o melhor andamento do trabalho de prevenção. “Só assim podemos
identificar fatores ocultos que são essenciais para aumentarmos a qualidade do serviço
e elevar cada vez mais o grau de informação da população sobre prevenção de DSTs
e **Aids**”, aponta Gonçalves.

A ferramenta auxilia o CRT-DST/**Aids** a avaliar a demanda do atendimento do Disque
DST/**Aids**. Utilizando a variável de freqüência para análise e cruzamento de dados,
é possível identificar, por exemplo, quais são as principais dúvidas da população
e ainda filtrá-las por sexo, idade, local de residência, etc. “A partir dessas informações,
que valem ouro, são criadas orientações específicas sobre determinado assunto, as
quais podem ser de âmbito estadual ou mais localizada, como nas principais regiões
da cidade de São Paulo; isso, de acordo com o que aponta os relatórios do SPSS”,
explica Gonçalves.

Segundo Gonçalves a análise das informações coletadas pelos profissionais são de
fundamental importância, pois permitem: avaliar o conhecimento sobre a transmissão
da infecção pelo **HIV** e outras DST; estabelecer parâmetros consistentes para 
monitorar as situações de vulnerabilidade relacionadas à infecção pelo **H
 IV
,
assim como as medidas de prevenção e controle das DST; investigar as desigualdades
socioeconômicas do comportamento de vulnerabilidade frente à infecção pelo HIV e
outras DST.

## Leia também

 * [Programa mapeia avanço da Aids](https://soropositivo.org/)
 * [Número de infectados com HIV diminui no Brasil](https://soropositivo.org/numero-de-infectados-com-hiv-diminui-no-brasil/)
 * [AIDS… É melhor remediar?](https://soropositivo.org/aids-e-melhor-remediar/)

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