# É necessária sensatez e realismo a respeito dos benefícios e riscos de se participar de estudos de busca da cura do HIV.

- Link: https://soropositivo.org/e-necessaria-sensatez-e-realismo-a-respeito-dos-beneficios-e-riscos-de-se-participar-de-estudos-de-busca-da-cura-do-hiv/
- Published: 2016-09-01T10:00:04-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

![AIDS Não Tem cara](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2014/12/aids-nao-
tem-cara.jpg?w=350)

Nesta Multidão sem rostos certamente ha uma ou duas pessoas portadoras de HIV ou
doentes de AIDS. Dá pra saber quem?

Uma proporção significativa de pessoas vivendo com HIV estaria disposta a tomar 
parte em um estudo no sentido de uma busca pela cura para a infecção por HIV, como
foi apresentado na [21ª Conferência International de AIDS (AIDS 2016)](http://www.aidsmap.com/aids2016)
em Durban, África do Sul no mês passado.

### Table Of Content

 * [ Estados Unidos da América](https://soropositivo.org/e-necessaria-sensatez-e-realismo-a-respeito-dos-beneficios-e-riscos-de-se-participar-de-estudos-de-busca-da-cura-do-hiv/#%c2%a0estados-unidos-da-america)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/e-necessaria-sensatez-e-realismo-a-respeito-dos-beneficios-e-riscos-de-se-participar-de-estudos-de-busca-da-cura-do-hiv/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/e-necessaria-sensatez-e-realismo-a-respeito-dos-beneficios-e-riscos-de-se-participar-de-estudos-de-busca-da-cura-do-hiv/#relacionado)

No entanto alguns potenciais participantes podem não compreender totalmente que 
tomar parte em uma fase precoce de um estudo é altamente improvável que leve a qualquer
benefício clínico pessoal, mas pode ter o potencial de causar danos graves.

>  “Há um imperativo ético para compreender as motivações da decisão-tornando, expectativas
> e compreensão de potenciais participantes do julgamento”, pesquisadores dizem.
> Melhor compromisso com a comunidade e educação parece ser necessário.

⌊australia⌉⌊australia⌉De acordo com um estudo australiano, 82% das pessoas que vivem
com HIV estariam “dispostos” ou “muito dispostos” a participar num ensaio clínico
relacionada à pesquisa por uma cura da infecção do HIV. No entanto os inquiridos
estariam menos dispostos a participar se soubessem que:

 * Iriam aumentar a sua susceptibilidade à doença (87%),
 * Arriscaram-se ao desenvolvimento de resistência cruzada às correntes antirretrovirais(
   79%) existentes.
 * Resultou em uma imprevisível elevação da carga viral por até um ano (63%), ou
 * Que estariam comprometidos à necessidade de visitas semanais para uma clínica
   médica por vários meses (40%).

> Em contraste, 31% estariam mais dispostos a participar se ajudaria as gerações
> futuras mas não ofereceria benefícios pessoais.

Quando questionados sobre as possíveis características ou benefícios de uma cura,
os inquiridos indicaram que o mais importante era não passar o vírus para outras
pessoas. Muito importante, também, não estar sob risco de maus tratos à saúde devido
à doença avançada por HIV.

Outros resultados foram classificados inferiormente: parar o uso de medicamentos
antirretrovirais, sendo considerado uma pessoa sem infecção por HIV, não contraír
HIV novamente por uma segunda (nota do editor recontaminação pode ser desastrosa
em um tratamento bem sucedido pois pode trazer cepas resistentes àquele esquema 
terapêutica) vez e menos visitas médicas.

## ** Estados Unidos da América**

 

  Conclusões mais detalhadas vieram a partir de um questionário preenchido por 400
americanos vivendo com HIV, 77% dos quais eram do [sexo masculino](http://soropositivo.org/2016/02/12/mulheres-sub-representadas-nos-ensaios-clinicos-de-hiv/).
Considerando que 65% eram brancos, ⌊african motive ethnic retro vintage⌉17% negros,
12% hispânicas, 4% mistas e 2% de asiáticos. Juntamente com a pesquisa, foram realizadas
entrevistas com 36 pessoas vivendo com HIV, médicos, pesquisadores, bioeticistas
e reguladores. Os resultados foram relatados em uma série de posters.

Considerando dados que vieram da Austrália de uma pesquisa geral entre as pessoas
soropositivas que abrangia uma ampla gama de questões, no Americano os participantes
foram conectados a redes de pesquisa pela cura do HIV foram recrutados para um levantamento
sobre esta cura. Eles poderiam esperar por serem melhor informados sobre as questões
de cura e mais interessados em participar de um estudo de cura.

Apesar disso, 8% acreditam que a cura para o VIH já existe. Mais de 27% de pensam
que a cura provavelmente estará disponível dentro de cinco anos e 33% pensam que
ainda seria preciso esperar por ainda dez anos. (O autor deste blog reserva para
si o direito de dizer que não pensa em cura e que vive um dia de cada vez e, contraditoriamente,
faz planos vinte e cinco anos no futuro (…) …)

Questionado sobre os benefícios potenciais de tomar parte nas pesquisas relacionadas
com a cura, os benefícios para a sociedade em geral eram altamente classificados.
Ajudar a encontrar uma cura para o HIV (95%), ajudar outras pessoas com HIV no futuro(
90%) e contribuir para o conhecimento científico (88%) estavam entre os motivos 
mais citados.

> **Tais benefícios sociais poderiam ter um impacto emocional – “a prazerosa sensação
> de ter contribuído, de uma forma ou de outra, para a pesquisa pela cura do HIV”
> foi um importante benefício pessoal (80%). Os entrevistados também esperavam obter
> conhecimento sobre sua própria saúde ou sobre o HIV (78%) e novas opções de tratamento(
> 77%). Obter um melhor acesso aos cuidados médicos foi citado por um certo número
> de participantes, mas poucos foram motivados por uma compensação financeira.**

![Células killer são células brancas do sistema imune que tem a função de exterminar
células doentes, como as do câncer, por exemplo, ou marcá-las para que sejam exteminadas
por outros antígenos. São conhecidas também com células T-Killer (T-Assssinas)](
https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2015/08/cc3a9lulas-cd4.jpg?w=350)

Células killer são células brancas do sistema imune que tem a função de exterminar
células doentes, como as do câncer, por exemplo, ou marcá-las para que sejam exteminadas
por outros antígenos. São conhecidas também com células T-Killer (T-Assssinas)

Em termos de benefícios clínicos, muitos dos inquiridos manifestaram o desejo de
que eles podem aumentar a capacidade do seu sistema imunológico em combater o vírus
HIV (92%), reduzir o reservatório do HIV em seu corpo (85%), o controle da carga
viral na ausência de tratamento (84%) ou reduzir o risco de transmissão do vírus
para um parceiro sexual (79%).

No entanto os pesquisadores comentaram que a “fase precoce da investigação não confere
benefícios clínicos projetados diretamente e existe a possibilidade de danos enquanto
avança o conhecimento médico.”

> A pesquisa mostrou que os participantes são menos conscientes dos riscos do que
> dos benefícios. Inquirindo sobre os que riscos potenciais que os dissuadiriam 
> de participar de um estudo relacionado com a cura do HIV, os inquiridos indicaram
> um número de possíveis danos, mas em menor número.

Em termos de riscos clínicos, aumento de risco de câncer (49%), o desenvolvimento
de resistência aos medicamentos antirretrovirais (37%), efeitos colaterais (30%)
e os conhecidos riscos de parar com os medicamentos contra o HIV (30%) poderiam 
desencorajar a participação.

![Liquor](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2016/09/liquor.jpg)

Eu passei algumas vezes por este procedimento. O diagnóstico reagente para HIV foi
resultado de uma meningite viral e eu passei por este procedimento. Depois, por 
razões ambulatoriais eu passei por isso mais duas vezes, na sequencia eu tive OUTRA
MENINGITE e o “médico” que fez a punção “errou a mão” e a agulha tocou um um nervo.
O pesadelo que veio depois, eu sofri dores, calores, alucinações e gritei tanto 
que não sei quanto tempo passou. Bem, eu espero não ter de fazer este procedimento
novamente, pois eu so o farei sob sedação. Criei verdadeiro pavor disso.

Procedimentos de estudo apresentando os maiores obstáculos foram punções lombares(
26%), biópsias de medula óssea (22%),  biópsias linfonodais (13%) e biópsias retais(
13%). Efeitos colaterais específicos tais como perda de cabelo (32%) e vômitos (
23%) seria um motivo de desistência. Problemas práticos como estacionamento de falhas
no ambulatório (20%) ou obtenção de transporte (17%) também poderiam desencorajar
a participação em um estudo.

Um pequeno grupo de pessoas que vivem com HIV foi entrevistado e perguntou-se a 
eles o que é que pode ser “demasiado risco” para participar. Algumas de suas respostas
foram:

_“Tentar uma abordagem nunca testada em humanos.”_

_“Manipulações genéticas que pudessem resultar em câncer provavelmente seria o mais
assustador e insuportável.”_

_“Se eu fosse me tornar resistente às drogas que estão salvando a minha vida no 
presente”._

_“Um risco que teria levaria minha saúde a uma situação irreversivelmente pior a
que eu estou agora.”_

_“Risco de morte maior que 1%”._

> Os médicos e os pesquisadores que foram entrevistados também tinham opiniões sobre
> o que iria constituir risco de “muito alto”. A maioria disse que os transplantes
> de células estaminais não saudáveis em participantes não cancerosos ou que estão
> estáveis e com a carga viral suprimida em terapia anti-retroviral seria demasiado
> arriscado. Outro mencionado foi a proteína-1 anti morte celular programada (apoptose
> celular) que tem mostrado toxicidades significativas em estudos com animais.

Da mesma forma, reguladores que foram entrevistados disseram que alguns estudos 
foram demasiado arriscados de se prosseguir. Caso não existiam dados suficientes
para avaliar o risco ou os benefícios potenciais insuficientes no que tange à superação
dos riscos, a aprovação não é dada. Um estudo mal projetado seria incapaz de nos
levar mais próximo de uma cura, embora a exposição dos participantes ao risco.

[⌊Meu nome não é AIDS. Sou Cláudio Souza, soropositivo desde 1994⌉⌊Meu nome não 
é AIDS. Sou Cláudio Souza, soropositivo desde 1994⌉[

É bem por aí…

Um estudo específico com o procedimento que poderia expor os participantes a danos
é um tratamento com uma interrupção analítica. Interromper o tratamento anti-retroviral
a fim de avaliar o tempo de rebote viral ou preditores de rebote também é um fator
de recusa. Dos inquiridos, 26% informou que eles estavam muito dispostos a isso 
e 42% muito pouco dispostos a interromper o seu tratamento.

Durante as entrevistas, motivações para ser incluído por um desejo de ajudar a encontrar
uma cura _(“saber que você é uma parte de algo que pode ajudar muitas pessoas no
futuro”)_, as experiências do passado com as interrupções de tratamento _(“Eles 
me deixaram sem os medicamentos por três anos; e em três anos a minha contagem de
CD4 nunca caiu abaixo de 550.”) _

> E benefícios financeiros _(“seria menos dispendioso não ter que tomar remédio 
> por 6 meses”) **Nota do tradutor. Nem todos os países oferecem o tratamento e 
> arcar com os custos financeiros de um tratamento contra a AIDS é algo que desafia
> o mais sólido dos patrimônios familiares, chegando-se, como muitos chegaram, à
> bancarrota e, depois, não houve solução de continuidade para o tratamento e o 
> resto… cada um pode imaginar por si…**_

Mas outros participantes viram uma interrupção do tratamento como algo que seria“
demasiado arriscado”. Eles estavam em causa pois poderiam sentir um aumento na carga
viral, poderiam transmitir HIV, poderiam desenvolver resistência ou poderiam ter
infecções oportunistas.

**Recomendações**

Tendo em conta algumas das ideias erradas e preocupações que emergiram do estudo,
os pesquisadores americanos disseram que uma educação mais abrangente e o empenho
das partes interessadas são necessárias. Eles fazem um grande número de recomendações
incluindo:

 1. As pessoas que vivem com o HIV devem ser engajadas numa fase precoce na investigação
    de cura do HIV, utilizando orientações para uma boa prática participativa (BPP).
 2. A transparência sobre os objetivos da pesquisa, processos e resultados esperados
    é crucial para combater os boatos e a definição de expectativas realistas da fase
    inicial da investigação.
 3. Pesquisadores têm um dever ético de informar os riscos aos potenciais participantes
    do estudo e para explicar a falta de benefícios clínicos esperados.
 4. Os participantes das pesquisas de cura do HIV devem saber que as intervenções são
    experimentos que avaliam a segurança de base e se destinam a gerar conhecimento
    para o benefício da sociedade.
 5. A percepção de que constitui um ” risco demasiado” devem ser tidas em conta quando
    da elaboração e aprovação de estudos; deve haver salvaguardas para proteger os 
    participantes de adotar riscos inaceitáveis.
 6. Riscos assumidos pelos participantes do estudo devem ser minimizados e ser razoáveis
    em relação à importância da pesquisa científica e o conhecimento que pode ser gerado.
 7. A fadiga do tratamento não deve ser utilizado como uma forma de atrair voluntários
    para estudos que envolvam um tratamento interrupção analítica.

Roger Pebody

 * Publicado em: 31 de Agosto de 2016
 * Traduzido por [Cláudio Souza](https://www.facebook.com/Tannwander) do originam
   em [Realism needed about the benefits and risks of taking part in HIV cure studie](http://www.aidsmap.com/Realism-needed-about-the-benefits-and-risks-of-taking-part-in-HIV-cure-studies/page/3080543/)
   s
 * Revisado por [Mara Macedo](https://www.facebook.com/mara.macedo.501?fref=ts)

**Referências**

Energia J et al . _HIV cura investigação: uma pesquisa australiana de pessoas vivendo
com HIV sobre as perspectivas de benefícios percebidos e disponibilidade para participar
em ensaios._ XXI Conferência Internacional da SIDA, Durban, resumo THPDD0103, 2016.

Salzwedel J et al . _Envolvimento com a Comunidade na investigação relacionada com
a cura do HIV: aplicação de boa prática participativa (GPP) princípios para os esforços
comunitários de educação._ XXI Conferência Internacional da SIDA, Durban, resumo
THPDD0102, 2016.

Sylla L et al . _Benefícios percebidos do HIV cura de investigação relacionada com
a participação nos Estados Unidos._ XXI Conferência Internacional da SIDA, Durban,
abstract WEPED308, 2016.

Taylor J et al . _Os riscos percebidos de participantes na investigação relacionada
com a cura do VIH nos Estados Unidos._ XXI Conferência Internacional da SIDA, Durban,
abstract WEPED310, 2016.

Dubé K et al . _O que é “demasiado risco” na cura de HIV investigação clínica nos
Estados Unidos?_ XXI Conferência Internacional da SIDA, Durban, abstract THPEB076,
2016.

Evans D et al . _ Interrupções de tratamento em pacientes HIV cura estudos nos Estados
Unidos: percepções, motivações e considerações éticas de potenciais pacientes HIV
positivo voluntários._ XXI Conferência Internacional da SIDA, Durban, resumo THPDD0104,
2016.

## Leia também

 * [Seja sensato e realista Quanto a riscos de se participar de estudos!](https://soropositivo.org/e-necessaria-sensatez-e-realismo-a-respeito-dos-beneficios-e-riscos-de-se-participar-de-estudos-de-busca-da-cura-do-hiv-2/)
 * [A IAS Vancouver 2015: Metas proliferam na Pesquisa pela busca da cura do HIV](https://soropositivo.org/a-ias-vancouver-2015-metas-proliferam-na-pesquisa-pela-busca-da-cura-do-hiv/)
 * [Ainda Há Estigma Na Época Do Indetectável Não Transmissor](https://soropositivo.org/estigma-persiste-na-epoca-do-indetectavel-nao-transmissor-2/)

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