# Egípcias enfrentam onda de ataques sexuais durante manifestações

- Link: https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/
- Published: 2013-07-09T01:01:17-03:00
- Author: 

[⌊ataques sexuais⌉⌊ataques sexuais⌉[

### Table Of Content

 * [Ataques Sexuais no Egito](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#ataques-sexuais-no-egito)
 * [Rapidez](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#rapidez)
 * [‘Não se pode evitar’](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#8216nao-se-pode-evitar8217)
 * [Os homens de amarelo](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#os-homens-de-amarelo)
 * [Notícias relacionadas](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#noticias-relacionadas)
 * [Tópicos relacionados](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#topicos-relacionados)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/egipcias-enfrentam-onda-de-ataques-sexuais-durante-manifestacoes/#relacionado)

### **Ataques Sexuais no Egito**

Ao observar a multidão de manifestantes na Praça Tahrir, centro do Cairo, é possível
notar algo diferente: no meio do protesto há um círculo rodeado por um corredor 
onde não há ninguém, exceto alguns homens vestidos de amarelo.

O círculo é formado por mulheres e, no corredor, os homens são guardas voluntários
dispostos a proteger as manifestantes. Os homens do outro lado do corredor, os primeiros
antes da grande massa masculina que participa da manifestação, também ajudam a isolar
as mulheres.

Os guardas voluntários são necessários pois, para as mulheres do Egito, protestar
pode ser arriscado: entre o dia 28 de junho, quando a última onda de protestos começou,
e o dia 3 de julho, dia do golpe contra o presidente Mohammed Mursi, foram registrados
180 casos de ataques sexuais, segundo números da Anistia Internacional.

“Calculamos que são mais de 200 **ataques sexuais** agora, sem incluir os muitos
que não são registrados”, afirmou à BBC Mundo Diana Eltahawy, investigadora da Anistia
Internacional no Cairo.

O problema do abuso sexual não é novidade no Egito. “O que mudou foi o nível de 
violência mostrado”, acrescentou Eltahawy.

## Rapidez

Hanan Razek, jornalista da BBC e autora do documentário Mulheres na Praça Tahrir,
explica que esses ataques sexuais e estupros são fenômenos relativamente novos. 
Ela diz que, na primeira revolução, que levou à queda do presidente Hosni Mubarak
em fevereiro de 2011, não se viram tais incidentes.

Segundo a jornalista, a primeira vez que viu um círculo para proteger as mulheres
em aglomerações no Egito foi em novembro de 2011, “após surgirem os primeiros casos
de ataques sexuais em massa nos protestos”.

O correspondente da BBC no país Aleem Maqbool afirma que há vídeos na internet que
mostram como dezenas de homens de repente fazem um círculo em volta das mulheres
durante manifestações e as levam, no meio da multidão, enquanto elas são tocadas
e atacadas.

> “Nunca imaginei o que me fariam em apenas alguns minutos. Fizeram um círculo fechado
> ao meu redor. Começaram a tocar cada parte de meu corpo, a violar cada parte de
> meu corpo. Estava tão traumatizada que só conseguia gritar. Não podia falar nem
> pedir ajuda, apenas gritar.”

Hania Moheeb, vítima de ataque

“Nunca imaginei o que me fariam em apenas alguns minutos. Fizeram um círculo fechado
ao meu redor. Começaram a tocar cada parte de meu corpo, a violar cada parte de 
meu corpo. Estava tão traumatizada que só conseguia gritar. Não podia falar nem 
pedir ajuda, apenas gritar”, afirmou Hania Moheeb, vítima de ataque em um vídeo 
gravado pela ONG internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

“Se aproveitaram que eu estava no chão, me pegaram, me viraram, colocaram minhas
pernas para cima e me estupraram como quiseram”, relatou Yasmine El-Baramawy, outra
vítima, no mesmo vídeo.

Segundo a analista da Anistia Internacional, no meio do caos é difícil saber quem
está tentando salvar a vítima e quem está atacando.

“Todo mundo estava me agarrando, fingindo querer me tirar da multidão, mas na verdade
estavam me atacando”, disse Shorouk Al Attar há algumas semanas à BBC.

Shorouk foi vítima de um destes ataques junto com a irmã perto da praça Tahrir durante
um protesto em 2012.

## ‘Não se pode evitar’

Aleem Maqbool afirma que, nos últimos anos, as mulheres egípcias se acostumaram 
a ser vítimas de violência sexual, principalmente quando há grandes aglomerações.
O feriado do Eid (festa religiosa muçulmana) é uma das mais perigosas.

“Agora parece que os grandes protestos na praça Tahrir, coração da revolução egípcia,
se transformaram em uma grande fonte de atração para alguns jovens e meninos egípcios
que querem olhar com lascívia, perserguir e até atacar sexualmente as mulheres”,
disse o correspondente.

“Se está aqui e vê uma menina vestida de forma indecente, o que vai fazer? Não se
pode evitar”, disse a Maqbool um jovem que estava na praça com outros jovens.

“Estamos deprimidos, não encontramos trabalho e nem temos dinheiro, o que você espera?”,
questionou outro.

Vários dos jovens com quem a BBC conversou confessaram que iam para a praça olhar
as mulheres. E, apesar de não admitirem envolvimento em ataques graves, a atitude
demonstra que eles não consideram a violência contra as mulheres um problema, e 
os estupros são até motivo de piadas.

Outros setores da sociedade egípcia suspeitam que, além do problema social que existe
há tempos no Egito a respeito do abuso sexual de mulheres, alguns dos ataques na
praça Tahrir visam gerar terror no país.

Alguns admitem que vão aos protestos apenas para olhar as mulheres

Segundo Maqbool, a ideia de que a Irmandade Muçulmana promoveu os estupros para 
evitar que as mulheres participem dos protestos é popular entre alguns ativistas
e grupos de apoio a mulheres.

Mas não há provas, e a acusação foi negada pelo partido.

## Os homens de amarelo

Diante deste vácuo de segurança surgiram os grupos de guardas voluntários, como 
os homens de amarelo que cercam as mulheres na praça Tahrir.

Um destes homens é da organização chamada Operação contra Ataques Sexuais, que teve
um papel crucial na denúncia dos casos de agressão, na proteção das manifestantes
e no apoio às vítimas.

A organização também usa sua página no Facebook para alertar as mulheres sobre áreas
perigosas e possíveis estupros.

Mas o que os voluntários pode fazer é limitado.

“(…) O respeito e o medo das forças de segurança diminuiu desde a revolução, e é
difícil imaginar como as mulheres poderiam estar livres do estupro em meio a uma
grande multidão”, afirmou Maqbool.

À medida que os protestos continuam no Egito, muitas mulheres procuram áreas onde
podem se manifestar ou celebrar com mais segurança. Os arredores do palácio presidencial,
onde há mais vigilância, é uma alternativa.

Mas, independentemente de quem são os estupradores e dos fatores sociais ou políticos
que podem motivar estes ataques, segundo Maqbool “está claro que o tema dos abusos
sexuais não está sendo levado em conta com a gravidade que merece, nem por políticos,
nem pelos funcionários de segurança e nem pela sociedade egípcia em geral”.

Fonte BBC Brasil

@meiaseis

### Notícias relacionadas

 * [Violência contra partidários de Morsi aumentam impasse em Egito dividido](http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130708_egito_mortes_impasse_fl.shtml)
 * [Vizinhos se dividem quanto a desdobramento de golpe no Egito](http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130704_vizinhos_egito_pai.shtml)
 * [Impasse político é mantido no Egito](http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130706_egito_baradei_pai.shtml)

 

## Tópicos relacionados

 * [Protestos no Egito](http://www.bbc.co.uk/portuguese/topicos/egypt_protests)

[⌊Enhanced by Zemanta⌉⌊Enhanced by Zemanta⌉[

## Leia também

 * [Lei sobre casamento gay mobiliza Argentina](https://soropositivo.org/lei-sobre-casamento-gay-mobiliza-argentina/)
 * [Sexo: Quando algo dá errado](https://soropositivo.org/sexo-quando-algo-da-errado/)
 * [Campanha contra Hepatite C retorna aos Terminais do Corredor ABD](https://soropositivo.org/campanha-contra-hepatite-c-retorna-aos-terminais-do-corredor-abd/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

### _Relacionado_
