# Elas ainda sonham

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- Published: 2010-07-14T14:38:58-03:00
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JORNAL DE BRASILIA &#8211; DF | PROSTITUIÇÃO DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS 14/07/2010 Elas ainda sonham Com um mundo livre do preconceito e da exclusão e com o direito de ter uma vida digna Ana Paula Leitão, especial para o Jornal de Brasília &#8220;As mulheres do ofício lavam as faces manchadas de sono e retocam o batom no espelho marcado de tempo. Todas elas que prometem prazer já estão à porta, à janela grande e velha, encostadas à espera daquele que não ficou de vir. E a casa verde fervilha lentamente sua sina de guardar segredos na vida, da vida&#8221;. O poema Casa Verde foi escrito por Leila Barreto, filha da prostituta Lurdes Barreto, de 67 anos, e fala sobre uma antiga casa de prostituição que hoje é a sede do Grupo de Mulheres Prostitutas da Área Central de Belém (Gempac). Leila é pedagoga e luta, junto com a mãe, pelos direitos das prostitutas. &#8220;Eu tenho uma visão bem clara (da prostituição) como trabalho, porque eu fui sustentada, e mamãe tinha horário, tinha postura. Mamãe sempre foi uma boa puta&#8221;. Para Leila, o maior problema sempre foi o preconceito da sociedade, que julga e cria modelos para os ditos filhos da puta. &#8220;A profissão da mamãe parece ser sempre um divisor de águas. Se a gente vai para a frente, é um milagre. Se gente vai para trás, é filho mesmo de uma prostituta. Esses aspectos são muito doentios da sociedade. Bastava comentar a profissão dela, a gente criava um problema, um diferencial&#8221;. O movimento de prostitutas realiza projetos para diminuir o preconceito, alertar sobre doenças e capacitar as prostitutas com o oferecimento de cursos de costureiras, manicures e cabeleireiras. Além disso, o grupo é referência no combate da exploração sexual de crianças e adolescentes. Fernando Guarani, 23 anos, coordena o grupo de combate à exploração sexual na infância e adolescência. Ele foi um dos participantes do projeto Ateliê da Vida, que recebe jovens e crianças que estão fora da escola, não têm lar, ou estão na criminalidade. &#8220;Foi a própria profissional do sexo, que era marginalizada, excluída da sociedade, que pensou não só no filho dela, mas também naqueles que não faziam parte do mundo dela e que sofriam muitas vezes a mesma exclusão social&#8221;. Guarani entrou no projeto Ateliê da Vida aos 16 anos, quando tinha parado de estudar e estava envolvido com gangues. Foi expulso duas vezes do colégio e chegou a ser preso. Dos 11 amigos que tinha, dez foram mortos na criminalidade. &#8220;Dentro do que hoje eu conheço da sociedade, com certeza eu estaria superlotando o presídio. Para você ver, da maioria que eu conhecia da época, só tem eu e mais um que está vivo, sendo que ele virou crente, e eu estou aqui, voltei a estudar&#8221;. Hoje, Guarani é professor de percussão no projeto, que atende a cerca de 80 adolescentes. SONHOS DE CINDERELA Faceira, extrovertida e batalhadora, a mulata de 49 anos está na prostituição desde os 13, quando começou a morar nas ruas. Cinderela, como é conhecida na zona, experimentou os desencantos da vida quando era menina de rua. A mulher foi acolhida pelo movimento de prostitutas do Estado do Pará, que se tornou um novo lar. &#8220;O Gempac significa, para mim, minha casa, uma casa que aguentou os filhos das prostitutas, afiliou as prostitutas, fez de nós mulher&#8221;. Cinderela saiu cedo da casa dos pais para trabalhar. Segundo ela, o apelido de Cinderela surgiu quando ainda era criança, época em que fazia balé. &#8220;Desde os 10 anos, quando eu estudava em escolinha, a nossa (educação) física era fazer balé, com aquela roupinha, e eu era a mais danadinha. Foi quando escutei aquela música da Ângela Maria, chamada C i n d e re l a &#8220;, lembra minutos antes cantar a canção que lhe traz lágrimas ao rosto. Nos sonhos de menina, Cinderela ainda guarda o desejo de encontrar o príncipe encantado. Leia também JORNAL DE BRASILIA &#8211; DF | PROSTITUIÇÃO AIDS | CAMISINHA | Em defesa da profissão Trabalho para dar prazer Este blog existe há 25 anos.Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:Chave Pix: solidariedade@soropositivo.orgVocê também pode me escrever para: claudio@soropositivo.orgViews: 1 Relacionado
