# Empresa deixa de lançar antiAids por discordar de lei de patentes do País

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- Published: 2009-06-19T22:54:00-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**Dia / Mês/Ano:**

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 * [O Estado de S. Paulo](https://soropositivo.org/empresa-deixa-de-lancar-antiaids-por-discordar-de-lei-de-patentes-do-pais/#o-estado-de-s-paulo)
 * [Empresa deixa de lançar antiAids por discordar de lei de patentes do País](https://soropositivo.org/empresa-deixa-de-lancar-antiaids-por-discordar-de-lei-de-patentes-do-pais/#empresa-deixa-de-lancar-antiaids-por-discordar-de-lei-de-patentes-do-pais)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/empresa-deixa-de-lancar-antiaids-por-discordar-de-lei-de-patentes-do-pais/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/empresa-deixa-de-lancar-antiaids-por-discordar-de-lei-de-patentes-do-pais/#relacionado)

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**19/JANEIRO/08**

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Embora legal, decisão de não registrar remédio prejudica pacientes que necessitam
dele para seguir tratamento

Fabiane Leite

O laboratório farmacêutico Boehringer Ingelheim decidiu não lançar no Brasil um 
medicamento contra a **Aids**. A droga, chamada tipranavir, é utilizada em pacientes
que já não têm mais sucesso com outros tipos de medicamento contra a doença. Ao 
não registrar o medicamento no País, a empresa dificultou o acesso de pacientes 
que necessitam do remédio como última alternativa de tratamento – nenhum remédio
pode ser vendido, nem ofertado no SUS, sem registro.

Recentemente a Defensoria Pública do Estado de S. Paulo foi à Justiça para conseguir
a droga e outro medicamento, recomendados a um paciente que está com o sistema imunológico
extremamente abalado e que já não responde a outros remédios. O rapaz não tem recursos
para importar a droga. A Justiça foi favorável ao pedido, mas a ordem ainda não 
chegou às autoridades do Estado de São Paulo, que serão obrigadas a importar o remédio.“
O paciente está usando só alguns antibióticos”, afirma o defensor público Felipe
Pereira.

“O laboratório desistiu de registrar e a decisão foi unilateral. Ele condicionou
o registro à garantia de que a patente fosse honrada. Como o governo tem um trâmite
para isso, o presidente do laboratório decidiu não registrar, apesar do esforço 
da filial aqui. Realmente o laboratório decidiu que não iria registrar por falta
de garantia da patente. Foi uma decisão extremamente equivocada”, afirma o infectologista
Adauto Castelo Filho, que participava do grupo de especialistas que analisavam estudos
com o medicamento no Brasil.

Segundo Castelo, a decisão foi tomada ainda em meados 2006, antes portanto da quebra
de patente de outro remédio contra a **Aids**, o efavirenz, ocorrida em maio do 
ano passado. No entanto, jamais foi tornada pública. Colaboradores da empresa, no
entanto, afirmaram ao Estado que o licenciamento compulsório sepultou a possibilidade
de o remédio ser disponibilizado no Brasil. Mas também o fato de o mercado brasileiro
da droga não ser prioridade para empresa pesou na decisão de negar acesso aos pacientes
brasileiros – o remédio é vendido na Europa e nos EUA.

A Boehringuer destacou respeitar a legislação brasileira e prometeu trazer o produto
ao País. “A substância tipranavir, em se tratando de um medicamento importante para
o controle da infecção (…) figura na relação de lançamentos da companhia programados
para os próximos anos, no Brasil”, informou em nota a empresa farmacêutica, uma 
das 20 principais companhias farmacêuticas do mundo. “Contudo, todo lançamento da
Boehringer Ingelheim enquadra-se num cronograma pautado por estratégias globais 
da companhia, e, por isso, passíveis de sofrer alterações”, diz ainda o texto. Segundo
a empresa, 92 pacientes que faziam parte do estudo com a droga no Brasil continuam
a receber tratamento, pago pelo laboratório.

A decisão de registrar ou não um produto é um direito do detentor de sua patente.
No entanto, atualmente, mesmo sem ter a garantia de que terão exclusividade sobre
a produção de um remédio no país, outras farmacêuticas não deixam de ofertar seus
produtos . O lançamento é feito mesmo antes do fim das análises feitas em um longo
processo executado em conjunto pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial(
INPI) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A decisão da companhia também não é novidade no mundo das farmacêuticas – outras
já se negaram a lançar drogas em países que têm legislações sobre patentes consideradas
ruins para seus negócios, como a Tailândia, que também já quebrou patentes.

FALTA DE NEGOCIAÇÃO

Castelo Filho calcula que entre 2 mil e 3 mil pacientes poderiam ter benefício com
o tipranavir. Para ele, faltou negociação entre o governo brasileiro e o ministério,
que também não teria trabalhado o suficiente para trazer a droga, que é cara. A 
pasta irá ofertar em breve outro remédio para os casos em que há resistência, o 
darunavir.

## Leia também

 * [Drogas antiaids deixam seqüelas em sobreviventes](https://soropositivo.org/drogas-antiaids-deixam-sequelas-em-sobreviventes/)
 * [Celsentri, novo medicamento contra a AIDS chega ao Brasil.](https://soropositivo.org/celsentri-novo-medicamento-contra-a-aids-chega-ao-brasil/)
 * [País terá tecnologia para testar gel antiaids](https://soropositivo.org/pais-tera-tecnologia-para-testar-gel-antiaids/)

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