# Empresas brasileiras estão longe dos padrões globais

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- Published: 2009-06-19T22:48:41-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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Revista Idéia Socioambiental/São Paulo, 23 de Outubro de 2007 – Sociólogo fala de
iniciativas para a sustentabilidade no Brasil e em outros países. Quando o britânico
John Elkington criou a consultoria SustainAbility, há 20 anos, o cenário político
e econômico mundial ainda assistia ao final da Guerra Fria e à corrida das empresas
pela conquista de mercados e obtenção de lucros cada vez maiores, muitas vezes sem
pensar nos impactos sociais e ambientais de suas ações. Hoje, com a sustentabilidade
na agenda corporativa, Elkington tornou-se um dos especialistas no tema mais requisitados
em todo o mundo. Seu interesse pela causa ambiental começou aos 11 anos de idade,
quando mobilizou os colegas de sala com o objetivo de captar recursos para o então
recém criado WWF (Fundo Mundial para a Natureza). Nos anos 1980, Elkington formulou
o conceito de consumo verde, detalhado no Guia do Consumidor Verde, que virou o 
best-seller da década, um de seus dezesseis livros. Em 1987 fundou a SustainAbility,
uma consultoria que auxilia empresas de todo o planeta a produzir com responsabilidade
social. Hoje, a organização está focada em um trabalho intenso e contínuo em países
[emergentes](https://soropositivo.org/doencas-emergentes-maior-ameaca-vem-de-animais-selvagens/)
e terá, a partir 2008, uma sede na Índia. A atuação da SustainAbility nos últimos
20 anos reflete a trajetória de um profissional que assistiu às principais mudanças
político-econômicas da segunda de do século 20 e contribuiu para o nascimento do
conceito triple bottom line, que significa a conjugação de resultados financeiros,
sociais e ambientais. Em entrevista à repórter Carmen Guerreiro, Elkington traça
um panorama geral da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) no mundo. O debate
no Brasil Fiquei muito impressionado com a rapidez com que alguns líderes executivos
brasileiros se sensibilizaram para essas questões, mas também pela escala vertical
dos desafios econômicos, sociais e ambientais que o país enfrenta. Para mim, e talvez
isso não surpreenda, um destaque são as conferências do Instituto Ethos, que têm
um público extraordinário. Chamou-me a atenção o fato de uma grande parcela desse
público ser formado por mulheres jovens. Isso é muito empolgante, uma vez que nossa
experiência com o SustainAbility mostra que as mulheres jovens são mais abertas 
para o mundo, têm mais energia e compromisso; mas também pode nos revelar algo sobre
como as empresas estão posicionando a RSE em seus negócios e quem estão contratando
para trabalhar com isso. Fiquei impressionado com o nível de entendimento e entusiasmo.
A maioria das empresas brasileiras, porém, ainda tem um caminho considerável para
trilhar antes de atingir qualquer coisa que se assemelhe a padrões globais. A necessidade
dos líderes Líderes bem sucedidos sempre foram socialmente responsáveis. A real 
questão tem sido como eles definem o grupo, comunidade ou sociedade pela qual se
sentem responsáveis. E até que ponto existiu um real equilíbrio entre líderes e 
liderados. Com a globalização, líderes estão sendo demandados a assumir responsabilidade
por um quadro muito mais amplo de pessoas pelo mundo inteiro. Com desenvolvimento
sustentável, eles também estão sendo cobrados a aceitar um crescente nível de responsabilidade
em relação às futuras gerações. Desafios Seres humanos são animais de rebanho. A
maioria de nós se sente vulnerável ao se distanciar muito do resto do grupo. Se 
uma nova linguagem surge, e pessoas interessantes e líderes começam a usá-la, então
nós começamos a usá-la também. Mas o salto entre falar sobre novas coisas e agir
sobre elas sempre foi muito grande, particularmente quando existem grandes incertezas,
escolhas e trocas envolvidas. Isso dito, não me preocupo muito com a questão. Pensamento
e prática A Escandinávia tornou-se liderança nessa área, ainda que tenha existido,
por um longo período, uma ênfase na legislação, enquanto a União Européia se concentrou
em iniciativas voluntárias e empresas de países como a Suécia, por exemplo, sentiram
a necessidade de se atualizar. Têm-se discutido muito sobre RSE na União Européia
e, pelo menos em algumas áreas – como as que incluem relatórios de sustentabilidade(
ou não-financeiros) corporativos e regulamentação – a região está em uma espécie
de posição de liderança. Vimos novas leis serem criadas, como o sistema REACH (sigla
em inglês para registro, avaliação, autorização e restrição para o uso de produtos
químicos) para testes químicos, e a diretiva WEEE (desperdício de equipamentos elétricos
e eletrônicos), que define as orientações para o descarte e controle dos equipamentos
elétricos e eletrônicos usados. Outras áreas nas quais as empresas da União Européia,
especificamente aquelas sediadas no Noroeste Europeu, estão razoavelmente avançadas,
são as de produtos orgânicos e comércio justo. No Japão, empresas líderes são boas
em eficiência energética e questões ambientais. Nos Estados Unidos, vemos grandes
companhias estabelecendo s ambiciosas em termos de sustentabilidade ambiental, notadamente,
a General Eletric, com sua iniciativa “Ecomagination”, e o Wal-Mart, com seus planos
de parar de estocar bulbos de lâmpadas incandescentes e instalar energia solar nas
centenas de telhados de suas lojas espelhadas pelo mundo. Alguns estados americanos–
particularmente a Califórnia – vêm crescendo como líderes nessas áreas, com soluções
regionais de transporte de baixa emissão. Entre as economias emergentes, observamos
empresas particulares fazendo um bom trabalho, a exemplo da Natura, no Brasil, e
da Infosys, na Índia. Mas, tipicamente, países como esses ainda têm muito a fazer.
As empresas chinesas têm sido manchetes recentemente por causa de suas atitudes 
desleixadas envolvendo propina e corrupção. Grandes temas As mudanças climáticas
são a grande questão na Europa e, cada vez mais, nos Estados Unidos, apesar de a
administração Bush tentar ignorar o desafio. Mas uma gama propina e corrupção – 
vem sendo introduzidas, nos últimos anos, na agenda do Fórum Econômico Mundial e
da Clinton Global Initiative. Evolução das discussões Na área ambiental, as mudanças
climáticas fizeram mais sucesso do que os temas relativos à biodiversidade, por 
exemplo, ainda que ambas as questões sejam de igual importância. Na área social,
a agenda dos direitos humanos evoluiu dramaticamente, de forma que questões como
acesso à energia a baixos custos, água limpa e medicamentos para doenças como HIV/
AIDS, malária e tuberculose são, cada vez mais, apresentadas a empresas como direitos
humanos básicos. As implicações para os modelos de negócio – e de lucratividade –
de muitas dessas empresas são profundas. Sustentabilidade Um país pode se desenvolver
por longo tempo baseado em negócios não-sustentáveis, levando minerais à exaustão,
poluindo ou secando fontes de água, e minando recursos naturais como os peixes e
as florestas. Mas, a não ser que o governo esteja preparado para forçar a redução
da população local de forma a controlar a destruição do meio ambiente, o resultado
final será, de alguma maneira, o colapso. O desenvolvimento sustentável, em contraste,
significa planejar e agir como se pretendêssemos continuar nesse planeta, e na nossa
área particular dentro deste. E em um mundo projetado para atingir de nove a dez
bilhões de pessoas até meados deste século, algo que eu não espero que aconteça 
por outras razões, também significa melhorar radicalmente os sistemas políticos,
sociais e econômicos – incluindo a tecnologia – para assegurar que padrões aceitáveis
de vida possam ser atingidos não só conservando, mas também regenerando as fontes
naturais. Da teoria à prática Alguns passos mínimos são realizar uma revisão ou 
auditoria das questões-chave; iniciar o relacionamento com acionistas, funcionários,
comunidade, clientes e fornecedores e com os demais implicados na atividade da empresa;
construir os processos de pensamento necessários para trabalho para os altos executivos,
e fazer lobby para a
 s mudanças necessárias em incentivos para o mercado (tanto
recompensas quando penalidades), para garantir, em termos mais simples, que as coisas
boas aconteçam com mais freqüência que as ruins. Tendências Os mercados e as políticas
do século 21 serão definidos pela interação entre os diferentes aspectos da globalização
e uma agenda de sustentabilidade em evolução. Fizemos um relatório na SustainAbility
que analisa as principais tendências da globalização para as próximas duas décadas
e suas implicações para a responsabilidade social empresarial e a agenda de desenvolvimento
sustentável. O mundo globalizado de hoje tem características singulares: mercados
financeiros globais interconectados, urbanização sem precedentes, crescentes disparidades
e conflitos potencialmente explosivos entre ricos e pobres, desafios para a diversidade
em suas formas biológica, ecológica, humana e social; insegurança climática e ambiental;
vácuos de governança e uma bem-vinda inquietação: a proliferação de redes dedicadas
a regenerar o meio ambiente e promover justiça social. Novos atores estão avançando
no campo da globalização. A China e a Índia, com suas impressionantes taxas de crescimento,
estão impactando os mercados de commodities e o comércio internacional, enquanto
promovem novas relações comerciais Sul-Sul no cenário global. Outras economias emergentes,
como o Brasil e a África do Sul, começam a desempenhar papéis regionais e globais
cada vez mais importantes. Na medida em que sua influência econômica cresce, países
em desenvolvimento também tentam mudar as regras da globalização a seu favor. O 
crescimento econômico tem graves conseqüências para a sustentabilidade. Juntos, 
a China, a Índia, o Brasil e a Rússia respondem por 30% das emissões globais de 
CO2. Embora as oportunidades floresçam, agravam-se os conflitos relacionados à demografia,
riqueza, gênero, nutrição, saúde, recursos ambientais, educação, informações, segurança
e governança. Veja mais no site: [http://www.ideiasocioambiental.com.br](http://www.ideiasocioambiental.com.br)(
Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 14)(Carmen Guerreiro)

## Leia também

 * [Empresas no Brasil são as que mais temem efeitos da AIDS](https://soropositivo.org/empresas-no-brasil-sao-as-que-mais-temem-efeitos-da-aids/)
 * [Mais brasileiras estão satisfeitas com a vida sexual](https://soropositivo.org/mais-brasileiras-estao-satisfeitas-com-a-vida-sexual/)
 * [Prevenção da AIDS é vetada por 85,5% das empresas brasileiras](https://soropositivo.org/prevencao-da-aids-e-vetada-por-855-das-empresas-brasileiras/)

**Leia também**

 * [PT define nomes da executiva](https://soropositivo.org/pt-define-nomes-da-executiva/)
 * [Brasil vai fabricar novos medicamentos anti-retrovirais, informa ‘o estado de s. Paulo’ deste sábado](https://soropositivo.org/brasil-vai-fabricar-novos-medicamentos-anti-retrovirais-informa-o-estado-de-s-paulo-deste-sabado/)
 * [Desigualdade brasileira](https://soropositivo.org/desigualdade-brasileira/)
 * [Guarulhos terá 1º Festival Cultural Estudantil](https://soropositivo.org/guarulhos-tera-1o-festival-cultural-estudantil/)

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