# 06/07/2010 – Vinte anos sem Cazuza

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- Published: 2010-07-07T21:31:02-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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AIDS

06/07/2010

 

![cazuza-1985-exagerado](images/2012/cazuza-1985-exagerado.jpg "Cazuza em 1985 lançava
o Long play "Exagerado"")

 

#  

Parece que foi ontem, mas já se vão duas décadas desde a morte do cantor e compositor
Cazuza. Foi exatamente no dia 7 de julho de 1990, que o autor de composições famosas
como “Codinome Beija-Flor”, “Ideologia”, “Brasil”, “Faz Parte Do Meu Show” e “O 
Tempo Não Pára”, entre outras, perdeu a luta contra a **AIDS**, doença contra a 
qual resistiu bravamente até os seus últimos dias. Se vivo estivesse, já seria um“
cinquentão”, não se sabe se ainda rebelde, se menos boêmio e mais polêmico do que
foi em seus 32 anos de vida. Além do legado de sua obra, que inclui músicas ainda
inéditas, o trabalho de sua mãe Lucinha Araújo na Fundação Viva Cazuza mantém acesa
a lembranças do “exagerado” poeta, nesses 20 anos de ausência.

É difícil imaginar como seria o Cazuza hoje. Mas a mãe do músico acredita que o 
filho manteria a irreverência que o tornou conhecido em todo o país. “Tenho certeza
absoluta que ele continuaria sendo de vanguarda. Ele não tinha medo nem da morte,
não tinha vergonha de nada”, disse em entrevista recente.

Ainda hoje, suas músicas tocam nas rádios e Cazuza é sempre lembrado com um dos 
ícones do rock dos anos 80. Vai-se o homem e fica a obra, como diria Ataulfo Alves.
Quando se descobriu portador do vírus **HIV**, o que nos anos 80 era uma verdadeira
sentença de morte, o músico transformou seu sofrimento em criação, e teve início
uma de suas fases mais criativas do artista, que acabou deixando algumas canções
inéditas.

Uma das homenagens ao músico será o lançamento do álbum 13 Parcerias com Cazuza (
MPB Discos/Universal Musical), do saxofonista e violonista do Kid Abelha, George
Israel, 50 anos. Esse terceiro trabalho solo do músico traz canções compostas pelos
dois amigos e parceiros musicais, assim como com outros parceiros, vestidas com 
novos arranjos. “São músicas até hoje atuais. Tanto que um público leigo pode achar
que elas são novas”, garantiu o músico durante uma entrevista para divulgar o novo
trabalho.

Entre as composições do CD estão “De Quem é o Poder?”, gravada somente pelo Kid 
Abelha, em 1989, no álbum Kid, e pouco conhecida do grande público. A primeira faixa
do disco será “Você Vai Me Enganar Sempre II, composição inédita, que segue a linha
reggae dançante. Nela, George Israel faz um dueto com uma gravação da voz de Cazuza,
encontrada em uma fita cassete. O trabalho traz ainda “Nabucodonossor”, do disco
Burguesia, último álbum gravado por Cazuza, um ano antes de sua morte.

George homenageia o músico também através das participações especiais do CD. Nele,
estão parceiros da vida e da carreira de Cazuza como Frejat, companheiro de banda
do músico que faz voz e guitarra em “Blues do Ano 2000”; Ney Matogrosso, ex-namorado
de Cazuza, e Sandra de Sá, que eram compadres, já que Cazuza batizou o filho da 
cantora, que solta a voz em “Solidão que Nada”. Além destes, estão ainda Elza Soares–
de quem o compositor era fã – em “Brasil” e Marcelo D2, dá uma levada hip hop ao
clássico.

Discografia

èCom o Barão Vermelho

1982 – Barão Vermelho

1983 – Barão Vermelho 2

1984 – Maior Abandonado

èSolo

1985 – Exagerado

1987 – Só Se For A Dois

1988 – Ideologia

1988 – O Tempo Não Pára – ao vivo

1989 – Burguesia

1991 – Por Aí (póstumo)

2005 – O Poeta Está Vivo – Show no Teatro Ipanema 1987 – ao vivo (póstumo)

èVideografia

Com o Barão Vermelho

2007 – Rock in Rio 1985 (DVD)

èSolo

1988 – Ideologia (VHS Vídeo)

1989 – O Tempo Não Pára (VHS Vídeo)

2008 – Pra Sempre Cazuza (DVD)

èFilmografia

1984 – Bete Balanço (participação especial)

1987 – Um Trem para as Estrelas (participação especial)

2001 – Cazuza – Sonho de uma noite no Leblon (documentário)

2004 – Cazuza – O tempo não pára (biográfico)

Talento reconhecido ainda enquanto vivia

Cazuza nasceu Agenor de Miranda Araújo e ainda bebê ganhou o apelido, graças à ascendência
nordestina do pai, João Araújo, já que no vocabulário da região, o termo “cazuza”
significava “moleque”. E não deu outra, acabou fazendo jus à alcunha já na adolescência,
quando demonstrava muito mais interesse pela vida noturna do Baixo Leblon do que
pelos estudos. Foi nessa época que começou a desenhar seu futuro talento para a 
música que mais tarde acabou sendo reverenciado por grandes nomes da música brasileira.

Em vida, ele teve a oportunidade de ter seu talento reconhecido, por exemplo, por
nomes como Caetano Veloso, fã das composições “Bilhetinho Azul” e “Todo Amor que
Houver Nessa Vida”. Em 1983, Cazuza estava com 25 anos, quando durante um show no
Canecão, o músico baiano se referiu a Cazuza com a seguinte frase: “Eis o maior 
poeta de sua geração.”

Algum tempo depois, Renato Russo, falecido em 1996, levado pela **AIDS**, assim 
como Cazuza, dedicou-lhe a faixa Feedback Song for a Dying Friend, traduzida pelo
escritor Millôr Fernandes como “Canção Retorno Para um Amigo à Morte”, que está 
no disco Quatro Estações, de 1989. O líder da Legião Urbana em entrevista nos anos
90, afirmou: “A poesia do Cazuza não é só dos anos 80. É para sempre”. Ele tinha
razão.

SOCIEDADE

A vida de Cazuza já rendeu livros, filmes e musicais de teatro. Quanto mais o tempo
passa, mais importante se torna a sua obra. Desde que perdeu o filho há 20 anos,
Lucinha Araújo mantém de pé a fundação Viva Cazuza, que presta auxílio a crianças
portadoras do vírus **HIV**. Uma parte da instituição é mantida com o dinheiro que
vem dos direitos autorais da obra de Cazuza, com a ajuda de parceiros e com o pulso
forte da presidente. Como já vem fazendo há alguns anos, ela pretende passar a data
trabalhando, apesar da dor da perda que se mantém sempre viva. “Para mim, os anos
que passam, não fazem a menor diferença”, afirma.

A Sociedade Viva Cazuza foi criada com um objetivo claro: dar apoio ao Hospital 
Gaffrée e Guinle, que era referência no tratamento da **AIDS**. Vinte anos depois
de sua fundação, a ONG criada por Lucinha continua sendo a única do gênero na cidade
do Rio. Com despesas mensais no valor de R$ 70 mil, nos últimos meses tem fechado
no vermelho. Para manter o mesmo padrão de atendimento desde o início, a instituição
vem formando redes para conseguir novos parceiros. Pelo twitter (@VivaCazuza), por
exemplo, conseguiu nutricionista voluntário e tradutor para o site da instituição
[http://www.vivacazuza.org.br](http://www.vivacazuza.org.br).

Aos 73 anos, a mãe de Cazuza não desanima. Tanto que em 1994, criou também a Casa
de Apoio, por onde já passaram cerca de 70 moradores. Mesmo com o fato do direito
autoral do filho, usado para cobrir as despesas, estar cada vez mais escasso, ela
não pensa em desistir e batalha para conseguir voltar aos tempos em que conseguia
cobrir os custos, sem tantos apertos. “O serviço é de qualidade. Quando não for 
mais assim, fecho as portas. Não vou ter um depósito, fazer criança sofrer. Aqui,
cada um tem a sua identidade. Não faço isso por que sou boazinha, não. Faço por 
que me faz bem. Venho aqui todo santo dia, quero saber o que comem, como estão indo
na escola”, disse em entrevista recente.

 

Veja mais: [Vida e Biografia de Cazuza](http://pt.wikipedia.org/wiki/Cazuza)

## Leia também

 * [20 anos sem Cazuza, que morreu de aids aos 32 anos](https://soropositivo.org/20-anos-sem-cazuza-que-morreu-de-aids-aos-32-anos/)
 * [O tempo não para na Sociedade Viva Cazuza](https://soropositivo.org/o-tempo-nao-para-na-sociedade-viva-cazuza/)
 * [06/07/2010 – São Paulo vai combater discriminação a portadores do HIV](https://soropositivo.org/06-07-2010-sao-paulo-vai-combater-discriminacao-a-portadores-do-hiv/)

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