# Culpa

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- Published: 2016-08-12T18:00:21-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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![Nota do Editor: Quando eu recebi meu diagnóstico passei por um período extremamente
paranóico onde eu sentia que qualquer pessoa poderia saber que eu sou soropositivo
só de olhas paramim.Senti medo, vergonha, culpa, auto-humilhação e pensei sim, e
muito, em suicídio. Um amigo meu, quye me fez o favor de notificar a minha ex, que
poderia,mas nao estava, infectada, diz que um segundo depois ele tivesse se arrependido
deter falado, porque ela entrou num completo surto paranóico e foi difícil trazê-
la de volta à luz da realidade. A AIDS, esta doença, tem o dom de enlouquecer as
pessoas quando elas sentem que podem ter sido tocadas por ela. Nunca vi um só relato
de uma pessoa que recebesse isso comserenidade, num caso extremo, uma amiga me contou
que o irmão dela tinha AIDS e que ela, antes de confirmar o diagnóstico, que tinha
a "esperança que fosse leucemia" E é psicóloga!!!](https://soropositivo.org/wp-content/
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Nota do Editor: Quando eu recebi meu diagnóstico passei por um período extremamente
paranóico onde eu sentia que qualquer pessoa poderia saber que eu sou soropositivo
só de olhas paramim.Senti medo, vergonha, culpa, auto-humilhação e pensei sim, e
muito, em suicídio. Um amigo meu, quye me fez o favor de notificar a minha ex, que
poderia,mas nao estava, infectada, diz que um segundo depois ele tivesse se arrependido
deter falado, porque ela entrou num completo surto paranóico e foi difícil trazê-
la de volta à luz da realidade. A AIDS, esta doença, tem o dom de enlouquecer as
pessoas.

Me entreguei após olhares cruzados, toques trocados, e beijos doados. Me entreguei
ao ponto de sentir a explosão e o êxtase. Me entreguei até o gozo do prazer me desvanecer
ao relaxamento dos músculos, e o descanso do espírito. Experiência excitante e deliciosa
não é mesmo? Pois é!

Mas nunca pensei que esse prazer pudesse ser a sentença, o castigo por um simples
descuido pessoal. Na realidade, descoberta feita por um simples exame médico. Exame
esse indolor e feito não por dores físicas ou doença manifestada, mas feito por 
curiosidades em saber meu estado clínico de saúde. O Juiz em minha frente sentado
todo de branco (médico) leu e olhou em meus olhos dando o veredito:

 

> – ”Você é a partir deste resultado do exame…soropositivo!!”

O mundo parou, o som sumiu, o chão se abriu e o impacto em mim foi tão forte que
ao mesmo tempo me entorpecida como anestésico sentimento sem explicação.

Cela?

Sim, teve a cela chamada solitária.

Solitária a dor.

Solitária a caminhada de um tempo sem relatar, sem desabafar, sem confidenciar essa
tão horrível notícia recebida. Os filmes passando em pensamentos dos momentos gerais
da minha vida em poucos segundos, pois o Juiz voltava a sentenciar a minha prisão
perpétua.

> **A solitária que eu mesmo me sentenciei em afastar-me de pessoas, de amigos, 
> de família, de espelhos.**

Sim espelhos, pois eu havia tomado um nojo próprio, onde eu sentia que a minha alma
estava eternamente contaminada. Dias e meses se passavam, até que eu enfrentei o
pior inimigo. Eu mesmo! O inimigo íntimo que faz ter o mais dolorido e preconceituoso
dos sentimentos por si próprio. Coloquei na mente e no coração que eu iria ser um
prisioneiro feliz, onde eu permitiria o amor próprio retornar para meu EU, de onde
eu havia o expulsado.

> Saber que o culpado de tudo que aconteceu, era somente eu, o próprio vilão me 
> enfurecia.
> Saber que eu me permiti denegrir, contaminar um templo chamado corpo que Deus 
> me deu perfeito…e eu o profanei de uma certa forma.

Por que eu me culpava por tudo?

Por que não culpar o parceiro?

Uma resposta óbvia e simples, mas difícil de enxergar nos primeiros momentos. Nunca
fui estuprado, nunca fui obrigado a manter relações sexuais, nunca me impuseram 
ou ordenaram que o meu sexo deveria ser sem preservativo, nunca apontaram um revólver
para minha cabeça dizendo que seria sem e ponto.

> Eu me permiti, eu autorizei, eu deixei…EU QUIS!

Saber aceitar sua falha e não querer imputa-la ao parceiro, é a chave que destrava
a sua prisão, a cela em que eu mesmo havia me trancado.

A solitária!

A vida é simples de se viver, é saudável continuar e é caridosa com quem se respeita
e se cuida pós-soltura, pós-livramento e autoaceitação. Dar se o valor, dar valor
a vida própria, a vida lá fora e a vida de todos ao redor, torna se o livramento
perpétuo onde você consegue se perdoar. Viver simples e intenso, é o que precisava
para eu ser feliz comigo mesmo e pronto para encarar a realidade.

> A realidade é: Posso ser feliz, saudável e ter uma relação totalmente normal com
> um parceiro. Sendo ele soropositivo ou não. Somos normais, somos capazes e somos
> seres humanos como qualquer outro. Nem mais, nem menos que outro!

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 * [Por minha culpa, minha máxima culpa](https://soropositivo.org/por-minha-culpa-minha-maxima-culpa/)
 * [Mea culpa. Ma Faute. Minha Máxima culpa!](https://soropositivo.org/mea-culpa-ma-faute-minha-maxima-culpa/)
 * [Como saber se sou soropositivo para o HIV?](https://soropositivo.org/como-saber-se-sou-soropositivo-para-o-hiv/)

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