# Em nota conjunta, organizações de redução de danos criticam posição do Programa Nacional e Estadual

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- Published: 2009-06-19T22:45:51-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

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**Dia / Mês/Ano:**

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**22/JUNHO/07**

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21/6/2007 – 12h15

A Associação Brasileira de Redutores e Redutoras de Danos (ABORDA), a Rede Paulista
de Redução de Danos e a Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos (
REDUC) enviaram uma nota conjunta ao Programa Nacional de **DST** e **Aids** e ao
Programa Estadual de **DST**/**Aids** de São Paulo criticando a posição dos mesmos
em relação ao episódio, amplamente divulgado na mídia, sobre o panfleto produzido
para ser distribuído durante a 11ª Parada do Orgulho GLBT que, segundo a Folha de
S.Paulo, ensinava “a cheirar cocaína” (leia).

Na opinião das organizações, “a postura de dois dos atores mais importantes neste
processo deixou a desejar”.

Os ativistas dizem ainda que esperavam “que as coordenações fossem capazes de fazer
a defesa da Redução de Danos com mais segurança” e que ao apoiar a Associação da
Parada do Orgulho GLBT na decisão de recolher dos panfletos, “o que as coordenações
fizeram foi, em última análise, reforçar os discursos reacionários que consideram
à Redução de Danos como uma estratégia duvidosa, e não a política oficial do Estado
Brasileiro para o tratamento de questões relacionadas ao uso problemático de álcool
e outras drogas, além de suas inestimáveis contribuições ao combate às epidemias
de **Aids** e hepatites entre pessoas que usam drogas e suas redes sociais.”

A nota ainda diz que “nosso temor é de que a ausência de uma posição mais veemente
por parte do PN de **Aids** e da Coordenação Estadual resultem em destruição desta
política de saúde, que é tão importante quanto frágil.”

A Agência de Notícias da **Aids** entrou em contato com as assessorias de imprensa
dos Programas Nacional e Estadual de **DST** e **Aids** e está aguardando um posicionamento.
Leia a nota na íntegra.

 

A
Mariângela SimãoDiretora do Programa Nacional de **DST** e **Aids**Maria Clara
GiannaCoordenadora de **DST** e **Aids** do Estado de São Paulo

O incidente transcorrido nos dias anteriores à Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
envolvendo um material com orientações de Redução de Danos, preparado para ser distribuído
durante o evento, poderia ter servido como estopim de um debate sobre os direitos
das pessoas que usam drogas e sobre as formas de se fazer e pensar promoção de saúde
para esta população.

Num primeiro momento, foi isto o que se viu. Posicionaram-se acerca do assunto diferentes
atores sociais: profissionais de saúde e da segurança pública, além de organizações
e militantes do movimento GLBT e de Redução de Danos. Um debate intenso e saudável,
desejado por todos aqueles que defendem saúde e democracia, e à democracia no debate
sobre políticas de saúde.

O episódio poderia ter sido bastante esclarecedor para todos. Infelizmente, a postura
de dois dos atores mais importantes neste processo deixou a desejar: o Programa 
Nacional de **DST** e **Aids**, e a Coordenação de **DST** e **Aids** de São Paulo.

Imaginávamos, depois de mais de uma década investindo recursos financeiros e políticos
nesta estratégia, que as coordenações fossem capazes de fazer a defesa da Redução
de Danos com mais segurança.

Ao terminarem sua nota oficial conjunta com um parágrafo que apóia à Associação 
da Parada do Orgulho GLBT em sua decisão de não disponibilizar os panfletos, referindo-
se a um possível incentivo ao uso de drogas, o que as coordenações fizeram foi, 
em última análise, reforçar os discursos reacionários que consideram à Redução de
Danos como uma estratégia duvidosa, e não a política oficial do Estado Brasileiro
para o tratamento de questões relacionadas ao uso problemático de álcool e outras
drogas, além de suas inestimáveis contribuições ao combate às epidemias de **Aids**
e hepatites entre pessoas que usam drogas e suas redes sociais.

Agora, vemos o ataque estender-se a linhas de pesquisa em RD financiadas com recursos
da FAPESP.

Nosso temor é de que a ausência de uma posição mais veemente por parte do PN de **
Aids** e da Coordenação Estadual resultem em destruição desta política de saúde,
que é tão importante quanto frágil.

Certos de que temos junto ao Programa Nacional de **DST** e **Aids** e à Coordenação
Estadual de **DST** e **Aids** de São Paulo, parceiros na defesa da Redução de Danos,
buscamos aqui o diálogo respeitoso, porém firme; nos pareceu extremamente maléfico
para o desenvolvimento desta política, a nota oficial publicada diante da polêmica
disparada pela reportagem da Folha de São Paulo do dia oito de junho.

Solicitamos esclarecimentos quanto a posição oficial tomada por estes órgãos que
têm historicamente se colocado de maneira corajosa em debates extremamente controversos,
e contra inimigos bem mais fortes do que um simples órgão de imprensa, como no caso
da quebra da patente do Efavirenz.

Sendo o que tínhamos para o momento, subscrevemo-nos, enquanto aguardamos uma manifestação
que possa sanar nossas dúvidas e nosso desconforto.

Atenciosamente

ABORDA – Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos
REDUC – Rede Brasileira
de Redução de Danos e Direitos HumanosRede Paulista de Redução de Danos

Redação Agência de Notícias da **Aids**

 

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## Leia também

 * [Programa Estadual de DST/AIDS de SP responde sobre polêmica de redução de danos e informa que irá ma](https://soropositivo.org/__trashed-10/)
 * [Polêmica sobre políticas de redução de danos é destaque na abertura do 11º Educaids](https://soropositivo.org/polemica-sobre-politicas-de-reducao-de-danos-e-destaque-na-abertura-do-11o-educaids/)
 * [Redução de danos](https://soropositivo.org/reducao-de-danos/)

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