# Morte por Aids é indenizada

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- Published: 2009-06-19T22:45:25-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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**19/JUNHO/07**

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Ana Lúcia Gonçalves

Da Sucursal de Valadares

 

TEÓFILO OTONI 

 

O Hospital Santa Rosália, de Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, foi condenado a indenizar
uma família da cidade em R$ 90 mil a título de danos morais, pela contaminação de
uma criança com o vírus **HIV**. A menina nasceu nas dependências do hospital no
dia 23 de agosto de 1991 e, devido a seu grave estado de saúde, ficou internada 
por 21 dias. Nesse período, foi submetida a três transfusões de sangue. Posteriormente,
a família soube que ela estava contaminada com o vírus da **Aids**. A criança morreu
em 16 de dezembro de 2002, aos 11 anos, em consequência da doença.

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Os pais, a irmã e o padrasto da criança passaram por exame de **HIV**, mas o resultado
foi negativo para todos eles. A mãe da criança, então, ajuizou ação, pleiteando 
indenização por danos morais.

O objetivo era conseguir recursos para garantir o tratamento médico. “Não deu tempo.
Bom seria se ela estivesse viva para receber assistência adequada. Fico feliz por
um lado, porque alcancei a justiça. E triste por outro, porque perdi minha filha.
Se pudesse escolher, ficaria com a minha menina”, afirma a mãe, a dona de casa Marilene
Silva Gonçalves, 38 anos.

                                                          

Segundo ela, a criança nasceu com problemas de saúde por causa da negligência no
atendimento oferecido pelo hospital por meio do SUS. “Preparada para o parto, eu
ia para o hospital e me mandavam de volta para casa. Quando resolverem me internar,
passei a noite sofrendo. O bebê atravessou na minha barriga e até peguei na mãozinha
dele antes que resolvessem pela cesariana. Eu perdi o útero e não me importei, mas
não poderia fechar os olhos ao que aconteceu com a minha filha, que teve parada 
cardíaca ao nascer, anemia, ficou 21 dias internada, contraiu **Aids** e sofreu 
até morrer, aos 11 anos”, desabafou.

                                                          

A família foi defendida pelo advogado Edvan Ramos Rodrigues. A decisão, confirmada
em janeiro pela 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), está
agora em fase de execução na 3ª Vara Cível de Teófilo Otoni. Na época, o hospital
recorreu, mas o TJMG negou provimento ao recurso. “Não concordamos e vamos recorrer
novamente. É o que posso dizer neste momento”, informou o advogado do hospital Santa
Rosália, Ruy Carlos de Campos.

                                                          

O hospital alegou em sua defesa que a contaminação pode ter ocorrido por diversas
formas, como relação sexual  levantou a possibilidade de a criança ter sofrido violência
sexual  ou pelo leite materno, e que não havia provas de que a transfusão de sangue
teria sido a responsável pela infecção. Consta no processo que, à época do nascimento,
não era regra o hospital realizar o teste de **HIV** nos doadores do banco de sangue.
O corpo foi examinado e a hipótese de contaminação por meio de contato sexual foi
descartada.

                                                          

A decisão de primeira instância acatou o pedido de indenização. O hospital recorreu
ao Tribunal de Justiça, mas, em janeiro deste ano, os desembargadores Pedro Bernardes(
relator), Tarcísio Martins Costa e Antônio de Pádua mantiveram a sentença, sob o
entendimento de que o hospital não comprovou ausência de responsabilidade no evento
e que, na qualidade de prestador de serviços, deve indenizar o paciente/consumidor
que for lesado. Segundo o relator, “competia ao hospital demonstrar de forma cabal
que o sangue transfundido à menor não estava contaminado”, o que não teria ocorrido.

 

 

**Exame de HIV é obrigatório desde 1988**

 

Luciana Neves

REPÓRTER

 

Os bancos de sangue de todo o país são obrigados a fazer a triagem para o vírus **
HIV** desde 1988. A presidente da Fundação Hemominas, Anna Bárbara Proietti, afirma
que, em 1991, ano em que a criança foi contaminada, não houve fornecimento de sangue
da fundação para Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Ela ressalta que o surgimento
da **Aids**, em 1980, trouxe uma evolução para a hemoterapia.

“As pessoas despertaram para a necessidade do maior controle sobre a qualidade do
sangue”. Em qualquer banco, público ou particular, o sangue doado passa por uma 
minuciosa triagem para verificar a contaminação pelos vírus **HIV**, HTLV, das **
hepatite**s B e C, **sífilis** e doença de Chagas.

Tão importante quanto a avaliação laboratorial é a triagem clínica, realizada pelo
médico. O candidato a doação responde a um questionário amplo e detalhado e faz 
um exame químico rápido.

“Essa fase é crucial para a segurança do sangue, por causa da janela imunológica,
período entre o contato com doenças infecciosas e o aparecimento dos anticorpos”,
afirma Proietti. Esse intervalo varia conforme o vírus, a imunidade do paciente 
e a forma de contágio. O **HIV**, por exemplo, pode levar de duas a três semanas
a meses para aparecer no sangue.

                                                          

Por isso, é importante que, ao doar, a pessoa fale com o médico sobre comportamento
de risco. “O doador não pode omitir, esquecer nem mentir. Todo dia é dia da verdade
no Hemominas. Isso é importante para não colocar em risco o receptor”. Anna Bárbara
ressalta também que serviço de transfusão não é lugar de fazer testes. Neste caso,
o ideal é procurar os laboratórios públicos, postos de saúde e Centros de Testagem
Anônimo, que fazem o exame gratuitamente.

                                                          

A presidente da Fundação Hemominas assegura que o risco de o paciente se contaminar
em uma transfusão de sangue é muito pequeno, e corresponde a uma relação de menos
de um para 100 mil, além de variar de acordo com a prevalência de doenças na população.
Para tentar reduzir ainda mais esse índice, a Hemominas foi convidada a participar
de um estudo internacional  REDS, junto com os Estados Unidos, China e os estados
de São Paulo e do Pernambuco, com duração de quatro anos. A Hemominas é responsável
pelo fornecimento de mais de 250 mil bolsas de sangue e atende a 90% das unidades
de saúde do Estado.

                                                          

Em outubro de 1997, a Hemominas foi condenada a pagar uma indenização ao ajudante
geral Joaquim dos Santos, 35 anos, no valor de R$ 120 mil, o que equivalia a 5 mil
salários mínimos na época.

 

De abril a dezembro de 1988, a vítima havia recebido uma série de transfusões no
local, e foi infectado com o vírus da **Aids**.

 

SANGUE

Critérios e regras para doação

O sangue doado passa por um minucioso exame para verificar a contaminação pelos 
vírus **HIV**, HTLV, das **hepatite**s B e C, **sífilis** e doença de Chagas.

 Nos locais onde há malária, no Amazonas, por exemplo, também é feita triagem para
essa enfermidade.

No máximo em 24 horas após a doação, o sangue é liberado para transfusão

A triagem para **HIV** é feita, obrigatoriamente, desde 1988 em todos os bancos 
de sangue do país

                                                          

 A lei proíbe benefícios para quem doa

                                                          

Quem pode doar:

É preciso ter e estar com boa saúde

 Não ter tido **hepatite** após os 10 anos

Ter entre 18 e 65 anos

 Pesar acima de 50 quilos

Não ter comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis

Não estar gripado, resfriado, com febre ou diarréria

Não ter ingerido bebida alcóolica nas últimas 12 horas

Não ser usuário de drogas

Não estar grávida ou em período de amamentação. Após o parto normal é necessário
aguardar três meses; após cesárea, seis meses

Não ter sido submetido a exame de endoscopia ou broncoscopia nos últimos 12 meses

Não ter feito tatuagem nos últimos 12 meses

Tratamento dentário impede a doação por um período de 1 a 30 dias, conforme o caso

 O prazo mínimo entre uma doação de sangue total e outra é de 60 dias para os homens
e de 90 dias para mulheres. Para doadores com idade entre 60 e 65 anos, o intervalo
é de 6 meses

Fonte: Fundação Hemominas

## Leia também

 * [Hospital terá que pagar R$ 90 mil por contaminação de HIV em recém-nascida](https://soropositivo.org/__trashed-54/)
 * [Morte por Aids aumenta no Norte e no Nordeste](https://soropositivo.org/morte-por-aids-aumenta-no-norte-e-no-nordeste/)
 * [Estudo mostra diferenças regionais nos casos de morte por aids no país](https://soropositivo.org/)

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