# AIDS/HIV Sarcoma de Kaposi

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- Published: 2010-11-08T11:55:23-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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O Sarcoma de Kaposi (SK) é uma doença sistémica multifocal maligna, que tem origem
no endotélio vascular e que tem uma evolução clínica muito variável. A manifestação
mais frequente desta doença é o aparecimento de lesões cutâneas, mas também pode
haver envolvimento das mucosas, sistema linfático e vísceras, em particular do pulmão
e tubo digestivo. Podem-se considerar quatro formas clínicas distintas: a forma 
rara designada por sarcoma de Kaposi clássico, que habitualmente surge em homens
idosos, a forma associada à imuno-supressão iatrogénica (doentes transplantados 
ou após tratamentos prolongados com corticóides),a forma endémica, o sarcoma de 
Kaposi africano e a forma epidémica o sarcoma de Kaposi associado ao HIV. Todos 
os tipos de sarcoma de Kaposi são causados por infecção com o vírus herpes humano
tipo 8 (HHV8), o qual é transmitido por via sexual ou parentérica. Meses antes do
aparecimento das lesões tumorais há um pico de virémia do HHV8 que conduz à produção
de anticorpos específicos. Recentemente foi descrito um quadro clínico que envolve
exantema em associação com a seroconversão com o HHV8 ([Andreoni et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=11886321)).

Em doentes infectados com o HIV o SK é uma doença definidora de SIDA. Tem sido observados
quadros com evolução muito agressiva, conduzindo à morte, sobretudo em doentes com
infecção HIV com imunossupressão grave não tratada. Nesses casos a sobrevida média
após o diagnóstico tem sido um ano. Desde a introdução da HAART em 1996 que a frequência
do SK trem diminuído acentuadamente nas pessoas infectadas com HIV (atingindo o 
decréscimo 90% no departamento de dermatovenereologia do Hospital Universitário 
de Frankfurt) e o curso clínico da doença melhorou também de forma acentuada. Em
muitos casos é possível a estabilização ou completa remissão dos tumores apenas 
pela reconstituição imunitária e diminuição da carga viral. De todas as terapêuticas
eficazes a HAART eficiente é a escolha indicada. Pode-se combinar a HAART com terapêutica
local (crioterapia, retinóides, radioterapia, etc.). O tratamento sistémico, alfa
interferão, paclitaxel ou antraciclinas lipossómicas, está reservado para as situações
de progressão de doença com HAART eficaz ou situações de envolvimento visceral.

**Sinais, sintomas e diagnóstico**

Ao contrário do que sucede na forma clássica em que as lesões surgiam predominantemente
nas pernas dos homens idosos, o SK associado ao HIV não tem localização anatómica
preferencial. Pode surgir em qualquer local da pele, mas também por surgir nas membranas
mucosas orais, genitais ou oculares. Os achados típicos são inicialmente máculas
ou nódulos violáceos, solitários ou escassos, que têm predilecção pelas linhas de
tensão da pele.

O curso clínico posterior e muito variável, as máculas ou tumores podem manter-se
inalterados durante anos, ou crescer rapidamente em poucas semanas e disseminar-
se. O crescimento rápido pode provocar dor intensa e hemorragia que causa uma coloração
esverdeada da pele circundante que pode ser muito notória. A evolução destas lesões
podem ainda incluir a necrose central com consequente ulceração que sangra facilmente.
As lesões em placa ou nodulares, habitualmente acompanhadas de edema extremo, podem
confluir e originarem tumefacções extremas das extremidades ou face. Na cavidade
oral o palato duro é atingido frequentemente. Após o eritema inicial surgem placas
e nódulos que ulceram e sangram facilmente. Estas lesões podem surgir até na região
genital, por exemplo no prepúcio ou na glande, com o aspecto de placas infiltrativas.

O diagnóstico do SK na pele e mucosas efectua-se habitualmente com base nas seguintes
características clínicas:

1. Máculas ou nódulos de cor violácea

2. Distribuição pelas linhas de tensão da pele

3. Coloração esverdeada (como das contusões) em torno da lesão tumoral

4. Edema circundante

5. Disseminação das lesões, possivelmente com atingimento mucocutâneo.

Este quadro é especialmente característico em doentes com infecção por HIV ou outro
tipo de imuno-supressão. Se apenas surgir uma lesão isolada ou existir dúvidas quanto
à sua etiologia deve-se efectuar biopsia da lesão, por excisão ou incisão consoante
o tamanho da lesão, de forma a assegurar um diagnóstico histológico. No **exame 
histológico** de rotina (coloração Hematoxilina-Eosina) são importantes os seguintes
aspectos no SK com origem no endotélio vascular:

1. Na porção média e superficial da derme, há espaços em fenda formados por novos
vasos de parede fina e por vasos parcialmente aberrantes que e dispõem ao longo 
dos vasos normais da derme e anexos.

2. Focos de eritrócitos extravasados em torno dos novos vasos.

3. Depósitos de hemossiderina

4. Infiltrado inflamatório linfocitário

5. Eventuais infiltrados de células endoteliais fusiformes ou ovais (SK fusiforme)

6. Habitualmente a epiderme está intacta

O SK tratado com sucesso apenas deixa zonas de hiperpigmentação cinzenta ou castanha
clara que se mantêm por meses ou anos e que são basicamente provocadas por depósitos
de hemossiderina resultantes do extravasamento dos eritrócitos. O edema linfático
que acompanha as lesões cutâneas também pode persistir por longos períodos de tempo,
sobretudo nos membros inferiores.

O HHV8, que contribui para o desenvolvimento do tumor pode ser detectado nos tecidos
por PCR. Em termos serológicos, os anticorpos contra o HHV8 podem ser detectados
meses antes do aparecimento das lesões tumorais. Os estudos epidemiológicos têm 
mostrado incidências regionais elevadas de sarcoma de Kaposi (ex. no sul de Itália,
bem como na África central) e correlacionam com aumentos da seroprevalência regional
do HHV8. O HHV8 parecer ser transmitido principalmente por via sexual. O SK habitualmente
observado nas crianças africanas deve-se provavelmente à transmissão pela saliva
do HHV8 ([Pauk et al. 2000](http://amedeo.com/lit.php?id=11070101)).

Quando o KS é diagnosticado, devem ser efectuados os seguintes exames no sentido
de **determinar o estadio **da doença:

1. Exame objectivo completo do doente (incluindo as membranas mucosas da cavidade
oral e genital)

2. Ecografia dos gânglios

3. Ecografia abdominal

4. Endoscopia digestiva alta (opcional, mas obrigatória sempre que há atingimento
das mucosas)

5. Colonoscopia (opcional, mas obrigatória sempre que há atingimento das mucosas)

6. RX do tórax

7. Estudo das subpopulações linfocitárias e carga viral. (é necessário iniciar ou
optimizar HAART?)

**Prognóstico e estadiamento**

A agressividade do sarcoma de Kaposi associado ao HIV pode variar enormemente. Para
além de nódulos ou máculas isoladas que se podem manter inalterados durante vários
anos, também há formas rapidamente progressivas com disseminação cutânea e atingimento
ganglionar ou visceral. Se não for tratado um tumor infiltrativo agressivo pode 
conduzir à morte em semanas. No sarcoma de Kaposi pulmonar mostrou-se o crescimento
monoclonal do tumor. A introdução da HAART melhorou significativamente o prognóstico
dos doentes com SK. Mesmo doentes com SK extenso e envolvimento visceral atingem
remissão completa (sem outro tipo de tratamento!). O sistema de estadiamento mais
utilizado no SK foi estabelecido em 1993 pelo AIDS Clinical Trials Group (ACTG),
com validação dos seus critério em 1997 ([Krown et al. 1997](http://amedeo.com/lit.php?id=9294471)):

  |  Quadro 1. Estadiamento do Sarcoma de Kaposi (SK) epidémico associado ao; (pelo AIDS Clinical Trials Group/ACTG, Krown et al. 1997) |  
 |  **Estádio precoce** |  **Estádio avançado** |  
 |  Se **todos**os seguintes critérios forem cumpridos:
 1. Tumor (T): 0

SK limitado à pele e/ou gânglios linfáticos; doença mínima na cavidade oral (SK não nodular confinado ao palato duro)

2. Sistema imunitário (I): 0

Linfócitos CD4+ > 200/µl

3. Doença sistémica (S): 0

Sem história prévia de IO ou candidose, sem sintomas B* da infecção por HIV.

 |  Se **um**dos seguintes se aplicar:
 1.Tumor (T): 1

SK pulmonar ou extra gastrointestinal, SK da cavidade oral extensor, edema ou ulceração associada ao tumor

2. Sistema Imunitário (I): 1

Linfócitos CD4+ < 200/µl

3. Doença sistémica (S): 1

História de infecções oportunistas, candidose, linfoma, ou doença neurológica associada ao HIV, sintomas B* da infecção por HIV

 |

* febre sem causa aparente, sudação nocturna ou diarreia persistindo para além de
duas semanas, emagrecimento involuntário >10%

**Tratamento**

Se o SK for diagnosticado em doentes que ainda não forma tratados para infecção 
HIV ou já forma tratados mas de momento não estão a ser, é indispensável iniciar
HAART (ver o capítulo da HAART). Se a carga viral puder ser diminuída (idealmente
abaixo do limite de detecção) e ocorrer reconstituição imunitária com aumento dos
linfócitos CD4+, em muitos doentes o SK estabiliza ou até regride completamente.
A constatação de que o SK pode regredir sob HAART contendo inibidores da protease,
mesmo na ausência de uma melhoria significativa no sistema imunitário, foi confirmada
pela descoberta dos efeitos antiproliferativos directos dos PIs indinavir e saquinavir(
[Sgadari et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=11875492)). O PI ritonavir também
já demonstrou possuir um efeito antitumoral directo ([Pati et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=11986235)).
Para além desta terapêutica estão ainda disponíveis os seguintes métodos de tratamento:

 * Estádio precoce (ACTG): tratamento local (ver abaixo). Com progressão: primeira
   linha terapêutica interferão combinado com HAART, segunda linha antraciclinas
   lipossómicas.
 * Estádio avançado (ACTG): tratamento de primeira linha para o estádio T 0, I 0,
   S 1 com interferão em combinação com HAART. Em todas as outras situações a primeira
   linha é antraciclinas lipossómicas. No caso de insucesso desta terapêutica pode-
   se utilizar paclitaxel ou poliquimioterapia (ABV).

**Terapêutica local**

As vantagens da terapêutica local incluem: possibilidade de execução em ambulatório,
habitualmente boa tolerância e redução significativa do custo. Dependendo do tamanho
e localização do tumor podem ser utilizadas as seguintes terapêuticas: criocirurgia,
alcalóides da vinca, bleomicina, ou interferão intralesionais, radioterapia, radioterapia
por aceleradores lineares, radiação do cobalto (fraccionada), retinóides (ácido 
9-cis-retinóico) e camuflagem cosmética. Para além da vinblastina intrafocal os 
tumores da cavidade oral podem também ser tratados com injecções intralesionais 
de sulfato de tetradecil (que têm eficácia comparável) ([Ramirez-Amador et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=12110340)).

Dado o sarcoma de Kaposi ser uma doença sistémica multifocal, o papel da cirurgia
está limitado às biopsias excisionais iniciais para diagnóstico ou a remoção de 
pequenas lesões em locais cosmeticamente inaceitáveis. Como os tumores se podem 
estender para além do que é visível na pele a sua remoção provoca traumatismo local
que pode conduzir ao aparecimento de novos tumores as lesões (fenómeno de Koebner),
pelo que é de esperar recidivas locorregionais. Este fenómeno pode ser prevenido
pela radioterapia, estendendo o campo de radiação 0.5-1.0 cm para além da margem
tumoral, de forma a atingir as células tumorais de se infiltram pelos canais linfáticos.
O SK é um tumor invulgarmente sensível à radioterapia. Para a radioterapia de lesões
maculares ou em placa superficiais são necessárias doses únicas de 4-5 Gy (dose 
total 20-30 Gy, fraccionada 3x/semana) de radiação pouco intensa. Para o tratamento
de SK extenso com tumefacção edematosa e/ou envolvimento ganglionar a radiação pouco
intensa, originada em unidades de 50-kV, como as utilizadas em dermatologia, não
é suficiente. Este tipo de tumores tem que ser tratado com radiação de aceleradores
lineares com fraccionamento convencional (5×2 Gy por semana) com o objectivo de 
atingir a dose total de 40 Gy.

A quimioterapia ou imunoterapia locais têm a vantagem de ter menos ou mesmo ausência
de efeitos adversos sistémicos, comparativamente aos tratamentos sistémicos. Dentro
do tumor é possível atingir doses elevadas de fármacos com alto poder antiproliferativo.

**Quimioterapia**

A quimioterapia possui riscos específicos paras as pessoas infectadas com HIV. A
hipoplasia medular resultante da quimioterapia pode agravar a imunodeficiência celular
associada ao HIV e provocar o aparecimento de infecções oportunistas potencialmente
letais. Para manter a qualidade de vida do doente, tanto quanto possível, só se 
trata o sarcoma de Kaposi associado ao HIV com quimioterapia na presença de sintomas
como a dor, rápida progressão do tumor e/ou envolvimento visceral. Em tais situações,
mesmo em doentes com bom estado imunitário, deve-se efectuar profilaxia da pneumocistose/
toxoplasmose com cotrimoxazol (480 mg/d ou 980 mg/3X/semana). Os efeitos mielotóxicos
da quimioterapia, num doente já com compromisso da hematopoiese pelo HIV podem conduzir
à necessidade de tratamento com eritropoietina ou transfusões de hemoderivados.

As agentes citostáticos com maior eficácia no sarcoma de Kaposi são as antraciclinas
lipossómicas. O tratamento com a doxorrubicina lipossómica peguilada na dose de 
20 mg/m^(2) de superfície corporal todas as 2-3 semanas conduz a remissão parcial
em cerca 80% dos doentes tratado. O tratamento com daunorrubicina lipossómica 40
mg/m^(2) de superfície corporal de 2-2 semanas possui taxas de remissão ligeiramente
mais baixas.

Em estudos comparativos, a daunorrubicina mostrou a mesma eficácia e a doxorrubicina
maior eficácia do que a quimioterapia padrão para o tratamento do sarcoma de Kaposi,
a associação adriamicina, bleomicina e vincristina (o regime ABV). O efeito adverso
mais importante das antraciclinas é a neutropenia, bem como a anemia, os quais surgem
habitualmente após 8 a 10 ciclos. Dever-se-á também ter em conta a cardiotoxicidade
associada às antraciclinas. No entanto este tipo de toxicidade só surge em administrações
prolongadas (com doses cumulativas de doxorrubicina superiores a 400 mg)

O paclitaxel também é um tratamento muito eficaz no sarcoma de Kaposi ([Tulpule et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=12115328)).
A dose recomendada é 100 mg/m^(2) de superfície corporal, ev. administrado quinzenalmente
em 3-4 horas. Obtém-se com este tratamento remissões parciais em 60% dos doentes
tratados. O paclitaxel é mielotóxico e quase sempre provoca alopecia, por vezes 
logo após a primeira administração. Os doentes devem ser avisados da ocorrência 
deste tipo de efeito adverso. O paclitaxel actua provocando a disrupção da reorganização
estrutural dos microtubulos intracelulares. Este efeito provoca a paragem da mitose
e consequente morte celular programada (apoptose)  ([Blagosklonny et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=12170770)).
O paclitaxel pode também ser utilizado com eficácia nos doentes com progressão tumoral
sob terapêutica com antraciclinas. As recidivas após tratamento (com antraciclinas
ou paclitaxel) podem ser tratadas com doses baixas de etoposido oral ([Evans et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=12149296)).

  |   Tabela 2: Quimioterapia (baseada em dados de estudos publicados)  |  
 |  ** **
 **Terapêutica**  |  ** ** **Dose**  |  ** ** **Taxa de resposta****\***  |  
 |   Vincristina  |   1.4 mg/m^(2) (max.2 mg) 1x / semana i.v.  |   CR/PR em10-85%  |  
 |   Vinblastina  |   4-6 mg/ m^(2) (max. 18.5 mg/m^(2)) 1x / seman i.v.  |   CR/PR em 25-85%  |  
 |   Bleomicina  |   15 mg em dose única de 2-3 semanas i.m. oo 6 mg/m^(2)/dia durante 4 dias i.v. cada 4 semanas  |   CR/PR em 10-75%  |  
 |   Doxorubicina  |   20 mg/m^(2 )cada 2 semanas i.v.  |   CR/PR em 10-75%  |  
 |   Etoposido  |   50-150 mg/m^(2) nos dias 1,2,3

cada 4 weeks p.o. ou i.v.

 |   CR/PR em 35-85%  |  
 |   Doxorubicina liposómica  |   20 mg/m^(2) cada 2 semanas i.v.

.

 |   CR/PR em 50-95%  |  
 |   Daunorubicina Liposómica  |   40 mg/m^(2) cada 2 semanas i.v.  |   CR/PR em approx. 60%  |  
 |   Regime ABV  |   Adriamicina 20 mg/m^(2), bleomicina 10 mg/ m^(2), vincristina 1.4 mg/m^(2) (2,0 mg max.) cada 2 semanas  |   CR/PR em 70-90%  |  
 |   Vincristina/
bleomicina  |   Vincristine 2 mg nos dias 1,8,15 e bleomicina 0,3 mg/kg nos dias 1,8, cada 4 semanas; ou vincristina 2 mg e bleomicina 10 mg/m^(2 )cada 2 semanas  |   CR/PR em 60-75%  |  
 |   Vinblastina/bleomicina  |   Vinblastina 0.l mg/kg, bleomicina 15 mg alternadamente cada semana  |   CR/PR acima de 60%  |  
 |   Vincristina/vinblastina  |   Vincristina 2 mg i.v., vinblastina 0.l mg/kg

i.v. alternating weekly

 |   CR/PR acima de 43%  |  
 |   Alcalóides da Vinca ou bleomicina e terapêutica antiretroviral  |   Estudos clínicos  |   CR/PR acima de 80%  |

^(*)Taxas de respostas expressas como o total de taxas parciais (PR) e completas(
CR) de remissão.

  |   Tabela 3: Actualização de recomendações terapêuticas da terapêutica sistémica do Sarcoma de Kaposi (avaliação individual dos fármacos no texto)  |  
 |  ** **
 **Agente terapêutico**  |  ** ** **Dose**  |  ** ** **Requisitos**  |  ** ** **Taxa de remissão**  |  ** ** **Efeitos secundários**  |  
 |   IFN-a (2a,b)  |   1-3 mil. I.U. s.c.

por dia 3 x semana

 |   >200 CD4+ T células/µl

IFN-a endógeno< 3 U/ml, HAART

 |   Aprox. 40%  |   Febre

Mialgias

Depressão

 |  
 |   Novo*: 
PeguiladoIFN-a 2b  |   50µg s.c.

1 x weekly

 |   Como para IFN-a (2a,b)  |   ?  |   Como para IFN-a (2a,b)  |  
 |   Doxorubicina liposómica  |   20 mg/m^(2 )i.v.^( )

com duas semanas de intervalo

 |   KS estadio
T1 I1 S0-1

(Explanação: ver Tabela 1, Estadiamento do KS)

 |   Aprox. 80%  |   Neutropénia

Anemia

Raramente:

Rubor

Dispneia

Dor lombar

Palmo-plantar

eritrodisestesia

 |  
 |   Daunorubicina iposómica  |   40 mg/m^(2) i.v.

com duas semanas de intervalo

 |   T1 I1 S0-1

(Explanação: ver Tabela 1, Estadiamento do KS)

 |   Aprox. 60%  |   Neutropénia

Anemia

Raramente:

Rubor

Dispneia

Dor lombar

Palmo-plantar

eritrodisestesia

 |  
 |   Paclitaxel  |   100 mg/m² i.v.

com duas semanas de intervalo

 |   T1 I1 S0-1

(Explanação: ver Tabela 1, Estadiamento do KS)

 |   Aprox.60%  |   Neutropénia

Trombocitopénia

Anemia, alopecia

Raramente:

Hiupotensão

Alterações-ECG

 |

(*O interferão peguilado IFN-a 2b só está aprovado para o tratamento da hepatite
C crónica)

**Imunoterapia**

O Interferão (IFN-α 2a, IFN-α 2b, IFN-b) tem sido utilizado com sucesso no tratamento
da forma clássica do sarcoma de Kaposi, bem como da associada ao HIV. Podem-se obter
taxas de remissão de 40-70%. Para além da sua bem conhecida capacidade imunomodeladora
o interferão induz apoptose nas células tumorais e condiciona a redução de expressão
de b-FGF, inibindo a angiogénese e portanto a proliferação.

Não existem presentemente regimes terapêuticos padronizados. Podem-se distinguir
terapêuticas em dose baixa e elevada. No entanto, dados os efeitos adversos das 
doses elevadas (até 30 milhões UI/dia) utilizam-se habitualmente as doses mais baixas.
Presentemente administram-se doses diárias de 3-6 milhões UI/sc. Após a remissão(
paragem de crescimento do tumor, aplanamento do tumor, perda da cor violácea, mudança
de cor para acastanhado) a dose de interferão pode ser reduzida para 3X/semana. 
Podem-se esperar remissões completas após 6-8 semanas de tratamento (frequentemente
muito mais tarde). Se for a associada a HAART como um estudo inicial demonstra (
[Krown et al. 2002](http://amedeo.com/lit.php?id=12034036)), a dose pode ser ainda
mais reduzida, para 1 milhão UI/sc/d e portanto pode-se diminuir a incidência de
efeitos adversos.

Não há praticamente dados sobre a utilização do novo interferão peguilado IFN-a 
2b no sarcoma de Kaposi associado ao HIV. Este produto é despeguilado na substância
activa o IFN-a 2b, após a administração subcutânea. Tem sido utilizado com sucesso
no tratamento do sarcoma de Kaposi clássico (Thoma-Greber et al. 2002) na dose de
50 ug/semana, subcutâneo. Ainda se mantém em investigação se o aumento de dose ou
a administração mais frequente é necessário para o tratamento do sarcoma de Kaposi
associado ao HIV. No entanto este tipo de estudos tem sido muito difícil pela diminuição
da incidência e prevalência de sarcoma de Kaposi associado ao HIV, após a introdução
da HAART. Em princípio, estas novas formulações deveriam conduzir a um aumento de
eficácia do interferão.

A eficácia do tratamento com interferão depende da situação imunitária do doente.
Em doente com mais de 400 linfócitos CD4+/uL a taxa de remissão é superior a 45%,
abaixo dos 200 linfócitos CD4+/uL a taxa de resposta cai para 7%. Os níveis de interferão
endógeno também são importantes para o prognóstico e estão significativamente aumentados
nas fase avançada da infecção por HIV, sendo a resposta mais reduzida nos doentes
com níveis endógenos mais elevados. Os critérios para tratamento com interferão 
no SK epidémico incluem fase precoce da infecção por HIV (linfócitos CD4+ > 200 
cél/ul) e níveis de interferão endógeno < 3 UI/ml. Nas fases mais avançadas da infecção
por HIV o tratamento com interferão só deverá ser efectuado associado a um regime
de HAART eficaz. O IFN-γ provoca progressão do tumor e está contra-indicado.

  |   Tabela 4: Terapêutica com interferão (dados base a partir de estudos publicados até hoje) *  |  
 |  ** **
 **Interferão**  |  ** ** **Dose**  |  ** ** **Remissão c****ompleta (CR) e parcial (PR)**  |  
 |   rIFN-a 2a  |   18-36 mil IU/dia s.c.  |   CR/PR em 29-43%  |  
 |   rIFN-a 2b  |   18-36 mil IU/m^(2) /dia ou 3x/ semana s.c.  |   CR/PR em 38-60%  |  
 |   rIFN-ß (Beta-ser-IFN)  |   90-180 IU/dia s.c.  |   CR/PR em 16%

(para CD4+ < 200/µl)

 |  
 |   rIFN-a 2b + AZT  |   IFN-a 3-18 IU/dia s.c.;

AZT 250 mg 2X/dia

 |   CR/PR 40-50%  |  
 |   rIFN-a + AZT

+ GM-CSF

 |   IFN-a 10 mil IU/dia s.c.;

AZT 500-600 mg/dia

GM-CSF 125 mcg/kg/dia s.c.

 |   CR/PR > 50%  |  
 |   rIFN-a 2b + ddI  |   IFN-a 2b 1 mil IU/dia s.c. + ddI 2x/dia

IFN-a 2b 10 mil IU/dia s.c. + ddI 2x/dia

 |   CR/PR 40%

CR/PR 55%

 |

* Fonte: Guidelines of the German Cancer Association and the German Dermatological
Association ([http://awmf.org](http://awmf.org/))

**Monitorização e seguimento**

Em casos com sarcoma de Kaposi cutâneos com progressão lenta a monitorização é determinada
pela infecção a HIV e pela terapêutica HAART. No entanto, em certos casos, mesmo
com imunidade celular funcionante (linfócitos CD4+> 400 cél./ul) e carga viral baixa,
pode haver progressão rápida do tumor e envolvimento visceral. Portanto, recomenda-
se a monitorização clínica trimestral da pelo, membranas mucosas e gânglios linfáticos,
bem como exame semestral-anual dos pulmões (radiografia), tubo digestivo (pesquisa
de sangue oculto nas fezes, ecografia e possivelmente endoscopia). Não existem, 
no entanto, dados que permitam concluir que este tipo de monitorização conduza a
uma melhoria das taxadas de remissão da doença.

**Bibliografia**

 1.  Andreoni M, Sarmati L, Nicastri E, et al. Primary human herpesvirus 8 infection
     in immunocompetent children. JAMA 2002, 287:1295-300. [http://amedeo.com/lit.php?id=11886321](http://amedeo.com/lit.php?id=11886321)
 2.  Blagosklonny MV, Robey R, Sheikh MS, Fojo T. Paclitaxel-induced FasL-independent
     apoptosis and slow (non-apoptotic) cell death. Cancer Biol Ther 2002, 1:113-7.
     [http://amedeo.com/lit.php?id=12170770](http://amedeo.com/lit.php?id=12170770)
 3.  Bower M, Fox P, Fife K, Gill J, Nelson M, Gazzard B. HAART prolongs time to treatment
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Helmut Schöfer

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