# Após diagnóstico de HIV, piora na vida sexual é diferente em homens e mulheres

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- Published: 2010-11-18T18:31:33-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 * [Vida sexual é diferente em homens e mulheres](https://soropositivo.org/apos-diagnostico-de-hiv-piora-na-vida-sexual-e-diferente-em-homens-e-mulheres/#vida-sexual-eacute-diferente-em-homens-e-mulheres)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/apos-diagnostico-de-hiv-piora-na-vida-sexual-e-diferente-em-homens-e-mulheres/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/apos-diagnostico-de-hiv-piora-na-vida-sexual-e-diferente-em-homens-e-mulheres/#relacionado)

## Vida sexual é diferente em homens e mulheres

 Após diagnóstico para HIV Positivo piora na vida sexual é diferente em homens e
mulheres, o diagnóstico pode ser traumático para algumas pessoas, que estabelecem
um paralelo entre sexualidade e sofriemto.

Estudo com 979 em SP revela que mudanças têm a ver com desempenho até frequência
do ato

SÃO PAULO – Um estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP constatou
que, após o diagnóstico positivo de **HIV**, homens e mulheres sofrem piora em suas
relações sexuais, o que pode estar relacionado a vários fatores, desde o desempenho
até a frequência do ato.

Segundo a pesquisa, ao comparar homens e mulheres, foi possível perceber que cada
grupo considera diferentes variáveis como causas desse retrocesso.

A psicóloga Lígia Polistchuck avaliou o tema em sua dissertação de mestrado “Mudanças
na vida sexual após o sorodiagnóstico para o **HIV**: uma comparação entre homens
e mulheres”, orientada pelo professor Ivan França Junior.

Lígia constatou que algumas concepções construídas social e culturalmente sobre 
os universos masculino e feminino podem exercer influência para a decadência da 
vida sexual. Segundo a psicóloga, os soropositivos ainda enfrentam um apoio inadequado
pelas instituições consideradas especializadas. “Esse suporte os reduzem ao diagnóstico
da doença, sem atentar para os outros fatores que auxiliariam na promoção da saúde”,
afirma.

O levantamento, baseado na análise de questionários respondidos por 979 portadores
de **HIV**, aponta as variáveis mais relacionadas à piora sexual em cada grupo. 
Há variáveis que protegeriam os soropositivos desse problema, chamadas “protetivas”,
e as que colaborariam para o agravamento da vida sexual.

Por exemplo, para as mulheres, a falha de suporte do serviço de saúde, em diversos
aspectos, é considerada muito significativa como uma das causas. Já para os homens,
ter o número de parceiras reduzido após o diagnóstico apresenta-se como uma questão
expressiva. Isso não os ajuda na tentativa de manutenção de “ser homem”, uma construção
sociocultural.

Como protetiva, “a facilidade para falar às vezes com um psicólogo” apareceu no 
universo masculino. Curiosamente, ao contrário do que se esperava, esse item não
foi expressivo no universo feminino. Apesar disso, “a não abertura para falar com
um ginecologista sobre as relações sexuais” foi considerada um motivo expressivo
de piora.

A partir dessa comparação, Lígia pôde confirmar a importância de ser oferecido um
espaço para que as pessoas com **HIV** possam falar da vida sexual com profissionais
de saúde. Este, por sua vez, deve ter um olhar mais atento às demandas não tão óbvias,
ou que não se associem somente à prevenção ou à ausência da doença.

Vida financeira e uso de drogas

O trabalho constatou ainda que questões que dizem respeito à vida financeira também
exercem influência para as mudanças na vida sexual dos portadores. Estar empregado
e receber um salário mediano, por exemplo, é considerado importante após o diagnóstico.
Os homens, caso desempregados, têm mais possibilidade de apresentar problemas.

No que diz respeito às drogas, a variável “fazer uso de maconha”, sendo este uso
prévio ou atual, apareceu como variável protetiva para os homens. Segundo a pesquisadora,“
é possível associar esse dado a duas questões: os efeitos do uso podem trazer um
relaxamento útil em relação à cobrança de desempenho na cama. O uso de droga pode
se associar a uma construção valorizada do masculino”. É importante lembrar, de 
acordo com Lígia, que o efeito do uso é singular em cada organismo, o que não permite
generalizações.

A pesquisadora usou duas amostras de portadores do vírus do Estado de São Paulo:
soropositivos que recebiam tratamento pela Casa da **AIDS**, do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e pelo Centro de Referência de Tratamento**
DST**–**AIDS** (CRT).

O trabalho foi baseado em respostas a dois questionários: “Vulnerabilidade e o cuidado
com as pessoas vivendo com **HIV**/**AIDS** – Um estudo sobre a assistência às mulheres
vivendo com **HIV** nos serviços públicos de saúde da cidade de São Paulo”, feito
entre setembro de 1999 e fevereiro de 2000, e “Práticas sexuais e reprodutivas de
homens vivendo com **HIV** que fazem sexo com mulheres na cidade de São Paulo”, 
realizado entre outubro de 2001 e fevereiro de 2002. Os questionários foram formulados
por grupos de pesquisa interdisciplinar relacionados a universidades brasileiras.

 

## Leia também

 * [Homens com HIV têm vida sexual pior que as mulheres](https://soropositivo.org/homens-com-hiv-tem-vida-sexual-pior-que-as-mulheres/)
 * [O Diagnóstico do HIV é Coisa Simples](https://soropositivo.org/o-diagnostico-do-hiv-e-coisa-simples/)
 * [Pesquisa analisa a mortalidade das mulheres no Brasil](https://soropositivo.org/pesquisa-analisa-a-mortalidade-das-mulheres-no-brasil/)

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