# As principais questões que afetam o cuidado de adolescentes HIV – positivos

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- Published: 2015-01-26T18:00:49-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

## **As principais questões que afetam o cuidado de adolescentes HIV- positivos**

 

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 * [As principais questões que afetam o cuidado de adolescentes HIV- positivos](https://soropositivo.org/as-principais-questoes-que-afetam-o-cuidado-de-adolescentes-hiv-positivos/#as-principais-questoes-que-afetam-o-cuidado-de-adolescentes-hiv-positivos)
 * [ “Já que são jovens, eles farão uso dos medicamentos contra o HIV por muito tempo. Você tem que fazer cada regime valer à pena.”](https://soropositivo.org/as-principais-questoes-que-afetam-o-cuidado-de-adolescentes-hiv-positivos/#%c2%a0ja-que-sao-jovens-eles-farao-uso-dos-medicamentos-contra-o-hiv-por-muito-tempo-voce-tem-que-fazer-cada-regime-valer-a-pena)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/as-principais-questoes-que-afetam-o-cuidado-de-adolescentes-hiv-positivos/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/as-principais-questoes-que-afetam-o-cuidado-de-adolescentes-hiv-positivos/#relacionado)

Uma entrevista com John Steever, Medico

Por Mathew Rodriguez

Do site TheBodyPRO.com

28 de Agosto de 2014

 

John Steever, Medico

Os adolescentes encaram uma serie de desafios incomparáveis — e geralmente menos
valorizados — no que diz respeito à assistência medica efetiva e tratamentos bem-
sucedidos do vírus HIV. John Steever, Medico no Centro de Saúde de Adolescentes 
do Centro Medico Monte Sinai em Nova York está profundamente familiarizado com estes
desafios: ele supervisiona os cuidados de aproximadamente 100 jovens HIV – positivo.

O Dr. Steever falou por telefone com Mathew Rodriguez, nosso Editor da Comunidade
Local, sobre o trabalho dele e sobre como os cuidados com o HIV em adolescentes 
difere dos cuidados do HIV em adultos, e as maiores prioridades que os prestadores
de serviços médicos deveriam ter em mente quando tratarem **adolescentes HIV-positivos**.

**Você pode dizer um pouco sobre o Centro de Saúde Adolescente do Monte Sinai e 
qual seu papel la**

O Centro de Saúde Adolescente é na verdade um dos maiores centros de saúde adolescente
auto-sustentável dos Estados Unidos. Lá nós vemos todos os anos por volta de 12,
000 indivíduos únicos. Nós fazemos isto de graça para a juventude; nós não cobramos
nada deles. Nós somos livres de várias concessões, assim podemos oferecer assistência
medica sem nenhuma barreira para os adolescentes.

Eu sou um dos médicos lá, então eu vejo jovens de todos os tipos, de idades entre
12 a 24 ou 25 anos. Nós todos fazemos muitas assistências medicas reprodutivas; 
trabalhos de GIN (ginecologia), testes de DST`s (Doenças Sexualmente Transmissíveis),
testes de gravidez, doação de métodos de controle de natalidade. E tudo isso é feito
de graça para as crianças. Então, todos os exames laboratoriais que nós fazemos 
são gratuitos. Todos os métodos de controle de natalidade que nós doamos são gratuitos.
Nós doamos amostras. E então quando nós tratamos DST’s, nós também doamos amostras.
Então a juventude não encontra muitos obstáculos para conseguir cuidados médicos.
Nós somos realmente super compreensivos. Nós temos uma ala de cuidados médicos. 
Nós temos uma ala de cuidados ginecológicos. Nós temos uma ala de saúde mental, 
incluindo psicólogos, assistentes sociais e psiquiatria infantil. Nós também temos
educadores em saúde. Nós temos uma nutricionista na equipe. Nós temos um advogado
na equipe para jovens que possam precisar de assistência jurídica. Nós temos uma
clinica dentaria, e uma nova clinica de olhos que esta disponível aos jovens. E 
todos estes serviços são gratuitos. Nós fazemos uma combinação de agendamentos e
encaixes.

O que eu faço dentro daquele grupo: eu especializo e supervisiono o cuidado medico
dos _adolescentes HIV – positivos_. Nós temos por volta de 100 jovens em cuidados
que tem HIV; alguns nasceram com o vírus (aquisição perinatal), mas a maioria deles
contraiu através do ato sexual. E a maiores deles são jovens rapazes de cor que 
fazem sexo com outros homens – então este panorama reflete um pouco a epidemia na
cidade de Nova York.

**O que você diria aos médicos com menos experiência envolvidos no cuidado de jovens
soropositivos? O que você acha que precisa ser visto de maneira diferente quando
se fala em cuidados em jovens soropositivos em relação a pessoas mais velhas? **

> Fundamentalmente, as orientações gerais básicas dizem que você deve começar a 
> tratar as pessoas assim que você as diagnostica com HIV. Este e o conceito teste-
> e-trate – assim você começa a tratar as pessoas com os medicamentos para o HIV
> imediatamente, independente da contagem CD4 delas. Assim, a contagem pode ser 
> realmente alta ou baixa, mas você começará a tratá-las com medicamentos.
> A idéia é que então a carga viral delas começa a baixar drasticamente, comece 
> a ficar indetectável, assim há chances menores delas transmitirem a infecção a
> outras pessoas. E a idéia é de que se você pudesse tratar todas as pessoas assim
> que você as diagnosticasse, eventualmente você erradicaria as infecções porque
> não haveria novas infecções.

O problema com essa idéia é que ela requer um grau relativamente alto de sofisticação.
E eu não sei que todos os adolescentes estão preparados para lidar com ela. Quando
você dá o diagnostico de HIV-positivo a um jovem, não só você esta dando a ele noticias
difíceis, que eles podem ou não estar desenvolvidos o suficiente para lidar com 
elas, mas eles freqüentemente também têm outras variáveis em suas vidas que podem
tornar a noticia ainda mais difícil de suportar.

Por exemplo, um jovem que pertence a uma minoria, que é de cor, que é gay, esta 
fazendo sexo com outros homens: ele pode não estar com vontade de contar a sua família
sobre isso. E a família pode não apoiar muito este fato. Então, o que você não quer
que aconteça é que a família descubra que ele está tomando remédios – porque você
deu a ele um frasco de comprimidos, então a família não só descobre que ele é mais
um dos adolescentes HIV-positivos, como também é gay. Isto pode levar à expulsão
do jovem de casa ou a um ambiente familiar hostil, quando o que nós queremos é um
ambiente familiar de apoio. Então existem cenários em que não é o momento certo 
para que este jovem comece o tratamento com remédios para o HIV até que ele esteja
realmente pronto, e que tenha pensado sobre todas as repercussões que aconteceriam
se começasse a tomar os medicamentos: Você tem um lugar para ficar? Você tem um 
lugar para esconder seus medicamentos? Ou você se sente confortável incluindo sua
família?

** ****As principais questões que afetam o cuidado de adolescentes HIV – positivos**

**“[
 
.”](http://soropositivo.org/tolo-elfico/uploads/2014/10/mundo-jovem.png)

> Eu acho que o apoio familiar, especialmente quando você é adolescente, é extremamente
> importante. Mas, se um jovem vai ser expulso de casa, este não é o melhor momento
> para começar com seus medicamentos.

Coisas como o uso sério de substâncias deveria dar aos médicos uma pausa antes de
começar com os medicamentos para o HIV. Ou uma vida domestica instável – então talvez
eles não morem em casa, mas estejam passando tempo com os amigos – ou morando em
abrigos. E simplesmente muito mais difícil cuidar do seu HIV e se preocupar com 
alimentação, vestuário, moradia.

> Se você começa o tratamento em alguém, você quer que essa pessoa obtenha sucesso
> no tratamento. Se eles não obtiverem sucesso **e não suprimirem sua carga viral**,
> _então pode ser que eles criem resistência aquele medicamento. _E já que são jovens,
> eles farão uso dos medicamentos por muito tempo. Você tem que fazer cada regime
> valer à pena; você não quer que o seu paciente fique brincando de “pega-pega” 
> com seus medicamentos no começo, tornem-se resistente a eles e então fiquem trocando
> relativamente rápido de medicamentos.

###  **“Já que são jovens, eles farão uso dos medicamentos contra o HIV por muito tempo. Você tem que fazer cada regime valer à pena.”**

Eu sinto que você precisa estar pronto, que o paciente precisa estar pronto, e que
você precisa envolver o seu pessoal da ala de saúde mental – como uma assistente
social ou um gerente de casos – para ajudar a explorar como esse jovem terá sucesso
em tomar os medicamentos.

**Como você recomenda discutir o tratamento do HIV com um adolescente diagnosticado
recentemente?**

Bem, eu acho que o objetivo é realmente nobre, e eu acho que definitivamente o assunto,
no que diz respeito aos adolescentes deveria ser trazido à tona. Mas eu acho que
você deveria acalmar o jovem e dizer, OK, aqui estão as vantagens, aqui estão as
desvantagens. Aqui esta o porquê nos deveríamos começar com os medicamentos; e aqui
está o porquê isso poderia vir a ser uma má idéia. Nós não vamos fazer nada hoje.
Eu quero que você pense sobre isso. Eu quero que você trabalhe com sua assistente
social, com seu gerente de casos, com seu pessoal da saúde mental, e que você realmente
trabalhe com algumas destas coisas. Talvez os adolescentes devessem ser encorajados
a treinar com multivitaminicos. Eu acho que as orientações gerais são ótimas, mas
tem que haver algum reconhecimento que você não pode começar alguma coisa de maneira
rígida.

> Ou, se você esta encurralado sobre começar alguma coisa, talvez para os adolescentes
> uma das primeiras linhas deveria ser alguma coisa que envolvesse um inibidor de
> protease, porque a barreira genética a resistência é muito maior. Você perde a
> conveniência do regime de uma pílula, uma vez ao dia. Mas você ganha a vantagem
> de ter um medicamento que não causa mutações no vírus tão rapidamente.
> **‘“Para adolescentes eu geralmente uso o inibidor de protease, só porque e uma
> boa aula para eles.”**

 

**Onde os médicos podem conseguir ajuda para abordar estas áreas que estão fora 
de sua área de especialidade, mas que são importantes ao tratar um adolescente com
HIV?**

Se você tiver sorte, você terá uma assistente social no seu escritório. Eu mesmo
sou extremamente sortudo de ter uma. Se você não tiver tanta sorte, se você estiver
em pratica solo, se não houver uma equipe grande ao seu redor – sua enfermeira pode
estar interessada e fazer um pouco deste tipo de trabalho. Mas também há algumas
organizações por ai afora que fornecerão algumas estruturas de gerenciamento de 
casos para você. Eu tenho certeza que eles não estão em toda cidade e nem em todo
município através do pais. Mas, certamente, em cidades maiores, há organizações 
que ajudam a fornecer estrutura. Ter elas na palma da mao e com certeza uma coisa
boa.

**Há alguma questão recente que você, na qualidade de fornecedor de cuidados a adolescentes
soropositivos, esteja esperando animosamente?**

Eu estou esperando ansiosamente para ver que tipos de medicamentos injetáveis de
longa duração, ou ate mesmo implantáveis, os cientistas irão lançar. Eu gostaria
de ver mais cursos colocados nesta área.

Alguém tem que lembrar em tomar uma pílula todos os dias agora, mas, por mais que
você possa remover o usuário da equação – se você pudesse fazer um coquetel injetável
uma vez por mês ou uma vez a cada três meses – eu acho que isso realmente melhoraria
a aderência ao medicamento para o HIV. Isto realmente melhoraria a diminuição das
comunidades de cargas virais e, assim, diminuiria o risco de novas transmissões 
a outras pessoas.

Também, para pessoas que formam um casal soro discordante, fazer a profilaxia pré-
exposição também ajudaria a percorrer o longo caminho para causar uma brecha na 
epidemia.

A outra coisa e (e eu não sei como fazer isso), nos precisamos descobrir como atingir
mais pessoas. Eu acho que qualquer barreira que possa ser removida para ampliar 
o numero de realização de testes de HIV deve ser feita. Por exemplo, ninguém nunca
diz em um exame físico anual, “Oh, nos vamos fazer uma contagem sangüínea completa.”

Deveria apenas ser, “Nos vamos fazer os testes sangüíneos de rotina que é feito 
no exame físico.” E deveria ser parte disto, assim você pega as pessoas – você simplesmente
faz muito mais testes e nós poderemos esperançosamente achar mais pessoas que tem
a infecção.

Teste amplamente, teste freqüentemente, como eles dizem.

**Muito obrigado por conversar comigo. **

_Esta transcrição foi editada para pureza do som. _

_Mathew Rodriguez e editor da comunidade local para TheBody.com e The BodyPro.com_

_Siga Mathew no Twitter:@mathewrodriguez_

_ Nota do Editor de Soropositivo Web Site: Eu conheci uma adolescente que tinha 
acabado de descobrir que era soropositiva. Ela contou para a família e foi taxada
de drogada, Posta às ruas, caiu na prostituição._

Prostiuindo-se, “vingou-se do mundo” e contaminou umas duzentas pessoas. Quando 
caiu em si teve um arrependimento terrível e lançou-se do alto da ponte Major Quedinho,
ali na Bela Vista, zona boêmia de Sampa e se acabou.

Morreu aos 19 anos, no início da vida. Lidar com adolescentes HIV – positivos é 
extremamente complexo, por tudo o que foi dito aqui e pela alta pressão dos hormônios
nestas cabeças ainda em formação

 

_ Tradução: Rodrigo Sgobbi Pellegrini_

contato: [tearosp@gmail.com](https://soropositivo.org/as-principais-questoes-que-afetam-o-cuidado-de-adolescentes-hiv-positivos/tearosp@gmail.com)

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 * [Novo protocolo define tratamento para crianças e adolescentes com HIV](https://soropositivo.org/novo-protocolo-define-tratamento-para-criancas-e-adolescentes-com-hiv/)
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