# Baixa Carga Viral eleva o risco de AIDS

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- Published: 2016-06-03T10:45:36-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

### Tópicos Tratados Nesta Página

 * [ Eventos cardiovasculares](https://soropositivo.org/baixa-carga-viral-incrementa-de-progressao-para-aids/#%c2%a0eventos-cardiovasculares)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/baixa-carga-viral-incrementa-de-progressao-para-aids/#leia-tambem)
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Baixa Carga Viral do HIV, eleva o risco de progressão da doença para AIDS e risco
maios de comorbidades?

 

**As pessoas HIV positivas com baixa carga viral, porém detectável na faixa de 50
a 500 ou até 1000 cópias/ml, podem continuar a ter um risco elevado de eventos relacionados
à AIDS,** mas suas probabilidades de sofrerem com graves eventos não relacionadas
à AIDS, incluindo doenças do coração, fígado e doença renal não parecem aumentar,
de acordo com dois estudos italianos apresentadosna XVConferência Europeia da AIDS
em Barcelona.

![HIV](https://atomic-temporary-78498171.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2015/
10/hiv.jpg?w=350)

\representação gráfica do HIV em 3D

É bem conhecido que combinação eficaz de terapia anti-retroviral ([TARV/Coquetel](https://soropositivo.org/2018/12/29/os-resultados-do-tratamento-contra-o-hiv-continuam-a-melhorar/)),
que suprime a replicação de HIV, reduz drasticamente a progressão da doença e melhora
a vida da pessoa com HIV. [Descobertas recentes do grande estudo Start](http://www.hivandhepatitis.com/hiv-treatment/hiv-treatment-guidelines/5293-ias-2015-start-trial-provides-definitive-evidence-of-benefits-of-early-hiv-treatment)
mostraram que pessoas que iniciam o tratamento logo após o diagnóstico tiveram um
menor risco de desenvolver doenças relacionadas à AIDS e eventos não relacionados
à AIDS, assim como a ocorrência de óbitos, em comparação com aqueles que esperaram
até suas contagens de célulasT CD4 caírem ao antigo “nível padrão”, de 350 células
T CD4 por mililitro de sangue.

Uma pequena proporção de pessoas com HIV tem apresentado carga viral baixa, porém
detectável, persistentemente, apesar do tratamento e dos efeitos da viremia de baixo
nível não serem completamente compreendidos. Mesmo um baixo nível de replicação 
viral em curso pode levar ao aumento da ativação imune e inflamação, que pode contribuir
para as comorbidades não relacionadas à AIDS, tais como doenças cardíacas, câncer
e formação de coágulos, que podem causar AVC e embolia pulmonar. Contudo, os estudos
observacionais de grandes proporções, anteriormente não tinham observado a associação
entre a viremia baixa e aumento do risco de AIDS e de doenças não relacionadas à
AIDS ou mortes.

> Andrea Antinori e colegas pesquisadores, com a Fundação ICONA, realizou um estudo
> coorte que demonstrava uma estimativa de 3 meses de incidência de eventos relacionados
> à AIDS, graves acontecimentos não relacionados à AIDS ou a ocorrência de óbitos
> entre as pessoas com o baixo nível de viremia, comparados com aqueles com cargas
> virais abaixo de 50 cópias/ml (indetectável).

![3D generated illustration of HIV Aids virus cells for medical science background](
http://soropositivo.org/wp-content/uploads/2016/06/ce70b-imune-sistem.jpg)

3D generated illustration of HIV Aids virus cells for medical science background

> A análise incluiu 7277 participantes do coorte italiano ICONA, que tinha pelo 
> menos 1 pessoa/ano de seguimento com uma carga viral na faixa de 0 a 1000 cópias/
> ml, pelo menos 6 meses após o início de uma combinação de antirretrovirais de 
> primeira linha. Três quartos eram homens, em sua maioria brancos, idade média 
> de 37 anos e 18% foram co-infectados com o vírus da hepatite C. A média da contagem
> de CD4 no início da TARV foi de aproximadamente 300 células/mm^(3) e 13% haviam
> sido diagnosticados com AIDS. O esquema mais comum de [Terapia Antirretroviral](https://soropositivo.org/terapia-antirretroviral-a-tarv-ou-o-coquetel/)
> foi o que combina Sustiva (Efavirenz)com Tenofovir/Emtricitabina (Truvada, também
> usado em PrEP), mas uma grande variedade de outras drogas também foi utilizada.
> Os pesquisadores participantes foram classificados em 4 grupos, de acordo com 
> a contagem da carga viral seis meses após o início da TARV:
>  * 0-50 cópias/ml (n=3919);
>  * 51-200 cópias/ml (n=1811);
>  * 201-500 cópias/ml (n=1117);
>  * 500-1000 cópias/ml (n=430).
>  
> Eles compararam dois resultados de efetividade de tratamento entre os grupos de
> carga viral: AIDS ou morte por qualquer causa, e eventos não-AIDS graves acordo
> com a definição.

**Resultados:**

 

 * 204 eventos relacionados com a AIDS ou mortes ocorreram durante 28,429 pessoas/
   ano de seguimento.
 * Taxas de incidência de eventos relacionados à AIDS ou morte foram 0,52, 1,25,
   1,91, e 1,06 por 100 pessoas/ano para os participantes com cargas virais de 0-
   50, 51-200, 201-500, e 500-1000 cópias/ml, respectivamente.
 * O risco ajustado de eventos relacionados à AIDS ou morte foi 1,74 (74%), 2,30(
   mais do que o dobro do risco, 130%) e 1,30 (aumento de 30%) para as pessoas com
   51-200, 201-500, e 500-1000 cópias/ml, respectivamente, em comparação com aqueles
   com 0-50 cópias/ml. Estas diferenças foram estatisticamente significantes para
   os grupos 51-200 e 201-500, mas não para o grupo de 500-1000.
 * 438 eventos graves não relacionados à AIDS, ou mortes, ocorreram durante o seguimento.
 * Taxas de incidência de eventos graves não relacionados à AIDS ou morte foram 
   1,46, 1,77, 1,69 e 2,56 para os respectivos grupos de carga viral.
 * O risco ajustado de eventos graves não relacionados à AIDS ou morte foi de 1,09(
   pouca mudança – 9%), 1,00 (diferença), e 1,54 (aumento de 54%) para as pessoas
   com 51-200, 201-500, e 500-1000 cópias/ml, respectivamente, nenhum dos quais 
   foram estatisticamente significantes.

> “A baixa carga viral, na faixa de 51 a 500 cópias/ml cúbico de sangue, foi associada
> a um risco independente do desenvolvimento de um novo diagnóstico de AIDS, que
> foi até 2,3 vezes maior do que o observado na presença de carga viral suprimida”,
> os pesquisadores concluíram.
> ** “Por outro lado, o baixo nível de viremia pareceu predizer um risco mais elevado
> de ocorrências graves não relacionados à AIDS”**. [Nota do tradutor: Eu mantive
> esta frase em negrito literalmente igual ao original e, embora eu não seja um 
> cientista, isso me pareceu-se mais com um “palpite” do que uma conclusão científica.
> O original está como se segue:_“Conversely, low-level viremia did seem to predict
> a more elevated risk of serious non-AIDS events.”_

 

Foi notado neste estudo, no entanto, que a classificação da carga viral em categorias
foi baseada nos níveis atuais da carga viral e não podiam ser tomados em conta para
períodos prolongados de baixo nível de replicação viral. “Blipes” virais ocasionais
não são incomuns durante o tratamento, mas a viremia persistente é uma preocupação
maior. Eles também disseram que o curto período do seguimento, 3 meses, pode ter
subestimado os efeitos desta condição a longo prazo com relação aos possíveis desfechos
clínicos.

Estes resultados, acrescentou-se, “podem ser úteis no planejamento de análises destinadas
a uma melhor definição dos limiares de falha terapêutica válidos para fins clínicos
e, eventualmente, incrementar as estratégias de tratamento detalhada e personalizadamente,
caso a caso.”

### ** Eventos cardiovasculares**

No segundo estudo, Silvia Costarelli do Hospital San Gerardo de Monza, e colegas
com o italiano MASTER Coorte analisaram a associação entre baixo nível de viremia
persistente (RNA do HIV entre 50 e 400 cópias/ml) e aumento do risco de eventos 
relacionados às doenças cardiovasculares.

Esta análise incluía 4393 pessoas que alcançaram a carga viral abaixo de 50 cópias/
ml (NT – indetectável – no Brasil os exames de carga viral são sensíveis até um 
patamar ainda mais baixo, em 40 cópias de RNA por mililitro cúbico de sangue) em
até 6 meses após o início da TARV, pelo menos. Cerca de 70% eram homens, a maioria
era composta por italianos e a idade média dos sujeitos da pesquisa no início da
era de aproximadamente 40 anos. Eles tinham doença por HIV relativamente avançada,
com uma mediana de contagem de CD4 abaixo de 300 células/mm^(3).  O risco cardiovascular
subjacente foi geralmente baixo, com apenas cerca de 1%, tendo  eventos cardiovasculares
anteriores.

> Uma maioria de 3576 pacientes manteve supressão viral completa e, no entanto, 
> 574 vivenciaram falha terapêutica com rebote viral para >400 cópias/ml e 243 tinham
> um baixo nível de viremia persistente em dois testes consecutivos.

⌊rip⌉⌊rip⌉

Observação do Editor de Soropositivo.Org: No texto que segue abaixo há o relato 
de 93 óbitos de pessoas com supressão viral em andamento. Todavia, não há o relato
da contagem de células T CD4 de cada um destes pacientes e nem mesmo a alusão à 
contagem média da das células T CD4. Eu faço esta observação porque acompanho, através
do aplicativo Whats App, dando suporte moral (uma conversa amistosa, uma troca de
informações, e considerei, pelo menos no que tange a este site e às pessoas que 
visitam este site em busca de conhecimento e esperança, uma falta de humanidade 
em não mencionar tal fato, pois não é de todo impossível que alguns destes pacientes
estivessem com uma contagem de CD4 que viesse a facultar a ocorrência de uma doença
oportunista que, neste âmbito, teria sido a verdadeira causa da perda de uma vida
humana, podendo atormentar psicologicamente as pessoas que cheguem a ter contato
com este texto que estejam exatamente neste processo de gradativa e paulatina supressão
viral.

Durante o seguimento houve 45 eventos cardiovasculares, 57 eventos relacionados 
à AIDS **e 93 mortes entre pessoas com supressão viral em curso**: 18, 53 e 37, 
respectivamente, entre pessoas com rebote viral e 6, 5 e 4 entre as pessoas com 
baixo nível de viremia persistente.

Os pesquisadores consideraram dois desfechos compostos: primeiro evento cardiovascular,
com evento relacionado à AIDS ou falecimento e primeiro evento cardiovascular ou
morte, ignorando a AIDS.

Para o primeiro desfecho os ajustes das incidências foram 11,7, 21,6 e 9,3 por 1000
pessoa/anos, respectivamente; para as pessoas com total supressão viral, rebote 
viral, e viremia persistente de baixo nível. Para o segundo desfecho as taxas de
incidência foram 8,6, 11,6 e 9,0, respectivamente. Ou seja, o risco de eventos adversos
foi cerca de 2 vezes maior para pessoas com rebote viral, quando a AIDS foi considerada,
mas não quando considerados apenas os eventos cardiovasculares ou óbitos.

Em uma análise multivariada, pacientes com rebote viral tinham um risco significativamente
maior para o primeiro e o segundo ponto de composição, em relação às pessoas com
uma contínua supressão viral (razão de risco 2,15 e 1,5, respectivamente). No entanto,
a persistência da viremia de baixo nível não foi associada com taxas de riscos significativamente
diferentes.

_“Nossos resultados sugerem que o baixo nível de viremia persistente não influencia
a doença cardiovascular,” os pesquisadores concluíram. “Além disso, em nosso meio,
a persistência da viremia de baixo nível ainda não era significativamente capaz 
de influenciar o estabelecimento de um quadro de AIDS ou morte_.

Em resumo, a incidência de eventos cardiovasculares, a AIDS e a morte foram semelhantes
para as pessoas com uma contínua supressão viral e aqueles com persistência da viremia
de baixo nível no MASTER estudo, sugerindo que a carga viral de baixo nível não 
aumenta o risco de eventos relacionados ou não à AIDS. Isso conflita com os resultados
do ICONA, que fez ver um maior risco de AIDS entre pessoas com baixa carga viral,
mas detectável.

Escrito por Liz Highleyman

para o [HIVAndHepatites.com](http://www.hivandhepatitis.com/)

**Traduzido por [Cláudio](https://www.facebook.com/Tannwander)** **Souza **do original
em Inglês em [Does Low-level HIV Viral Load Raise the Risk of Disease Progression and Comorbidities?](http://www.hivandhepatitis.com/hiv-aids/hiv-aids-topics/hiv-disease-progression/5468-eacs-2015-does-low-level-hiv-viral-load-raise-the-risk-of-disease-progression-and-comorbidities)

> Revisado por [Beto Volpe (Tantus Nominum nullum par Elogium)](https://www.facebook.com/beto.volpe.5)

**Referências**

Um Antinori, UM Cozzi Lepri, Ammassari, et al . Baixo nível de viremia (LLV) variando
de 50 a 500 cópias/ml está associado a um risco aumentado de eventos de AIDS na 
Fundação Icona coorte. XV Conferência europeia da AIDS. Barcelona,  21-24 Outubro,
2015. Resumo PS4/2.

S Costarelli, D Bernasconi, G Lapadula, et al . A persistência da  viremia de baixo
nível do HIV e risco cardiovascular. XV Conferência europeia da AIDS. Barcelona,
21-24 Outubro, 2015. Resumo12/10 PE.

## Leia também

 * [Baixa Carga Viral do HIV, porém detectável, eleva o risco de progressão da doença e comorbidades?](https://soropositivo.org/carga-viral-de-hiv-detectavel-em-baixo-nivel-eleva-o-risco-de-progressao-da-doenca-e-comorbidades/)
 * [AIDS: Causas, incidência e fatores de risco](https://soropositivo.org/aids-causas-incidencia-e-fatores-de-risco/)
 * [Aids: não há grupos de risco](https://soropositivo.org/aids-nao-ha-grupos-de-risco/)

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