# Brasil participava do mesmo projeto suspenso na África do Sul

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- Published: 2009-06-19T22:53:12-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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## **Agência de Notícias da Aids**** **

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**05/DEZEMBRO/07**

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4/12/2007 – 11h25

Luiz Brígido, cientista do Instituto Adolfo Lutz, não está em Abuja, na Nigéria,
mas colabora e acompanha a evolução do Programa africano de vacinas. Para tanto,
participou ativamente no Primeiro Seminário da Mídia Lusófona, em Lisboa, em novembro
passado, que teve como objetivo formar comunicadores destinados a divulgar e informar
corretamente seus países sobre a situação atual da Aids, evolução das pesquisas 
sobre vacinas, prevenção e descartar as informações falsas e superstições ligadas
à doença, principalmente na África. Diretamente do Instituto Adolfo Lutz, ele aceitou
responder algumas perguntas sobre a evolução das pesquisas se vacinas no Brasil 
e fazer paralelos com as pesquisas e situação africanas.

A comunidade científica espera o balanço do programa africano de vacinas contra 
Aids, na Nigéria, mas já se sabe que a vacina candidata tailandesa é a mais avançada,
enquanto na África do Sul voltou-se ao ponto zero. E no Brasil, como vão os testes?
Em que fase estão?

O Brasil estava participando do estudo HVTN-MERCK que foi interrompido recentemente.
Apesar da interrupção, os voluntários estão sendo acompanhados e vêm recebendo informações
e apoio da equipe brasileira envolvida no estudo. Esse estudo era um fase 2b, envolvendo
pessoas em risco acrescido. Outros 2 estudos estão em andamento, todos fase 1 já
com a vacinação terminada e os voluntários sendo acompanhados. Um estudo com produto
vacinal em parte baseado no carreador viral (Adenovírus) utilizado no estudo interrompido
está sendo re-programado e possivelmente será suspenso. As pesquisas com produtos
vacinais no Brasil estão sendo realizadas dentro do contexto do HVTN, rede de pesquisa
do NIH, porém estudos de imunologia e virologia voltados a vacinas tem sido conduzidos
por diferentes grupos no País, inclusive com parceiros internacionais, como o ANRS,
e estudos de demanda, em parceira com IAVI. O Ministério de saúde tem investido 
também em estudos voltados para vacinas terapêuticas.

Como vê o avanço da Aids nos países lusófonos africanos? Acha que o esforço do programa
africano para criar quadros de cientistas locais poderá levar a uma solução africana
ou o continente continua dependente da ajuda externa?

A situação da Aids na África é grave e deve ser encarada como uma calamidade global,
merecendo atenção de diferentes organismos internacionais. A situação entre países
lusófonos é heterogênea, com algumas nações, como Cabo Verde, com baixas taxas de
infecção pelo HIV na população e outros, como Moçambique, com número bem mais preocupantes.
O reforço da capacidade instalada, em especial o investimento em recursos humanos
é parte da solução e a única forma de garantir uma resposta sustentada.

O programa africano de vacina contra Aids decidiu abrir um espaço em língua portuguesa
para chegar às populações dos países lusófonos, com o apoio da OMS. Como vê essa
troca de informações lusófonas, ela também existe entre os cientistas lusófonos?

A integração entre nações lusófonas ainda é tímida e um esforço nessa direção pode
favorecer a troca de experiências, disseminação do conhecimento e fortalecer o combate
à Aids.

A presença brasileira em Moçambique pode ajudar nos testes africanos de vacinas.
Qual o papel do Brasil, do Instituto Adolfo Lutz e outros brasileiros na colaboração
com os africanos?

O Brasil tem como prioridade de sua política externa apoiar iniciativas de colaboração
com países africanos. Diferentes institutos têm colaborado nesse esforço, inclusive
o Instituto Adolfo Lutz, que tem recebido pesquisadores para treinamento. O Instituto
participou da pesquisa recentemente interrompida pelo HVTN com a vacina de Adenovirus
e pode contribuir na parte laboratorial para a capacitação de pessoal técnico de
Países africanos.

O virus HIV africano é muito diferente do existente no Brasil ?

A diversidade genética do HIV na África é a maior em todo o mundo, uma vez que o
vírus , assim com a espécie humana, surgiu nesse continente. No Brasil o vírus B
predomina na maior parte do território nacional, com o vírus F presente na maior
parte do país, mas em uma minoria ( por volta de 10%) das infecções. O vírus C predomina
em alguns locais do sul do país. Essa variante C é a que predomina em alguns países
lusófonos, com Moçambique. Angola tem uma maior diversidade viral, com outros variantes
presentes, incluindo algumas, como o vírus F, comuns ao Brasil.

As últimas estatísticas da doença no mundo mostram menos infecções nos países desenvolvidos,
enquanto a Aids avança em alguns países asiáticos, nas regiões pobres da federação
russa e continua sendo um flagelo na África. Isso quer dizer que a Aids virou mais
uma das chamadas doenças da miséria e da pobreza?

As condições de miséria e pobreza que infelizmente acometem importantes setores 
das nações lusófonas propiciam a disseminação da Aids e são obstáculo ao controle
da epidemia. Combater essas condições favorece o controle da epidemia e os esforços
em ações que procurem soluções abrangentes pode favorecer a eficácia das ações em
Saúde Pública.

A OMS discute em Genebra, e vai ser também tema na Nigéria, a questão da propriedade
intelectual dos remédios e vacinas e a necessidade dos laboratórios investirem mesmo
nos países pobres, sem retorno para investimentos, como a comunidade científica 
aborda essa questão, qualificada de humanitária, pelo representante do Brasil em
Genebra ?

O Brasil, apesar de cumprir os acordos internacionais de propriedade intelectual,
sempre procurou contextualizar a questão da propriedade intelectual dentro de um
espírito humanista, onde a garantia da saúde e bem estar das nações deva ter primazia
frente às necessidades de realização de lucros. Embora seja claro que os investimentos
realizados mereçam ser recompensados, devemos olhar a frente da questão puramente
monetária e procurar encontrar acordos onde possamos convergir essas necessidades
com os compromissos éticos que foram construídos durante esses milhares de anos 
de convivência da espécie humana. O processo civilizatório, longe de atingir sua
plenitude, pode em muito se beneficiar de exemplos de compaixão e justiça social
concretos. Os problemas de Saúde Pública Internacionais são um excelente campo para
o exercício real de uma prática solidária que pode influenciar positivamente os 
rumos do século XXI.

Rui Martins

## Leia também

 * [Programa africano de vacinas torna-se independente a OMS](https://soropositivo.org/programa-africano-de-vacinas-torna-se-independente-a-oms/)
 * [Chefe da unidade de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do programa brasileiro afirma que epidemi](https://soropositivo.org/chefe-da-unidade-de-pesquisa-e-desenvolvimento-tecnologico-do-programa-brasileiro-afirma-que-epidemi/)
 * [Saúde pública e comunicação](https://soropositivo.org/saude-publica-e-comunicacao/)

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