# Casos de Aids crescem 40% em Uberlândia

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- Published: 2009-11-27T13:54:04-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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## **CORREIO DE UBERLÂNDIA**** **

  |

**Editoria:**

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**Pág.**

  |

**Dia / Mês/Ano:**

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  |

  |

**27/NOVEMBRO/09**

  |

 

Foram registrados 173 novos casos em 2009; em 2008 foram 123

Marcelo Calfat

 

O número de novos casos de **Aids** aumentou 40% em Uberlândia de 2008 para 2009,
com maior concentração na faixa etária dos 30 aos 39 anos. Os dados revelam uma 
reversão na situação de queda registrada a partir de 2005 até 2008. Os dados são
do Ambulatório Herbert de Souza, que controla, desde 2005, os registros da doença
na cidade. Em geral, são 10 mulheres para cada 6 homens doentes. Na próxima terça-
feira (1º) de dezembro é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a **Aids**.

 

De acordo com a assistente social Cláudia Spirandeli, coordenadora do programa municipal
de Doenças Sexualmente Transmissíveis e **Aids**, não quer dizer que as pessoas 
foram infectadas exatamente nos anos mencionados. “Pode ser que sejam pessoas que
já estavam infectadas pelo vírus **HIV**, mas só manifestaram a doença posteriormente”,
disse.

 

Segundo a coordenadora Cláudia Spirandeli, existem 2.064 casos de **aids** em Uberlândia,
mas o número pode chegar a até 10 mil infectados pelo **HIV**. “A diferença é que
a pessoa pode estar infectada com o vírus, mas não manifestar a doença. Dessa forma,
não é considerada com **aids**”, disse. O tempo entre a contaminação e a manifestação
pode levar até oito anos.

Para Edval Dias Cantuário, diretor-presidente da Rede Nacional de Pessoas Vivendo
e Convivendo com **Aids** e **HIV** Núcleo Uberlândia, o preconceito é algo que 
aumentou. “O índice é alto. Tem cenas e casos que presenciamos que, em pleno século
21, não dá para acreditar que acontecem”, afirmou.

 

Uberlandense tem **HIV** há 22 anos

 

Desde 1987, o aposentado Edvaldo Fratis constatou que estava contaminado pelo vírus**
HIV**, mas nunca manifestou a doença. Ele, que experimentou cigarros e bebidas aos
7 anos, chegou a pesar 39 kg e ter doenças como tuberculose e cirrose, quando foi
internado para se tratar da dependência química. Hoje a realidade é outra e Fratis
disse que tem uma vida completamente normal. Com 80 kg e corpo saudável, ele caminha
4 quilômetros todos os dias e trabalha como coordenador-executivo de um centro de
reabilitação de dependentes químicos. “A minha missão é ajudar pessoas que estão
com dificuldades. Hoje sou a pessoa mais feliz do mundo”, afirmou.

 

Instituição cuida de soropositivos

 

Há 20 anos a Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista (Fale) é especializada 
no atendimento gratuito de pessoas com **HIV**. São 65 pessoas, entre homens e mulheres,
a maior parte vinda de outras cidades, que moram no local e passam a conviver e 
ajudar outros soropositivos. Segundo o vice-presidente Jorge Cesário Crosara Saad,
a instituição é a mais antiga da cidade e tem por objetivo dar uma vida mais digna
aos doentes. Para se manter, conta com doações. “Às vezes fica apertado e a gente
tem que correr atrás. É uma luta todo mês”, afirmou.

 

**Aids** em Uberlândia

 

Faixa etária

2005

2006

2007

2008

2009

Total

 

1 ano

2

1

1

0

1

5

 

1 a 4 anos

2

0

1

2

0

5

 

5 a 9 anos

3

2

1

0

0

6

 

10 a 14 anos

1

1

0

0

1

3

 

15 a 19 anos

8

4

5

3

5

25

 

20 a 29 anos

68

56

29

33

36

222

 

30 a 39 anos

101

71

52

36

70

330

 

40 a 49 anos

66

47

26

36

32

207

 

50 a 59 anos

18

18

15

11

18

80

 

60 a 69 anos

6

6

4

1

9

26

 

70 a 79 anos

2

1

1

1

1

6

 

Total

277

207

135

123

173

915

 

 

 

Fonte: Ambulatório Herbert de Souza

 

 

 

 

Doença avança pelo interior

 

O número de casos de **Aids** em pequenos municípios do país dobrou entre 1997 e
2007. Boletim Epidemiológico de **DST**–**Aids** divulgado pelo governo mostra que,
em cidades com menos de 50 mil habitantes, a taxa de incidência (número de casos
por 100 mil habitantes) da doença passou de 4,4 casos para 8,2 no período. Tendência
inversa é registrada nos grandes centros urbanos. Em cidades com mais de 500 mil
habitantes, a taxa de incidência da doença caiu 15% entre 1997 e 2007: de 32,3 para
27,4 registros por 100 mil habitantes.

 

Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, esse comportamento não se repete. Ali,
a doença aumenta tanto em pequenas quanto em grandes cidades. O fenômeno registrado
nessas duas regiões não surpreende. O boletim revela que o Brasil vive hoje várias
epidemias de **aids**, com tendências e características diferentes.

 

Quando se analisa números gerais, vê-se que a doença está estabilizada no país: 
com cerca de 35 mil casos por ano – o que é considerado um patamar alto. Mas ao 
olhar para os dados apresentados pelas regiões, a situação muda. A incidência na
região Norte saltou de 6,8 em 2000 para 15,4 em 2007. No Nordeste, o aumento também
foi expressivo – de 6,9 para 11.

 

Além de Norte e Nordeste, a doença aumenta de forma significativa no Sul: de 2005
para 2007, as taxas de incidência passaram de 27 para 29,3 – índice empurrado pelo
Rio Grande do Sul. Em apenas dois anos (entre 2005 e 2007), saltou de 32,2 por 100
mil habitantes para 43,8 por 100 mil. Porto Alegre apresentou a taxa mais alta entre
as capitais em 2007: 111,5. Praticamente, o dobro que a segunda colocada, Florianópolis,
com 57,4.

 

A diretora do Departamento de **DST**–**Aids** e Hepatites Virais, Mariangela Simão,
afirma que a principal causa de expansão da doença no Sul é transmissão heterossexual.“
Ali é preciso realizar ações contínuas de prevenção. Algo que precisa ser melhorado”,
afirmou. Nas regiões Sudeste e Centro-oeste, os índices caíram. E é justamente o
peso dos números do Sudeste – onde há a maior concentração de casos – que faz as
taxas brasileiras permanecerem estáveis.

 

A diversidade relatada pelo boletim traz uma preocupação a mais. “Os números mostram
que é preciso ações específicas em cada localidade, abordagens diferentes para que
resultados de prevenção da doença sejam bem-sucedidos”, disse. Um dos pontos que
mais merece atenção, na avaliação de Mariangela, é o aumento de casos no Norte. “
Por questões geográficas, o acesso é mais difícil. Além disso, a região apresenta
fragilidades na estrutura de tratamento e assistência.”

 

Saiba mais

 

Ambulatório Herbert de Souza **DST**/**Aids**

Telefone: (34) 3215-2444

Endereço: rua Avelino Jorge do Nascimento, 15, bairro Roosevelt

## Leia também

 * [Casos de AIDS crescem entre mulheres e idosos de Pernambuco](https://soropositivo.org/casos-de-aids-crescem-entre-mulheres-e-idosos-de-pernambuco/)
 * [Suspeita de mais de mil casos de Aids](https://soropositivo.org/suspeita-de-mais-de-mil-casos-de-aids/)
 * [Cai o número de casos de Aids na capital](https://soropositivo.org/cai-o-numero-de-casos-de-aids-na-capital/)

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