# Contra o hpv, uma prevenção cara

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- Published: 2009-11-02T15:20:33-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

JOVENS EM RISCO: Atividade sexual e falta de prevenção elevam casos de câncer do
colo do útero

Cláudio Motta e Vera Araújo

 

A atividade sexual precoce e o aumento do número de parceiros, associados à baixa
frequência do uso de PRESERVATIVOS, elevam o risco de contaminação. Por isso, os
jovens estão mais expostos às doenças sexualmente transmissíveis (**DST**S), diz
a ginecologista da UFRJ Michele Lopes Pedrosa.

 

 

As preocupações se voltam agora para a infecção pelo papilomavírus humano (HPV),
que pode provocar câncer do colo do útero.

 

 

De acordo com a especialista, a vacina disponível no mercado, além de ser muito 
cara, vendida por mais de R$ 1 mil as três doses, é eficaz apenas contra dois tipos
de vírus entre os 30 que podem causar a doença.

 

 

 * A vacina é vendida como se resolvesse o problema, mas isso não é uma verdade 
   absoluta.

 

 

Ela é eficaz para prevenir 70% dos casos, já que esses dois tipos são mais prevalentes,
mas faltam 30%. Além disso, o Ministério da Saúde vem avaliando essa tecnologia.
Ainda não temos clareza se no Brasil o índice de eficácia seria de 70%. A Espanha,
por exemplo, disse que essa vacina não serve para ela, porque a prevalência de HPV
lá é de outros tipos – alerta Michele.

 

 

A pesquisadora estudou o comportamento de adolescentes moradoras do Rio que apresentavam
lesão pré-maligna, ou seja, a que pode evoluir para o câncer do colo do útero. Entre
elas, a idade média na primeira relação sexual foi de 14,8 anos, apresentando em
média três parceiros sexuais nos últimos dois anos. Apenas 20% disseram usar CAMISINHA
de forma regular.

 

 

 * Podemos dizer que, pela literatura mundial, cerca de 40% dos homens e mulheres
   apresentam HPV. E que o risco individual de se contraí-lo em algum momento da
   vida é de 80%. O câncer do colo do útero é uma das principais causas de adoecimento
   e morte de mulheres no Brasil – salienta Michele.

 

 

De acordo com o médico Carlos Dale, ginecologista da Casa de Saúde São José, a vacina
é indicada para meninas entre 9 e 26 anos, porque elas produzem mais anticorpos 
até os 15 anos: – O grande vilão hoje é o HPV. Entre as meninas que estão começando
hoje sua atividade sexual, 25% terão HPV. A vacina é cara, indicada para meninas
com idade entre 9 e 26 anos. É importante dar a orientação correta. Eu digo: tomem
pílulas para prevenir a gravidez e exijam CAMISINHA contra as **DST**S.

 

 

Quando apareceram verrugas na área genital e uma ardência quase insuportável na 
hora de urinar, a jovem X., então com 25 anos, descobriu que contraíra o HPV. Por
vergonha, ela demorou a procurar um ginecologista e se automedicou, tomando antibiótico.

 

 

Depois do susto, passou a exigir o PRESERVATIVO para ter relações sexuais.

 

 

 * As verrugas externas sumiram. Depois resolvi procurar um ginecologista para saber
   se tinha alguma interna. E tinha. Mas tudo acabou bem. Me senti péssima, envergonhada
   e irresponsável. Fiquei com medo de câncer do colo do útero. Fiquei com muita
   raiva do meu parceiro, sim. O tratamento é desconfortável – disse X., hoje com
   32 anos, sem nunca ter falado sobre o assunto com o ex-parceiro.

 

 

Em outra pesquisa, a ginecologista Michele analisou exames preventivos colhidos 
em unidades públicas de saúde da cidade. O número de lesões entre adolescentes dobrou
entre 1999 e 2005 (de 6,4% para 12,4%), enquanto o de adultas subiu de 4% para 6,1%.

 

 

O chefe de oncologia clínica do Inca, Daniel Herchenhorn, lembra que o HPV também
provoca infecções crônicas, que são benignas, além das malignas, os cânceres: – 
Basicamente, do colo do útero, de canal anal, de pênis e de amídala. O mais importante
não é a vacina, mas o controle da atividade sexual e a ida frequente ao ginecologista.

 

 

O Ministério da Saúde está avaliando a incorporação da vacina contra o HPV ao seu
calendário de imunização. O controle do câncer é considerado prioridade. Há dúvidas
sobre a vacina, como a duração da imunidade, o seu uso em imunodeprimidos e gestantes
e a necessidade de vacinação de reforço.

 

 

Professor da Maternidade-Escola da UFRJ e coordenador do programa Papo Cabeça, Leonídio
Pereira alerta que as **DST**S estão relacionadas à multiplicidade de parceiros 
e ao não uso de PRESERVATIVOS, principalmente quando a CAMISINHA é preterida em 
favor do anticoncepcional hormonal. Já a gravidez precoce é menos frequente na classe
média: – A família de classe média compra a PÍLULA e paga o aborto. Essa jovem não
entra para as estatísticas, mas o adolescente de classe média transa tanto quanto
o de classe baixa.

 

 

O médico revela, ainda, que o aumento do consumo de álcool pela mulher contribui
para um comportamento sexual de risco: – Há festas em que a bebida é de graça e 
a entrada para a mulher é livre.

 

 

Quando os homens chegam, as mulheres já estão alteradas pelo álcool.

 

 

A gravidez de Ângela Aguiar, então com 15 anos, não foi planejada. Ela conta que
foi difícil contar a notícia para a família, mas que depois todos acabaram se acostumando
com a ideia.

 

 

Aos 16 anos, mãe da Carolina, Ângela parou de estudar, mas espera poder voltar para
a escola e ser médica.

 

 

 * Meu medo maior era que ela engravidasse. Para mim, foi um choque – diz a mãe 
   da jovem, Ângela Maria Aguiar, que cuidará da filha e da neta.

 

 

A gravidez de Luana, de 17 anos, foi descoberta pela mãe, Taísa Lima Santos, que
suspeitou do atraso da menstruação da filha: – É desesperador descobrir que sua 
filha está grávida. Parece que você leva um tapa na cara, perde o chão, dá um vazio,
mas fazer o quê? Sempre conversei, dei total liberdade. Poxa, ela é bem informada,
estuda, frequenta o colégio, tem curso, tem as amigas, tem televisão. Hoje em dia,
não tem desculpa. Tanta coisa, tantos métodos, como isso acontece? Vem a sensação
de fracasso.

 

 

Será que, se eu tivesse sido tirana, o resultado seria outro? – pergunta Taísa.

 

 

Luana, por sua vez, diz que assumirá a responsabilidade, mas ainda não sabe quando
voltará a estudar, nem se conseguirá entrar este ano em alguma faculdade: – Se foi
maduro para fazer, tem que ser para criar.Tínhamos informações, demos mole, bobeamos.

 

 

Mandou bem

 

Enquanto muita gente usa a internet para disseminar a pornografia, há quem lance
mão da rede para a conscientização. É o caso das mais de oito mil meninas integrantes
da comunidade “Mães adolescentes – Gravidez”, no site de relacionamentos Orkut.

 

 

Na MAG, como é conhecida, jovens que engravidaram precocemente compartilham suas
experiências, dão conselhos e tiram dúvidas das mamães de primeira viagem. A carioca
Ingrid Amorim, de 18 anos, mãe de Kauã, de 1, é uma das participantes.

 

 

 * A comunidade não incentiva as adolescentes a serem mães, mas apoia as que já 
   estão grávidas.

 

 

Sempre digo às meninas que aparecem por lá querendo engravidar cedo que é melhor
planejar a gravidez para depois que já estiverem formadas e com condições de sustentar
seu filho – conta Ingrid, que engravidou aos 16 anos por um descuido na interrupção
da PÍLULA e agora faz um curso supletivo para terminar o ensino médio.

 

 

O debate sobre os percalços da gravidez precoce não é só virtual. No mês passado,
integrantes da MAG participaram de um encontro no Norte Shopping.

## Leia também

 * [HPV: Prevenção do câncer de colo uterino](https://soropositivo.org/hpv-prevencao-do-cancer-de-colo-uterino/)
 * [HPV aumenta em até 10 vezes risco de câncer de colo de útero](https://soropositivo.org/hpv-aumenta-em-ate-10-vezes-risco-de-cancer-de-colo-de-utero-3/)
 * [o Vírus HPV (PAPILOMAVÍRUS HUMANO)](https://soropositivo.org/o-virus-hpv-papilomavirus-humano/)

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