# Contraceptivo eficaz e seguro

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- Published: 2010-11-20T22:05:46-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 13 dias.

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Apontada pelos médicos como uma excelente forma de planejamento familiar, a vasectomia
atrai cada vez mais os brasileiros. Em oito anos, o número de cirurgias desse tipo
realizadas no SUS cresceu cerca de 300%

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Márcia Ner

Impotência, perda de libido, mudanças no padrão hormonal e até ganho de peso eram
receios dos homens que cogitavam fazer a vasectomia há uma ou duas décadas, época
em que o assunto era cercado de mitos e desconhecimento. Atualmente, o procedimento
é encarado com mais tranquilidade, tanto que o número de cirurgias desse tipo realizadas
no Brasil tem crescido exponencialmente. Somente no Sistema Único de Saúde (SUS),
a quantidade de procedimentos passou de 7,7 mil, em 2001, para 34,1 mil, no ano 
passado, aumento de mais de 300%. O acesso ao método em hospitais privados também
cresceu, pois os planos de saúde já cobrem a vasectomia desde 2008. Ainda assim,
algumas dúvidas persistem e povoam o imaginário masculino. Tudo porque, segundo 
os especialistas, não raro, a esterelidade é confundida com castração.

A vasectomia é um método cirúrgico de esterilização masculina. De tão simples, a
técnica nem requer internação, medida necessária para as mulheres que recorrem à
laqueadura (operação de esterilização feminina). O procedimento é feito em ambulatório
e dura cerca de 20 minutos. O urologista Renato Argollo, da Clínica Andros, observa
que hoje dificilmente alguém não conhece uma pessoa que tenha feito vasectomia. 
O assunto é conversado com mais abertura e a população passou a entender que ela
não interfere na masculinidade, tratando-se apenas de um método seguro de contracepção.

O médico lembra, no entanto, que, nas consultas prévias à cirurgia, os pacientes
sempre perguntam se algo irá mudar em relação ao orgasmo, ao desejo sexual e à ereção.“
Isso é natural. É importante deixar claro que a ejaculação não muda, pois 98% do
volume do esperma é líquido da próstata e da vesícula seminal. Os espermatozoides
representam 2% do que é ejaculado”, pontua. A técnica da cirurgia não mudou tanto
ao longo do tempo. A evolução se concentrou no tamanho das incisões na bolsa testicular,
que ficaram bem menores. A saúde do homem também não é afetada. Caíram por terra
os mitos que confundiam a cabeça dos candidatos ao procedimento no passado, como
o suposto aumento nas chances de sofrer de doenças como o câncer de próstata e de
testículo.

De acordo com o chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia
Otto Henrique Torres Chaves, nada disso tem comprovação científica. “Dezenas de 
pesquisas provam que a vasectomia não está relacionada ao aparecimento de outras
patologias. Não ocorrem efeitos adversos a curto ou a longo prazo. Os pacientes 
saem andando do ambulatório no mesmo dia. O desconforto é mínimo”, assegura. Segundo
o médico, a opção de operar é do homem, mas a companheira deve estar de acordo com
a cirurgia. “Noto que 95% dos pacientes chegam ao consultório munidos de certo conhecimento.
Ainda assim, nosso dever é orientar e questionar o paciente para que ele não se 
arrependa depois. Quando ele tem uma companheira, ela também deve participar e aprovar
a decisão”, pondera.

O empresário Khaled Gahazaleh, 39 anos, optou pela vasectomia há quatro anos e diz
estar convicto de que acertou na opção e no momento. Seguro de que estava totalmente
realizado com as duas filhas gêmeas, ele conta que não queria que sua mulher continuasse
evitando a gravidez com **ANTICONCEPCIONAIS**. “Esses remédios prejudicam a saúde.
Por que ficar tomando medicação se eu tinha a chance de resolver a questão de modo
tão simples? Não tive medo, não senti dor, minha masculinidade não foi alterada 
e estou muito satisfeito. É uma questão de planejamento familiar”, garante Khaled.

Prazo para funcionar

A chance de reversão espontânea da vasectomia é pequena. Estudos sugerem que ela
ocorre em menos de um caso para cada 3 mil procedimentos realizados. Mas a esterilidade
não é garantida imediatamente depois da cirurgia. Durante os primeiros 60 dias, 
a recomendação é que se use outro método **CONTRACEPTIVO**. “Após o procedimento,
espermas ativos continuam no sêmen por um período, sendo necessárias entre 15 e 
20 ejaculações para que o líquido expelido esteja livre dos espermatozoides. Por
isso, um exame de espermograma deve ser feito dois meses depois da cirurgia para
garantir que o paciente está realmente estéril. Essa avaliação deve ser repetida
uma vez ao ano”, explica Argollo.

O analista de suporte Hugo Acioli Cardoso Sousa, 45 anos, é a prova de que a reversão
espontânea é rara, mas não impossível. Depois de ser pai pela quarta vez, ele e 
a mulher, Carolina, decidiram pelo método. O procedimento foi realizado e, 60 dias
depois, o espermograma confirmou a azoospermia. Passados mais seis meses, porém,
Carolina engravidou. Assustado com a notícia da gestação, ele refez o exame. O resultado
foi claro: a natureza foi mais forte. Os espermatozoides voltaram a aparecer na 
ejaculação.

Ele recorda que fez a cirurgia porque, na época, a vida estava complicada em termos
financeiros. “Foi a opção melhor naquele momento. Não me arrependi e acho que o 
destino se encarregou do resto. Ao contrário do que muitos pensam, adorei saber 
que teria mais um filho e jamais duvidei da minha esposa. É claro, vimos que havia
algo incomum em relação ao procedimento e por isso procurei o médico para entender
o ocorrido”, explica o analista. Para ele, a reversão foi um presente. “Tivemos 
mais duas crianças. A Carol fez a laqueadura depois do nascimento da nossa caçula,
que já tem 5 anos. Se a cirurgia dela falhasse e fôssemos surpreendidos com uma 
nova gestação, eu ficaria muito feliz”, afirma o animado pai.

Reversão é possível

Ubiramar reverteu sua vasectomia e agora espera um filho com Gabriela

A Organização Mundial da Saúde preconiza que os candidatos à vasectomia preencham
certos requisitos para minimizar o risco de arrependimento. Recomenda-se que o homem
viva um relacionamento estável, tenha mais de 25 anos e que os filhos vivos tenham
passado da idade de doenças infantis. “Eventualmente, essa recomendação varia de
acordo com a história do candidato. O que os especialistas buscam é que a decisão
seja madura, responsável e muito bem pensada, pois a vasectomia deve ser considerada
um método permanente de contracepção”, enfatiza o médico urologista Otto Henrique
Torres Chaves.

Em todo caso, se bater o arrependimento, é melhor que seja nos primeiros cinco anos
depois da cirurgia. Quanto mais tempo passar, menores as chances de a reversão cirúrgica
dar certo. O analista de sistemas Ubiramar Mendonça, 49 anos, teve sorte. Quando
fez a vasectomia, há 17 anos, era casado, tinha um relacionamento estável e dois
filhos. A vida, porém, tomou rumos inesperados e o casamento terminou. Ao encontrar
uma nova companheira, que ainda não tinha experimentado a maternidade, o desejo 
de ser pai novamente bateu forte. Ubiramar procurou diversos especialistas, inclusive
no exterior, e escutou sempre a mesma resposta: seu caso seria praticamente impossível
de ser revertido. “Eu e minha esposa chegamos a fazer inseminação artificial, mas
não deu certo. Não me dei por vencido e resolvi bancar a reversão mesmo com pouquíssimas
chances. Acreditava que conseguiria. Deu certo. Estamos grávidos de oito meses. 
Vou ser pai novamente depois de 20 anos”, comemora. (MN)

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