# Desde o fim de semana, 21 casos de violência contra a mulher:  “Se você me denunciar para a polícia, eu te mato”

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- Published: 2010-03-18T13:55:51-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

– Fazendo cumprir Lei Maria da Penha, delegado dá ênfase na investigação de casos
desse tipo

 “Se você me denunciar para a polícia, eu te mato”. Essa é a realidade cotidiana
de muitas mulheres: vítimas de xingamentos, ameaças e agressões físicas elas muitas
vezes tem medo de denunciar o agressor. Mas, graças a Lei Maria da Penha, esse quadro
vem mudando aos poucos. Dois milhões de casos de violência são registrados anualmente
contra a mulher no Brasil e em Teresópolis a média é de 10 ocorrências por dia. 
Nos três primeiros meses do ano já foram registrados na 110 DP quase 200 casos –
todos com inquéritos já instaurados. Desses, 21 aconteceram somente desde o último
fim de semana.

 Embora representem mais da metade da população brasileira, as mulheres sofrem com
desigualdade de condições impostas por uma sociedade que ainda não conseguiu superar
a cultura historicamente machista. As relações sociais e o sistema político, econômico
e cultural imprimiram uma distinção entre os gêneros. Além disso, a violência doméstica
e familiar contra a mulher é responsável por índices expressivos de falta ao trabalho,
pelo crescimento da **AIDS** entre a população feminina e pelo baixo aproveitamento
escolar de crianças que a presenciam.
 Responsável pela investigação dos casos de
violência doméstica registrados na 110 DP, o delegado Wellington Pereira Vieira,
entre pilhas e mais pilhas de papel, tenta despachar todas as ocorrências do tipo
no mesmo dia. Ele lembra que a confecção desse tipo de registro policial é mais 
demorada e a atenção do policial deve ser redobrada – para que sejam acrescentados
todos os detalhes relatados pela vítima. No momento em que a mulher registra a queixa,
são oferecidas medidas preventivas como o afastamento do agressor do lar, possibilidade
de ficar na Casa Abrigo, entre outras.

 Após a confecção do registro, a instauração acontece quase que sempre no mesmo 
dia e, em seguida, é encaminhado para o Judiciário, que analisa as declarações e
intima o autor a depor. Em casos de lesões, a vítima é encaminhada ao Instituto 
Médico Legal (IML) e se precisar de atendimento médico, é encaminhada para o hospital.
Quando há ameaças de morte e repetidas agressões, pode-se determinar a prisão preventiva
do agressor. No entanto, segundo o delegado, nem sempre as vítimas querem os autores
presos. “Em outras ocorrências, a vítima tem certeza que quer a prisão do autor.
Já as mulheres agredidas nem sempre desejam ver seu pai, marido ou filho na cadeia.
Criam afeição e tem medo”, ressalta Wellington.

 

Para o delegado, a violência doméstica atinge todas as classes. “É ilusão achar 
que isso só acontece com os menos favorecidos, há muitos casos de pessoas bem estruturadas.
Este problema vem da cultura machista da sociedade brasileira”, diz, acrescentando
que o preconceito contra a mulher é o ponto chave de todas as agressões. “Existem
casos de mulheres que passam mais de 20 anos em situação de violência e nunca registraram
nada”, atenta. Na semana passada, inclusive, uma idosa resolveu denunciar o homem
com quem viveu por aproximadamente 50 anos: mesmo tendo sofrido dezenas de agressões,
ela só procurou a polícia agora por ver os resultados obtidos com a nova lei.

 

**DIÁRIO DE PERNAMBUCO.COM | **
 AIDS  17/03/2010

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 * [Lei Maria da Penha: Senadora Lúcia Vânia lamentou o alto índice de violência de gênero](https://soropositivo.org/lei-maria-da-penha-senadora-lucia-vania-lamentou-o-alto-indice-de-violencia-de-genero/)
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