# Eficiência tecnológica

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- Published: 2009-06-19T22:50:00-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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, A emancipação do programa brasileiro de combate à **Aids** é fruto de um trabalho
focado numa legítima demanda social

Eduardo Costa, Diretor do laboratório público Farmanguinhos

O programa brasileiro de combate à **Aids**, internacionalmente reconhecido como
um dos melhores do mundo, vinha sendo ameaçado pelo aumento descontrolado do custo
de medicamentos essenciais.

 Focado nessa legítima demanda social, o governo brasileiro instituiu, pelo Decreto
6.107, o licenciamento compulsório das patentes relacionadas à fabricação de um 
desses medicamentos – o Efavirenz. O passo mais importante foi dado agora para viabilizar
o cumprimento do dispositivo legal que determina a fabricação local, dentro de um
ano, pelo licenciado – neste caso, o próprio governo. É indispensável que os laboratórios
públicos sejam rapidamente autorizados a coordenar o processo produtivo interno 
para garantir o atendimento à população.

 O trajeto que culminou com a licença compulsória foi magistralmente conduzido pelo
governo federal. Depois de um exaustivo e improdutivo ciclo de negociações com a
empresa detentora da patente do Efavirenz, ao longo do qual se buscou uma redução
no preço do produto visando torná-lo acessível a um maior número de pacientes, e
face aos constrangimentos impostos pela empresa ao laboratório público Farmanguinhos
quando este se dispôs a pesquisar tecnologias com suporte em amostras comerciais
do produto, o governo federal decidiu então aplicar o dispositivo legal do licenciamento
compulsório, em nome do interesse público e com respaldo em acordos internacionais.
Dessa forma, cumpriu seu dever constitucional de assegurar o acesso universal e 
gratuito às ações e serviços em saúde para a população.

 A patente do Efavirenz foi registrada no Brasil no primeiro ano depois da promulgação
da Lei de Patentes, por meio do esdrúxulo sistema pipeline. Desde então, sem um 
aumento significativo do número de unidades farmacêuticas vendidas verificou-se 
que o faturamento do mercado farmacêutico brasileiro aumentou de R$ 10 bilhões, 
em 1996, para R$ 23 milhões, em 2006. E mais: o balanço de pagamentos do país para
fármacos e medicamentos, que já era deficitário, quintuplicou negativamente nesse
período.

 A decisão do governo federal foi precedida de uma profunda reflexão sobre seu significado
e conseqüências. Foram cuidadosamente analisadas a disponibilidade do produto no
mercado internacional, já que no primeiro ano de vigência da licença o produto seria
importado, e a capacitação técnica tanto dos laboratórios oficiais como do setor
produtivo privado de fármacos instalado e operando no país. Por iniciativa do Farmanguinhos,
foi aberto um processo de pré-qualificação das empresas produtoras de farmoquímicos
do país. Instaurou-se uma "banca examinadora" com todos os candidatos, reunidos 
num verdadeiro mutirão para atender um dos requisitos essenciais da lei brasileira
relativa à licença compulsória: o licenciado deve produzir em menos de um ano, para
não ficar sujeito a possíveis ações visando cassar esse instrumento.

 O Brasil está cuidando, portanto, não apenas da fabricação local do produto acabado,
mas também de ir tão longe quanto possível no domínio da cadeia produtiva do princípio
ativo objeto da licença compulsória. Depois de terem sido realizadas auditagens 
técnicas nas fábricas de anti-retrovirais em operação no Brasil, foi constatado 
que há capacidade de produção com qualidade equivalente à do produto patenteado 
e, num primeiro momento, pela metade do preço, com tendência de queda, nos anos 
seguintes à medida, do avanço da internalização do desenvolvimento do produto.

 A modalidade de contratação dos serviços de produção pelos laboratórios oficiais
junto às empresas privadas permitirá a fiscalização permanente dos processos produtivos,
insumos e produtos, assegurando-se assim a rastreabilidade das matérias-primas, 
instalações e serviços utilizados na fabricação dos medicamentos, que é a base para
uma efetiva garantia de qualidade. Tomada a decisão, cumpre colocá-la em prática.
Para evitar que empecilhos burocráticos inviabilizem os prazos e desmoralizem o 
instrumento da licença compulsória, é preciso agora que o governo federal delegue
aos laboratórios oficiais a gestão do processo produtivo na forma que foi desenvolvida
pelo Farmanguinhos. Dessa maneira, estará garantida a emancipação do programa anti-**
Aids** e sua proteção contra um sistema de suprimento de insumos excessivamente 
restritivo e ineficaz, que vinha causando muito mais danos do que benefícios ao 
país. Com Nelson Brasil, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de
Química Fina (Abifina)

## Leia também

 * [O Brasil e o licenciamento compulsório de medicamentos](https://soropositivo.org/__trashed-29/)
 * [Governo prorroga quebra de patente de droga contra AIDS](https://soropositivo.org/governo-prorroga-quebra-de-patente-de-droga-contra-aids/)
 * [Famosos influenciaram no sucesso do programa contra Aids, diz médica de Harvard](https://soropositivo.org/famosos-influenciaram-no-sucesso-do-programa-contra-aids-diz-medica-de-harvard/)

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