# Em 2009, incidência da aids aumenta no interior do país e diminui nos grandes centros urbanos, informa Ministério da Saúde

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- Published: 2010-01-11T11:57:00-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

⌊Brasil flag over grunge texture⌉⌊Brasil flag over grunge texture⌉No decorrer de
2009, a Agência de Notícias da **Aids** publicou as principais notícias relacionadas
ao tema **HIV**/**aids** destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, 
jornalistas, médicos e especialistas. Selecionamos algumas, entre as principais 
notícias publicadas, nesta retrospectiva.Confira a seguir o lançamento do Boletim
Epidemiológico de 2009 do Ministério da Saúde sobre a interiorização da epidemia
de **aids** pelo país.Incidência da **aids** aumenta no interior do país e diminui
nos grandes centros urbanos, informa Ministério da Saúde

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 * [AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS ](https://soropositivo.org/em-2009-incidencia-da-aids-aumenta-no-interior-do-pais-e-diminui-nos-grandes-centros-urbanos-informa-ministerio-da-saude/#agencia-de-noticias-da-aids%c2%a0)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/em-2009-incidencia-da-aids-aumenta-no-interior-do-pais-e-diminui-nos-grandes-centros-urbanos-informa-ministerio-da-saude/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/em-2009-incidencia-da-aids-aumenta-no-interior-do-pais-e-diminui-nos-grandes-centros-urbanos-informa-ministerio-da-saude/#relacionado)

Os grandes centros urbanos do país – onde estão concentrados 52% dos casos de **
aids** – registraram queda de 15% na taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007.
Nesse mesmo período, a incidência nos municípios com menos de 50 mil habitantes 
dobrou, revelando que a epidemia caminhou para o interior do país. As informações
foram divulgadas nesta quinta-feira (26) pela diretora do Departamento de **DST**,**
Aids** e **Hepatite**s Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, durante 
apresentação do Boletim Epidemiológico **Aids**/**DST** 2009, em Brasília. Saiba
mais.

A análise foi realizada pelo Ministério da Saúde, que elaborou um panorama detalhado
dos casos de **aids** nos 4.867 municípios brasileiros onde já foi notificadapelo
menos uma ocorrência da doença. Segundo o Boletim, em 1997 a taxa de incidsência
de **aids** nas cidades com menos de 50 mil habitantes era cerca de oito vezes menor
do que a registrada nas cidades com mais de 500 mil pessoas. Entre 1997 e 2007, 
esse índice passou de 4,4 ocorrências em 1997 para 8,2 em 2007. O conjunto das 4.982
cidades com menos de 50 mil habitantes (90% dos municípios brasileiros) concentram
34% da população e 15,4% dos casos de **aids** identificados no país, em 2007.

No mesmo período, em municípios com mais de 500 mil pessoas, houve decréscimo do
índice da doença, entre 1997 e 2007, de 32,3 para 27,4 notificações por 100 mil 
habitantes. Ao longo desses dez anos, 24 dos 39 municípios com mais de 500 mil habitantes
registraram queda significativa na taxa incidência ou se mantiveram estáveis. Como
essas 39 cidades são responsáveis por 283.191 casos de **aids** (52% do total de
casos acumulados), mudanças ocorridas ali têm impacto maior para a conformação da
epidemia.

> “O mapa permite conhecer as diversas epidemias existentes no país e fornecer aos
> gestores locais os instrumentos para que eles possam adequar as respostas à sua
> realidade”, afirmou Mariângela Simão.

Municípios de médio e grande porte

Dos 100 municípios com mais de 50 mil habitantes que apresentam maior taxa de incidência
de **aids**, os 20 primeiros da lista estão no Sul. A primeira colocada é Porto 
Alegre (RS) com taxa de incidência de 111,5 por 100 mil habitantes, seguida por 
Camboriú (SC) com 91,3.

A tendência de crescimento de **aids** nas cidades menores e queda nas maiores confirma-
se nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Mas, Norte e Nordeste apresentam um 
perfil diferente. Ocorre aumento da taxa de incidência, quando se compara 1997 com
2007, tanto em municípios grandes quanto em pequenos.

> “Os dados justificam a necessidade de contínuo investimento em ações descentralizadas,
> respeitando as especificidades de cada local, sem perder o foco de que a epidemia,
> no Brasil, é concentrada”, destacou Mariângela Simão.

Dados gerais

De 1980 a junho de 2009*, foram registrados 544.846 casos de **aids** no Brasil.
Durante esse período, 217.091 mortes ocorreram em decorrência da doença. Por ano,
são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos de **aids**. Em relação ao **HIV**,
a estimativa é de que existam 630 mil pessoas infectadas no país.

Dos casos de **aids** acumulados de 1980 até junho de 2009, a região Sudeste é a
que tem o maior percentual (59,3%) do total de notificações, com 323.069 registros
da doença. O Sul concentra 19,2% dos casos, com 104.671 notificações; Nordeste (
11,9%), com 64.706; Centro-Oeste, (5,7%), com 31.011; e Norte (3,9%), com 21.389.
Dos 5.564 municípios brasileiros, 87,5% (4.867) registram, pelo menos, um caso da
doença. A distribuição percentual de casos de **aids** por região de residência 
em 2007, quando comparada à distribuição da população brasileira no mesmo ano, apresenta
um quadro interessante, principalmente para as regiões Nordeste e Sul: 28% da população
brasileira residia no Nordeste em 2007, enquanto que somente 17% dos casos de **
aids** foram identificados nessa região, no mesmo ano. O oposto ocorre no Sul, onde
se concentrava 15% da população e 24% dos casos foram identificados. Nas demais 
regiões, a proporção de casos se assemelha à distribuição populacional.

Sexo e faixa etária

A razão de sexo (número de casos em homens dividido por número de casos em mulheres)
no Brasil diminuiu consideravelmente do início da epidemia para os dias atuais. 
Em 1986, a razão era de 15 casos de **aids** em homens para cada caso em mulheres.
A partir de 2003, a razão de sexo estabilizou-se. Para cada 15 casos em homens, 
existem 10 em mulheres.

Chama atenção a análise da razão de sexo em jovens de 13 a 19 anos. Nessa faixa 
etária, o número de casos de **aids** é maior entre as meninas. A inversão vem desde
1998, com 8 casos em meninos para cada 10 casos em meninas.

Entre homens, a taxa de incidência em 2007 foi de 22 notificações por 100 mil habitantes
e nas mulheres de 13,9.

Em ambos os sexos, as maiores taxas de incidência se encontram na faixa etária de
25 a 49 anos. A taxa apresenta tendência de crescimento a partir dos 40 anos em 
homens e dos 30 em mulheres, comparando-se 1997 e 2007.

Formas de transmissão

De forma geral, no segmento de homens que fazem sexo com homens (HSH), ocorre uma
tendência de estabilização na proporção de casos. A média é de 28% da proporção 
de casos registrados entre os homens, a partir de 2000.

Entre jovens gays na faixa etária de 13 a 24 anos também houve aumento na proporção
de registros – passou de 29,0%, em 1997, para 43,2%, em 2007.

De acordo com informações do Departamento de **DST**, **Aids** e **Hepatite**s Virais,
dentre as estratégias de enfrentamento à **aids**, a política de redução de danos
brasileira tem conseguido alcançar resultados significativos. A transmissão por 
drogas injetáveis apresentou uma acentuada queda no número de casos da doença, tanto
em homens quanto em mulheres. Entre eles caiu de 22,6%, em 1997, para 7,4%, em 2007.
Nas mulheres, a queda foi ainda maior: de 10,2%, em 1997, para 2,6% em 2007.

Nesse mesmo ano, entre adultos do sexo masculino, na categoria de exposição sexual,
há maior transmissão entre heterossexuais (45,1%). Na categoria sanguínea, a transmissão
é maior entre usuários de drogas injetáveis (UDI – 7,4%). Em mulheres, o predomínio
da forma de transmissão é heterossexual em toda a série histórica. Em 1997, a infecção
por meio do sexo desprotegido era responsável por 88,7% dos casos. Em 2007, esse
percentual alcançou 96,9%.

Mortalidade

O coeficiente de mortalidade se mantém estável no país, a partir de 2000, em torno
de 6 óbitos por 100 mil habitantes. Nos últimos oito anos, as mortes por **aids**
em homens caem e nas mulheres tornam-se estáveis. Em 2000, foram registrados 3,7
óbitos por **aids** em cada 100 mil mulheres. Em 2008, o coeficiente foi de 4,1.
Em homens, há diminuição de óbitos a partir de 1998 (de 9,6 registros por 100 mil
habitantes, em 1998, para 8,1, em 2008*).

Transmissão vertical

O Brasil reduziu em 41,7% a incidência de casos de **aids** em crianças menores 
de cinco anos de idade. O coeficiente de mortalidade também diminuiu cerca de 70,0%(
em 1997, o coeficiente de mortalidade era de 2,0 por 100 mil habitantes, caindo 
para 0,6, em 2007). A queda na taxa de transmissão da mãe para o bebê é resultado
dos cuidados no pré-natal e pós-parto. A taxa de incidência de **aids** nessa faixa
etária é utilizada para monitorar rotineiramente a transmissão vertical do **HIV**,
pois praticamente representa o total de casos (93,9% das notificações). De 1984 
a junho de 2009 foram identificados 13.036 casos de **aids** em menores de cinco
anos.

**Sífilis** congênita

De 1998 a junho de 2009, foram notificados 55.124 casos de **sífilis** congênita(
transmitida da mãe para o bebê) em menores de um ano de idade no Brasil. São registrados,
em média, 5 mil casos da doença a cada ano. A estimativa do Ministério da Saúde,
contudo, é de que ocorram 12 mil notificações anualmente. Dos casos registrados 
em 2008, 39% (2.150) foram no Sudeste, 33,9% (1.872) no Nordeste, 13,4% (739) no
Norte, 7,3% (403) no Sul e 6,3% (342) no Centro-Oeste. Em relação ao número de mortes
em consequência da **sífilis** congênita, em 10 anos o país registrou 976 óbitos.

A partir de 2005, os casos de **sífilis** em gestantes também passaram a ser registrados.
Do início da notificação até 2008, foram identificados 19.608 casos de mulheres 
grávidas com **sífilis**, sendo 6.955 só no ano passado – a estimativa é de que 
se contabilizem cerca de 48 mil mulheres grávidas com **sífilis** anualmente. Com
o objetivo de diminuir a subnotificação de casos de **sífilis** tanto em mulheres
quanto em bebês, estados e municípios pactuaram com a gestão federal a melhoria 
da qualidade da informação sobre a doença, na Programação das Ações de Vigilância
em Saúde (PAVS), em 2007.

Para reduzir as taxas de transmissão vertical do **HIV** e da **sífilis**, o Ministério
da Saúde lançou, em 2007, o Plano Nacional de Redução da Transmissão Vertical do**
HIV** e da **Sífilis**. O documento traz metas para redução dessas taxas até 2011.
A intenção é aumentar o número de testes de **sífilis** realizados em gestantes 
de 2,1 milhões para 4,8 milhões. No caso dos testes anti-**HIV**, o quantitativo
passará de 1,4 milhão para 2,3 milhões.

Do ponto de vista da saúde pública, o principal desafio no combate à **sífilis**
é a transmissão vertical. Durante a gravidez, a doença pode provocar aborto e morte
do feto. Já sua manifestação congênita acarreta malformações ósseas, surdez, cegueira
e problemas neurológicos, entre outros, para a criança. No caso do **HIV**, a transmissão
vertical pode ocorrer durante a gravidez, no parto e nos primeiros meses de vida
do bebê, por meio da amamentação.

Os exames para detectar a **sífilis** e o **HIV** estão disponíveis no Sistema Único
de Saúde (SUS). As chances de transmissão vertical de **sífilis** congênita podem
ser eliminadas e a infecção por **HIV** pode cair para 1%, se adotadas medidas adequadas
de prevenção e tratamento.

*dados preliminares

Para conhecer outros dados do Boletim Epidemiológico **Aids**/**DST** 2009, clique
aqui.

Para conferir a evolução da taxa de incidência dos 39 municípios com mais de 500
mil habitantes entre 1997 e 2007, acesse aqui.

Redação da Agência de Notícias da **Aids**

 

 

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**11/JANEIRO/10**

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## Leia também

 * [Retrospectiva 2009: Combate à aids entre HSH e transgêneros é falho, dizem agências da ONU](https://soropositivo.org/retrospectiva-2009-combate-a-aids-entre-hsh-e-transgeneros-e-falho-dizem-agencias-da-onu/)
 * [Unicef e OPAS lançam durante Fórum no Peru projeto para eliminar transmissão vertical do HIV e da sífilis](https://soropositivo.org/unicef-e-opas-lancam-durante-forum-no-peru-projeto-para-eliminar-transmissao-vertical-do-hiv-e-da-sifilis/)
 * [Marco na luta contra a AIDS, Brasil x patentes](https://soropositivo.org/marco-na-luta-contra-a-aids-brasil-x-patentes/)
 * [Estudo rejeita tese de que aids avança para o interior](https://soropositivo.org/estudo-rejeita-tese-de-que-aids-avanca-para-o-interior/)

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