# Em defesa da profissão

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- Published: 2010-07-11T15:48:33-03:00
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AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.HÁ VIDA COM HIVEste blog está online há 26 anos, 2 meses e 12 dias. JORNAL DE BRASILIA &#8211; DF | ESPECIAL Temas Tratados Nesta Página Leia também Like this Relacionado CAMISINHA | CONTRACEPTIVOS 11/07/2010 Prostitutas se organizam em movimentos para reivindicar direitos, inclusão social e exigir respeito Ana Paula Leitão, especial para o Jornal de Brasília &#8220;Daspu é uma puta parada, Daspu é uma parada de puta. No prazer, na folia, na pista ou na luta. Beija bem, veste bem, goza bem na costura&#8221;. O trecho é parte do funk, que é lema da Daspu, uma grife que produz roupas e estampas inspiradas no mundo da prostituição. A marca é uma brincadeira com o nome da maior loja de artigos de luxo do Brasil, a Daslu. Na passarela, são as próprias prostitutas que exibem as coleções da grife criada em 2005 para chamar a atenção para o tema e exigir respeito. Os looks Daspu são divididos em quatro linhas: batalha, com roupas curtas e decotadas para o trabalho; lazer, a partir de biquínis e cangas; folia, com fantasias e camisetas de blocos carnavalescos; e a linha ativismo, com escritos sobre a prostituição. Para os homens, a grife lança camisas, camisetas e cuecas. O dinheiro conseguido com a venda das roupas é utilizado em projetos para capacitar as prostitutas em outras atividades, fazer ações de prevenção a doenças sexualmente transmissíves e mostrar para as mulheres que elas não devem ter vergonha de serem profissionais do sexo. A ideia de criar a grife foi da Rede Brasileira de Prostitutas, movimento que nasceu há quase 23 anos, no I Encontro Nacional de Prostitutas, realizado no Rio de Janeiro, em 1987. O evento reuniu mais de duas mil pessoas e foi organizado pelas próprias prostitutas. Lurdes Barreto foi uma peça chave na criação da rede nacional de profissionais do sexo. A atual líder do movimento de prostitutas no Pará se considera uma mulher feliz por ter feito parte da criação do projeto. &#8220;Eu me considero uma mulher realizada porque sonhei muito, acreditei muito, fiz da prostituição um grande movimento social, isso é o mais fundamental. Acredito que é um movimento político e social muito forte&#8221;, afirma Lurdes. A prostituta Paula da Silva, de 39 anos, nasceu no interior do Pará e faz parte do movimento de prostitutas. &#8220;Se a gente tivesse um trabalho de tirar as mulheres da prostituição, a gente teria bastante financiamento, mas como a nossa história é a de colocar a prostituta no seu devido lugar dentro da sociedade, a gente não tem&#8221;. Para ela, o movimento traz mais conscientização às mulheres e homens que estão na atividade. Dos 15 anos na prostituição, Paula conta que só começou a usar PRESERVATIVO há seis anos, quando conheceu o movimento de prostitutas. &#8220;Eu não sabia nem que existia CAMISINHA&#8220;, conta. REGULAMENTAÇÃO Uma das principais lutas do movimento de profissionais do sexo hoje é fazer com que a legislação considere a prostituição como uma profissão. A categoria já foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego. Para a pesquisadora de Serviço Social e coordenadora do grupo Violes da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lúcia Leal, a regulamentação da profissão permite a busca por melhores condições de vida e de trabalho. &#8220;Regulamentar possibilita que as trabalhadoras do sexo possam reivindicar de forma organizada seus direitos trabalhistas e conseguir melhores condições de trabalho&#8221;. Já o economista e também professor da UnB, Newton Gomes, demonstra ressalvas quanto a regulamentação. &#8220;Sou a favor, mas não acho que seja uma saída verdadeiramente humana para a coisa; a prostituição é mais um tipo de exploração do capital, e não leva a uma conscientização maior&#8221;. Algumas prostitutas também se mostram contra a regulamentação da profissão, sobretudo para evitar o pagamento de tributos ao Estado. LEGISLAÇÃO Existem no mundo três sistemas legais sobre a prostituição: Abolicionismo &#8211; Pune o dono ou gerente de casa de prostituição, e não a prostituta. De acordo com esse sistema, quem está na ilegalidade é o empresário, ou patrão, e não há qualquer proibição em relação a alguém negociar sexo e fantasiais sexuais. Adotado na maioria dos países, esse sistema passou vigorar no Brasil desde 1942, com o atual Código Penal. Regulamentarismo &#8211; Reconhece e regulamenta a profissão, exigindo que a mulher faça exames periódicos e que exerça a atividade em locais determinados, com a possibilidade de ter um contrato de trabalho, seguridade social, inclu s i ve aposentadoria, e garantias legais. O sistema é adotado pelo Uruguai, Equador, Bolívia e outros países sul-americanos, assim como Alemanha e Holanda. No caso europeu, não há exigência de exames de saúde. Proibicionismo &#8211; Considera ilegal a prostituição. Tanto a prostituta quanto o dono de casa de prostituição e até o cliente são puníveis pela lei. O sistema é vigente nos Estados Unidos e em outros países. Leia também Elas ainda sonham Trabalho para dar prazer JORNAL DE BRASILIA &#8211; DF | PROSTITUIÇÃO AIDS | CAMISINHA | Este blog existe há 25 anos.Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:Chave Pix: solidariedade@soropositivo.orgVocê também pode me escrever para: claudio@soropositivo.org Email a link to a friend (Opens in new window) Email Print (Opens in new window) Print Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Like this:Like Loading… Relacionado