# ESPECIAL HPV

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- Published: 2010-02-19T19:37:31-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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O QUE É? O papilomavírus humano não é apenas um vírus, mas uma família inteira deles–
são aproximadamente 150 tipos. Algumas versões, que não necessariamente são transmitidas
sexualmente, causam verrugas na palma das mãos e na planta dos pés. “Outras levam
a uma lesão precursora de câncer na região genital”, diz o dermatologista Hélio 
Miot, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. E são esses últimos tipinhos,
com predileção pelas partes baixas, os mais preocupantes. “Hoje o **HPV** é a principal
doença viral transmitida pelo sexo. E ele está envolvido em praticamente todos os
casos desse tumor”, afirma Luisa Lina Villa, diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa
sobre o Câncer, em São Paulo. Se isso parece não ter nada a ver com você, saiba 
que oito entre dez mulheres sexualmente ativas contraem pelo menos um tipo do papiloma
ao longo da vida.

 

Além do útero

 

Os tipos mais perigosos, chamados de alto risco, podem estar relacionados, em menor
freqüência, a tumores de ânus, pênis, vulva, boca e até faringe.

 

FORMAS DE CONTÁGIO

 

O contato sexual é a maneira mais comum de contágio. E bastante atenção: inclua 
aí preliminares e sexo oral. Basta o reles atrito com a mucosa infectada, da mão,
da boca ou dos genitais, para o vírus fazer mais uma vítima. “Entre uma e três relações
sexuais sem penetração é o suficiente para se contaminar”, alerta Luisa Lina Villa.
Repetindo: sem penetração. Toalhas, roupas e superfícies como a tábua do vaso sanitário
também favorecem a transmissão do vírus. Mas a contaminação por objetos, embora 
possível, é raríssima.

 

PREVENÇÃO

 

Algumas medidas são indispensáveis para fugir da cilada do **HPV**: evitar ter vários
parceiros e usar CAMISINHA. Ela só não garante 100% de proteção porque não cobre
toda a superfície de contágio.

 

Mas, para os especialistas, de longe a arma mais eficiente contra o **HPV** é a 
vacinação, hoje recomendada para uma faixa mais ampla de idade, que vai de meninas
de 9 a mulheres de 45 anos . São três doses – cada uma custa em torno de 400 reais–
e o ideal seria que elas fossem tomadas antes mesmo da iniciação sexual, quando 
ainda não houve contato com o vírus. A eficácia da vacina é alta: 95% de sucesso
no combate aos principais causadores de câncer e, no caso da quadrivalente, proteção
também contra os que mais provocam verruga genital. “Estudos já mostram os benefícios
da vacinação em pessoas com mais de 26 anos e até em homens”, revela Thomas Broker,
presidente da Sociedade Internacional de Papilomavírus. Ou seja, é muito provável
que, em breve, ela também seja aplicada nesses públicos.

 

VACINAS:

 

Bivalente

 

Protege contra os tipos 16 e 18 do vírus, que são os que mais causam câncer. E é
recomendada para meninas e jovens entre 10 e 25 anos.

 

Quadrivalente

 

Também age contra os tipos 16 e 18 e, de quebra, afasta o 6 e o 11, responsáveis
por 90% das verrugas genitais, que são de difícil tratamento e altamente contagiosas.
Esta versão é indicada para meninas e jovens de 9 a 26 anos.

 

EXAMES

 

Tomar a vacina não exclui a necessidade de manter-se fiel aos procedimentos rotineiros
de prevenção e detecção do vírus. Veja quais são eles:

 

Papanicolau Com uma espátula, o médico colhe material do colo do útero e coloca 
em uma lâmina. Aí, é feita uma análise em microscópio. Não dá para identificar o
vírus, mas é possível verificar se há alterações nas células.

 

Colposcopia O colposcópio é um aparelho capaz de ampliar 20 vezes a imagem da vagina,
da vulva, do colo do útero e do ânus. Para flagrar lesões, um líquido reagente é
pincelado na mucosa. No caso dos homens, o exame correspondente é a peniscopia.

 

Biópsia Quando os métodos anteriores acusam alguma alteração, retira-se uma pequena
amostra do tecido suspeito. Mais uma vez, ela será analisada em microscópio.

 

Captura híbrida O material do colo do útero é coletado com o auxílio de uma pequena
escova, que, depois, é mergulhada em um líquido desenvolvido para conservar as células.
Essa técnica acusa a presença do **HPV** mesmo se não houver sintomas e determina
se o micro-organismo é de alto ou de baixo risco.

 

Novas técnicas Já estão disponíveis procedimentos que denunciam os subtipos do **
HPV** por meio da análise do seu DNA, apesar de poucos laboratórios oferecerem o
serviço. A grande novidade no que diz respeito ao diagnóstico, no entanto, é um 
teste desenvolvido pelo cientista norueguês Frank Karlsen, especialista em biologia
molecular e virologia. Ele consegue mostrar, entre as mulheres infectadas por vírus
de alto risco, quais estão mais sujeitas ao desenvolvimento do câncer de colo do
útero. “É quase certo que elas terão câncer se o exame der positivo”, disse o médico
a SAÚDE!.

 

Fonte: Nelson Gaburo Júnior, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do Diagnósticos
da América

 

TRATAMENTO

 

Entre as opções de tratamento estão laser, substâncias químicas, bisturi elétrico,
cremes e pomadas cicatrizantes. E quem já cuidou de uma lesão por **HPV** sabe que
é preciso paciência para dar fim ao problema. As verrugas, por exemplo, são tremendamente
persistentes. Agora, se você acabou de descobrir que está entre as vítimas do vírus
não deve se desespere. “Hoje existe o domínio total sobre o diagnóstico e o tratamento
do **HPV**“, garante o ginecologista Rogério Ramires, do Femme Laboratório da Mulher,
em São Paulo. Segundo o médico, tão importante quanto tratar a lesão é avaliar aspectos
emocionais e imunológicos da paciente. Quer dizer: estresse, má alimentação e poucas
horas de sono são grandes empecilhos para quem está em tratamento. O cigarro, não
custa lembrar, deixa as defesas do corpo mais fracas, permitindo que o vírus fique
firme e forte no organismo por mais tempo.

 

**HPV** NO HOMEM

 

Apesar de causar maior estrago nas mulheres, essa família de vírus desaforados não
tem preferência sexual. “Nos homens, a contaminação por **HPV** também é frequente”,
conta a epidemiologista Maria do Carmo Costa, do Instituto Nacional do Câncer. Só
que, para eles, a higiene é um tanto mais fácil – sem falar que qualquer ferida,
por uma questão anatômica, logo salta aos olhos e pode ser tratada depressa.

 

Entre casais Como o **HPV** sabe ser discreto – pode permanecer incubado por um 
ano e às vezes por período indeterminado -, quando ele aproveita uma brecha do sistema
imune para se manifestar fica difícil identificar a ocasião em que foi contraído.
Daí, apontar o dedo para o parceiro é a primeira reação. “Já vi casais de separarem
por isso”, diz a ginecologista Helena Junqueira, do Hospital Santa Joana, em São
Paulo.

 

Segundo Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas
de São Paulo, é essencial que exista um diálogo sincero, sem essa de um culpar o
outro. “O importante é que ambos façam o tratamento adequado e ponto”, enfatiza.

 

TIRA DÚVIDAS

 

Qual é a diferença entre **HPV** e herpes genital? “Papilomavírus humano (**HPV**)
e herpes (HSV) são vírus diferentes, responsáveis por doenças diferentes, sem relação
entre eles, a não ser pelo fato de serem vírus”, afirma Sérgio Mancini Nicolau, 
ginecologista da Universidade Federal de São Paulo.

 

Posso transmitir o vírus mesmo sem lesões visíveis a olho nu? Sim. Pode transmitir
e pode pegar de outra pessoa nessa situação. Mesmo latente, ou seja, sem manifestação
visível, o **HPV** tem poder de contaminar.

 

Alguns tipos de **HPV** provocam coceira e corrimento? A infecção por **HPV** costuma
ser assintomática. Os sintomas citados são inespecíficos e podem estar relacionados
a outros agentes causais, especialmente os corrimentos, que costumam ter outra origem.

 

CONTRACEPTIVO oral é fator de risco para o câncer do colo do útero? O CONTRACEPTIVO
hormonal, assim como o fumo, pode ser considerado um co-fator, que, associado ao
papilomavírus humano, pode aumentar o risco de desenvolver o câncer do colo do útero.

 

Grávidas podem tomar a vacina? Por enquanto, não. Ela até pode ser liberada para
gestantes em breve. “Mas, como ainda não foram concluídos estudos sobre sua segurança
em casos assim, ela é temporariamente contraindicada”, explica Gabriel Oselka, diretor
da Clínica Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitária e em Imunizações (
Cedipi).

 

E quem já passou da idade indicada para a vacinação, pode tomar? Pode. Aliás, vale
notar que a vacina, antes recomendada apenas para jovens de até 26 anos, agora já
é indicada para mulheres até 45 anos — o que faz tremendo sentido, já que costumam
ser sexualmente ativas e, portanto, correm risco. O que pode acontecer com o passar
do tempo é o seguinte: a mulher, talvez, já tenha contraído um dos tipos do vírus
que a vacina contempla. Daí, claro, mesmo que tome a vacina contra quatro tipos 
de **HPV**, a famosa quadrivalente, a proteção não será total. Ainda assim, se não
foi infectada por todos, valerá muito a pena.

 

Por quanto tempo o imunizante garante proteção? Por cerca de 8 anos e meio, mas 
esse prazo ainda não é definitivo. A vacina é recente e não deu tempo para estabelecer
a validade, que pode ser maior

 

Por que vacinar minha filha de 10 anos? Ela provavelmente não entrou em contato 
com nenhum tipo do vírus, por isso o benefício será o melhor possível. A administradora
paulista Roberta Fleury Alves Mesquita, 41 anos, que está na foto abaixo com a filha
Rafaela, 11, vacinou a menina por orientação do pediatra.

 

“A prevenção não tem idade”, diz. “Acho que um dia ela vai me agradecer por ter 
feito esse investimento para o seu bem.”

 

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## **REVISTA SAÚDE**** **

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**19/FEVEREIRO/2010**

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## Leia também

 * [Papilomavírus humano (HPV) é um grupo de mais de 200 vírus que](https://soropositivo.org/papilomavirus-humano-hpv-2/)
 * [o Vírus HPV (PAPILOMAVÍRUS HUMANO)](https://soropositivo.org/o-virus-hpv-papilomavirus-humano/)
 * [Tudo sobre o HPV](https://soropositivo.org/tudo-sobre-o-hpv/)

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