# Especialista afirma que tratamento contra HIV atacará refúgios do  vírus

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- Published: 2009-06-19T22:52:16-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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01/DEZEMBRO/07

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01/12/2007 – 08h13

 

THIAGO FARIA
 da Folha Online

O tratamento para pacientes da Aids evoluiu em ritmo acelerado nos últimos anos 
e teve no Brasil, até 2005, seu "período de ouro". A opinião é do epidemiologista
Francisco Inácio Bastos, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz (Fundação Oswaldo 
Cruz) e uma das principais referências no país para o assunto.

De acordo com o especialista, a grande barreira no tratamento da Aids atualmente
são os chamados "refúgios" do HIV (ou santuários), locais no organismo onde o vírus
se esconde esperando para voltar a se manifestar.

"A terapia do futuro vai ser uma terapia que não só vai matar os vírus que estão
se formando, mas que também vai funcionar como um tipo de isca, para atrair o vírus
que está no refúgio para eliminá-lo", afirma Bastos.

Ele aponta que nos últimos anos o combate à doença no país foi bastante intenso,
principalmente após 1996, quando foi criada a lei específica que determina a distribuição
gratuita de remédios anti-HIV.

Porém, ao ser combatido, o vírus foi criando resistências aos retrovirais de primeira
linha e surgiu a necessidade de utilizar novas linhas de medicamentos para tratar
o paciente infectado, encarecendo o tratamento.

"Ao longo do tempo, o programa de Aids brasileiro e o programa de Aids do mundo 
inteiro foi se tornando mais complexo e, dependendo do balanço entre remédio genérico
e remédio de marca, ele vai ficando mais caro".

De acordo com um estudo publicado por Bastos em conjunto com pesquisadores da Fiocruz
e da universidade norte-americana Harvard, o gasto anual em remédios anti-retrovirais
no Brasil saltou de US$ 204 milhões (R$ 360,2 milhões) em 2001, quando o governo
iniciou um processo de quebra de patentes nessa área, para US$ 414 milhões (R$ 731
milhões) em 2005, uma alta de mais de 100%.

Efeitos colaterais

Com a utilização de novas classes de medicamentos, de uso mais complexos e efeitos
colaterais diferentes, aos poucos o perfil do paciente de Aids foi sendo alterado.

 

Doença crônica

A evolução no tratamento e a tendência de queda apresentada desde 2002, quando foram
registradas 38.816 infecções –o número caiu cerca de 16% em comparação com 2006,
quando o número de infectados foi de 32.628– contribuíram para que a imagem da doença
mudasse.

Para Bastos, a imagem de doença fatal já foi substituída por de uma doença crônica,
como diabetes crônicas, por exemplo, em que o paciente precisa tomar remédios durante
toda sua vida.

A sua preocupação, no entanto, é que a doença seja banalizada e que as pessoas deixem
de se preocupar com a prevenção.

"Temos que lembrar sempre que a Aids é uma doença infecciosa, e não pode ser banalizada,
com o risco de haver uma explosão de novos casos", ressalta.

## Leia também

 * [Brasil rebate descobridor da Aids e afirma ser referência contra doença](https://soropositivo.org/brasil-rebate-descobridor-da-aids-e-afirma-ser-referencia-contra-doenca/)
 * [Saiba mais sobre a Aids](https://soropositivo.org/saiba-mais-sobre-a-aids/)
 * [Tratamento Contra HIV. Como é?](https://soropositivo.org/tratamento-contra-hiv/)

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