# Estigma contra o VIH divide e fragmenta as comunidades gay

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- Published: 2012-02-14T21:00:59-02:00
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Roger Pebody

Segundo os autores de um artigo publicado na edição online da AIDS Care que faz 
uma revisão de estudos de investigação identificou -se uma crescente divisão dentro
das comunidades gay, onde os homens seronegativos para o VIH se associam maioritariamente
com outros homens seronegativos e os homens seropositivos para o VIH misturam-se
maioritariamente entre si. Além disso o estigma tem impactos negativos na saúde 
tanto dos homens seropositivos para o VIH como dos seronegativos para o VIH.

O estigma foi definido como “um processo de desvalorização das pessoas que vivam
ou que sejam associadas ao VIH e à SIDA”. A maioria da literatura da investigação
sobre o estigma lida com as atitudes da população em geral, mas os autores desejaram
chamar a atenção e juntaram relatórios relacionados com a estigmatização dos homens
seropositivos para o VIH dentro das comunidades de homens gay.

Eles descrevem esta literatura como “fragmentada e constituída por relatos de casos
isolados” – e apelam a uma investigação mais empírica – mas têm identificado múltiplas
referências ao estigma que afecta homens gay e homens bissexuais:

Sete em cada dez homens gays que responderam a um inquérito Holandês já foram alvo
de estigma num ambiente gay;

Os homens seropositivos para o VIH apercebem-se de uma “fenda” baseada no estatuto
de VIH dentro da sua comunidade gay.

O medo da rejeição por parte de potenciais parceiros sexuais é reportada com frequência
e causa danos de longa duração na auto confiança e auto estima de homens infectados
pelo VIH.

Os homens mais velhos infetados pelo VIH sentem-se particularmente desvalorizados,
acreditando que se encontram no fundo da hierarquia social gay, e ressentem-se por
supostamente serem dependentes de benefícios sociais que já não se encontram disponíveis
para os homens mais jovens também infetados pelo VIH.

As mudanças da gordura corporal e outras manifestações físicas relacionadas com 
o VIH e o seu tratamento são tidas como não atraentes. Homens que apresentem tais
sintomas reportam uma perda de intimidade e evitam certos espaços sociais porque
se sentem conscientes da sua aparência e temem a rejeição.

Nos Estados Unidos, homens negros gay são julgados por terem um risco mais elevado
de infecção pelo VIH em comparação com homens de outras etnias e são muitas vezes
evitados como parceiros sexuais por esse motivo.

O estigma tem um impacto de considerável dimensão entre o bem-estar mental e emocional,
levando a ansiedade, solidão, depressão, pensamentos suicidas e estratégias para
evitar situações tal como retirarem-se da vida social.

Os homens que revelam o seu estatuto de VIH a uma rede de apoio limitada muitas 
vezes sentem-se socialmente isolados.

Alguns homossexuais portadores de VIH reportam manter uma distância social e sexual
de outros homens seropositivos, sentindo que ao serem associados a espaços de seropositivos
para o VIH (quer online ou offline) constituiria estigma direccionado contra eles.

Os homens portadores de VIH que são identificados como “barebackers” tendem a reportar
um estigma maior, stress relacionada com a situação gay, culpabilização e abuso 
de substâncias para ajudar a lidar com a questão.

Os homens que reportam discriminação por parte de parceiros sexuais e falhas na 
confidencialidade têm menos probabilidade de aderir à medicação.

Os autores referem que o estigma também tem efeitos negativos na saúde dos homens
seronegativos para o VIH. Os homens seronegativos que evitam contacto sexual com
homens seropositivos para o VIH como um meio para evitar a infecção pelo VIH colocam-
se a eles próprios em risco – devido a testes não frequentes ao VIH, infeções por
diagnosticar e por não revelarem o seu estatuto de VIH. Além disso as crenças estigmatizantes
são associadas com taxas mais baixas de realização de teste de rastreio de VIH e
um conhecimento mais fraco sobre a transmissão do VIH.

Afirmam que são necessárias com urgência estratégias eficazes validadas pela investigação,
para reduzir o estigma. “Tais iniciativas deveriam adotar um diálogo renovado sobre
viver com o VIH como um homem gay, criar oportunidades para partilhar a compreensão
e a experiência entre homens seropositivos e seronegativos para o VIH, e ter como
objectivo a reunião das comunidades gay ao reduzirem o estigma e oferecerem um apoio
médico e social integrado”.

Referência

Smit PJ et al. HIV-related stigma within communities of gay men: a literature review.
AIDS Care, published online ahead of print, 2011. (Texto na íntegra disponível online).

Tradução

GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA

## Leia também

 * [Mais homens seronegativos para o VIH estão a ter relações sexuais desprotegidas em relações sexuais primárias, mas nem todos conhecem o estatuto serológico dos parceiros](https://soropositivo.org/mais-homens-seronegativos-para-o-vih-estao-a-ter-relacoes-sexuais-desprotegidas-em-relacoes-sexuais-primarias-mas-nem-todos-conhecem-o-estatuto-serologico-dos-parceiros/)
 * [Muitos homens gay seropositivos para o VIH têm síndrome de stress pós-traumático](https://soropositivo.org/muitos-homens-gay-seropositivos-para-o-vih-tem-sindrome-de-stress-pos-traumatico/)
 * [O risco de doença cardíaca aumentou nos doentes seropositivos franceses](https://soropositivo.org/o-risco-de-doenca-cardiaca-aumentou-nos-doentes-seropositivos-franceses/)

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