# Estudo analisa comportamento da brasileira frente à epidemia HIV AIDS

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- Published: 2014-01-08T08:58:26-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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## Estudo inédito analisa o comportamento da brasileira frente à epidemia HIV _**AIDS**_:

![hiv aids](/wp-content/uploads/2014/01/mulher%252Be%252Baids%252B4%2525255B1%2525255D.
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### Temas Tratados Nesta Página

 * [Estudo inédito analisa o comportamento da brasileira frente à epidemia HIV AIDS](https://soropositivo.org/en/estudo-analisa-comportamento-da-brasileira-frente-a-epidemia-hiv-aids/#estudo-inedito-analisa-o-comportamento-da-brasileira-frente-a-epidemia-hiv-aids)
 * [De acordo com a pesquisa, 91% das mulheres brasileiras a partir de 15 anos já iniciaram a vida sexual, que em geral se caracteriza por parcerias afetivas estáveis. Os resultados apontam mudanças na maneira como este grupo tem experimentado a vida sexual em face ao HIV e À AIDS](https://soropositivo.org/en/estudo-analisa-comportamento-da-brasileira-frente-a-epidemia-hiv-aids/#de-acordo-com-a-pesquisa-91-das-mulheres-brasileiras-a-partir-de-15-anos-ja-iniciaram-a-vida-sexual-que-em-geral-se-caracteriza-por-parcerias-afetivas-estaveis-os-resultados-apontam-mudancas-na-maneir)
 * [No Brasil, a maior vulnerabilidade ao HIV e à AIDS ocorre na faixa etária de 13 a 19 anos](https://soropositivo.org/en/estudo-analisa-comportamento-da-brasileira-frente-a-epidemia-hiv-aids/#no-brasil-a-maior-vulnerabilidade-ao-hiv-e-a-aids-ocorre-na-faixa-etaria-de-13-a-19-anos)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/en/estudo-analisa-comportamento-da-brasileira-frente-a-epidemia-hiv-aids/#leia-tambem)
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### De acordo com a pesquisa, 91% das mulheres brasileiras a partir de 15 anos já iniciaram a vida sexual, que em geral se caracteriza por parcerias afetivas estáveis. Os resultados apontam mudanças na maneira como este grupo tem experimentado a vida sexual em face ao HIV e À AIDS

### ![Estudo inédito analisa o comportamento da brasileira frente à epidemia de Aids: De acordo com a pesquisa, 91% das mulheres brasileiras a partir de 15 anos já iniciaram a vida sexual, que em geral se caracteriza por parcerias afetivas estáveis. Os resultados apontam mudanças na maneira como este grupo tem experimentado a vida sexual](/wp-content/uploads/2014/01/9a53dbb6364567e160292e11803.jpg)

#### _No Brasil, a maior vulnerabilidade ao HIV e à AIDS ocorre na faixa etária de 13 a 19 anos_

Para 6 de cada 10 mulheres brasileiras, o contato com o_** HIV** _pode ocorrer, 
exclusivamente, por meio de um parceiro estável. Os dados são da pesquisa realizada
pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc, publicados no livro Mulheres brasileiras
e gênero nos espaços público e privado, lançado em agosto. Para o estudo, foram 
entrevistadas 2.365 mulheres e 1.181 homens maiores de 15 anos, de áreas urbanas
e rurais de 25 unidades da Federação. A coordenadora do Núcleo de Apoio a Gestão
de Projetos da Fiocruz Brasília (NUGP), Dulce Ferraz, em parceria com o pesquisador
da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro, foram convidados para fazer
a análise de dados da pesquisa na identificação dos aspectos que podem expor as 
mulheres à infecção pelo HIV e sua contribuição para a dinâmica da epidemia no país.
O resultado da análise está disponível no livro e se insere no tema mulheres brasileiras:
[sexualidade e prevenção](http://atomic-temporary-78498171.wpcomstaging.com/melhora-dos-dados-sobre-aids-dificulta-trabalho-de-prevencao-dizem-entidades-2.html).

De acordo com a pesquisa, 91% das mulheres brasileiras a partir de 15 anos já iniciaram
a vida sexual, que em geral se caracteriza por parcerias afetivas estáveis. Os resultados
apontam mudanças na maneira como este grupo tem experimentado a vida afetiva e sexual
ao longo dos anos. Segundo a análise, as novas gerações iniciaram a vida sexual 
cerca de dois anos mais cedo que suas mães e avós, o que indica parte da mudança
do papel da mulher na sociedade e da sua própria autonomia frente à sua vida sexual.

![HIV](/wp-content/uploads/2014/01/HIV_Virion-en.png "aids")

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia de AIDS no Brasil é concentrada.
A classificação é feita levando em consideração as epidemias que, na população geral,
o percentual de pessoas infectadas é inferior a 1%, e que em alguns grupos da população
extrapola 5%. É o caso do Brasil, onde na população geral a prevalência é de 0,6%
e chega a 10% entre os homossexuais, grupo com maior incidência, e 5% entre os profissionais
do sexo e usuários de drogas. Tanto o aumento de casos entre mulheres jovens como
a concentração da epidemia em grupos estigmatizados e discriminados refletem a intensa
relação entre a AIDS e as desigualdades sociais.

A maioria dos casos de mulheres infectadas com o HIV no Brasil (80%) acontece por
meio de relações sexuais heterossexuais. A maior vulnerabilidade ocorre na faixa
etária de 13 a 19 anos. Para Dulce, a negociação sobre como se proteger é complicada.”
Camisinha, em maioria, é usada pelo homem, afinal, o preservativo feminino é pouco
disponível no país, explica. Ela acrescenta que a distribuição do preservativo feminino
é feita para segmentos específicos de mulheres. Isto torna a proteção da mulher 
dependente da negociação com o homem. A capacidade ou a habilidade que cada mulher
tem de fazer isso depende muito do contexto de vida dela. Isso é crucial para o 
avanço na prevenção”, completa.

Os resultados também apontam que, na última relação sexual deste grupo, o uso do
preservativo foi de 28%. A maior frequência do não uso foi observada entre mulheres
de 45 anos ou mais (82%), mulheres com escolaridade até o Ensino Fundamental (81%),
com renda familiar de até um salário (80%), casadas (86%), com filhos (79%), que
tiveram a última relação com parceiro estável (78%), e que usaram outro método contraceptivo(
64%). A pesquisa encontrou ainda associação entre não uso do preservativo e o tipo
de vínculo com o parceiro, escolha contraceptiva, avaliação da inserção da mulher
na sociedade, exposição à violência e prática religiosa.

Dulce destaca que a política de enfrentamento da AIDS entre mulheres e entre outros
grupos tem se pautado pela ação intersetorial. “Qualquer ação que vise reduzir a
AIDS entre mulheres tem que pensar no contexto em que as infecções ocorrem. As campanhas
precisam ser orientadas pela realidade das relações sexuais e afetivas da maioria
das brasileiras e as abordagens nos serviços de saúde devem buscar conhecer como
essas realidades se expressam na singularidade da vida de cada mulher”, afirma. 
Para ela, o assunto precisa ser conversado publicamente e mais informações precisam
ser disseminadas, para que as pessoas possam tomar decisões de como se prevenir 
conhecendo cada método de acordo com a necessidade da sua vida.

Do ponto de vista das políticas públicas, outra questão destacada pela coordenadora
é a necessidade de se trabalhar a associação entre a prevenção da AIDS e a contracepção.”
O uso do preservativo é fortemente determinado pela escolha que as mulheres fazem
do método contraceptivo. Por exemplo, incentivar o uso da camisinha como método 
contraceptivo, assegurando acesso à contracepção de emergência nos casos de falha
do preservativo”.

**Violência**

A pesquisa analisada por Dulce identificou, que a cada 10 mulheres, 4 narram ter
sido vítimas de violência praticada por um homem. O principal agressor é um parceiro
afetivo – marido, ex-marido, namorado ou ex-namorado-, responsáveis por 93% das 
agressões de cerceamento, ou seja, que limitam a autonomia da mulher de alguma maneira,
89% da violência física e 81% do assédio. “Ter sofrido violência psíquica e verbal
levou ao aumento da chance de as mulheres não usarem o preservativo”, explica.

**Lançamento**

O livro Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado, que traz a 
análise da pesquisa, tem 26 capítulos escritos por 36 autores. A publicação teve
dois pré-lançamentos em setembro do ano passado, no Seminário Fazendo Gênero em 
Florianópolis, e no 37º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) em Águas de Lindoia, São Paulo. A publicação
está disponível em livrarias e há dados da pesquisa disponíveis no site da Fundação
Perseu Abramo (clique [**aqui**](http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/pesquisaintegra_0.pdf)).⌊
hiv aids⌉

## Leia também

 * [HIV atinge mais mulher na faixa dos 13 aos 19 anos](https://soropositivo.org/hiv-atinge-mais-mulher-na-faixa-dos-13-aos-19-anos/)
 * [Mais brasileiras estão satisfeitas com a vida sexual](https://soropositivo.org/mais-brasileiras-estao-satisfeitas-com-a-vida-sexual/)
 * [Dos 13 aos 19 anos, mais mulheres infectadas](https://soropositivo.org/dos-13-aos-19-anos-mais-mulheres-infectadas/)

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