# Estudo investiga relação entre genética e avanço de sintomas da AIDS

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- Published: 2014-08-20T13:38:56-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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# Estudo investiga relação entre genética e avanço de sintomas da AIDS

## Pesquisa em Saúde

Especialistas apontam que um dos motivos de que alguns pacientes não apresentem 
sintomas é a variedade genética

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Um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investigou,
de forma inédita, o motivo pelo qual algumas pessoas infectadas pelo HIV não apresentam
sintomas de AIDS mesmo após dez anos sem tratamento, enquanto outras adoecem rapidamente.
Entre as possíveis explicações investigadas pelos cientistas estão as diferenças
genéticas entre os indivíduos, em especial aquelas que acontecem em uma região altamente
variável do DNA chamada de Complexo Principal de Histocompatibilidade ou Antígenos
Leucocitários Humanos (HLA, na sigla em inglês).

Foi verificado que esta variedade possui uma característica muito especial: está
associada à chamada ‘não progressão de longo termo’ da doença, quando os sintomas
da síndrome não são desenvolvidos mesmo após dez anos de infecção. O trabalho, coordenado
pela pesquisadora Sylvia Teixeira e pela chefe do Laboratório de AIDS e Imunologia
Molecular do IOC/Fiocruz, Mariza Morgado, foi publicado na revista científica Genes&
Immunity.

**Genética e imunidade**

⌊sintomas da aids⌉⌊sintomas da aids⌉“Como os genes definem a produção de moléculas
que atuam na resposta imunológica, é possível relacionar a genética do indivíduo
ao desfecho da doença”, explica Sylvia. Nesta dinâmica entre genes e imunidade, 
as proteínas HLA atuam indicando quais células estão infectadas e devem ser atacadas.
Para isso, apresentam, do lado de fora da superfície celular, fragmentos de proteínas–
chamados de antígenos – que são extraídos de micro-organismos invasores, como bactérias
e vírus. Trata-se de um tipo de sinalização: as células de defesa reconhecem os 
antígenos como estranhos ao corpo, desencadeando a reação do organismo contra a 
infecção.

O mecanismo do HLA funciona da mesma forma em todas as pessoas, mas, dependendo 
de pequenas variações genéticas, a molécula pode se ligar a antígenos distintos.
Ou seja: para sinalizar uma mesma infecção, os indivíduos utilizam fragmentos diferentes
das proteínas dos vírus ou das bactérias, o que pode impactar na capacidade de reagir
às doenças.

No caso do HIV, estudos têm indicado que a variedade genética do HLA pode acarretar
diferentes graus de eficácia na sinalização da infecção pelo vírus. “Talvez as moléculas
HLA dos pacientes classificados como não progressores de longo termo – aqueles que
passam mais de dez anos infectados sem desenvolver sintomas de AIDS – estejam apresentando
os antígenos ideais para o controle da doença”, pondera Mariza. Esta sinalização
certeira poderia ser o ponto de partida para a produção de uma vacina ou de um novo
medicamento.

**Região mais variável do DNA**

Alguns tipos de HLA associados à ‘não progressão’ da AIDS já foram identificados
por cientistas, assim como algumas variedades ligadas aos casos de evolução rápida–
quando os sintomas da AIDS aparecem menos de três anos após o paciente contrair 
o vírus. No entanto, a busca por estes genes é difícil, especialmente por causa 
da grande diversidade entre eles.

“Estamos falando da região mais variável do nosso genoma. Até hoje, não foi encontrado
outro trecho do DNA com mais variação entre os indivíduos do que o dos genes HLA”,
destaca Sylvia. Com tanta diversidade, é como buscar uma agulha em um palheiro: 
apenas na chamada Classe I locus B, região na qual está incluído o HLA-B*52, existem
3.455 variações do gene HLA.

**Análise na população brasileira**

No estudo que conseguiu encontrar, pela primeira vez no Brasil, a associação entre
a variedade HLA-B*52 e a ‘não progressão’ da AIDS, os pesquisadores do IOC/Fiocruz
partiram da análise do histórico médico de 3.809 pacientes atendidos no Instituto
Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), parceiro na pesquisa. A primeira
etapa do trabalho foi separar os pacientes entre os diferentes perfis de evolução
da doença (rápida, típica ou não progressão de longo termo), o que só é possível
quando a infecção é diagnosticada no começo e há um acompanhamento regular do caso,
com exames clínicos e laboratoriais.

Seguindo estes critérios, foi possível classificar 496 casos como de progressão 
rápida, típica ou não-progressão de longo termo. Com a aplicação de técnicas moleculares,
em 218 deles os pesquisadores conseguiram identificar a variação do genótipo HLA-
B, encontrando 29 variedades ao todo. Por fim, ferramentas de estatística mostraram
que a variante HLA-B*52 tinha uma presença significativamente maior entre os indivíduos
que não apresentam sintomas mesmo após dez anos de infecção.

“O resultado foi uma surpresa boa. A associação do perfil genético com a evolução
da doença não é uma relação de causa e efeito. Um indivíduo que tem determinada 
variação genética, como o HLA-B*52, não está automaticamente protegido, mas tem 
uma probabilidade maior de evoluir para um quadro de ‘não progressão”, afirma Mariza,
ressaltando ainda a importância de estudar a associação no Brasil por conta de suas
características demográficas. “Os aspectos genéticos dependem muito da população
em que estão inseridos. Há genes associados à proteção contra a AIDS em caucasianos
que não apresentam este mesmo efeito em estudos realizados na África. Especificamente
no caso do Brasil, a população é muito mais miscigenada do que em outros países,
por isso é importante realizar a análise no nosso contexto”, justifica.

![sintomas da aids](http://atomic-temporary-78498171.wpcomstaging.com/tolo-elfico/
uploads/2014/08/quais-os-sintomas-da-aidssida-.jpg "sintomas da aids")

**Incógnita**

O HLA-B*52 havia sido identificado em outros países como um gene associado à ‘não
progressão’ da AIDS, mas também já foi descrito como um perfil genético ligado à
evolução rápida da doença. De acordo com Sylvia, estes resultados situaram esta 
variedade genética entre aquelas sobre as quais “há um ponto de interrogação na 
literatura científica”. O estudo que acaba de ser publicado indicando a correlação
com o perfil de ‘não progressão’ em pacientes brasileiros deve contribuir para elucidar
esta questão.

Ao mesmo tempo em que persistem as perguntas sobre os efeitos antagônicos da variedade
HLA-B*52 em cada população, a relevância dos estudos sobre a região HLA do genoma
parece estar bastante clara. Desde o sequenciamento do genoma humano, em 2003, a
facilidade cada vez maior para estudar o código genético dos indivíduos estimulou
as pesquisas sobre associações entre as variações do DNA e a suscetibilidade ao 
HIV.

Contrariando a expectativa dos cientistas, estes estudos acabaram por reforçar a
importância dos genes HLA na reação à doença. “Obviamente, existem vários fatores
que influenciam na progressão da AIDS, e pensávamos que, ao analisar o genoma completo,
seriam encontrados muitos genes envolvidos neste processo. No entanto, um estudo
americano extensivo, com milhares de pacientes HIV positivos, apontou que a maioria
dos genes associados à progressão da doença está situada no cromossomo 6, que é 
justamente onde estão localizados os genes do HLA”, diz a pesquisadora. Tudo indica
que muitos esforços ainda serão dedicados a este trecho tão variado quanto promissor
do genoma humano.

Fonte: 

[Fundação Oswaldo Cruz](http://portal.fiocruz.br/)

 por Portal Brasil publicado : 13/08/2014 16:27

 Itens relacionados

[Anvisa recebe opiniões sobre rotulagem de substâncias alergênicas](http://www.brasil.gov.br/saude/2014/08/anvisa-recebe-opinioes-sobre-rotulagem-de-substancias-alergenicas)

[Fiocruz e universidade britânica firmam acordo na área de saúde](http://www.brasil.gov.br/saude/2014/08/fiocruz-e-universidade-britanica-firmam-acordo-na-area-de-saude)

[Conheça as características das hepatites virais](http://www.brasil.gov.br/saude/2014/07/conheca-as-caracteristicas-das-hepatites-virais)

Nota do Editor de Soropositivo Web Site: É tão variada a gama de **sintomas da AIDS**
que qualquer virose (a infecção por HIV é, em tese, um virose) pode ser confundida
com ela.

Não fique procurando na rede por **sintomas** que cabem na “sua sintomatologia”,
porque você vai acabar enlouquecendo! Faça o exame e tire de cima de si o peso da
dúvida!

## Leia também

 * [Sintomas da AIDS](https://soropositivo.org/sintomas-da-aids/)
 * [Aids e preconceito (Sexo & Saúde)](https://soropositivo.org/aids-e-preconceito-sexo-saude/)
 * [Gravidez e doenças sexualmente transmissíveis [Sexo & Comportamento]](https://soropositivo.org/gravidez-e-doencas-sexualmente-transmissiveis-sexo-comportamento/)

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