# HIV, AIDS, e estigma. Façamos a nossa parte para acabar com isso!

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- Published: 2015-03-20T16:00:56-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 14 dias.

### Tópicos Tratados Nesta Página

 * [“Como você contraiu HIV?”](https://soropositivo.org/hiv-aids-e-estigma-facamos-a-nossa-parte-para-acabar-com-isso/#8220como-voce-contraiu-hiv8221)
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![HIV+](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2015/03/exames-de-hiv.jpg?w=
350)

Parece-me que os tubos que contém HIV são “mais pesados”. Este excesso de peso (…)
é o diferencial estigmático que as pessoas fazem com relação à infecção por HIV.
Assim como a autora, eu detesto a pergunta que quer saber “como eu entrei nessa”.
É cristalino, de tão claro, que a pergunta tem a finalidade de iniciar um tratamento
e, portanto, eu digo que contraí fazendo pergunta idiota

Este ano, o Dia Mundial da AIDS foi realmente especial, como fui convidada pelo 
Eddystone Trust para vir a Taunton e falar em seu evento. Taunton fica na bela região
do sudoeste de Somerset. Os organizadores convidaram mais de 80 pessoas que vivem
com HIV de toda a região, a partir de Devon, Dorset e até Cornwall. Obviamente são
pessoas que vivem com HIV em cidades menores e áreas rurais e isso é muito diferente
daquilo que nós, que vivemos em uma cidade grande como Londres, onde o anonimato
é relativamente fácil de ser obtido.

Muitas vezes as pessoas vivem muito longe umas das outras e podem estar muito isoladas.
Ficou claro que o evento foi extremamente importante para eles, pois muitos viajaram
mais de duas horas para chegar ao local. Eu fazia parte de um fantástico grupo de
oradores, que incluiu o meu querido amigo Robert Fieldhouse da revista Linha de 
Base – fazendo uma atualização de tratamento, e Ant Babajee, falando sobre sua jornada
desde o diagnóstico até o ativismo

 

Em vez chique, o evento foi realizado no recinto de corridas de cavalos. Infelizmente
não havia nenhuma corrida no dia, para distrair os meus nervos, e como eu tive a
honra de abrir a conferência como oradora principal e definir o tom do dia. Nada
menos! Senti meu coração acelerado como se eu estivesse correndo contra os cavalos.

 

Abri minha palestra dizendo: você sabe o que é a pergunta que eu mais odeio?

## “Como você contraiu HIV?”

 

Eu sei que a questão é muitas vezes uma desculpa para me julgar, e para descobrir
exatamente o que eu fiz para trazer esta doença horrível para mim. Eu gostaria de
ter uma história muito trágica para contar: de como eu era uma jovem virgem pura
e inocente e um homem horrível mentiu para mim. No entanto, adivinhem? Eu não era
assim!

Eu vim a saber meu diagnóstico soropositivo para HIV alguns dias antes do meu aniversário
de 30 anos.

![Por mais que eu tente negar, parece-me que é assim que as pessoas sorointerrogativas
querem que nós nos sintamos: Envergonhadas, culpadas. E eu digo que não. Eu não 
tenho vergonha de ser soropositivo e não terei vergonha quando me tornar um caso
de AIDS. Sou o que sou, com a Graça de Deus](https://soropositivo.org/wp-content/
uploads/2015/03/culpados.jpg?w=350)

Por mais que eu tente negar, parece-me que é assim que as pessoas sorointerrogativas
querem que nós nos sintamos: Envergonhadas, culpadas. E eu digo que não. Eu não 
tenho vergonha de ser soropositivo e não terei vergonha quando me tornar um caso
de AIDS. Sou o que sou, com a Graça de Deus

**Eu não era “inocente”, e eu não era ignorante. Eu sabia sobre os fatos em torno
do HIV, e como ele é transmitido, mas isso não foi o suficiente para me proteger.
A realidade é sempre mais complexa e, para dizer a verdade, é doloroso olhar para
trás.**

Eu sei que várias coisas me tornaram vulnerável ​​ao HIV como ser uma mulher jovem:
em primeiro lugar, eu lutava com a saúde mental em baixa e sofri com depressão durante
toda a minha adolescência e durante boa parte de minha juventude; e como consequência
da minha depressão eu tinha muito baixa autoestima, por outro lado eu cresci na 
própria cultura sexista italiana dos anos 80. Para as mulheres jovens parecia uma“
situação de perda. “

Você foi feita para ser liberada e emancipada, mas ao mesmo tempo, impor o uso do
preservativo foi visto, na melhor das hipóteses, como “estragar a festa”, e na pior
das hipóteses como se eu estivesse fazendo aquilo (…) por sacanagem.

Sendo uma moça bonita e com uma muito baixa autoestima, isso foi a receita ideal
para o desastre, e não é uma surpresa que eu viesse a ter os problemas que tive 
com o uso de drogas, relacionamentos doentios e abusivos, e que, finalmente, me 
levaram ao diagnóstico soropositivo para HIV.

O que me preocupa, em 2015, é que a situação não é muito melhor para as mulheres
jovens, que são sexualizadas e oprimidas desde sempre, em idades cada vez mais baixas,
com uma visível erotização de pré adolescentes e _tinagers (nota do tradutor: jovens
na faixa dos aa a a 14 nos, dentro de um sistema jurídico que considera a relação
de um homem de 50 anos com uma mulher de 20 como uma possível relação de abuso sexual)_.

![a armadilha do amor](https://atomic-temporary-78498171.wpcomstaging.com/wp-content/
uploads/2015/03/armadilha.jpg)

Apesar deste contexto todo, o nosso foco na prevenção do HIV parece estar se afastando
de qualquer consideração sobre as causas estruturais da vulnerabilidade ao HIV.

Agora, estamos saudando intervenções biomédicas, como preparação e tratamento como
prevenção, **como nossos salvadores**, e há uma falsa esperança de que _podemos 
medicalizar-nos_ para fora da epidemia sem lidar com muitos dos problemas que conduzem
à transmissão do HIV. Um número recorde de jovens homossexuais ter sido diagnosticado
HIV positivo este ano e no ano que passou. Sabemos que os problemas de saúde mental
e uso de drogas e álcool são extremamente comuns neste grupo. Sabemos que, apesar
do avanço do movimento LGBT, ainda vivemos em uma sociedade muito homofóbica e crescer
como gay muitas vezes, expõe os jovens para o bullying e a outras dificuldades e
abusos. Muito mais poderia ser dito sobre este assunto e sobre a queda do currículo
de educação sexual e de relacionamentos que não tratam de questões de sexualidade
e gênero de forma adequada (nota do tradutor: No Brasil, isso simplesmente não existe
por conta da ação irresponsável da _[bancada evangélica](http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Feliciano)_).

Não devemos ignorar como tudo isso aumenta a vulnerabilidade dos jovens gays ao 
HIV. É claro que eu sou totalmente a favor da PrEP estar disponível o mais rapidamente
possível para aqueles que estão em alto risco de HIV, mas eu também quero que ele
seja parte de um pacote de prevenção abrangente, que inclui um melhor acesso à informação,
um maior apoio à questão em torno da saúde mental e uso de drogas para jovens LGBT.
Não é um ou outro; devemos ter PrEP em par com os serviços holísticos que abordam
outras questões estruturais que influenciam a escolha e o comportamento de cada 
um.

 

![A vulrerabilidade social da mulher eleva a vulnerabilidade delas à AIDS](https://
soropositivo.org/wp-content/uploads/2015/03/vulnerabilidade-social.jpg?w=350)

Embora eu conheça algumas que militam no twitter que são o que são e gostam ser 
assim, a grande maioria delas “entrou nesta” por rigorosa falta de opções. Elas 
estão vulneráveis, por exemplo, à AIDS. Uma grarota de programas tem 17 vezes mais
possibilidades de contrair HIV ou HPV, o vírus que pode causar, além do risco de
morte, de serem vitimadas pelo tráfico de sers humanos, além de toda a sorte de 
abusos que vocês podem ver no notíciário local, onde narra-se, por exemplo, a situação
análoga à escravidão em boates espanholas e, porque não, também em países de religião
islâmica, onde a mulher não passa, por mais que eu deplore isso, por nenhum critério
de direitos humanos

As principais mensagens neste Dia Mundial da AIDS é: nós não vamos nos _medicalizar_
fora da epidemia de HIV; a não ser que nós comecemos a enfrentar o estigma, o HIV
vai continuar a crescer em nossas comunidades. Estigma do HIV continua sendo uma
barreira para as pessoas que tentam acessar serviços, incluindo de prevenção, tratamento,
cuidados e testes.

Então, minhas perguntas para o meu público de pessoas vivendo com HIV foi: o que
podemos fazer, como as pessoas que vivem com o HIV, para acabar com o estigma?

Eu acredito que uma das ferramentas mais poderosas que temos é falar sobre HIV.

Eu sei que isso pode ser muito difícil para muitos de nós, mas acho que mesmo se
conseguirmos dizer a alguns amigos, ou nosso círculo familiar, cada vez que somos
capazes de falar honesta e ⌊Gay Couple at Park in New York⌉claramente sobre HIV,
haverá um pouco menos de estigma no mundo.

Não podemos esperar que o estigma do HIV simplesmente venha a desaparecer, ou esperar
que outra(s) pessoa(s) façam isso por nós.

Na história da mudança social, mudança acontece quando aqueles que são diretamente
afetados, oprimidos e marginalizados se levantam e exigem ser tratados com dignidade
e respeito.

Isto é verdade, ao longo da história, a partir da sufragista, até o movimento pelos
direitos civis, para o movimento LGBT e movimentos anticoloniais etc. É sobre pessoas
comuns que tomam as rédeas de uma determinada situação e acabam gerando a ação coletiva.

Eu sei que para algumas pessoas isso pode ser muito difícil, e até mesmo perigoso.
Eu não estou dizendo que é absolutamente para todos. Alguns dos homens no evento
Eddystone falou sobre o quão difícil foi assumir-se gay em uma comunidade rural,
e como é difícil em cima deste fardo adicionar também o fardo deste vírus estigmatizada.

Eu posso entender isso.

Mas também havia pessoas na sala que tinham começado a serem soropositivos público,
ou a falar com mais pessoas sobre o HIV, e eles tiveram algumas respostas positivas!

Que era importante para eles verem que, como um coletivo de pessoas com HIV, queremos
avançar no sentido de uma maior abertura. Havia muitos ainda hesitantes, e espero
que o evento lhes dê um pouco a mais de inspiração e motivação para sermos apenas
um pouco mais abertos ao diálogo sobre o seu estado de saúde.

 

Para concluir minha palestra eu mostrei Positively filme do Reino Unido: Nós somos
positivos, parte da nossa campanha de mídia social é para acabar com o estigma sobre
o HIV e, o que é mais, o estigma contra pessoas HIV positivas (soropositivos). No
filme, as pessoas que vivem com HIV, e alguns de nossos amigos e simpatizantes falaram
em até acabar com os mitos em torno do HIV por meio de declarações simples sobre
o HIV o que não é HIV. A hashtag da campanha é #wearepositive. Por favor, se você
usar a mídia social como o Twitter ou Facebook nos ajudar a promover a mensagem.

 

Traduzido e adaptado para o Português do Brasil por Cláudio Souza. Revisado por 
M. T. M. na tarde de 19 de março de 2015 AD do original [Stigma will end when people living with HIV are visible and heard](https://hivpolicyspeakup.wordpress.com/2014/12/03/stigma-will-end-when-people-living-with-hiv-are-visible-and-heard/)
⌊
el-guapo⌉Nota do Tradutor e editor de Soropositivo Web Site: Tudo isso se resume
à uma frase cujas origens eu desconheço:

Ontem, escondíamo-nos para sobreviver. Hoje, mostramo-nos para Viver.

O fato é que, quase vinte anos atrás, confessar-se (note o verbo) soropositivo era
a ultima frase que vc diria a uma pessoa.

Lembro-me de um caso tórrido que mantive com uma moça, com a qual eu tinha um ótimo
entendimento até  que, numa noite, ela me disse que me amava e que queria vir viver
comigo.

Então eu sentei solenemente na beira da cama e contei minha sorologia.

Ela ficou petrificada por alguns minutos e, quando se levantou, disse: Preciso sair
um pouco, em duas horas eu estarei de volta…

E nunca mais voltou!!!! Isso… Porque me amava…

Hoje em dia, pelo menos é o que me parece, embora eu esteja casado e não pule, meeesmo,
a cerca. Mas eu não sei como seria a reação de uma mulher, cinco minutos antes de
se deitar comigo, tivesse uma revelação tão bombástica como está!

Para terminar, a moça que me amava não voltou nem para buscar suas roupas e pertences…

Que c’est triste venize

## Leia também

 * [HIV, AIDS e estigma](https://soropositivo.org/hiv-aids-e-estigma/)
 * [O que essa moçada quer saber?](https://soropositivo.org/o-que-essa-mocada-quer-saber/)
 * [Sintomas de Infecção Por HIV : Virose…](https://soropositivo.org/sintomas-de-infeccao-por-hiv-os-mesmos-de-uma-virose/)

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