# Ignorados e vulneráveis

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- Published: 2009-06-19T22:48:58-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 13 dias.

, Ignorados e vulneráveis Hércules Barros Da equipe do Correio Lucas Pádua/CB Uma
parcela dos brasileiros está à margem das estatísticas de saúde no Brasil. Usuários
de drogas injetáveis, homossexuais masculinos e profissionais do sexo, geralmente,
ficam ocultos dentro das pesquisas feitas com a população em geral. Para conhecer
a vulnerabilidade do segmento a infecções como o HIV e a sífilis e definir ações
específicas, o Ministério da Saúde vai investir R$ 2,4 milhões em um levantamento
coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O estudo Taxas de infecção de HIV
e sífilis e inventário de conhecimento, atitudes e práticas de risco relacionadas
às infecções sexualmente transmissíveis vai fazer, a partir de janeiro do próximo
ano, a radiografia do comportamento sexual dos três grupo específicos. A intenção
da Fiocruz é atingir 8,4 mil pessoas em Manaus (AM), Recife (PE), Salvador (BA),
Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Curitiba (PR), Itajaí (PR)
e Campo Grande (MS), além de Brasília (DF). As cidades foram escolhidas pelo Programa
Nacional de DST e Aids devido aos índices de vulnerabilidade a infecções sexualmente
transmissíveis. “Toda vez que se faz pesquisa tem uma população oculta, que não 
aparece em lugar nenhum. Seja por razões pessoais ou de marginalização”, diz o responsável
pelo estudo, Francisco Bastos. Encarregado do contato com usuários de drogas injetáveis,
Bastos vai montar base no Ambulatório da Providência, no bairro de São Cristóvão,
no Rio de Janeiro, onde os usuários de drogas buscam ajuda médica sem precisar se
identificar. “A intenção da pesquisa é chegar na periferia da periferia”, ressalta.
A abordagem utiliza um método novo de aproximação de populações vulneráveis, o Respondent
Driven Sampling ou sistema RDS. Sem tradução do nome para o português, a técnica
tenta mapear pessoas de difícil acesso e extremamente significativas como as populações
que exercem atividades ilegais, ilícitas ou que vivem nas periferias da sociedade.“
Geralmente esse público só chega à rede pública de saúde quando está em estado grave”,
explica Bastos. “O produto esperado desse estudo é um banco de dados de pesquisa
contendo propostas que possam subsidiar as rotinas de atendimento, prevenção das
DST/Aids para a população estudada, segundo as suas especificidades”, avalia a diretora
do Programa Nacional de DST e Aids do ministério, Mariangela Simão. O projeto deve
durar 12 meses e selecionará pessoas com mais de 18 anos. Participantes convidados
Para atingir um público tão arredio, o sistema RDS envolve os próprios participantes
na escolha dos entrevistados. Uma pessoa, abordada em um ambiente de vulnerabilidade
como uma zona de prostituição, convida outras três para integrar a amostragem. “
Vamos atrás dos moradores dos subúrbios e favelas porque conseguem penetrar em redes
mais fechadas e trazem essas pessoas para o sistema de saúde”, explica Bastos. Como
incentivo para atrair a população oculta que vive em regiões mais distantes, o trabalho
vai distribuir vales transporte e alimentação. “Essas pessoas não viriam para atendimento
por conta própria devido a questões financeiras”, afirma a médica Lígia Regina Kerr,
professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Especialista
em epidemiologia, Kerr vai coordenar o levantamento de taxas de infecção de HIV 
e sífilis em homossexuais, independentemente da identidade assumida ou da forma 
velada que o gay lida com a própria sexualidade. “Acabam entrando (na pesquisa) 
bissexuais de diferentes níveis sócio-econômicos, que tentam esconder a condição
sexual procurando relações em áreas distantes de onde moram. Vamos poder ter uma
aproximação mais real do comportamento desse grupo”, explica. Kerr pretende confirmar
a hipótese de que os homossexuais, principalmente nas camadas jovens de classes 
menos favorecidas, não cuidam da saúde com regularidade. “Quando tem uma campanha,
o efeito preventivo é imediato, mas depois as pessoas se descuidam”, explica. De
acordo com a pesquisadora, os jovens da periferia entram na vida sexual ativa sem
formação crítica e viram alvo fácil. “Um hábito entre gays de São Francisco (Estados
Unidos) pode ter um efeito avassalador em populações vulneráveis dentro de camadas
sociais mais baixas”, afirma. A pesquisadora faz referência ao barecking. A prática
sexual, que em português significa cavalgar sem sela, é adotado por uma parcela 
da comunidade gay que considera o uso da camisinha inadmissível e a escolha do parceiro
sexual aleatória. “Esperamos descobrir com a pesquisa nacional quantas vezes os 
jovens estão mais em risco do que os adultos”, sugere Kerr. A pesquisadora acredita
que a pesquisa pode, inclusive, traçar as diferenças regionais entre os jovens homossexuais.
Só mulheres O recrutamento de profissionais do sexo começará em Santos (SP) e selecionará
apenas mulheres. Segundo a pesquisadora da Fiocruz Célia Landmann, responsável por
essa parte da pesquisa, os garotos de programa ficam de fora do grupo porque estarão
representados nos homens que fazem sexo com homens. Para Landmann, a pesquisa pode
esclarecer se as prostitutas são ou não ponte de transmissão de doenças infecciosas
para a população em geral. “Acredito que não. Elas vivem do sexo e se organizam.
Hoje não dá para dizer que essa população se cuida mais ou menos do que o público
em geral.” O perfil de garotas de programa que moram com a família e não declaram
a condição sexual é outro nicho a ser investigado. “Em pesquisas de base domiciliar
elas não aparecem”, justifica. Por meio de organizações não-governamentais, a pesquisadora
pretende se aproximar de pequenos grupos de profissionais do sexo. “São mulheres
que moram em albergues, hotéis e em repúblicas. Vamos fazer um retrato da faixa 
etária, escolaridade e nível de prevenção delas”, afirma. POPULAÇÃO OCULTA A pesquisa
Taxas de infecção de HIV e sífilis e inventário de conhecimento, atitudes e práticas
de risco relacionadas às infecções sexualmente transmissíveis pretende fazer a caracterização
epidemiológica e sócio-demográfica de usuários de drogas injetáveis, homens que 
fazem sexo com homens e profissionais do sexo para traçar: As taxas de prevalência
de HIV e sífilis em cada grupo O conhecimento sobre as formas de transmissão A freqüência
de práticas de risco relacionadas a infecções sexualmente transmissíveis A identificação
dos fatores associados ao sexo desprotegido e à infecção pelo HIV e sífilis As diferenças
nas características sócio-demográficas dos 10 municípios abrangidos O quanto o grau
de conhecimento sobre formas de transmissão do HIV e outras infecções dos grupos
se diferencia da população em geral

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