# Jovens estão mais vulneráveis ao HIV

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- Published: 2009-06-19T22:50:25-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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 * [Diário de Pernambuco – PE](https://soropositivo.org/en/jovens-estao-mais-vulneraveis-ao-hiv/#diario-de-pernambuco-pe)
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## **Diário de Pernambuco – PE**** **

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**Brasil**

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**22/NOVEMBRO/07**

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Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostra grande avanço da doença entre
mulheres adolescentes e jovens, de 13 a 19 anos

Brasília – O número de jovens homo e bissexuais masculinos com **HIV** no país aumentou
70,5% em uma década, revela o Boletim Epidemiológico divulgado ontem pelo Ministério
da Saúde. Em 1996, homossexuais e bissexuais masculinos representavam 24,1% do total
de casos da doença entre 13 e 24 anos. Em 2006, a proporção saltou para 41,1% dos
casos na mesma faixa etária. Entre heterossexuais, a proporção também aumentou neste
período, mas numa velocidade menor, 51,6%.

O documento mostra ainda que, entre jovens, o grupo feminino está mais vulnerável
à epidemia. Na faixa etária de 13 a 19 anos, há hoje dez mulheres infectadas para
cada seis homens. Algo bem diferente do que ocorria em 1985, quando eram contabilizados
14 casos no grupo masculino para cada caso feminino.

O número de pessoas infectadas com o vírus **HIV**, que causa a **Aids**, caiu no
país, mas a doença avançou entre heterossexuais com mais de 13 anos, estabilizou-
se entre os homossexuais e sofreu redução entre os usuários de drogas. A tendência
de queda começouem 2002, quando foram registrados quase 39 mil casos. Em 2006, foram
notificados 32 mil.

Os dados divulgados ontem estão longe de serem motivos de comemoração. Em 30 anos,
192 mil pessoas já morreram por causa da doença. E os pacientes que fazem tratamento
há mais de 12 anos começam a ficar debilitados, pois o vírus criou resistência aos
medicamentos e não há novas drogas no mercado mundial para fazer as substituições."
O coquetel anti-**aids** distribuído pelo governo deu uma sobrevida aos pacientes.
Mas, depois de 10 anos, o vírus já sofreu tantas mutações que as drogas do mercado
não adiantam. Os pacientes ficam debilitados e vão morrendo", aponta o médico Artur
Timmerman, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Ao comentar os novos dados epidemiológicos para a doença, a diretora do Programa
Nacional DST e **Aids**, Mariângela Simão, admitiu que os pacientes que combinam
medicamentos há mais de 10 anos já sofrem com as falhas do tratamento. Ainda assim,
ela destaca que o acesso universal aos remédios faz comque o Brasil tenha os mesmos
índices para a doença dos países desenvolvidos. A taxa de mortalidade da **Aids**
por 100 mil habitantes ficou em 17,5 em 2006.

Segundo o boletim epidemiológico 2007, há uma tendência de crescimento no número
de casos entre jovens homossexuais. Há 10 anos, 29,4% dos casos registrados na população
masculina ocorreram em homossexuais, 25,6% em heterossexuais e 23,6% em usuários
de drogas injetáveis. No ano passado, os dados da população masculina ficaram assim
distribuídos: 27,6% em homossexuais, 42,6% em heterossexuais e 9,3% em usuários 
de drogas. "Como a epidemia iniciou fortemente entre os homossexuais, esse grupo
criou uma consciência bem maior sobre os riscos da doença. Ainda existe no imaginário
coletivo a idéia de que a mulher não faz parte do grupo de risco, quando, na verdade,
não há mais grupo de risco", destaca Mariângela Simão.

Dados – Nesse último boletim, a maior parte dos casos, registrados tanto em homens
quanto em mulheres, ocorre na faixa etária entre 25 e 49 anos.Nos últimos anos, 
em ambos os sexos, houve um aumento no percentual de casos na população acima dos
50 anos. Considerando as mulheres com idade acima de 13 anos, os casos notificados
em heterossexuais passaram de 86,1% para 95,7%, entre 1996 e 2006.

Pelos dados do novo boletim, foram notificados 474.273 casos de **Aids** no Brasil
de 1980 até a junho de 2007. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, a incidência
de **Aids** segue uma tendência de estabilização, enquanto no Norte e Nordeste há
uma tendência de queda.

Aborto tem nova derrota

Brasília – Depois de ser reprovada pela 13ª Conferência Nacional de Saúde, a proposta
de legalização do aborto no Brasil, defendida pelo ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, sofreu ontem nova derrota. O projeto de lei que permite a interrupção 
da gravidez recebeu parecer desfavorável na Comissão de Seguridade Social da Câmara
dos Deputados. O relator do projeto, deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), rejeitou
iniciativa da proposta de lei alegando que o tema é polêmico. Ele disse que fez 
algumas modificações no seu parecer para incorporar a decisão da conferência de 
saúde, referendada no final de semana.

"A prática do aborto é a culminância de um longo processo tortuoso em que a gestante
não pôde ser atendida de forma adequada em várias fases de sua vida. Não contamos
ainda no Brasil com um programa de esclarecimento sobre o planejamento familiar,
ainda há problemas na área de assistência social, de geração de emprego", disse 
o relator. "Não é adequado acreditar que uma questão pontual seja capaz de dar uma
solução adequada a um quadro tão problemático". Ele lembrou que os juízes podem 
reduzir a pena – hoje de um a três anos de prisão – "considerando circunstâncias
atenuantes".

Apesar da rejeição, o parecer de Mudalen não chegou a ser votado pela comissão. 
Isso porque os deputados pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ) e Dr. Talmir (PV-SP) pediram
vistas do relatório para analisar o parecer com mais cuidado.

O ministro da Saúde tem defendido a tese de que o aborto é uma "questão de saúde
pública" e por isso a legalização deve ser debatida pela sociedade e pelo Congresso
Nacional. No entanto, Temporão enfrenta a resistência da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), que se movimenta pelos bastidores para convencer parlamentares
a votarem contra o projeto.

## Leia também

 * [Número de jovens gays com HIV cresce 70,5%](https://soropositivo.org/numero-de-jovens-gays-com-hiv-cresce-705/)
 * [Dos 13 aos 19 anos, mais mulheres infectadas](https://soropositivo.org/dos-13-aos-19-anos-mais-mulheres-infectadas/)
 * [Número de meninas com o vírus HIV já é maior que o de meninos entre 13 e 19 anos de idade](https://soropositivo.org/numero-de-meninas-com-o-virus-hiv-ja-e-maior-que-o-de-meninos-entre-13-e-19-anos-de-idade/)

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