# Lições de didatismo

- Link: https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/
- Published: 2009-06-19T22:49:51-03:00
- Author: 

![Logotipo do Soropositivo.Org](https://soropositivo.org/wp-content/plugins/machina-
analytica-integrada/assets/logo-soropositivo.webp)

**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 12 dias.

,   Novelas apresentam excesso de temas politicamente corretos

### Temas Tratados Nesta Página

 * [Leia também](https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/#leia-tambem)
 * [Like this](https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/#like-this)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/#relacionado)

 A ficção se distancia cada vez mais da realidade com os temas politicamente corretos,
que há tempos invadiram as novelas. Apesar das emissoras brasileiras terem assumido
uma função educativa – tarefa que deveria ser de responsabilidade do Estado –, a
crescente tendência das obras de teledramaturgia mostrarem quase sempre situações“
corretas” gera um cansativo didatismo. Até pouco tempo atrás, era comum assistir
a um personagem chegando em casa exausto e tomando um copo de whisky e fumando um
cigarrinho para relaxar de um cansativo dia de trabalho. Atualmente, grande parte
das bebidas e cigarros foi abolida das cenas e, quando aparecem, normalmente estão
associadas aos vilões, com exceção das cenas mais festivas. Na carona dos hábitos
quase monásticos dos folhetins, é cada vez mais corriqueiro as novelas abordarem
diversos temas sociais, como condenar preconceitos raciais e sexuais. “O politicamente
correto está matando as novelas. As tramas têm de ser feitas de excessos”, defende
o autor Aguinaldo Silva.

 

Em Duas caras, Aguinaldo aborda explicitamente o racismo através do confronto dos
personagens Evilásio, de Lázaro Ramos, e Paulo, vivido por Stênio Garcia. “A novela
faz parte da vida do brasileiro. É importante que ele se reconheça na tela”, confirma
o diretor Wolf Maya. Outro preconceito muito abordado nas tramas é o sexual. Carlos
Casagrande, por exemplo, que viveu o gay Rodrigo, em Paraíso tropical, acredita 
que a novela acertou ao não levantar polêmica com a relação de seu personagem com
o companheiro Thiago, de Sérgio Abreu. “Adoraria ter dado o primeiro beijo gay da
novela brasileira, mas talvez ainda não seja a hora. Não é preciso mostrar a sexualidade
aflorada para as pessoas entenderem. Antes de tudo, o público precisa aprender a
respeitar as opções”, avalia o ator.

 

Além dos preconceitos discutidos, hábitos mais comuns, como acender um cigarro ou
servir uma taça de champanhe muitas vezes se tornam um dilema para os autores e 
diretores. Há alguns anos, poderia ser “chique” mostrar um personagem fumando. As
campanhas de fumo ainda eram permitidas e havia uma forte influência do cinema americano,
que até a década de 80 glamourizava a nicotina. Hoje em dia, os escassos fumantes
quase se sentem criminosos diante de tantas campanhas condenando hábitos maléficos
à saúde. “O exagero do politicamente correto é chato. Tudo bem que novela tem de
dar bom exemplo. Mas, há 20 anos, homem que era homem tinha de aparecer com um cigarro
numa mão e um copo de whisky na outra”, lembra o diretor Marcos Paulo. “Agora ainda
temos as novas regras de classificação indicativa para os horários. Se colocar alguém
bebendo, tem de ser permitido no horário”, exemplifica Ana Maria Moretzsohn, autora
de Luz do sol, da Record.

 

As tramas que mais necessitam ser uma “vitrine de bons exemplos” na tevê são exibidas
mais cedo e atraem justamente crianças e adolescentes. Patrícia Moretzsohn, autora
atual de Malhação, da Globo, constata que é necessário ensinar hábitos saudáveis
ao público do folhetim, mas sem exageros. “Acho essa história de politicamente correto
uma chatice na tevê. Mas isso não tira nossa responsabilidade de passar idéias corretas”,
admite a autora. Já o autor Antônio Calmon sentencia: “Novela é um produto familiar.
Tem de refletir bons valores e alertar os jovens”.

 

Calmon, que assina a novela Três irmãs, próxima trama das sete após Beleza pura,
na Globo, se rendeu a um dos temas politicamente corretos dos folhetins: a abordagem
de doenças como uma “prestação de serviço” nas tramas. Na história, o autor vai 
falar sobre a dengue. “Vou fazer uma campanha que os governos municipais, estaduais
e federais não fazem”, critica. 
 Mestre em abordar doenças em suas tramas, o autor
Manoel Carlos já falou sobre Síndrome de Down e **Aids**, em Páginas da vida, e 
sobre doação de medula óssea, em Laços de família, por exemplo. “O papel da tevê
é alertar mesmo. Enquanto nenhum artista aparece na primeira página dos jornais 
vítima da **Aids**, a doença continua matando muito”, ressalta Maneco. (Mariana 
Trigo/TV Press)

 

---

 

Piada sem riso

 

Se o politicamente correto afeta diretamente a teledramaturgia, outros gêneros de
ficção, como o humor, são ainda mais atingidos. Segundo a maioria dos comediantes
e humoristas, a piada sem os excessos não tem graça. “Agora, fazer piada com bêbado
dá problema, com gay é politicamente incorreto, está uma chatice. Fazer humor ficou
um tédio depois dessa onda”, argumenta o ator Paulo Silvino, que atua no humorístico
Zorra total, da Globo. Ou seja, além dos autores, os atores pisam em ovos na hora
de interpretar tipos caricatos.

 

Já o ator Benvindo Sequeira, que vive o mordomo Juarez, em Luz do sol, acredita 
que a ficção vive uma fase passageira de temas politicamente corretos. “Daqui a 
dez ou vinte anos, vamos rir desse modismo. Vamos ver como éramos ingênuos querendo
ser politicamente corretos e tirando a espontaneidade da vida”, analisa o ator. “
Uma trama interessante não pode ter densidade sendo politicamente correta. Isso 
só funcionaria mesmo numa televisão estatal”, condena o autor Antônio Calmon.

## Leia também

 * [Lições de cidadania](https://soropositivo.org/)
 * [Vida com HIV As Lições Que Aprendi.](https://soropositivo.org/dez-licoes-que-aprendi-durante-meu-primeiro-ano-vivendo-com-hiv-2/)
 * [Sucesso do país espanta as ONGs](https://soropositivo.org/sucesso-do-pais-espanta-as-ongs/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

 * [  Email ](https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/?subject=%5BShared%20Post%5D%20Li%C3%A7%C3%B5es%20de%20didatismo&body=https%3A%2F%2Fsoropositivo.org%2Fen%2Flicoes-de-didatismo%2F&share=email)
 * [  Print ](https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/#print?share=print)
 * [  WhatsApp ](https://soropositivo.org/en/licoes-de-didatismo/?share=jetpack-whatsapp)

### Like this:

Like Loading…

### _Relacionado_