# Linfoma Não-Hodgkin

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- Published: 2009-06-02T13:37:16-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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**Linfoma Não-Hodgkin**

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Linfomas são neoplasias malignas que se originam nos linfonodos (gânglios), que 
são muito importantes no combate a infecções.

Os Linfomas Não-Hodgkin incluem mais de 20 tipos diferentes. O número de casos praticamente
duplicou nos últimos 25 anos, particularmente entre pessoas acima de 60 anos por
razões ainda não esclarecidas.

Fatores de Risco
 Os poucos conhecidos fatores de risco para o desenvolvimento de
Linfomas Não-Hodgkin são:

• Sistema imune comprometido – Pessoas com deficiência de imunidade, em conseqüência
de doenças genéticas hereditárias, uso de drogas imunossupressoras e infecção pelo
HIV, têm maior risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-
Barr, HTLV1, e da bactéria Helicobacter pylori (que causa úlceras gástricas), têm
risco aumentado para alguns tipos de linfoma;

• Exposição Química – Os Linfomas Não-Hodgkin estão também ligados à exposição a
certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes. Herbicidas
e inseticidas têm sido relacionados ao surgimento de linfomas em estudos com agricultores
e outros grupos de pessoas que se expõem a altos níveis desses agentes químicos.
A contaminação da água por nitrato, substância encontrada em fertilizantes, é um
exemplo de exposição que parece aumentar os riscos para doença;

• Exposição a altas doses de radiação.

Prevenção
 Assim como em outras formas de câncer, dietas ricas em verduras e frutas
podem ter efeito protetor contra o desenvolvimento de Linfomas Não-Hodgkin.

Sintomas
 • Aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e/ou virilha; • Sudorese noturna
excessiva; • Febre; • Prurido (coceira na pele); • Perda de peso inexplicada.

Diagnóstico
 São necessários vários tipos de exames para o diagnóstico adequado 
dos Linfomas Não-Hodgkin. Esses exames permitem determinar o tipo exato de linfoma
e esclarecer outras características, cujas informações são úteis para decisão da
forma mais eficaz de tratamento a ser empregado.

Biópsia

Durante a biópsia, é retirada pequena porção de tecido (em geral linfonodos) para
análise em laboratório de anatomia patológica. Há vários tipos de biópsia, incluindo
os seguintes:

• Biópsia excisional ou incisional – através de uma incisão na pele, retira-se o
linfonodo por inteiro (excisional) ou uma pequena parte do tecido acometido (incisional).
É considerado o padrão de qualidade para o diagnóstico dos linfomas;

• Punção aspirativa por agulha fina – retira-se pequena porção de tecido por aspiração
através de agulha;

• Biópsia e aspiração de medula óssea – retira-se pequena amostra da medula óssea(
biópsia) ou do sangue da medula óssea (aspiração) através de uma agulha. Este exame
é necessário para definir se a doença estende-se também à medula óssea, informação
importante que pode ter implicações no tratamento a ser empregado;

• Punção lombar – retira-se pequena porção do líquido cerebroespinhal (líquor), 
que banha o cérebro e a medula espinhal (não confundir com medula óssea). Esse procedimento
determina se o sistema nervoso central foi atingido;

Exames de Imagem

Estes exames são usados para determinar a localização dos sítios acometidos pela
doença

• Radiografias de tórax – podem detectar tumores no tórax e pulmões;

• Tomografia Computadorizada – visualiza internamente os segmentos do corpo por 
vários ângulos, permitindo imagens detalhadas;

• Ressonância Nuclear Magnética (RNM) – também produz imagens detalhadas dos segmentos
corporais;

• Cintigrafia com Gálio – uma substância radioativa que, ao ser injetada no corpo,
concentra-se principalmente em locais comprometidos pelo tumor. Uma câmera especial
permite ver onde o material radioativo se acumulou, e determinar o quanto se disseminou
a doença.

Estudos Celulares

Junto com biópsias e exames de imagem, são utilizados alguns testes que ajudam a
determinar características específicas das células nos tecidos biopsiados, incluindo
anormalidades citogenéticas tais como rearranjos nos cromossomos, comuns nos linfomas.
Esses testes permitem também realizar estudos de receptores para antígenos específicos
nas células linfomatosas, que servem tanto para definir a origem celular, como também
para estimar o prognóstico do paciente. Estes testes incluem:

• Imunohistoquímica – anticorpos são utilizados para distinguir entre tipos de células
cancerosas;

• Estudos de Citogenética – determinam alterações no cromossomos das células;

• Citometria de Fluxo – as células preparadas na amostra são passadas através de
um feixe de laser para análise;

• Estudos de Genética Molecular (Biologia Molecular) – testes altamente sensíveis
com DNA e RNA para determinar alterações genéticas específicas nas células cancerosas.

Novos testes e procedimentos diagnósticos estão surgindo a partir de trabalhos com
a análise do genoma e expressão gênica. Parecem trazer informações importantes no
futuro, mas na atualidade ainda são experimentais.

Classificação
 Classificar o tipo de linfoma pode ser uma tarefa bastante complicada,
mesmo para hematologistas e patologistas. Os Linfomas Não-Hodgkin são, de fato, 
um grupo complexo de quase 40 formas distintas desta doença. Após o diagnóstico,
a doença é classificada de acordo com o tipo de linfoma e o estágio em que se encontra(
sua extensão). Estas informações são muito importantes para selecionar adequadamente
a forma de tratamento do paciente, e estimar seu prognóstico.

Os Linfomas Não-Hodgkin são agrupados de acordo com o tipo de célula linfóide, se
linfócitos B ou T. Também são considerados tamanho, forma e padrão de apresentação
na microscopia. Para tornar a classificação mais fácil, os linfomas podem ser divididos
em dois grandes grupos: indolentes e agressivos.

Os linfomas indolentes têm um crescimento relativamente lento. Os pacientes podem
apresentar-se com poucos sintomas por vários anos, mesmo após o diagnóstico. Entretanto,
a cura nestes casos é menos provável do que nos pacientes com formas agressivas 
de linfoma. Esses últimos podem levar rapidamente ao óbito se não tratados, mas,
em geral, são mais curáveis. Os linfomas indolentes correspondem aproximadamente
a 40% dos diagnósticos, e os agressivos, aos 60% restantes.

Estadiamento
 Uma vez diagnosticada a doença, segue o procedimento denominado estadiamento.
Consiste em determinar a extensão da doença no corpo do paciente. São estabelecidos
4 estágios, indo de I a IV. No estágio I observa-se envolvimento de apenas um grupo
de linfonodos. Já no estágio IV temos o envolvimento disseminado dos linfonodos.
Além disso, cada estágio é subdividido em A e B (exemplo: estágios 1A ou 2B). O “
A” significa assintomático, e para pacientes que se queixam de febre, sudorese ou
perda de peso inexplicada, aplica-se o termo “B”.

Tratamento
 A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia, ou
ambos. A imunoterapia está sendo cada vez mais incorporada ao tratamento, incluindo
anticorpos monoclonais e citoquinas, isoladamente ou associados à quimioterapia.

A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas, sob várias formas
de administração, de acordo com o tipo de Linfoma Não-Hodgkin. A radioterapia é 
usada, em geral, para reduzir a carga tumoral em locais específicos, para aliviar
sintomas relacionados ao tumor, ou também para consolidar o tratamento quimioterápico,
diminuindo as chances de recaída em certos sítios no organismo mais propensos à 
recaída.

Para linfomas com maior risco de invasão do sistema nervoso (cérebro e medula espinhal),
faz-se terapia preventiva, consistindo de injeção de drogas quimioterápicas diretamente
no líquido cérebro-espinhal, e/ou radioterapia que envolva cérebro e medula espinhal.
Naqueles pacientes que já têm envolvimento do sistema nervoso no diagnóstico, ou
desenvolvem esta complicação durante o tratamento, são realizados esses mesmos tratamentos;
entretanto, as injeções de drogas no líquido cérebro-espinhal são feitas com maior
freqüência.

Imunoterapias, particularmente interferon, anticorpos monoclonais, citoquinas e 
vacinas tumorais estão sendo submetidos a estudos clínicos para determinar sua eficácia
nos Linfomas Não-Hodgkin. Para algumas formas específicas de linfoma, um dos anticorpos
monoclonais já desenvolvidos, denominado Rituximab, mostra resultados bastante satisfatórios,
principalmente quando associada à quimioterapia. No caso dos linfomas indolentes,
as opções de tratamento podem ir desde apenas observação clínica sem início do tratamento,
até tratamentos bastante intensivos, dependendo da indicação mais adequada.

Consulte a publicação Estimativa 2006 Incidência de Câncer no Brasil.

Dr. Ricardo Bigni
 Serviço de Hematologia Hospital do Câncer I / INCA

 

 

## Leia também

 * [Doenças Oportunistas – Linfomas](https://soropositivo.org/doencas-oportunistas-linfomas/)
 * [HIV e linfonodos e Gânglios linfáticos e HIV](https://soropositivo.org/hiv-e-linfonodos-e-ganglios-linfaticos-e-hiv/)
 * [Câncer do Colo do Útero](https://soropositivo.org/cancer-do-colo-do-utero/)

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