# Máfia desviava medicamentos

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- Published: 2011-06-02T06:50:21-03:00
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CONTRACEPTIVOS

Levantamento também mostra o roubo de remédios de hemofílicos

Leandro Cipriano

[leandro.cipriano@jornalalobrasilia.com.br](https://soropositivo.org/mafia-desviava-medicamentos/leandro.cipriano@jornalalobrasilia.com.br)

 

Por meio de um levantamento de dados realizado pelo Departamento Nacional de Auditoria
do Sistema Único de Saúde (Denasus) desde junho de 2010, o Governo do Distrito Federal(
GDF) descobriu um esquema de desvio de verbas dos medicamentos para hemofílicos 
na capital. A investigação foi recomendada pelo Ministério Público do Distrito Federal
e Territórios (MPDFT).

 

Foi revelado que, somente em 2009, cerca de R$ 72 milhões do total de R$ 180 milhões
para a compra de hemoderivados em Brasília foram desviados, o equivalente a 40% 
da verba destinada aos remédios na região. Prática semelhante ocorreu em maio de
2004, quando a Máfia dos Vampiros desviou R$ 2 bilhões do Ministério da Saúde em
contratos superfaturados.

 

Na auditória realizada pelo Denasus, foi constatado que, além das licitações viciadas
e o superfaturamento dos preços dos medicamentos, os remédios também eram roubados
durante o transporte dos laboratórios para a Secretaria de Saúde do DF e nos depósitos
dos hospitais públicos. A preferência dos ladrões eram pelos medicamentos mais caros,
usados para tratamentos de doenças mais graves, como a hemofilia. Depois de roubados,
eram revendidos para farmácias menores da capital e de outros estados, como Goiás
e Minas Gerais.

 

Além dos roubos, os ladrões chegaram ao ponto de comprar remédios vencidos, por 
terem valores mais baixos, para revender a preço de medicamentos no prazo de validade.
Com a nova apuração feita pelo SUS, foi confirmado até então que dos mais de 400
pacientes que recebiam medicamentos para hemofilia no DF, menos de 100 se apresentaram
durante o recadastramento.

 

Analisando números – De acordo com um relatório entregue pelo Tribunal de Contas
do DF e o Denasus no ano passado, Brasília apresentou um consumo em 2009 de 83.732
UI (unidades internacionais) por paciente/ano, enquanto a média do Brasil foi de
34.452 UI por paciente/ano. “O consumo de Fator VI por paciente hemofílico/ano no
DF em 2009 situava-se muito acima da média prevista pelo Ministério da Saúde”, especificou
o documento.

 

Todo o processo de auditoria e seus resultados foram encaminhados à Secretaria de
Saúde do DF e ao Ministério Público. O processo constatou inconformidades nos protocolos
estabelecidos pelo Ministério da Saúde para assistência a pacientes hemofílicos,
especialmente quanto à garantia de acesso a exames laboratoriais para diagnóstico
e posterior tratamento. “Foram constatadas, ainda, falhas nas atividades de registros
de prontuários e de preenchimento dos formulários do sistema de interna”, esclareceu
a Denasus.

 

As verdadeiras vítimas da corrupção

 

Quando o Sistema Único de Saúde (SUS) constatou o problema, o GDF foi obrigado a
recadastrar todos os pacientes que recebiam remédios do Hospital de Apoio. Desde
21 de fevereiro a Fundação **HEMOCENTRO** de Brasília (FHB) atualiza o cadastro 
dos hemofílicos da região e realiza exames para avaliação médica. Também foi reduzido
nesses meses a quantidade de remédios entregues aos pacientes.

 

Representantes da Associação dos Voluntários Pesquisadores e Portadores de Coagulopatias(
Ajude-C) se reuniram nos primeiros meses do ano com os responsáveis pelo ** **

**HEMOCENTRO** e Hospital de Apoio para buscar soluções. Segundo a vice-presidente
da Associação dos Hemofílicos do DF, Kelly Tostes, em janeiro e fevereiro ocorreu
um racionamento fora dos padrões nos remédios de coagulação para os hemofílicos,
necessários no tratamento e para evitar sangramentos.

 

Sobre a situação dos hemofílicos do DF, a presidente do **HEMOCENTRO** de Brasília,
Beatriz Mac Dowell, afirmou que com um novo cadastro pronto, os pacientes poderão
pegar o medicamento no Hospital de Apoio ou recebê-lo em casa.

 

“Tomamos conhecimento que o hospital pedia quantidades muito grandes de concentrados
ao **HEMOCENTRO**. Nesse sentido, propomos fazer a atualização do cadastro, para
descobrimos quantos de fato são os hemofílicos, e a gravidade da situação de cada
um”, esclareceu a presidente do **HEMOCENTRO**.

Para o promotor de Defesa da Saúde do Ministério Público, Jairo Bisol, o recadastramento
dos hemofílicos no DF é uma medida necessária para evitar qualquer forma de transgressão
no recebimento dos medicamentos.

 

“Um grupo de pacientes achavam que o recadastramento era para burlar o recebimento
dos remédios, mas é preciso recadastrar. Esse é um imperativo de transparência, 
mas os pacientes não podem em contrapartida ficar sem eles. A Secretaria de Saúde
não pode se valer da situação para deixar de atende-los”, afirmou Bisol.
 Da Redação
do Jornal Alô Brasília

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