# Maiores de 55 anos são 7,5% de infecções lusas por HIV

- Link: https://soropositivo.org/maiores-de-55-anos-sao-75-de-infeccoes-lusas-por-hiv/
- Published: 2009-06-19T22:53:07-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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 * [Agência Lusa](https://soropositivo.org/maiores-de-55-anos-sao-75-de-infeccoes-lusas-por-hiv/#agencia-lusa)
 * [Maiores de 55 anos são 7,5% de infecções lusas por HIV](https://soropositivo.org/maiores-de-55-anos-sao-75-de-infeccoes-lusas-por-hiv/#maiores-de-55-anos-sao-75-de-infeccoes-lusas-por-hiv)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/maiores-de-55-anos-sao-75-de-infeccoes-lusas-por-hiv/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/maiores-de-55-anos-sao-75-de-infeccoes-lusas-por-hiv/#relacionado)

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## **Agência Lusa**** **

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**05/DEZEMBRO/07**

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04-12-2007 17:27:42

Cascais, 4 dez (Lusa) – A não utilização de preservativo em relações heterossexuais
é a principal causa da transmissão do HIV entre maiores de 55 anos, casos que representam
7,5% das notificações em Portugal e "tendem a aumentar", sobretudo entre as mulheres,
segundo especialistas.

São os jovens com cerca de 15 anos e as mulheres com idade mais avançada os protagonistas
da taxa de incidência portuguesa do HIV referente a novos casos, uma das mais elevadas
da Europa, segundo dados divulgados nesta terça-feira durante um congresso que aconteceu
nas proximidades de Lisboa.

Segundo a epidemiologista Teresa Paixão, dos casos de HIV registrados pelo Ministério
português da Saúde, 7,5% correspondem a portadores com mais de 55 anos.

"Entre esta população, há 1.764 casos notificados e predomina a transmissão sexual
entre heterossexuais – aquela que terá maior expansão epidêmica, muito associada
a comportamentos de risco", explicou a especialista, destacando que a transmissão
do vírus através de relações heterossexuais representa 62% do total de casos notificados.

"Este valor tende a aumentar progressivamente, particularmente entre as mulheres,
cujo número de casos vem se acentuando em 2006 e 2007", acrescentou.

Para a epidemiologista, a possível adoção de testes rápidos de Aids em unidades 
de saúde vai contribuir para um melhor diagnóstico, mas é fundamental também reunir
profissionais de várias especialidades para melhor caracterizar a "dinâmica da infecção"
e fomentar a "interiorização" do assunto.

A mesma opinião foi manifestada por José Vera, responsável pelo Centro Hospitalar
de Cascais, que lamentou que a "ignorância e a falta de abertura" se estendam a 
todas as idades, sendo responsáveis por um elevado número de diagnósticos de difícil
controle.

"Os casos mais típicos entre os maiores de 55 são pessoas que estão sós e se infectam
durante relações de curta duração e pessoas dentro de relacionamentos estáveis, 
mas em situação de infecção por contato com outros parceiros. Nestes casos, como
o relacionamento de risco é muito tabu e os primeiros sintomas podem surgir apenas
oito ou dez anos após a contração do HIV, o diagnóstico é tardio", explicou o especialista.

Segundo José Vera, a não utilização do preservativo se deve, sobretudo, à rejeição
da informação e ao receio de que o reconhecimento da doença leve ao confronto por
causa da traição, não podendo ser relacionado com a oferta de medicamentos como 
o Viagra e com a possibilidade de esta geração ter vivido na juventude o "sexo sem
barreiras" dos anos 1960, 1970 e 1980.

"Não vale a pena dizer que os comprimidos azuis e a minissaia foram culpados, porque
as pessoas continuam não associando a atividade sexual com o risco e mantendo a 
idéia de que o preservativo incomoda, tira a potência. Não há nenhum grupo que não
tenha preconceitos", defendeu.

"O problema está na mentalidade, como acontece com a questão do cinto de segurança.
O problema é que não usar cinto no carro dá multa, mas aqui se perde a carta de 
condução de vez", comparou.

Durante a sua apresentação no congresso de Cascais, José Vera alertou ainda para
a dificuldade do tratamento e do próprio organismo do doente com mais idade em dar
resposta a um vírus que ataca todos os órgãos do corpo e pode agravar patologias
já existentes, como diabetes, hipertensão ou insuficiência renal.

O especialista recorreu às conclusões de um estudo recente para mencionar, por exemplo,
que a ingestão de retrovirais (medicamentos prescritos para o HIV) aumenta os níveis
de colesterol e que a probabilidade de enfarte do miocárdio em populações idênticas
submetidas aos mesmos fatores de risco é maior entre os infectados com o vírus.

## Leia também

 * [Sida : maiores de 55 anos não usam preservativo](https://soropositivo.org/)
 * [Infecções oportunistas? O que e quais são?](https://soropositivo.org/o-que-sao-e-quais-sao-as-infeccoes-oportunistas-2/)

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