# Mais ricos imunizam menos, apontam estudos

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- Published: 2009-06-19T22:55:34-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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## **O Estado de S. Paulo**** **

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**Vida &**

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**18/FEVEREIRO/08**

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Para especialista, medicina alternativa e medo de reações adversas raras são explicações

Fabiane Leite

 

Os estratos mais ricos da população brasileira têm registrado, em estudos, uma tendência
a apresentar coberturas vacinais mais baixas. "A suspeita é q ue, como as doenças
que essas vacinas combatem estão controladas, caso da coqueluche e da difteria, 
não há temor. Há ainda a questão da medicina alternativa, que muitas vezes não recomenda
as vacinas, além do medo dos eventos adversos. Às vezes a pessoa encontra mais informação
sobre os eventos adversos da vacina, que são raros, do que sobre as doenças que 
ela combate", afirma o epidemiologista José Cássio de Moraes, responsável por estudo
que o Ministério da Saúde realiza sobre as coberturas vacinais.

 

Moraes lembra que, em 2005, quando o Brasil registrou seis casos de sarampo – a 
doença foi trazida por um surfista que voltava das Ilhas Maldivas -, uma criança
que estava no mesmo avião do rapaz foi contaminada porque seus pais tinham decidido
que ela não deveria ser imunizada.

 

Na capital paulista, por exemplo, um estudo realizado pela Santa Casa em 2002 revelou
coberturas vacinais baixas em todos os estratos sociais, mas ainda piores entre 
pessoas com melhores condições. Ao final do primeiro ano de vida, a cobertura para
o esquema completo de vacinação variava entre 60% no estrato A e 75% no estrato 
E. Para Moraes, talvez seja necessário intensificar as propagandas e informações
sobre as vacinas, além de campanhas pontuais do governo.

 

APOIO

 

Especialistas apóiam a revisão dos dados sobre a cobertura que está em curso no 
País. Para o infectologista Vicente Amato Neto, professor emérito da Universidade
de São Paulo, a revisão da cobertura vacinal é necessária para que se garanta a 
qualidade do programa de imunização. "Esse estudo é importante para mostrar a realidade.
As vacinas são produtos que o governo fornece gratuitamente e, se não se está atingindo
o ideal, é preciso saber."

 

O epidemiologista Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina
Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, destaca que revisar dados é praxe em
países como os EUA, que recentemente corrigiu informações sobre infectados pelo **
HIV**. "A medicina não é exata e há um certo sensacionalismo quando há equívoco.
Mas precisamos sim aprimorar a estatística."

 

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo destacou que dados preliminares de 
2007 apontam melhoria das coberturas vacinais da capital, que não atingiu algumas
das metas em 2006. Os dados ainda não foram enviados ao Ministério da Saúde.

 

"Cidades com mais de 100% de cobertura refletem problema no cálculo da população-
alvo das vacinas", alertou a coordenadora da área de imunização da pasta, Maria 
Ligia Ramos Nerger.

 

Além disso, diz Maria Ligia, muitas vezes as estimativas de população-alvo são feitas
com base em dados sobre nascido vivos do ano anterior. Quando chegam as estatísticas
atualizadas de nascidos vivos, as informações já foram enviadas ao ministério, o
que também gera distorções. Ela diz, no entanto, que a secretaria já tomou providências
em razão das falhas apontadas nas coberturas. "O próprio município tem distritos
não homogêneos. Trabalhamos mais em áreas onde a cobertura está pior, para mostrar
a importância da vacinação. O programa de vacinação é antigo e precisamos retornar
a falar sobre sua importância."

## Leia também

 * [Sem eles não há avanço](https://soropositivo.org/sem-eles-nao-ha-avanco/)
 * [Sua saúde](https://soropositivo.org/sua-saude/)
 * [Nobel de Medicina lamenta preços das vacinas contra o HPV](https://soropositivo.org/nobel-de-medicina-lamenta-precos-das-vacinas-contra-o-hpv/)

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