# Mais sobre Lipodistrofia

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- Published: 2009-06-06T10:39:15-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

## Lipodistrofia

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  |  . |  [Lipodistrofia](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#1) |  
 |  . |  [A causa da lipodistrofia é a infecção ou o tratamento?](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#2) |  
 |  . |  [Como a lipodistrofia se apresenta?](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#3) |  
 |  . |  [A causa e as conseqüências da lipodistrofia](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#4) |  
 |  . |  [Manejo Clínico](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#5) |  
 |  . |  [Referências bibliográficas](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#6) |

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 Lipodistrofia

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 * [Lipodistrofia](https://soropositivo.org/mais-sobre-lipodistrofia/#lipodistrofia)
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As modificações da forma do corpo e alterações do metabolismo lipídico e glicídico
vinculadas à infecção pelo HIV vêm sendo estudadas com interesse crescente, principalmente
após o advento dos inibidores da protease (IP), tidos, inicialmente, como responsáveis
por estas complicações. O termo lipodistrofia vem sendo usado para descrever estas
mudanças.

Quando não relacionada ao HIV, a lipodistrofia tem características mais específicas–
definidas pela perda parcial ou generalizada de gordura do corpo, com hiperglicemia
e/ou hiperlipidemia -, e tem como causas fatores congênitos ou adquiridos (como 
o sarampo, a mononucleose e o hipo ou hipertireoidismo).1

Não há consenso quanto à definição desta síndrome. Alguns autores associam as alterações
lipídicas às alterações do metabolismo da glicose, e também a alterações da estrutura
corporal, combinando, portanto, achados físicos e laboratoriais. Outros autores 
diferenciam cada uma destas anormalidades.2

Os primeiros relatos de lipodistrofia em pacientes infectados pelo HIV relacionaram
a utilização dos IP, principalmente o indinavir, às anormalidades metabólicas, como
o aumento dos níveis de triglicerídeos, a diabetes e a redistribuição da gordura
corporal3.

 A causa da lipodistrofia é a infecção ou o tratamento?

Em 1997, o FDA identificou 83 pacientes em uso de IP com hiperglicemia ou agravamento
de diabetes mellitus pré-existente4. Desde então, todos os regimes terapêuticos 
que compreendiam os IP foram relacionados à hiperglicemia. Posteriormente, um estudo
francês, com 486 pacientes que recebiam pelo menos um IP pelo período de 18 meses,
concluiu que 78% apresentavam lipodistrofia evidente, 75% hipercolesterolemia, 40%
hipertrigliceridemia e 6% diabetes mellitus.5 Em 1998, no 5.º Congresso de Retroviroses
em Chicago, foram relatadas várias alterações corporais em pacientes infectados 
pelo HIV após o advento da era da terapia anti-retroviral altamente ativa (HAART)
e, no mesmo ano, na 12ª Conferência Internacional de AIDS, em Genebra, várias sessões
clínicas foram dedicadas à compreensão e manejo deste novo efeito colateral dos 
anti-retrovirais.

Embora a maior parte dos casos de lipodistrofia esteja relacionada ao uso de IP,
há relatos de pacientes com características clínicas idênticas que nunca utilizaram
IP. Três dos trabalhos que sistematizaram estes relatos evidenciaram emagrecimento
facial em 30 pacientes associado ao uso de análogos de nucleosídeos, principalmente
a estavudina.6 Em 1999, na 6ª Conferência de Retroviroses, Carr7 (abstract 641) 
mostrou que 83% de 116 pacientes tratados com IP apresentavam graus variados de 
lipodistrofia e Henry8 (abstract 671) relatou que a combinação saquinavir/ritonavir
era responsável pelo maior número de alterações no metabolismo lipídico.

Watson e col., na mesma Conferência, mostraram a ocorrência de hipercolesterolemia
em crianças em uso de IP.9

Até o presente momento, não há relatos documentados de lipodistrofia em pacientes
infectados pelo HIV que nunca fizeram uso de terapia anti-retroviral, embora a hipertrigliceridemia
fosse anteriormente conhecida como uma complicação da infecção pelo HIV, antes mesmo
do advento dos IP, provavelmente associada à progressão da doença.

 Como a lipodistrofia se apresenta?

As alterações observadas são:

 * Distribuição anormal da gordura no corpo resultando em: giba de búfalo, acúmulo
   de tecido adiposo no abdômen, aumento da gordura visceral, lipomatose simétrica
   e lipodistrofia periférica (perda da gordura na face e membros superiores e inferiores)
 * Hipertrigliceridemia
 * Hipercolesterolemia, com diminuição do HDL-colesterol
 * Hiperglicemia – resistência à insulina – diabetes mellitus
 * Aumento das mamas (mulheres)

Outras modificações também podem ocorrer, como o aumento de veias periféricas, queda
de pêlos do corpo e diminuição dos níveis de testosterona, levando a importantes
modificações no corpo dos pacientes. Isto os afeta psicologicamente, constituindo,
freqüentemente, um fator que contribui para a diminuição da adesão ao tratamento
anti-retroviral.

 A causa e as conseqüências da lipodistrofia

A patogênese destas alterações permanece desconhecida. No caso da hiperglicemia,
supõe-se haver aumento na secreção de insulina, com provável modificação do metabolismo
da glicose, seja pelo uso do IP ou pela alteração metabólica decorrente da própria
infecção pelo HIV,  não relacionada diretamente ao uso do medicamento. O excesso
de cortisol sistêmico não parece estar vinculado às modificações na distribuição
da gordura corporal.6 Estão em curso novos estudos que visam esclarecer a patogênese
da lipodistrofia.

Não se sabe exatamente se há ou não uma correlação efetiva da lipodistrofia com 
o risco de doenças cardiovasculares. Em um trabalho apresentado na 6ª Conferência
de Retroviroses, em Chicago, em 1999, Klein e colaboradores10 apresentaram os resultados
de um estudo sobre risco de doença coronariana em pacientes infectados pelo HIV 
e constataram que, no decorrer de um ano, os pacientes em uso de IP não tiveram 
maior chances de adoecer devido à doença coronariana aumentadas. Apesar disto, os
IP podem constituir um fator de risco adicional em pacientes com outros fatores 
de risco (vida sedentária, hipertensão arterial, história familiar, tabagismo e 
idade mais avançada).

Não há, até o presente momento, nenhuma associação entre a lipodistrofia e a ocorrência
de pancreatite ou cetoacidose.6

 Manejo Clínico

O manejo desta síndrome ainda não está bem estabelecido, sendo consensual a necessidade
de novos estudos para definir condutas mais efetivas e com maior embasamento científico.
A despeito disto, algumas orientações e estratégias podem ser utilizadas. Os pacientes
devem ser orientados sobre a possibilidade de ocorrência destes sinais/sintomas 
e como lidar com eles.

Recomenda-se a prática de exercícios físicos (caminhadas diárias, ginástica, musculação,
esportes) e a manutenção de uma dieta pobre em carboidratos e rica em proteínas,
bem como parar de fumar.

O uso de medicamentos está indicado para o tratamento da hiperglicemia, do diabetes
e das hiperlipidemias, quando tais condições estiverem associadas a níveis significativamente
elevados de glicose e lipídios, de forma semelhante às condutas vigentes entre indivíduos
HIV-negativos (não infectados pelo vírus da AIDS).

Bons resultados foram obtidos com metformina no sentido de reduzir a resistência
à insulina e a adiposidade central, embora tais resultados positivos tenham ocorrido
às expensas da perda de peso corporal5 .

Nas dislipidemias, o emprego de gemfibrozil e/ou estatinas (mais freqüentemente 
a atorvastatina) tem sido sugerido por diversos trabalhos, lembrando que estas últimas
podem interagir com os IP. Cabe observar que Henry não evidenciou efeitos adversos
decorrentes da associação destes dois medicamentos, em uma casuística de 19 pacientes11.

Os fibratos atuam aumentando o catabolismo das lipoproteínas ricas em triglicerídios
e as estatinas (inibidores da hidroxi-metil-glutaril-CoA redutase) reduzem a síntese
do colesterol nos hepatócitos. Os respectivos efeitos sobre perfil lipídico estão
resumidos no quadro I.

A reposição de testosterona deve ser feita nos casos de hipogonadismo nos homens,
pois níveis baixos deste hormônio estão associados ao acúmulo de gordura no abdômen
e à resistência à insulina6. Esta reposição pode ser feita com decanoato de nandrolona
ou ciprionato de testosterona, por tempo ainda não claramente definido. Os efeitos
colaterais, mais comuns, desta medicação são a enxaqueca, a hipertensão arterial
e a retenção hídrica e devem ser monitorados cuidadosamente.

O uso do hormônio do crescimento humano somatotrofina parece determinar melhora 
das manifestações da lipodistrofia, reduzindo a adiposidade central e a giba de 
búfalo, revelando-se, contudo, ineficaz quanto às hiperlipidemias ou as alterações
corporais periféricas12.

As doses dos medicamentos mais comumente utilizados no manejo destas alterações 
estão nos quadros II, III e IV.

Como alternativa adicional, alguns pacientes têm sido submetidos a correções das
alterações da forma corporal através de cirurgia plástica, mas não se sabe quais
riscos estão associados a estes procedimentos, como a lipoaspiração, ou a durabilidade
dos seus efeitos.

Até o presente momento, a lipodistrofia não deve determinar a interrupção do uso
do IP, exceto nos casos em que haja comprometimento clínico muito relevante ou em
que a lipodistrofia afete a adesão do paciente ao uso regular de seu esquema anti-
retroviral.

Esta síndrome e seu manejo adequado ainda constituem um grande desafio aos pesquisadores
e clínicos que tratam pacientes infectados pelo HIV com drogas anti-retrovirais.

 Referências bibliográficas

 1.  FOSTER, D.W. The Lipodystrophies and other Rare Disorders of Adipose Tissue. In:
     Harrison, T.R. & Fauci, A S. – Internal Medicine, 1998.
 2.  FLEXNER, C. A. Lipodistrofia do HIV – The Hopkins HIV Report, vol. 10, número 
     5, set. 1998.
 3.  VIRABEN, R. & Aquileni, C. Indinavir-associated Lipodystrophy AIDS 1998 April 
     16, 12:37-39. In: Journal Watch for Infectious Diseases vol. 1 number 5 June 1998–
     pg. 36.
 4.  LUMPKIN, M.M. Reports of Diabetes and Hyperglycemia in Patients Receiving Protease
     Inhibitors for Treatment of Human Immunodeficienty Virus (HIV). FDA Public Health
     Advisory, June 1997.
 5.  CARR, A Metabolic Complications of Antiretroviral Therapy. In: Medscape 6th Conference
     on Retroviruses and Opportunistic Infections, [http://www.medscape.com](http://www.medscape.com)
 6.  DUBÉ, M.P. & Sattler, F.R. Metabolic Complications of Antiretroviral Therapies
     In: AIDS Clinical Care, June 1998, Volume 10, Number 6.
 7.  CARR, A.; Samaras, K.; Thorisdottir, A. et al. Diagnosis and Prediction of HIV
     Protease Inhibitor (PI)-induced Lipodystrophy and Impaired Glucose Tolerance (
     Abstract 641). 6th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, Chicago,
     1999.
 8.  HENRY, K.; Melroe, H.; Huchesch, J. et al. Experience with the National Cholesterol
     Education Program (NCEP). Guidelines for Identification and Treatment of Protease
     Inhibitors related Lipid Abnormalities: Results of a Prospective Study (Abstract
     671) 6th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, Chicago, 1999.
 9.  WATSON, D.C. & Farley, J.J.: Hypercholesterolemia in Children Treated with HIV
     Protease Inhibitors (Abstract 435). 6th Conference on Retroviruses and Oppotunistic
     Infections, Chicago, 1999.
 10. KLEIN, D.; Sidney, S.; Hurley, L. et al. Do Protease Inhibitors Increase the Risk
     of Coronary Heart Disease among HIV Positive Patients? (Abstract 657). 6th Conference
     on Retroviruses and Opportunistic Infections, Chicago, 1999.
 11. HANRY, K. et al. Atorvastatin and Genfibrozil for Protease Inhibitor-related Lipid
     Abnormalities. Lancet 1998, September 26, 352:1031-2.
 12. TORRES, R.A; Unger, K.W.; Cadman, J. et al. The Effect of Recombinant Human Growth
     Hormone (rhGH) on Protease-Inhibitor-Associated Fat Maldistribution Syndrome (
     FMS), 6th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, Chicago, 1999.

 

## Leia também

 * [Lipodistrofia](https://soropositivo.org/lipodistrofia-3/)
 * [Lipodistrofia](https://soropositivo.org/lipodistrofia-2/)
 * [Lipodistrofia](https://soropositivo.org/lipodistrofia/)
 * [Lipodistrofia e HIV | Lipohipertrofia, Lipoatrofia e Lipoxigtrofia](https://soropositivo.org/lipodistrofia-associada-ao-hiv-conceitos-basicos-2/)

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