# Médicos sem fronteiras apóia resolução da assembléia mundial de saúde liderada pelo Brasil

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- Published: 2009-06-19T22:44:02-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

 

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**01/JUNHO/07**

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1/6/2007 – 16h

 

Resolução irá facilitar a emissão de licenças compulsórias, ferramenta importante
para a ampliação do acesso a medicamentos, e impulsionar a inovação em saúde orientada
para as necessidades dos países em desenvolvimento

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) terá que fornecer apóio técnico aos países 
que fizerem uso das flexibilidades do acordo TRIPS da OMC, entre elas a licença 
compulsória de medicamentos. Este é um dos compromissos estabelecidos pela resolução
proposta pelo Brasil e aprovada durante a 60ª Assembléia Mundial de Saúde (AMS) 
realizada em Genebra entre 14 e 23 de maio. A resolução intitulada “Saúde Pública,
Inovação e Propriedade Intelectual” estabelece ainda a continuidade das atividades
do Grupo de Trabalho Intergovernamental sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade
Intelectual (IGWG, sigla em inglês) criado pela AMS de 2006 para elaborar alternativas
sustentáveis de financiamento para a pesquisa e o desenvolvimento em saúde orientada
pelas necessidades dos países em desenvolvimento.

 

“É um marco importante na defesa da Saúde Pública dos países em desenvolvimento”,
afirma Michel Lotrowska, representante no Brasil da Campanha de Acesso a Medicamentos
Essenciais de Médicos Sem Fronteiras. “Na prática, a OMS terá que ajudar os países
a solucionar problemas técnicos para a emissão de licenças compulsórias, o que é
uma forma de declarar um apoio de fato para essas licenças, o que não tem sido o
caso até agora. Isso pode resultar numa oferta maior de medicamentos genéricos”.

 

Neste sentido, o aumento dos preços dos medicamentos patenteados para **Aids** é
uma preocupação crescente. MSF trata mais de 80.000 pacientes com **HIV**/**Aids**
em mais de 30 países e enfrenta uma explosão nos gastos, a medida que mais e mais
pacientes precisam mudar para tratamentos mais modernos de segunda linha. “Dentro
de dois anos nossas despesas com medicamentos duplicarão. Se não houver um compromisso
internacional por preços mais acessíveis, o acesso a medicamentos essenciais no 
mundo em desenvolvimento será mais prejudicado ainda e muitos países que hoje fornecem
gratuitamente anti-retrovirais, por exemplo, como é o caso do Brasil, terão que 
suspender suas políticas de acesso universal a medicamentos, carro-chefe no combate
ao **HIV**/**Aids**” acredita Lotrowska.

 

A resolução brasileira aprovada pela Assembléia Mundial de Saúde também assegura
a continuidade das atividades do Grupo de Trabalho Intergovernamental sobre saúde
pública, inovação e propriedade intelectual, o IGWG. O grupo, composto por representantes
dos países membros da OMS, tem a missão de elaborar até maio de 2008 uma estratégia
mundial e um plano de ação que proporcione uma base mais sustentável para as atividades
de pesquisa e desenvolvimento (P&D) essenciais e orientadas pelas necessidades em
saúde que afetam de forma desproporcional os países em desenvolvimento.

 

“A resolução pede claramente que sejam analisadas propostas concretas de P&D que
dissociam os custos do desenvolvimento de medicamento dos preços finais”, diz Lotrowska.“
Preços altos para o paciente como forma de financiar a pesquisa e desenvolvimento
de novos medicamentos não é a solução para os países em desenvolvimento”.

 

Médicos Sem Fronteiras (MSF) vem enfrentando sérios problemas para tratar determinadas
doenças em virtude da ausência de novas ferramentas de diagnóstico e tratamento.
A tuberculose ilustra bem a complexa relação entre inovação, necessidades médicas
e acesso aos cuidados em saúde. Os pacientes com TB tratados pela organização estão
morrendo já que metade dos casos não pode ser diagnosticada de forma confiável, 
uma vez que a maioria dos exames disponíveis atualmente data de 1882 e os medicamentos
existentes foram desenvolvidos há mais de 40 anos. “Cada vez mais, os pacientes 
chegam a nós com cepas multiresistentes ou extremamente resistentes a medicamentos,
o que torna o tratamento com os atuais medicamentos tão difícil, quando não impossível”
diz Simone Rocha, Diretora Executiva de MSF no Brasil. “Nós simplesmente não seremos
capazes de impedir a evolução da doença com as ferramentas disponíveis atualmente.
É por isso que precisamos urgentemente de inovações concretas que tragam o tratamento
da TB e de outras doenças já tão antigas e conhecidas, para a realidade do século
XXI”, conclui Simone Rocha.

 

Por essa razão, semanas antes da 60a AMS, MSF enviou uma carta aos representantes
das delegações dos países, reforçando a importância do IGWG como oportunidade para
discutir tanto problemas relacionados ao acesso como à inovação. Isso inclui a identificação
de novas alternativas para o financiamento à P&D, buscando desatrelar dos preços
do produtos em saúde, o investimento feito em pesquisa. Entre as alternativas estudadas
pelo IGWG está a criação de um fundo para premiar as invenções realmente inovadoras
e que atendam a problemas específicos de saúde dos países em desenvolvimento.

 

Fonte: Médicos Sem Fronteiras

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 * [O Brasil e o licenciamento compulsório de medicamentos](https://soropositivo.org/__trashed-29/)
 * [A Assembleia Mundial da Saúde adota estratégias para enfrentamendo das epidemias de AIDS, Hepatites Virais e DSTs](https://soropositivo.org/enfrentamendo-das-epidemias-de-aids-hepatites-virais-e-dsts/)
 * [Países em desenvolvimento como o Brasil podem ser excluídos do pool de patentes do Unitaid, diz Médicos Sem Fronteiras](https://soropositivo.org/paises-em-desenvolvimento-como-o-brasil-podem-ser-excluidos-do-pool-de-patentes-do-unitaid-diz-medicos-sem-fronteiras/)

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