# Mulheres saudáveis

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- Published: 2009-10-11T14:19:39-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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Comunidade tem acesso a informações sobre cuidados básicos

 

Heli Espíndola

 

 

er mulher não é uma tarefa fácil. Mais difícil ainda é ser mulher e fazer parte 
de uma comunidade carente, onde a realidade do dia a dia dificulta o acesso à informação
e aos cuidados básicos com a saúde. Há cinco anos, em 2004, uma professora e pedagoga
se reuniu com outros pro-fessores e profissionais de diversas áreas para fundar 
a Associação Fa-mília Cidadã, uma Organização Não-Governamental (ONG), para ajudar
as mulheres das comunidades mais pobres de Brasília.

 

Com mais de 50 profissionais e voluntários, Katea Staciarin Puttin, criou o Projeto
Ser Mulher, Ser Feliz, Prevenir e se Cuidar, que percorre várias cidades da capital,
levando informação e estimulando as mu-lheres carentes aos cuidados básicos com 
a saúde. O enfoque principal do projeto, que ontem esteve na co-munidade de Itapoã,
é alertar para a importância de exames preventivos de câncer, de mama e de útero,
de diabetes e os cuidados para evitar a hipertensão e as doenças sexual-mente transmissíveis.

 

O Projeto Ser Mulher, Ser feliz, que reuniu cerca de 250 mulheres na Escola Classe
01 do Itapoã, quase todas mães e casadas, tem ainda como objetivo fazer um alerta
contra a continuidade da violência doméstica no Distrito Federal. “O Itapoã é um
dos locais do DF onde o índice de violência doméstica é um dos maiores”, conta a
psicóloga Ma-riana Moura, integrante da ONG Família Cidadã, que fez uma pa-lestra
sobre o tema Violência Do-méstica e Autoestima para as par-ticipantes do encontro.

 

O evento, que começou às 7h30 e terminou às 17h, teve também mesa redonda, coordenada
pela agente de saúde da comunidade local, Denise Almeida de Souza, e atividades 
de lazer, como a coordenada pela terapeuta comunitária Vera Torres, que fez as participantes
se descontraírem e rebolarem ao som do forró. Além das palestras, as participantes
ganharam café da manhã, almoço e um certificado de participação que dá direito a
acompanhamento médico preventivo da saúde da mulher nos dois postos de saúde do 
Itapoã.

 

 

 

Projeto muda realidade

 

 

“A gente não faz só as palestras sobre os cuidados com a saúde que elas devem ter.
Nós as ajudamos a desenvolver a autoestima e a se descobrirem como mulheres”, resume
a presidente da ONG Família Cidadã, Katea Puttin. A pedagoga conta que passou três
meses, jun-tamente com a prefeitura comunitária do Condomínio Del Lago, sen-sibilizando
as mulheres do Itapoã para participar do evento. O projeto, que tem o apoio do Ministério
da Saúde, foi desenvolvido durante quatro anos na cidade do Recanto das Emas.

 

Segundo ela, o projeto, que oferece cursos de corte e costura industrial, tem ajudado
a mudar a cabeça e a realidade de muitas mu-lheres de todo o DF. Foi o que aconteceu
com Solange Maria de Souza, residente no Recanto das Emas, que conheceu o projeto
há quatro anos e hoje trabalha como voluntária na ONG. Ela fazia biscuit e, depois
do curso, começou a fazer malharia, produzindo camisetas. “Hoje tenho meu próprio
negócio”, comemora a voluntária.

 

A dona de casa e mãe de um filho de dois anos, Lucilene Vieira, de 26 anos, foi 
ao encontro com o filho no colo para tentar se informar sobre os cuidados com a 
sua saúde. Tímida, ela conta que, apesar de ter alguma informação sobre os cuidados
que deve tomar, só usa CAMISINHA com o seu companheiro Raimundo Nona-to, com quem
está há sete anos, quando não toma PÍLULA.

 

Para a agente de saúde Denise de Souza, que trabalha no Posto do Itapoã com o Programa
Família Saudável, a realidade das mulheres da comunidade local é assustadora. “A
maioria não tem conhecimento do próprio corpo. Elas têm medo de se conhecer e de
se tocar”, conta a agente de saúde, que conhece a comunidade local há quatro anos.
Na sua opinião, o problema se agrava pela falta de cultura e estudo. “Elas não consideram
a educação como um fator determinante no crescimento pessoal. A quantidade de analfabetas
é muito grande”, informa ela.

 

A terapeuta Vera Torres acredita que a mulher, principalmente das comunidades carentes,
ainda aceita o fato de ser apenas esposa e mãe, esquecendo dela enquanto ser humano.“
Nós queremos acordá-la e fazê-la olhar para dentro de si”, aposta a terapeuta. Vera
Torres acha que a liberdade e a segurança sexual da mulher está diretamente relacionada
ao uso da CAMISINHA feminina que precisa ser estimulada.

 

“Ela precisa entender que não foi feita para servir o homem do jeito que ele quer,
mas do jeito que é melhor para ela”, defende a terapeuta. Vera Torres fala, ainda,
em sua palestras, sobre a Lei Maria da Penha, alertando as mulheres para a não aceitação
da violência doméstica.

 

 

 

SAIBA +

 

 

O Projeto Ser Mulher, Ser Feliz, Prevenir e se Cuidar está percorrendo várias cidades
do DF. Com o apoio do Ministério da Saúde, ele visa despertar as mulheres , para
os seus direitos.

 

Desenvolvido pela ONG Família Cidadã, o projeto já atingiu cerca de quatro mil mulheres
em todo o DF.

 

Nos encontros, as voluntárias da ONG fazem palestras sobre a saúde da mulher e o
sexo seguro. Também acontecem oficinas e atividades de lazer e cultura.

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