# No Reino Unido, uma em cada dez pessoas com gonorreia tem uma estirpe com redução da susceptibilidade ao tratamento

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- Published: 2010-09-13T15:53:31-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

Roger Pebody

Published: 01 September 2010

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 Dependendo da definição utilizada para resistência, entre 1% e 10% das pessoas 
com gonorreia, no Reino Unido, têm uma estirpe que é resistente ao antibiótico usualmente
utilizado para tratar a infecção. Os dados divulgados pela _Health Protection Agency
_chamam a atenção para o risco de o tratamento se tornar ineficaz, mas também salientam
que os casos de falência terapêutica permanecem raros.

### Table Of Content

 * [Gonorreia resistente aos tratamentos](https://soropositivo.org/no-reino-unido-uma-em-cada-dez-pessoas-com-gonorreia-tem-uma-estirpe-com-reducao-da-susceptibilidade-ao-tratamento/#gonorreia-resistente-aos-tratamentos)
 * [Novos diagnósticos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)](https://soropositivo.org/no-reino-unido-uma-em-cada-dez-pessoas-com-gonorreia-tem-uma-estirpe-com-reducao-da-susceptibilidade-ao-tratamento/#novos-diagnosticos-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-ists)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/no-reino-unido-uma-em-cada-dez-pessoas-com-gonorreia-tem-uma-estirpe-com-reducao-da-susceptibilidade-ao-tratamento/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/no-reino-unido-uma-em-cada-dez-pessoas-com-gonorreia-tem-uma-estirpe-com-reducao-da-susceptibilidade-ao-tratamento/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/no-reino-unido-uma-em-cada-dez-pessoas-com-gonorreia-tem-uma-estirpe-com-reducao-da-susceptibilidade-ao-tratamento/#relacionado)

O órgão de saúde pública divulgou também dados que demonstram que, um pouco menos
de meio milhão de novos diagnósticos de infecções por via sexual foram recolhidos
em 2009, continuando a tendência ascendente observada na última década. O maior 
número de diagnósticos efectuados corresponde à faixa etária de jovens com idade
inferior a 25 anos.

### Gonorreia resistente aos tratamentos

 Os antibióticos recomendados para o tratamento da gonorreia têm vindo a mudar, 
uma vez que as estirpes da bactéria desenvolveram resistência aos medicamentos já
existentes. No final da década de 90, a resistência à classe das quinolonas (por
exemplo a ciprofloxacina) levou a que se abandonasse esta classe de medicamentos
como tratamento de primeira linha, tendo sido substituída por medicamentos da classe
das cefalosporinas (como por exemplo, cefixima, ceftriaxone).

Mas, embora a ciprofloxacina já não seja amplamente prescrita no Reino Unido, um
terço de novas infecções de gonorreia são de estirpes resistentes a este fármaco.
Da mesma forma, um quinto dos doentes tem uma estirpe que é resistente à penicilina
e, dois terços, uma estirpe resistente à tetraciclina. Com tantas opções de tratamento
já exploradas, seria preocupante se os tratamentos agora utilizados se tornassem
ineficazes nos próximos anos.

A _Health Protection Agency’s Gonococcal Resistance to Antimicrobials Surveillance
Programme _(GRASP) tem monitorizado esta questão desde 2000. O programa conduziu
_testes de susceptibilidade antimicrobiana_ em isolados de _[N gonorrhoeae](http://pt.wikipedia.org/wiki/Neisseria_gonorrhoeae)_,
recolhidos em 26 clínicas de saúde sexual no Reino Unido e no país de Gales. Em 
2009, 1 395 amostras foram testadas. Tendo em conta a epidemia geral da gonorreia,
um elevado número de amostras vieram de homens que têm sexo com homens (38%) e, 
um terço destes estava infectado pelo VIH. Entre as mulheres (28%) e os homens heterossexuais(
34%), percentagens significativas correspondiam à faixa etária inferior a 25 anos
e também a pessoas de origem afro-caribiana.

A cefixima é o antibiótico mais utilizado para tratar a gonorreia. Há alguma incerteza
sobre o _cut-off_ que deve ser utilizado para definir a redução de susceptibilidade,
ou de resistência ao antibiótico. A HPA disponibiliza dados para _cut-off_ diferentes:
a definição mais amplamente aceite (Concentração Inibitória Mínima (superior a 0,25mg/
L) e uma alternativa, inferior (Concentração Inibitória Mínima superior a 0,125mg/
L).

Utilizando a definição padrão, 1,2% dos casos, em 2009, eram resistentes. Contudo,
utilizando o ponto de definição inferior, 10,6% dos casos eram resistentes, um salto
de 0,1%, em 2005 para 2,8%, em 2008.

Estas estirpes foram diagnosticadas em pessoas de todos os grupos demográficos, 
contudo eram mais predominantes em homens gay e bissexuais. A tendência era que 
fossem de origem caucasiana e reportassem, pelo menos, dois parceiros sexuais ingleses
nos três meses anteriores ao diagnóstico.

Apesar de as orientações terapêuticas para o tratamento da gonorreia recomendarem
ter em atenção os padrões locais de sensibilidade quando o tratamento é disponibilizado,
a _Health Protection Agency_ (HPA) afirma não ter dados sobre as variações regionais.

Menos de 1% das estirpes era resistente ao segundo tratamento vulgarmente mais utilizado,
com ceftriaxone. Mas, as estirpes resistentes a um fármaco eram, muito frequentemente,
resistentes a outros.

A HPA está a investigar combinações terapêuticas para tratar a infecção pela bactéria
e a incentivar a indústria farmacêutica a desenvolver novos fármacos.

A HPA recomenda que os clínicos devem estar atentos para a possibilidade de falência
terapêutica entre os seus doentes. Acrescentam, que devem considerar fazer testes
de cura, principalmente se os sintomas persistem ou após uma infecção na cavidade
oral.

A Professora Cathy Ison da HPA comenta que: “Neste momento, os medicamentos que 
utilizamos no Reino Unido são eficazes para tratar a gonorreia. Mas os nossos testes
de laboratório mostram que a bactéria está a ficar menos sensível a estes e, a nossa
preocupação é que a gonorreia se transforme numa infecção muito difícil de tratar
nos próximos cinco anos, tal como no resto do mundo”.

Acrescentou que tal poderá significar que a alteração do comportamento sexual seja
a única solução para controlar a infecção.

### Novos diagnósticos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

 A HPA divulgou também dados sobre 482 696 novos diagnósticos de infecções sexualmente
transmissíveis (ISTs) recolhidos em 2009. Os dados mostram que na população geral,
a idade de pico de as mulheres adquirirem uma IST é entre os 19 e os 20 anos e, 
nos homens, entre os 20 e os 23 anos.

Entre as mulheres, dois terços dos novos diagnósticos correspondem a menores de 
25 anos. Entre os homens, cerca de metade estão nesta faixa etária.

Os novos diagnósticos de clamídia, gonorreia e herpes genital aumentaram entre 2008
e 2009, entre os 5-7% para cada patologia. Parte deste crescimento poderá ser devido
ao aumento da taxa de realização de testes, incluindo através do _National Chlamydia
Screening Programme_.

Por outro lado, o diagnóstico de sífilis e de verrugas genitais estabilizou, com
uma diminuição de 1% e 0,3% respectivamente.

Sir Nick Partridge, Chefe-executivo da _Terrence Higgins Trust_, afirmou ser “incrível”
que as infecções tenham aumentado para quase meio milhão por ano. “Até conseguirmos
melhorar a educação sexual e disponibilizar um apoio mais forte aos jovens, estes
continuarão a correr riscos evitáveis na sua actividade sexual” comenta.

### Tradução

 [_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

## Leia também

 * [Reino Unido: um de cada seis homens homossexuais que testam positivo para o VIH foram infectados recentemente](https://soropositivo.org/reino-unido-um-de-cada-seis-homens-homossexuais-que-testam-positivo-para-o-vih-foram-infectados-recentemente/)
 * [Nas prisões do Reino Unido, mais de um terço dos casos de TB são resistentes aos medicamentos](https://soropositivo.org/nas-prisoes-do-reino-unido-mais-de-um-terco-dos-casos-de-tb-sao-resistentes-aos-medicamentos/)
 * [Prevalência da hepatite C nas pessoas que vivem com VIH no Reino Unido é de 9%](https://soropositivo.org/prevalencia-da-hepatite-c-nas-pessoas-que-vivem-com-vih-no-reino-unido-e-de-9/)

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