# O Auto da Camisinha: A peça que virou filme

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- Published: 2010-01-03T13:22:15-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
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Encenada pelo grupo Hierofante há 10 anos na Torre de TV e depois levada para a 
África e Nova York, o auto da CAMISINHA é lançada em média-metragem

 

Em 2007, após uma apresentação da micropeça O auto da CAMISINHA, na UnB, para aproximadamente
10 mil estudantes que participavam de um encontro sobre prevenção e saúde, a companhia
de teatro de Ceilândia Hierofante foi abordada por uma figura exótica. “De longe
ele já chamava atenção porque vestia uma roupa bem africana mesmo, com chapéu tradicional
e tudo o mais”, lembra o ator Wellington Abreu, produtor do grupo criado há 15 anos.“
Era um representante do Unicef que tinha visto o espetáculo e queria nos levar para
lá”, conta Abreu, que visitou São Tomé e Príncipe em outubro de 2008 para uma série
de encenações. “Na África, o problema da **AIDS** é muito sério, existem várias 
campanhas, então, fomos recebidos como se fossemos jogadores de futebol”, compara.

 

Texto escrito pelo dramaturgo e autor de cordel cearense José Mapurunga, em 1997,
a peça também fez sucesso no Ceará, onde chegou a ser montada simultaneamente por
30 companhias teatrais no estado. Importante veículo de propaganda no combate à **
AIDS**, alertando com humor sobre os riscos de transmissão do vírus HIV e os métodos
de prevenção, a história acaba de virar um média-metragem com o ator Gero Camilo(
Os narradores de Javé e Carandiru) e o humorista Chico Anysio no elenco. Dirigido
por Clébio Viriato Ribeiro e com duração de 45 minutos, o filme, já exibido em algumas
praças brasileiras, será lançado também em países onde a epidemia é grave, como 
Moçambique, Timor Leste, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe.

 

A experiência na África serviu de motivação para que o grupo viajasse em setembro
para Nova York, onde foi uma das atrações do Brazilian Day, encontro que desde 1984
reúne brasileiros em grande festa na 6ª Avenida. O convite partiu da organização
do evento. “A recepção do público foi a melhor possível”, comenta Abreu, lamentando
apenas não terem tido acesso acesso ao palco principal, reservado para a Rede Globo.

 

O ator e um dos produtores da companhia Hierofante, Pablo Peixoto conta que a ideia
de montar o espetáculo nasceu depois que o diretor Humberto Pedrancini, por meio
da Fundação Athos Bulcão, teve acesso a uma radionovela distribuída em CD para várias
cidades brasileiras. “Achamos interessante e montamos a peça com recursos próprios”,
conta.

 

A primeira apresentação ocorreu na Torre de TV, em 1999. Até hoje ele lembra com
satisfação do impacto que as encenações causaram. “Como é teatro de rua, a performance
está acessível a qualquer pessoa que passa pela calçada e algumas não estão preparadas
para esse tipo de abordagem e, sobretudo, com o tema”, comenta Abreu,, que rodou
o país com a montagem, indo de eventos sociais a assentamentos rurais. “Ela é eficaz
na mensagem e não cai no didatismo, ou seja, antes de tudo é um espetáculo de teatro.
Às vezes, os pais se sentem incomodados de os filhos assistirem a algo falando de
PRESERVATIVO, mas essa questão da erotização infantil é complexa, porque a televisão
aborda a sexualidade de forma agressiva”, acredita Peixoto.

 

Projetos

 

Depois de realizar o curta de documentário Cuidado! Palhaços, vencedor, recentemente
do 1º Festival de Cinema Universitário do Iesb, o ator e produtor teatral Pablo 
Peixoto trabalha na finalização de Cala boca, criança!, um registro dos bastidores
da viagem que o grupo fez a São Tomé e Príncipe. “No início do grupo, a gente era
bastante fechado, depois abrimos para outros diálogos e tendências e foi quando 
surgiu a turma do cinema”, conta Wellington Abreu, protagonista do curta-metragem
Dias de greve, projeto de Adirley Queirós (Rap, o canto da Ceilândia) todo rodado
na Ceilândia. “Nós, do Hierofante(1), fomos geridos pelo signo da periferia”, resume
ele.

 

Há também duas peças em gestação: Regra do jogo e uma adaptação do clássico As bacantes,
de Eurípides. “Será montagem com a nossa cara, com a cara de Ceilândia. Dionísio
no nosso texto será Di”, antecipa. A companhia recebeu ainda dois convites para 
o exterior em 2010. “Tudo vai depender de patrocínio”, torce Abreu. Além de Cuba,
o grupo deve voltar aos Estados Unidos em fevereiro para uma série de apresentações
no Harlem, em Nova York. O convite partiu da mestranda Edna Lima, que mora nos EUA
há 20 anos, onde integra a ONG Abadá-Capoeira. “A população negra norte-americana
é a mais atingida pelo vírus HIV. Se a gente conseguir ir será uma experiência marcante”,
constata.

 

1 – Mensageiros

 

Há 15 anos na estrada, o Hierofante tem quase 20 montagens no currículo. O grupo
genuinamente de Ceilândia, nasceu do desdobramento de algumas companhias como Os
tramponeiros, Companhia Teatral e Celeiro das Antas. Orientado por nomes experientes
da área como Zé Regino, Jorge Luiz, Frank Dezeux e Humberto Pedrancini, foram em
busca de identidade cênica que misturasse teatro de rua, elementos circenses e discurso
social. O nome, uma sugestão do então diretor Pedrancini, é uma referência aos sacerdotes
gregos e egípcios da antiguidade e quer dizer mensageiro.

 

 

 

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**02/JANEIRO/2010**

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## Leia também

 * [Luta contra o preconceito](https://soropositivo.org/luta-contra-o-preconceito/)
 * [Campanha contra Aids terá exames e atividades culturais](https://soropositivo.org/campanha-contra-aids-tera-exames-e-atividades-culturais/)
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