# Olhar mais abrangente sobre os pacientes

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- Published: 2010-02-09T12:48:39-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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Cresce a oferta pelo SUS dos chamados tratamentos integrativos, práticas complementares
aos métodos de cura convencionais. Atividades como o Tai chi chuan tiveram aumento
de 358% em um ano

 

Paloma Oliveto

 

As práticas têm mais de mil anos, nasceram do outro lado do mundo e, aos poucos,
conquistaram o Ocidente. Os brasileiros estão, cada vez mais, interessados na medicina
não convencional, e a prova disso é o salto da oferta, pelo Sistema Único de Saúde,
de homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia; medicina tradicional chinesa e 
termalismo (leia quadro). O balanço mais recente do **Ministério da Saúde **indica
que, de 2007 para 2008, o número de atendimentos cresceu 122%. Só o investimento
em a homeopatia aumentou 383%, comparando-se com 2000. Além disso, as práticas corporais
como Lian Gong e Tai chi chuan popularizaram-se a ponto de, em um ano, registrarem
crescimento de 358% no número de procedimentos realizados.

 

Todas essas atividades são consideradas integrativas, pois partem do princípio que
a abordagem médica tem de levar em conta o indivíduo como um todo, e não apenas 
cuidar de um órgão ou um sintoma específico. De acordo com o médico e homeopata 
Ícaro Alves de Alcântara, coordenador da ouvidoria do Conselho Regional de Medicina
do Distrito Federal, as práticas integrativas não são consideradas uma especialidade
médica reconhecida pelos órgãos regulamentadores e de classe. Trata-se, na verdade,
de um “nome fantasia”, como define, que abrange atividades holísticas e naturais,
que possam ajudar na melhoria da qualidade de vida do paciente.

 

“Essa abordagem integrativa preocupa-se com todos os sinais e sintomas da pessoa,
porque o corpo é um sistema fechado, e todos os sintomas têm relação entre eles”,
diz. “Hoje, a aceitação é cada vez maior. O paciente não quer mais tomar um remédio
atrás do outro. Quer algo mais profundo e natural”, afirma. De acordo com Alcântara,
autor do livro Qualidade de vida, qualidade é vida, geralmente, as pessoas que procuram
práticas complementares já passaram por vários tipos de especialidades médicas, 
sem conseguir alívio para seus problemas.

 

Na casa da servidora pública Rosana Barreto Melo Ramos, 48 anos, a família toda 
é adepta das práticas holísticas. Quando o filho mais velho tinha 2 anos, Rosana
já estava cansada de buscar a solução para a amigdalite da criança e resolveu consultar
um homeopata. “Meu marido era cético e desafiou o médico. Vinte e quatro horas depois,
meu filho não tinha mais nada, nem febre”, conta. Desde então, as terapias naturais
substituíram os medicamentos alopatas. Também mãe de Bianca, 13, e Bárbara, 18, 
Rosana afirma que, se as meninas tomaram antibiótico duas vezes na vida, foi muito.“
Medicina alopática, só se for de emergência”, diz Rosana, que trata de um problema
no nervo ciático com acupuntura.

 

Bárbara, formada em relações públicas, procurou a homeopatia para cuidar de uma 
forte rinite. “Em quatro meses, eu estava curada”, garante. Depois, como estava 
estressada com o término de um namoro e com os trabalhos finais da faculdade, resolveu
continuar o tratamento. Hoje, faz acupuntura. Foi também com as terapias naturais
que a irmã mais nova, Bianca, patinadora profissional, cuidou de uma lesão no pé,
adquirida durante um treinamento. “Aqui, a gente só usa esse tipo de medicina”, 
enfatiza Bárbara.

 

Pioneirismo

 

Primeira unidade federativa no Brasil a adotar a medicina integrativa na rede pública,
o Distrito Federal oferece, desde 1989, diversas atividades, que vão da acupuntura
à arteterapia, passando por automassagem, Lian Gong, shantala, meditação, homeopatia,
fitoterapia e medicina antroposófica. “O que todas essas práticas têm em comum é
que não trabalham a fragmentação do sujeito. Buscam uma abordagem integral, não 
focando apenas uma doença, mas essa visão ampliada, utilizando mecanismos naturais
de cura”, diz o médico Divaldo Dias Mançano, chefe do Núcleo de Medicina Natural
e Terapêutica de Integração (Numenati) da Secretaria de Saúde do DF.

 

Ele conta que as primeiras práticas adotadas na rede pública foram homeopatia, acupuntura
e fitoterapia. Ao longo de 21 anos, outras atividades agregaram-se a elas, a partir
da constatação de que, cada vez mais, a população se interessava pela medicina natural.
Segundo Mançano, além das pessoas que procuram o serviço espontaneamente, cresce
o número de médicos que encaminham seus pacientes às práticas holísticas. Em todas
as unidades de saúde do DF há atendimentos de diversas atividades. Por ano, são 
200 mil, sendo que só a homeopatia e a acupuntura são responsáveis por 25 mil procedimentos
anuais.

 

O chefe do Numenati afirma que uma das características mais interessantes da medicina
integrativa é a coparticipação do paciente. “O sujeito fica mais envolvido. Ele 
tem de dirigir novos olhares para sua própria vida. Com isso, chegamos à desmedicalização:
o sujeito tem uma autonomia e não precisa recorrer sempre ao sistema de saúde”, 
afirma. No DF, está em curso uma pesquisa sobre o atendimento associado da alopatia
e da homeopatia para portadores de **HIV**/**AIDS**. “Ainda temos um ano de estudo
pela frente, mas pelos inúmeros depoimentos relatados por pacientes de várias enfermidades,
sabemos que há um impacto grande na qualidade de vida”, diz.

 

Além do resultado positivo na saúde dos pacientes, a medicina integrativa mostrou
que também representa uma boa economia para os governos. Em Campinas (SP), a Secretaria
de Saúde registrou, em 2006, uma redução de 12,5% no consumo de anti-inflamatórios
em relação a 2005, o que foi atribuído à oferta de acupuntura para diminuição das
dores dos pacientes.

 

Trabalho em conjunto

 

Com formação na Europa, onde há faculdades de práticas integrativas, a terapeuta
Elisa Maciel Costa, da Clínica Bem-estar e Saúde, diz que o objetivo das atividades
naturais não é brigar com a medicina tradicional, mas complementar os tratamentos
alopáticos. “As pessoas cansaram do excesso de toxidade. Mas é a união das duas 
áreas que vai fazer o sucesso. Não é retirar, eliminar, mas andar em conjunto”, 
diz.

 

A mesma opinião tem o médico e homeopata Ícaro Alves de Alcântara. “O paciente não
deixa de fazer alopatia. O cerne da medicina integrativa não é excludente, mas inclusiva.
Acontece que, nas práticas naturais, é possível obter, por meio de várias estratégias,
resultados com menos [efeitos colaterais](https://soropositivo.org/antes-dos-medicamentos/)“,
afirma. Segundo ele, os alopatas ainda têm muitas dificuldades para aceitar essa
integração com a medicina natural. “Claro que existem charlatões, pessoas que fazem
mau uso das práticas holísticas, confundindo com xamanismo e pajelança. Mas basta
um erro em mil acertos para se sustentar que as práticas não têm comprovação científica”,
reclama.

 

Para a coordenadora da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares(
PNPIC) no SUS, Carmen de Simoni, o que existe não é preconceito, mas desconhecimento,
tanto por parte de médicos quanto de gestores e mesmo de pacientes. “Para dar um
exemplo, a homeopatia é uma especialidade reconhecida desde 1981, mas nenhum curso
de medicina oferece essa disciplina. Ainda existe muito desconhecimento”, diz. Porém,
diante da repercussão positiva dos estudos feitos sobre a qualidade das práticas
integrativas, ela afirma que a resistência vem diminuindo. Se em 2004 apenas 12 
municípios possuíam atos ou normas que regulavam a PNPIC, o número passou para 1.340,
em 2008.

 

Segundo Carmen, os entraves ainda são a falta de vontade de alguns gestores e a 
carência de profissionais habilitados. “Tem unidade da Federação onde não há homeopatas
e mesmo que o prefeito queira incluir o serviço, não consegue contratar profissional”,
afirma. Apesar de a decisão de aderir à política de cada cidade ou estado, o **Ministério
da Saúde **tem trabalhado perante as categorias e os gestores para ampliar mais 
o atendimento, diz a coordenadora da PNPIC.

 

SERVIÇO

 

Para participar de alguma atividade complementar na rede pública de saúde do DF,
ligue para 3905-4635.

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## Leia também

 * [30 anos depois, um olhar sobre a primeira droga contra a AIDS](https://soropositivo.org/trinta-anos-de-azt/)
 * [Medicamento 3 em 1 começa a ser distribuído](https://soropositivo.org/medicamento-3-em-1-comeca-a-ser-distribuido/)
 * [Tratamento Contra HIV. Como é?](https://soropositivo.org/tratamento-contra-hiv/)

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