# Paciente fora de tratamento por 288 dias sem rebote viral

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- Published: 2017-03-29T22:00:23-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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⌊esperança1⌉⌊esperança1⌉Um paciente receptor de transplante de medula óssea HIV 
positivo na Clínica Mayo sofreu remissão viral prolongada durando quase 10 meses–
mais do que os chamados pacientes de Boston – após interromper a [terapia antirretroviral](https://soropositivo.org/terapia-antirretroviral-a-tarv-ou-o-coquetel/)(
TARV), de acordo com um relatório na Conferência sobre Retroviruses and Infecções
Oportunistas este mês em Seattle. Embora sua carga viral eventualmente se recuperasse,
seus reservatórios de HIV pareciam ser reduzidos.

A única pessoa conhecida por ser curada do HIV – Timothy Ray Brown, conhecido como
o “Paciente de Berlim” – parou de terapia anti-retroviral quando recebeu um transplante
de medula óssea para tratar a leucemia e não teve vírus detectável por 10 anos. 
Brown recebeu um transplante de um doador com uma dupla mutação do CCR5-delta-32,
o que significa que havia a falta de coreceptores CCR5,  que a maioria das cepas
do HIV usa como receptores  para entrar em células T. Não está claro se sua remissão
sustentada é atribuível à mutação CCR5 do doador, ao regime forte de condicionamento
de quimioterapia usado para matar células sanguíneas cancerígenas, ou a uma reação
de enxerto versus hospedeiro ou a múltiplos fatores.

O transplante de medula óssea não é, aparentemente, boa o bastante para erradicar
o HIV. Há alguns anos, Timothy Henrich relatou dois pacientes transplantados de 
medula óssea HIV positivos em Boston, que receberam células-tronco de doadores de
tipo selvagem sem a mutação CCR5-delta-32 que é o receptor do qual o HIV se utiliza
para invadir as células CD4 e CD8, que receberam um regime de condicionamento mais
leve e experimentaram transplante agudo de enxerto versus  doença de hospedeiro (
GVHD). Ambos os homens mantiveram a carga viral indetectável por mais tempo do que
o esperado após a interrupção da TARV, mas eventualmente experimentaram recuperação
viral aos três e oito meses após parar o tratamento com HIV.

O mais recente caso, apresentado por Nathan Cummins da Mayo Clinic em Rochester,
MN, e colegas, envolveu um homem de 55 anos de idade, que foi diagnosticado com 
HIV em 1990 e começou a terapia combinada em 1999 com uma contagem de células T 
CD4 de 300 Células / mm3. **Ele parou o tratamento entre 2004 e 2009 por razões 
inexplicáveis**, em seguida, reiniciado TARV consistindo de ritonavir impulsionado
atazanavir (Prezista) mais tenofovir DF e emtricitabina (as drogas em Truvada).

![Truvada](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2017/03/truvada.png)

Em abril de 2013 o homem foi diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda de células
B. Em antecipação à quimioterapia, o seu regime de TARV foi mudado para raltegravir(
Isentress), etravirina (Intelence) e tenofovir DF / emtricitabina. Em outubro de
2013 sofreu condicionamento de intensidade reduzida seguido por um transplante de
células-tronco alogênico de um doador de tipo selvagem “CCR5”.

No momento do transplante, o principal tinha uma carga viral de HIV de 25 cópias/
mL e uma contagem de células CD4 de 288 células / mm3, e ele permaneceu em TARV 
sem interrupção. Após o transplante, desenvolveu infecções oportunistas (septicemia
por E. coli e Pneumocystis pneumonia) e GVHD experiente aos 4 meses pós-transplante.

> O homem continuou em TARV por mais de 2 anos após o transplante, principalmente
> com níveis detectáveis de carga viral plasmática. O RNA do HIV também foi indetectável
> em amostras de biópsia intestinal. O ADN do HIV nas suas células sanguíneas periféricas
> tornou-se indetectável até ao dia 56, e os procedimentos repetidos de leucaférese
> mostraram reduções significativas no tamanho do reservatório de RNA e DNA do HIV.
> Além disso, os níveis de anticorpos anti HIV do homem diminuíram, como indicado
> por bandas de mancha de Western mais fracas. No entanto, a sequenciação de um 
> único genoma e a análise filogenética identificaram clones de HIV idênticos aos
> do 142º dia, possivelmente devido à proliferação homeostática, ou replicação de
> células latentemente infectadas, enquanto ele tinha GVHD.

Após ter níveis de HIV tão baixos durante um período prolongado, o homem foi submetido
a uma interrupção do tratamento analítico ou a uma interrupção cuidadosamente monitorizada
da ARV. Os níveis plasmáticos de RNA do VIH foram testados a cada 2 semanas durante
as primeiras 12 semanas de interrupção da TAR, e depois a cada 4 semanas.

No 288º dia  – 9,6 meses depois de parar TARV – verificou-se que houve um rebote
viral de baixo nível para 60 cópias / ml (no Brasil os testes são sensíveis até 
40 cópias por ml) do T. Isso aumentou para 1640 cópias / mL por dia 293, exigindo
que ele reiniciasse o tratamento do HIV com a TARV. O homem não tinha evidência 
de resistência aos medicamentos e sua carga viral foi re-suprimida em um mês.

⌊celulas-tronco⌉⌊celulas-tronco⌉“O transplante alogênico de células-tronco de sangue
periférico no contexto da infecção por HIV está associado a reduções significativas
no tamanho do reservatório do HIV por múltiplas medidas, incluindo a remissão prolongada
de TARV sem tratamento”, concluíram os pesquisadores.

Eles acrescentaram que o transplante de células-tronco no cenário de replicação 
viral suprimida pode estar associado à perda da imunidade específica do HIV e a 
hipótese de que a “ativação imune na configuração de GVHD sem imunidade específica
anti-HIV pode causar proliferação homeostática de células latentemente infectadas,
diminuindo a chance de erradicação do HIV

 

Escrito por Liz Highleyman para o [AIDSMAP](http://www.aidsmap.com) Traduzido por
Cláudio do Soropositivo.org Revisado por Mara Macedo

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 * [Rebote Viral e Dependência Química](https://soropositivo.org/rebote-viral-tratado-e-dependencia-quimica/)
 * [HIV se esconde na medula óssea](https://soropositivo.org/hiv-se-esconde-na-medula-ossea/)

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