# Pessoas com aids sofrem mais com problemas sociais e psicológicos do que com a ação do HIV no organismo, informa Ministério da Saúde

- Link: https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/
- Published: 2009-12-03T21:39:47-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

![Logotipo do Soropositivo.Org](https://soropositivo.org/wp-content/plugins/machina-
analytica-integrada/assets/logo-soropositivo.webp)

**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 13 dias.

### Tópicos Tratados Nesta Página

 * [AGÊNCIA AIDS ](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/#agencia-aids%c2%a0)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/#leia-tambem)
 * [Like this](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/#like-this)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/#relacionado)

 

01/12/2009 – 18h30

 

Um estudo realizado com pessoas em tratamento de **aids** no Brasil mostra que elas
sofrem mais com problemas relacionados à interação social do que com a ação do vírus
no organismo. Sessenta e cinco por cento dos entrevistados avaliam seu estado de
saúde como bom ou ótimo. O índice é cerca de dez pontos percentuais maior que o 
da população geral – a diferença persiste mesmo após padronização por sexo e faixa
etária. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (1º) pelo Ministério da
Saúde.

 

A comparação com portadores de outra doença crônica ou de longa duração surpreende
ainda mais. Apenas 27% (um percentual duas vezes menor) desses outros pacientes 
classificam sua própria saúde como boa ou ótima. Os números fazem parte da pesquisa
Percepção da qualidade de vida e do desempenho do sistema de saúde entre pacientes
em terapia antirretroviral no Brasil. Na fase de análise, os dados também foram 
comparados aos da Pesquisa Mundial de Saúde, feita pela OMS em 2003.

 

A pesquisa foi realizada, pela Fundação Oswaldo Cruz, em 2008, com 1260 pessoas 
em tratamento antirretroviral. Contou com financiamento da USAID e o apoio do Ministério
da Saúde. Seus resultados são representativos de toda a população em tratamento 
antirretroviral, atualmente em cerca de 200 mil pessoas.

 

A boa percepção do próprio estado de saúde entre as pessoas com **aids** contrasta
com problemas sociais e psicológicos enfrentados por elas. Nesse ponto, a situação
de quem está em tratamento com o coquetel anti**aids** é pior do que a população
geral. Entre as mulheres soropositivas, 33% afirmaram ter grau intenso ou muito 
intenso de tristeza ou depressão e 47% grau intenso ou muito intenso de preocupação
e/ou ansiedade. Entre os homens, o índice é um pouco menor – 23% e 34%, respectivamente.

 

A Pesquisa Mundial de Saúde fez a mesma pergunta para a população geral e constatou
que apenas 15% declararam sentir um grau intenso ou muito intenso de tristeza ou
depressão. Preocupação e ansiedade na população geral também foram menores – 23%
para o total (28% entre as mulheres e 17% entre os homens).

 

Esses resultados indicam que, apesar de mais da metade das pessoas autoavaliarem
bem sua saúde, uma boa parte ainda não superou os traumas psicológicos causados 
pelo diagnóstico de **HIV**/**aids**. “O sentimento de tristeza e depressão pode
ser explicado pela falta de apoio social, pelo sentimento de discriminação, pelo
sentimento de solidão, entre outros, que diferenciam as pessoas com **aids** da 
população geral”, afirma a coordenadora da pesquisa, Célia Landmann.

 

Em relação ao estado de saúde, o que se percebe é que o impacto do diagnóstico é
tão forte, que após o início do tratamento e a melhora das condições imunológicas,
as pessoas se sentem saudáveis novamente. “Quando fazemos a pergunta, elas acabam
por comparar a situação atual ao momento do diagnóstico, o que faz com que boa parte
dos pacientes respondam que atualmente sua saúde é excelente ou boa”, explica o 
pesquisador Paulo Borges, que defendeu doutorado na Fiocruz como parte da pesquisa.

 

Estigma e preconceito

 

A pesquisa também identificou os impactos positivos e negativos do diagnóstico da**
aids** entre os participantes do estudo. Desses, 38% afirmaram não ter tido nenhum
ganho e 43,5% disseram ter, depois do diagnóstico, melhor assistência à saúde. Outros
18,6% afirmaram ter maior suporte social.

 

Entre as perdas, a mencionada pelo maior número de pessoas foi a piora das condições
financeiras (36,5%), seguida da aparência física (33,7%) – veja tabela. Entre todos
esses aspectos, o único relacionado diretamente ao **HIV** é a piora na aparência
física. Todas as outras dependem também de questões sociais.

 

sentimento de depressão referido pelos pacientes é bastante associado a boa parte
dos problemas citados acima, bem como ao sentimento de solidão. Na avaliação de 
Célia Landmann, a preocupação e ansiedade relatadas podem estar associadas ao medo
da morte.

 

 

Aspectos socioeconômicos

 

No que se refere às condições socioeconômicas, os resultados do estudo indicam um
nível melhor de educação entre os pacientes de **aids** quando comparados à população
brasileira. Porém, apesar disso, a distribuição de renda é semelhante. Segundo a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-2006), divulgada na época do estudo
com soropositivos, cerca de 67% da população brasileira com 18 anos ou mais, têm
rendimento mensal menor que dois salários mínimos (incluindo todas as fontes de 
renda), proporção semelhante à encontrada entre os pacientes de **aids** (69%).

 

Os resultados mostram também que a proporção de pacientes homens que não trabalham(
55%) é bem maior do que a da população geral masculina (21%, conforme a PNAD-2006).

 

Na avaliação de Paulo Borges, isso é um reflexo da dificuldade que essas pessoas
têm de conseguir emprego e manter-se nele. Elas – conta Borges – costumam ir ao 
serviço de saúde uma vez por mês, para obter os medicamentos e serem consultados
e, na maioria das vezes, perdem muito tempo com isso. “É difícil explicar no trabalho,
sem revelar seu estado sorológico, que será necessário faltar uma vez por mês. Até
mesmo os pacientes que estão no mercado de trabalho relatam essa dificuldade”, diz.

 

Além disso, ainda existe muito preconceito e discriminação em relação ao **HIV**,
pois mais de 20% dos entrevistados perderam o emprego após o diagnóstico.

 

Em relação à situação de trabalho, no total, 58% não trabalham atualmente (55% entre
os homens e 62% entre as mulheres).

Entre os pacientes homens, aposentadoria por doença (31,3%), incapacidade (14,7%)
e recebimento de auxílio doença (24,6%) foram os principais motivos alegados para
não estarem trabalhando.

 

Entre as mulheres, 28% são donas de casa, 15,4% são aposentadas pela doença, 11%
relataram incapacidade para o trabalho e 15,4% recebem auxílio doença.

 

Fatores que impactam a boa avaliação do estado de saúde

 

Os pesquisadores que conduziram o estudo desenvolveram um modelo estatístico para
verificar os principais fatores associados à autoavaliação do estado de saúde como
excelente ou boa.

 

De acordo com a análise, fatores sociais como escolaridade e renda impactam positivamente.
Quem tem ensino fundamental completo ou mais tem 70% mais chance de ter boa avaliação
do que quem tem ensino fundamental incompleto. Quem pertence às classes sociais 
A e B tem duas vezes mais chance de ter boa avaliação que os das classes D ou E.

 

Por outro lado, estar aposentado por motivo de doença, incapacitado para o trabalho
ou recebendo auxílio doença diminui em 55% a chance de ter boa autoavaliação do 
estado de saúde.

 

No que diz respeito à resposta ao tratamento, efeitos colaterais ou reações adversas
e presença de sintomas impactam negativamente a boa autoavaliação. Quem relata ter
tido sintomas da **aids** tem 40% menos chance de ter boa autoavaliação.

 

Ter iniciado o tratamento a partir de 2007 também é um fator negativo para a boa
autoavaliação. Provavelmante, esses pacientes ainda não recuperaram seu sistema 
imunológico devido ao pouco tempo de tratamento e ainda estejam sofrendo com os 
efeitos colaterais do início do tratamento e do diagnóstico recente.

 

Essa última constatação reforça a necessidade da ampliação da testagem anti-**HIV**.
Quanto mais precoce é o diagnóstico, maiores são as chances de os soropositivos 
terem sobrevida mais longa e de maior qualidade.

 

 

 

Fonte: Ministério da Saúde

 

 

Dica de Entrevista

Departamento de **DST**, **Aids** e Hepatites Virais

Assessoria de Imprensa

Tel.: (0XX(61) 3306 7051/ 7033/ 7010/ 7016/ 9221-2546

E-mail: imprensa@**aids**.gov.br

 

 

** **

** **

  |

## **AGÊNCIA AIDS**** **

  |

**Editoria:**

  |

**Pág.**

  |

**Dia / Mês/Ano:**

  |  
 |

** **

  |

** **

  |

**02/DEZEMBRO/09**

  |

## Leia também

 * [Pacientes com aids sofrem mais com problemas sociais e psicológicos](https://soropositivo.org/pacientes-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos/)
 * [Pacientes com AIDS sofrem mais de depressão](https://soropositivo.org/pacientes-com-aids-sofrem-mais-de-depressao/)
 * [Paciente com Aids sofre mais por questões psicológicas do que com ação do HIV](https://soropositivo.org/paciente-com-aids-sofre-mais-por-questoes-psicologicas-do-que-com-acao-do-hiv/)
 * [Preconceito mais forte que o vírus](https://soropositivo.org/preconceito-mais-forte-que-o-virus/)

**Este blog existe há 25 anos.**
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou 
de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo
que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de **R$ 0,25** pelos 25 anos de trabalho:**
Chave Pix:** solidariedade@soropositivo.org_Você também pode me escrever para: claudio@
soropositivo.org_

 * [  Email ](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/?subject=%5BShared%20Post%5D%20Pessoas%20com%20aids%20sofrem%20mais%20com%20problemas%20sociais%20e%20psicol%C3%B3gicos%20do%20que%20com%20a%20a%C3%A7%C3%A3o%20do%20HIV%20no%20organismo%2C%20informa%20Minist%C3%A9rio%20da%20Sa%C3%BAde&body=https%3A%2F%2Fsoropositivo.org%2Fen%2Fpessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude%2F&share=email)
 * [  Print ](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/#print?share=print)
 * [  WhatsApp ](https://soropositivo.org/en/pessoas-com-aids-sofrem-mais-com-problemas-sociais-e-psicologicos-do-que-com-a-acao-do-hiv-no-organismo-informa-ministerio-da-saude/?share=jetpack-whatsapp)

### Like this:

Like Loading…

### _Relacionado_