# Pessoas que receberam células estaminais controlam o HIV

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- Published: 2013-07-20T13:40:27-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

# As células transplantadas podem ter eliminado as células infetadas pelo HIV numa reação enxerto versus hospedeiro

 

### Table Of Content

 * [CONTROLE DO HIV](https://soropositivo.org/pessoas-que-receberam-celulas-estaminais-controlam-o-hiv/#controle-do-hiv)
 * [Referências:Pesquisas sobre HIV](https://soropositivo.org/pessoas-que-receberam-celulas-estaminais-controlam-o-hiv/#referenciaspesquisas-sobre-hiv)
 * [Tradução](https://soropositivo.org/pessoas-que-receberam-celulas-estaminais-controlam-o-hiv/#traducao)
 * [Leia também](https://soropositivo.org/pessoas-que-receberam-celulas-estaminais-controlam-o-hiv/#leia-tambem)
 * [Relacionado](https://soropositivo.org/pessoas-que-receberam-celulas-estaminais-controlam-o-hiv/#relacionado)

 

![hiv](http://atomic-temporary-78498171.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2013/
07/hiv21.jpg "hiv")

## CONTROLE DO HIV

Duas pessoas infectadas pelo **HIV** que receberam transplante de células estaminais
para o tratamento de um linfoma controlam agora a replicação do HIV sem medicação
antirretroviral nas semanas iniciais após a interrupção do tratamento, após a descoberta
de que ambas têm carga viral indetetável do DNA do _HIV_, segundo reportado pelos
investigadores de Boston esta quarta-feira, na [7ª Conferência da International AIDS Society sobre a Patogénese do HIV, Tratamento e Prevenção](http://www.aidsmap.com/ias2013)
em Kuala Lumpur, Malásia.

Apesar dos padrões do tratamento dos dois doentes terem algumas semelhanças ao tratamento
[do “doente de Berlim”](http://www.aidsmap.com/Stem-cell-transplant-has-cured-HIV-infection-in-Berlin-patient-say-doctors/page/1577949/)–
que obteve uma “cura funcional” da infeção pelo HIV após ter sido submetido a tratamento
de quimioterapia agressiva, tratamento imunossupressor e transplante de medula óssea
de um dador com resistência genética ao HIV – os “doentes de Boston” diferem também
em muitos aspetos, o que pode disponibilizar importantes hipóteses sobre como a 
remissão da infeção ativa por HIV pode ser alcançada em pessoas com doença prolongada.

> “Esta não é uma estratégia prática que possamos fazer na maioria das pessoas que
> vive com HIV. O transplante de células estaminais é perigoso.” Dr. Timothy Henrich

As conclusões foram apresentadas por Timothy Henrich, da Brigham and Women’s Hospital,
em Boston, chefe da equipa que acompanhou o estudo intensivo realizado a estes doentes.
Dizem respeito a um pequeno grupo de pessoas que vive com HIV e que foram avaliadas
após os transplantes hematopoieticos de células estaminais para o tratamento de 
linfoma em hospitais de Boston (transferência de células estaminais que substituem
todas as células da corrente sanguínea, provenientes de dadores geneticamente compatíveis).
Três doentes foram inicialmente avaliados, contudo, um morreu devido ao reaparecimento
de linfoma de Hodgkin seis meses após o transplante.

Os doentes que sobreviveram tinham estado sob terapêutica antirretroviral prolongada
e receberam transplante de células estaminais num regime de quimioterapia intensidade
reduzida com o intuito de erradicar o cancro e eliminar a medula óssea existente.
No caso dos dois doentes sob investigação, o regime de tratamento não incluiu radioterapia
e não eliminou a população linfocitária residual. A contrastar, o “doente de Berlim”
fez um tratamento muito mais agressivo que eliminou as células da medula óssea existentes.

Os transplantes também diferiram do transplante do “[doente de Berlim](http://atomic-temporary-78498171.wpcomstaging.com/ias-aids-a-palavra-cura-sai-do-armario.html)”
uma vez que os dadores não eram geneticamente resistentes ao HIV (mutação delta 
32 CCR5), sendo as células suscetíveis à infeção pelo HIV.

A medição do DNA do HIV demonstrou que, cerca de 200 dias depois do transplante,
os níveis do DNA desceram abaixo de 50 log cópias por milhão de PBMC (células mononucleares
sangue periférico) num doente, enquanto no outro doente, o DNA do HIV desceu abaixo
do nível cerca de 280 dias após o transplante. Em ambos os casos, os níveis do DNA
do HIV continuaram a descer após este período. Após o transplante, os dois doentes
têm sido seguidos durante 21 (doente A) e 42 meses (doente B), respetivamente.

Testes mais sensíveis realizados ao DNA do HIV foram aplicados utilizando amostras
de sangue maiores obtidas por leucaferese e biopsia do tecido retal, demonstrando
que o DNA do HIV estava abaixo do limite de deteção em ambos os doentes. O doente
A disponibilizou uma amostra de 25 milhões PBMC e o teste com limite de deteção 
de 0,07 cópias por milhão PBMC falhou na deteção de DNA do HIV. O doente B disponibilizou
uma amostra de 50 milhões de PBMC e o teste com limite de deteção de 0,01 unidades
internacionais por milhão de PBMC da mesma forma falhou na deteção de DNA do vírus.

A co-cultura viral de linfócitos CD4 falhou na deteção de HIV em ambos os doentes.
A biopsia retal no doente B falhou na deteção de DNA do HIV nas células retais, 
que seria de esperar que providenciasse o reservatório de HIV (limite de deteção
de 2 cópias por milhão de células).

Após estabelecer que o DNA do HIV não podia ser detetado, os investigadores tiveram
conversas prolongadas com os doentes e os profissionais de saúde durante um período
de seis meses sobre a aceitabilidade de uma interrupção experimental do tratamento
de forma a testar a carga viral sem a toma da medicação.

Ambos os doentes consentiram após uma revisão do protocolo do estudo feita por um
painel interno. Os doentes estão agora a ser intensamente monitorizados com testes
semanais de carga viral (ARN), dois testes semanais ao DNA do HIV em PBMC e após
seis a oito semanas, os doentes doaram uma grande quantidade de sangue para serem
efetuadas análises mais sensíveis ao DNA do HIV. A leucaferese será repetida a cada
três meses.

Até à data, o doente A tem permanecido sem tratamento sete semanas e o doente B 
há 15 semanas. Nenhum mostrou até ao momento evidência de replicação viral através
do teste de ARN ou qualquer evidência de DNA do HIV nos PBCM. O teste com maior 
quantidade de sangue do doente B realizado à sexta semana teve resultados semelhantes,
falhando na deteção do HIV.

Nenhum dos recetores do transplante mostrou qualquer sinal de resposta imunológica
específica ao HIV.

Timothy Henrich afirmou aos jornalistas que o grupo de investigação acredita que
a redução substancial do reservatório viral é consequência da reação enxerto versus
hospedeiro pós transplante.

“O efeito enxerto versus hospedeiro elimina as células hospedeiras residuais,” afirmou.“
Seis a nove meses após um transplante de intensidade controlada, observamos uma 
mistura entre as células do hospedeiro e do dador, e ao longo do tempo as células
do dador eliminam as células do hospedeiro. Os linfócitos do sangue periférico eliminados
são importantes reservatórios do HIV. O que pensamos estar a acontecer é que há 
uma eliminação não especifica realizada pelas células do dador que reconhecem as
células do hospedeiro como sendo um pouco diferentes.”

Os testes levados a cabo 200 dias após o transplante demonstraram que em ambos os
doentes, as células do hospedeiro tinham sido quase todas substituídas pelas células
do dador derivadas das PBMC; apenas 0,00041-0,00081% das PBMC eram originários do
hospedeiro num doente, e a distribuição foi quase idêntica no outro doente.

As células estaminais do dador parecem proteger “pelo fato de termos mantido os 
doentes sob terapêutica antirretroviral durante e depois do transplante, enquanto
os reservatórios residuais decresciam e as novas células do dador assumiam o controlo”,
afirmou o Dr. Henrich.

Os investigadores são cuidadosos em não descrever as suas conclusões como cura funcional.
O professor Dan Kuritzkes, do Hospital de Brigham and Womenm e da Harvard Medical
School, também membro do grupo de investigação, comentou que os estudos anteriores
sobre interrupções estruturadas do tratamento demonstraram que a maioria dos doentes
tinham voltado aos mesmos níveis virais em duas a quatro semanas, virtualmente todos
eram virémicos pela oitava semana, e quase todos estabilizaram às semanas 12 a 16.“
Em cada estudo um ou dois doentes tinha tendência para demorara mais tempo, por 
isso somos cuidadosos,” afirmou.

Os investigadores não excluem o reaparecimento de replicação viral após um ano, 
sendo por isso importante continuar a monitorização no futuro.

Henrich descartou qualquer sugestão de que uma abordagem no futuro de uma cura funcional
ou esterilizante possa envolver transplante de células estaminais.

 “Esta não é uma estratégia prática que possamos fazer na maioria das pessoas que
vive com HIV. O transplante de células estaminais é perigoso. Há até 20% de mortalidade
associada à transferência de células estaminais no primeiro ano após transplante,”
segundo as declarações do Dr.Henrich aos jornalistas.

O valor acrescido do estudo será o que informa aos investigadores sobre as reduções
de DNA do HIV que pode ser necessário alcançar de forma a controlar o HIV sem tratamento,
segundo concluiu Timothy Henrich.

“Qual o nível de redução do reservatório que precisamos de atingir para um impacto
duradouro? Esperamos que o nosso estudo esclareça esta importante questão.”

### Referências:Pesquisas sobre HIV

Henrich T et al. _In depth investigation of peripheral and gut HIV-1 reservoirs,
HIV-specific cellular immunity, and host microchimerism following allogeneic hematopoetic
stem cell transplantation._ 7th International AIDS Society Conference on HIV Pathogenesis,
Treatment and Prevention, Kuala Lumpur, abstract WeLBA05, 2013. [Consulte o abstract no site da conferência IAS](http://pag.ias2013.org/Abstracts.aspx?SID=75&AID=3165).

### Tradução

[_**GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos HIV/SIDA**_](http://www.gatportugal.org/)

## Leia também

 * [Cura do HIV? Brasileiro Sem HIV – Sem Um Transplante De Células-Tronco](https://soropositivo.org/cura-do-hiv-brasileiro-sem-hiv-sem-um-transplante-de-celulas-tronco/)
 * [Minha dose mensal de remedios para lutar contra o HIV](https://soropositivo.org/minha-dose-mensal-de-remedios-para-lutar-contra-o-hiv/)
 * [#soropositivoorg Estudo em doentes que controlam a infecção pelo VIH sem fármacos aponta o caminho para a vacina](https://soropositivo.org/soropositivoorg-estudo-em-doentes-que-controlam-a-infeccao-pelo-vih-sem-farmacos-aponta-o-caminho-para-a-vacina/)

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