# Porta fechada para doentes

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- Published: 2009-06-19T22:56:43-03:00
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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

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**Ciência & Saúde**

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**16/MARÇO/08**

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Falta de investimentos e profissionais fez com que, ao longo dos anos, serviços 
da rede pública de saúde fossem suspensos e unidades deixassem de funcionar. Quem
sofre é a população

Pâmela Oliveira

Rio – Com diabete, Carlos acorda de madrugada em busca de um médico para tratar 
seu pé. Alex tem fortes dores no ouvido. Os dois pacientes vivem dramas semelhantes:
a peregrinação em busca de socorro médico. Nos últimos anos, o fechamento de unidades
como o Hospital do Iaserj, no Centro, e a Emergência do Hospital Universitário Antônio
Pedro, em Niterói, têm deixado a vida dos que necessitam de saúde pública mais difícil.
A suspensão de serviços como o de neurologia e de transplantes reforçam o drama.
"
Fomos a três hospitais e em nenhum havia médico para me atender. O que fazem com
a gente é um absurdo", lamentou o estudante Alex Figueiredo, 25 anos. Com parte 
do pé amputado há alguns meses, Carlos Alberto de Faria, 48, reclama do fechamento
do Pólo de Pé Diabético no Hospital do Andaraí. "Eu sempre fui muito bem tratado
aqui, mas agora tenho que esperar atendimento com todo mundo porque fecharam o pólo.
Estou aqui há horas porque preciso fazer a revisão", contou Carlos na semana passada,
ainda com curativo no pé. Presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze acompanhou
de perto o fechamento de diversas unidades, como o Instituto de Infectologia São
Sebastião, no Caju. Em péssimas condições estruturais, o instituto, que já foi referência
para doenças contagiosas como meningite, **HIV** e tuberculose, não tem condições
de oferecer tratamento médico. "Essa unidade foi sucateada. Atualmente há cinco 
pacientes internados. Num país como o nosso, em que doenças como tuberculose, febre
amarela e **HIV** ameaçam a vida, esse instituto é vital", afirma, lembrando a dificuldade
dos médicos quando precisam transferir um paciente com doenças infecto-contagiosas
de uma emergência. O médico lamenta o fechamento do Hospital Central do Iaserj. "
O dinheiro que o servidor contribuiu uma vida interia e que deveria ter sido investido
na unidade, foi desviado para outros setores. Isso é um escândalo. E ninguém, além
do servidor que ficou sem atendimento, é punido. Apenas ambulatório de ginecologia
funciona", critica. "O governo, em vez de resolver os problemas, se acomodou com
o fechamento", diz. Presidente do Conselho Distrital de Saúde, Adelson Alípio critica
o fechamento do setor de neurologia do Rocha Faria, em Campo Grande. "Um acidentado
na Zona Oeste não tem o serviço na região. E é preciso lembrar que, em casos graves,
tempo é vida", diz. Presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio, a médica
Márcia Rosa de Araújo lembra que o número limitado de médicos é um dos problemas."
É preciso fazer concurso público e pagar decentemente. Senão, a rede que sofre com
falta de equipamentos perde a cada dia mais profissionais", alerta. "É impossível
para o médico, muitas vezes sozinho, dar conta de uma emergência. Com os casos de
dengue, fica ainda mais grave". NA FILA DE TRANSPLANTE O Rio tem quase 8 mil pacientes
na fila de transplantados, de acordo com o Ministério da Saúde. Há 3.541 aguardando
só por doação de rins. O Hospital dos Servidores do Estado, que já realizou transplantes
de rins e córneas, parou de fazer os procedimentos há anos. "Começou a faltar tudo
e fomos obrigados a parar as operações", diz um médico, que pediu para não ser identificado.
Há quatro anos na fila por um transplante de rins, o aposentado Ivan Anselmo Campos,
53 anos, sofre com as três sessões semanais de hemodiálise enquanto não consegue
ser operado. "É tudo muito precário, falta eficiência nos atendimentos, e não há
material e equipamentos. Os exames de quem aguarda por um transplante têm que estar
sempre em dia, mas só para ser atendido em uma consulta demora-se quase um mês. 
Depois, vem a espera pelo resultado. E se nesse meio tempo surge um doador, perde-
se a vez porque não temos os exames atualizados. Até hoje não fui chamado para checar
a possibilidade de operar", diz. Presidente da Associação de Renais Crônicos e Transplantados,
Gilson Nascimento lembra que muitas vezes o problema não termina com o transplante
devido à dificuldade de se conseguir a medicação contra rejeição. Outras cerca de
3.200 pessoas aguardam por um transplante de córnea. O único banco de olhos do estado,
no entanto, está fechado por falta de documentação. Burocracia e falta de verbas
entre as justificativas Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde,
o Hospital do Servidores realiza, quando surge uma demanda interna, transplantes
renais inter-vivos. E aguarda a autorização do Rio-Transplante para fazer cirurgias
de córneas. Já o Hospital de Ipanema informa que seis salas do centro cirúrgico 
estão funcionando, enquanto outras são preparadas para obras. Paralelamente, a unidade
colocou em funcionamento duas salas cirúrgicas para procedimentos ambulatoriais.
Em relação ao Hospital do Andaraí, a informação do ministério é de que o antigo 
Centro de Hemorragia Digestiva perdeu a sua razão de existir, em decorrência da 
evolução dos tratamentos de úlceras gástricas. E o Pólo de Pé Diabético, criado 
quando a unidade ainda era municipalizada também perdeu a razão de existir, uma 
vez que tratava-se de pólo preventivo com perfil ambulatorial na rede municipalis.
O Hospital do Fundão tem problemas de desabastecimento devido à falta de verbas.
Mas pretende voltar a realizar transplantes. Já o Pedro Ernesto alega que a Clínica
da Dor está funcionando em outra sala, mas não garante o atendimento de primeira
vez. O setor neonatal funciona com parte da capacidade.

## Leia também

 * [Igreja veta a camisinha](https://soropositivo.org/igreja-veta-a-camisinha/)
 * [Dia contra Aids não distribuirá preservativo no Cristo ](https://soropositivo.org/dia-contra-aids-nao-distribuira-preservativo-no-cristo/)
 * [Vacina contra o HIV ainda está longe](https://soropositivo.org/vacina-contra-o-hiv-ainda-esta-longe/)

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