# Portadores do vírus da Aids demoram para buscar tratamento no Brasil

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- Published: 2009-06-19T22:55:18-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

, Table Of Content O Estado de S. Paulo Leia também Relacionado O Estado de S. Paulo Editoria: P&aacute;g. Dia / M&ecirc;s/Ano: Vida&amp; &nbsp; 15/FEVEREIRO/08 &nbsp; Relat&oacute;rio diz que 44% detectam o HIV ap&oacute;s j&aacute; estar com sintomas da doen&ccedil;a; desses, 29% morrem no ano seguinte L&iacute;gia Formenti, BRAS&Iacute;LIA Apesar do acesso universal a exames e rem&eacute;dios, 43,7% dos pacientes com Aids no Brasil descobrem ser portadores da doen&ccedil;a e iniciam o tratamento quando a sa&uacute;de j&aacute; est&aacute; bastante debilitada. A demora para o in&iacute;cio da terapia se reflete nas estat&iacute;sticas de mortalidade: 28,7% deles morreram no primeiro ano depois da confirma&ccedil;&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; um &iacute;ndice inaceit&aacute;vel&rdquo;, disse a coordenadora do Programa Nacional de DST&#8211;Aids, Mariangela Sim&atilde;o, acrescentando que a porcentagem de detec&ccedil;&atilde;o tardia &ldquo;merece uma reflex&atilde;o da estrat&eacute;gia usada para diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a&rdquo;. Relat&oacute;rio brasileiro enviado &agrave; Assembl&eacute;ia-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em HIV/Aids mostra que o risco de morte do paciente com in&iacute;cio tardio de tratamento &eacute; 22 vezes maior do que das pessoas que come&ccedil;am a terapia no tempo oportuno. Dos pacientes que come&ccedil;aram o tratamento e morreram entre 2003 e 2006, a absoluta maioria (94%) era de pacientes tardios &#8211; que j&aacute; apresentam defici&ecirc;ncias severas e sintoma da doen&ccedil;a. Para Mariangela Sim&atilde;o, uma das formas de melhorar o acesso aos exames &eacute; a amplia&ccedil;&atilde;o da oferta de testes r&aacute;pidos para detectar a Aids. Ela lembra que, embora a oferta do teste tenha aumentado 140% de 2005 para c&aacute;, h&aacute; ainda muita resist&ecirc;ncia nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos para o uso desses kits. Mariangela admite que, no primeiro est&aacute;gio, parte dos testes perdeu validade nos estoques, sem ser usada. A perda, afirma, foi um misto de resist&ecirc;ncia dos profissionais com o prazo de validade relativamente baixo de tais kits (de 9 a 15 meses) e uma doa&ccedil;&atilde;o acima da capacidade de uso do Pa&iacute;s, feita em 2005. &ldquo;Hoje n&atilde;o perdemos mais testes&rdquo;, garantiu. Mariangela defende, por&eacute;m, que os testes r&aacute;pidos devem ficar restritos aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. &ldquo;&Eacute; preciso colher o sangue do paciente e para isso &eacute; preciso um profissional habilitado&rdquo;, disse. Ela admite que, no futuro, se os testes de HIV que analisam a saliva dos pacientes forem aprovados, tal estrat&eacute;gia poder&aacute; ser reavaliada. &ldquo;Precisaremos avaliar se o sistema &eacute; &uacute;til em termos de sa&uacute;de p&uacute;blica.&rdquo; O pesquisador da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e um dos colaboradores do documento brasileiro, Alexandre Grangeiro, disse que &ldquo;&eacute; chegado o momento de se pensar em estrat&eacute;gias mais agressivas para oferta dos exames de detec&ccedil;&atilde;o do HIV&rdquo;. Para ele, &eacute; preciso n&atilde;o s&oacute; intensificar campanhas que mostram a import&acirc;ncia sobre o diagn&oacute;stico como tamb&eacute;m ampliar a oferta dos postos de testagem gratuita. Ele defende, por exemplo, a realiza&ccedil;&atilde;o de exames em Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais de preven&ccedil;&atilde;o de Aids. &ldquo;Uma a&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; que foi realizada com oferta de preservativos.&rdquo; Um tema pol&ecirc;mico, pois muitas pessoas avaliam que o resultado do exame deveria ser dado s&oacute; por profissional capaz de fazer a orienta&ccedil;&atilde;o adequada. &ldquo;Tal recomenda&ccedil;&atilde;o era v&aacute;lida no in&iacute;cio da epidemia.&rdquo; Mas hoje, argumenta, a Aids n&atilde;o &eacute; considerada senten&ccedil;a de morte. REGI&Otilde;ES Os &iacute;ndices brasileiros de tratamento tardio n&atilde;o diferem muito de pa&iacute;ses desenvolvidos. &ldquo;Isso n&atilde;o significa que devamos ficar inertes. Temos muito a melhorar&rdquo;, afirmou Mariangela. O risco do in&iacute;cio do tratamento tardio varia de acordo com a idade, sexo e regi&atilde;o do paciente. Mulheres e jovens com idade entre 15 a 19 anos t&ecirc;m menor risco de come&ccedil;ar o tratamento depois do que seria considerado adequado. Na regi&atilde;o Norte, a maioria dos pacientes (53,3%) inicia a terapia depois do prazo ideal. A regi&atilde;o Sul &eacute; a que tem melhor desempenho no Pa&iacute;s: 59,2% come&ccedil;am o tratamento no tempo oportuno. Al&eacute;m do maior risco de morte, o diagn&oacute;stico tardio traz outros problemas. Sem saber se &eacute; portador do HIV, o paciente mant&eacute;m a quantidade de v&iacute;rus no organismo mais alta, o que, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, pode aumentar o risco de contamina&ccedil;&atilde;o do parceiro. Leia também Morrer de AIDS ou de Medo? , O Jornal O Estado de S&atilde;o Paulo, em reportagem de País critica ações baseadas em abstinência Este blog existe há 25 anos.Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:Chave Pix: solidariedade@soropositivo.orgVocê também pode me escrever para: claudio@soropositivo.org Relacionado
