# PrEP e Preconceito – O PrEP não é uma bala de prata.

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- Published: 2014-12-22T16:12:09-02:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**AVISO IMPORTANTE**

Este texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir
da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento
devem ser tomadas em conjunto com profissionais de saúde.

**HÁ VIDA COM HIV**

Este blog está online há 26 anos, 2 meses e 12 dias.

**Por Benjamin Ryan**

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Bala de Prata?

** **

As escolhas pessoais e a saúde pública podem achar um denominador comum na profilaxia
pré-exposição?

“O PrEP não é uma bala de prata.”

Se você falar com uma longa lista de pesquisadores e defensores do HIV sobre a controversa
pílula de prevenção ao HIV Truvada, você vai ouvir um punhado deles, espontaneamente,
proferir literalmente esta frase.

>  Fornecer o medicamento para pessoas HIV-negativo não se destina como uma panacéia
> que irá deixar de lado todos os outros métodos de prevenção, um especialista ressalta.
> E somente o tempo dirá se a profilaxia pré-exposição (PrEP, em inglês) irá realmente
> ajudar a inibir a epidemia de HIV nos EUA, particularmente entre os homens gays.

Obter sucesso em nível de saúde pública depende se o Truvada termina nos armários
de remédio de uma massa crítica de pessoas com alto risco de contrair o HIV, e se
eles terminam aderindo bem ao regime diário.

já se passaram mais de dois anos desde que o Truvada, um comprimido que incluem 
os antiretrovirais tenofovir e emtricitabina, comum no tratamento do HIV foi aprovado
para uso como preventivo ao vírus. Rios de tinta têm sido derramados nos últimos
12 meses sobre a aparente captação morna do PrEP. Mas evidências recentes sugerem
que o PrEP está finalmente começando a se tornar popular entre os homens gays e 
que uma revolução florescente pode estar sobre nós.

 

O que já é abundantemente claro é que fornecer medicamentos a pessoas HIV-negativo
com um medicamento que pode ter tanto quanto 100 por cento de eficácia em prevenir
o HIV pode ser uma transformação poderosa em nível individual. Das dúzias (quase
todas elas homens gays) que dividiram suas estórias para este artigo sob estar tomando
PrEP, muitos descreveram um renascimento pessoal e sexual que causou uma alteração
na vida como, pela primeira vez, eles descobriram o que é fazer sexo sem medo.

 

> “O PrEP fez eu me sentir bem sobre ser gay”, diz Evan (um dos quais preferiu usar
> apenas seu primeiro nome), um profissional do sexo em tempo integral de 22 anos
> que mora em Washington, D.C. “Crescer sendo gay ainda é muito difícil. A primeira
> coisa que aprendemos sobre nossa sexualidade é que algumas pessoas não gostarão
> de nós, e que nós provavelmente contrairemos HIV. Tomar o PrEP me permitiu entrar
> na minha sexualidade e me sentir poderoso.”

 

O PrEP, ele acrescenta, “levou-me a aceitar todos os homens gays como amigos em 
potencial, parceiros sexuais ou parceiros de vida independente de seu status do 
HIV.”

 

Quentin Ergane, 38, que trabalha como fornecedor de cuidados em uma casa para adultos
com doenças mentais em Seattle, talvez seja o candidato perfeito ao PrEP. Apesar
de estar muito familiarizado com as taxas alarmantemente altas do HIV entre seus
amigos homens Afro-Americanos que fazem sexo com outros homens (MSM, em inglês);
apesar de ter visto seu pai, seu primo favorito e seu melhor amigo todos morrerem
de causas relacionadas à AIDS; apesar de um medo paralisante de se tornar HIV-positivo;
e apesar de saber que preservativos poderiam ajudar a protegê-lo, ele os usa apenas
indiscriminadamente desde que sua parceria doméstica terminou em 2009.

 

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“Sair de um período de 10 anos sem usar preservativos e agora que você está solteiro
ter que voltar a usá-los, eu simplesmente não tinha a sensação de que eu estava 
me aproximando de ninguém”, Ergane diz, acrescentando que a diminuição do prazer
durante o sexo é outro fator, se menos importante, que contribui para seu desprezo
pelo látex o que é um refrão comum entre homens gays.

 

> “Nem sempre me ocorre no calor do momento colocar um preservativo”, ele diz. “
> E também, esta atitude é muito antinatural. As pessoas realmente interrompem sua
> intimidade, sua conexão, sua paixão, seu tudo, e então colocam um preservativo
> e esperam que as coisas voltem ao mesmo nível?”

 

Após iniciar com o PrEP no início deste ano, “eu finalmente me senti livre”, ele
diz. “Pela primeira vez desde que eu era garoto, eu sei que minha sexualidade não
será a causa da minha morte.”

 

***

 

Quando homens gays descrevem não usar preservativos apesar das intenções para fazê-
lo, eles geralmente irão usar uma linguagem sugerindo que foi um acidente amplamente
fora de seu controle: “Foi um deslize.” Alguns podem até mesmo descrever como um
estado mental extra-corporal: “Eu percebi que minha compatibilidade com o uso de
preservativos tinha mudado.”

 

Os críticos podem argumentar que isto se eleva a um truque de prestidigitador pátrio
para desviar a culpa justificável por falhar em desenvolver um processo racional.
Entretanto, como John Guigayoma, um rapaz de 28 anos de São Francisco, pode atestar,
o sexo tem uma capacidade poderosa de passar por cima de tal raciocínio. Como Ergane,
Guigayoma descobriu que seu comportamento sexual estava indo contra as práticas 
de prevenção ao HIV que ele estava ensinando – e a qual, no caso dele, ele também
estava ensinando aos outros. Apesar de trabalhar em um provedor de educação em saúde,
ele usava preservativos esporadicamente conforme ele lutava com a vergonha e a culpa
de levar uma vida sexual que estava tornando-o incrivelmente infeliz, confuso e 
perdido.

 

“Eu sentia que eu não podia confiar em mim mesmo e que havia algo de errado comigo”,
Guigayoma diz. “Aquilo só acrescentou a toda minha própria vergonha: eu não estou
fazendo o que eu deveria estar fazendo.”

 

Sarit Golub, médico, PhD, um psicólogo no Hunter College na cidade de Nova York 
que está estudando o uso de Truvada por homens gays, diz que o maior benefício do
PrEP é que ele “separa o ato da prevenção ao HIV do ato do encontro em potencial”,
permitindo à mente racional de comandar o show.

 

“Eu não posso confiar em mim mesmo para usar o preservativo”, Ergane diz, “mas eu
posso confiar em mim mesmo para tomar este comprimido todos os dias.”

 

⌊male prostitution⌉⌊male prostitution⌉“O PrEP me ajudou a assumir o controle,” diz
Guigayoma, que iniciou com o Truvada há um ano. Reduzindo seu risco de HIV com medicamentos
deu a ele a chance de fazer um balanço de sua vida e tomar conta melhor de si mesmo
holisticamente. Parte deste processo foi se perdoar por preferir sexo sem látex.“
Talvez não haja nada de errado comigo,” ele explicou. “Talvez esta seja somente 
a maneira que eu quero viver minha vida sexual.”Tal vida sexual inclui um risco 
maior de infecções sexualmente transmissíveis quando comparadas àqueles que são 
fiéis ao preservativo. Os ativistas do PrEP acreditam que aqueles tomando Truvada
seguindo os conselhos do Centro de Controle de Doenças (CDC) e fazendo os testes
para STI no mínimo duas vezes ao ano levará a diagnósticos precoces e que o tratamento
subseqüente irá contrabalançar a ausência do látex. Entretanto, tais atitudes realistas
em relação ao preservativo estão causando profundas preocupações e até mesmo fúria
entre alguns na comunidade gay.

 

“Não é surpresa que as pessoas achem que eu sou irresponsável,” diz Guigayoma. “
Mas é mais responsável reconhecer a realidade de nossa vida sexual e oferecer às
pessoas opções com que elas possam trabalhar do que ditar uma tática de pré-venção
em particular.”

 

 

 

Aprovado para tratar o HIV desde 2004, o Truvada tem um longo histórico de acompanhamento
apoiando a noção que é geralmente seguro e bem tolerado, e que os médicos podem 
monitorar facilmente qualquer desenvolvimento de disfunções renais ou redução na
densidade óssea – os dois maiores efeitos colaterais de uso em longo prazo. A questão
de resistência ao medicamento pode ser incerta, entretanto.

 

Pesquisa do estudo iPrEx mostrou que ninguém que contraiu o HIV durante o estudo
desenvolveu resistência ao medicamento. Mas a maioria dos participantes foi testada
para HIV mensalmente, visto que qualquer um que mantiver os requerimentos mínimos
do CDC para o PrEP irá receber somente testes de HIV trimestrais – dando ao vírus
mais tempo de mutar-se.

 

Outra preocupação é que o PrEP pode levar os homens gays a aumentar sua assunção
de riscos sexuais, um fenômeno conhecido como compensação de risco. O argumento 
é geralmente enquadrado como um ou/ou entre Truvada e preservativos – tome a pílula,
largue o látex – embora na realidade sobreposição no uso pareça comum. Tais pensamentos
rígidos e dualistas se encaixam com a fala popular que “os preservativos falharam”
com os homens gays – uma reivindicação derrotista que falha em reconhecer que sem
o látex as taxas de HIV provavelmente seriam catastroficamente piores.

 

Outros elementos tipicamente negligenciados neste debate são as muitas praticas 
comportamentais que os homens gays também usam para reduzir o risco de HIV, e os
quais podem se fatorar em compensações de risco, tais como: “seroposicionamento”,
na qual o parceiro soropositivo fica na posição passiva ou por baixo; “serotriagem”,
na qual os homens tentam fazer sexo com parceiros do mesmo serostatus; favorecendo
o sexo oral em detrimento do sexo anal; ou fazendo o parceiro que está por cima (
parceiro ativo) retirar o membro antes da ejaculação.

 

Nenhum dos estudos PrEP mostraram qualquer evidência de compensação de risco. Na
verdade, tanto na fase placebo e na extensão aberta do iPrEx, os voluntários, todos
os quais receberam aconselhamento de redução de risco, tenderam a ter um comportamento
menos arriscado. Mas conforme o mundo gay começa a descobrir a PrEP, uma história
diferente pode começar a emergir.

 

Em uma entrevista no inverno, Robert M. Grant, pesquisador-chefe, médico e Mestre
em Saúde Pública, professor universitário na Universidade da Califórnia, São Francisco,
foi firme ao dizer que o Truvada não leva a compensação de risco. Mas quando o verão
chegou ele reconheceu que ele estava começando a ouvir anedotas sobre o contrário.

 

Os que estavam procurando por tal história não precisaram ir muito longe para encontrar
o rapaz do pôster não-oficial do PrEP: Damon Jacobs, um terapeuta de Manhattan que
ganhou o título ao recontar suas experiências com o Truvada em dezenas de canais
da mídia. Descontrolado em seu entusiasmo por esta forma de prevenção ao HIV, ele
não tem tido remorso sobre ter mudado do uso inconsistente do preservativo para 
uma existência quase completamente livre do látex desde que começou o PrEP.

 

Isto não provou a escassez de pessoas dividindo suas próprias experiências com o
PrEP para este artigo que relataram se engajar em graus variantes e vários tipos
de compensação de risco. Alguns tomaram Truvada com o claro propósito de abrir os
preservativos. Quentin Ergane, por exemplo, agora está apreciando ficar por baixo
com mais freqüência durante o sexo. Entretanto, ambos estão tendo menos parceiros
sexuais ultimamente.

 

O tempo dirá quão comum a compensação de risco virá a ser. Uma questão crucial é
se aqueles que assumiram riscos maiores também tomarão seus remédios. Uma combinação
de compensação de riscos muito difundida e aderência irregular ao PrEP poderiam 
empurrar as taxas de HIV na direção errada. E se a compensação de risco entre pessoas
tomando Truvada influenciar comportamentos similares em outros, as taxas de HIV 
poderiam aumentar entre os não-usuários do PrEP.

 

***

 

“O PrEP funciona se você tomar”, de acordo com o pesquisador Robert Grant.

 

> De fato, ninguém no estudo iPrEx ou em sua fase aberta contraiu o HIV enquanto
> tomavam Truvada quatro ou mais dias na semana. Mas mesmo se o Truvada oferecer
> um tipo de proteção “a prova de balas”, **nós ainda não sabemos se ele reduzirá
> os 50, 000 novos casos de HIV que teimam em consistir nos Estados Unidos a cada
> ano**.

 

A chave para fazer o sucesso do PrEP se espalhar sob medida, de acordo com Anthony
Fauci, médico, diretor do Instituto Nacional de Doenças infecciosas e Alérgicas,
é que o campo da saúde pública pare de “enganar-se dizendo que _o HIV é um ‘empregador
que oferece oportunidades iguais’”._

 

**Aproximadamente dois terços dos casos de HIV nos Estados Unidos** são transmitidos
através do sexo gay. Na verdade, o grupo de homens que fazem sexo com outros homens(
MSM, em inglês) corresponde à única categoria de risco que recentemente não alterou
o cenário: enquanto os heterossexuais e os usuários de drogas injetáveis têm visto
as taxas caírem nos últimos anos, as taxas entre homens gays e bissexuais só aumentaram,
especialmente entre os jovens.

 

![Tratamento precoce do HIV não o elimina do corpo](https://soropositivo.org/wp-
content/uploads/2014/07/comp_37476682.jpg)

O mundo esta, paulatinamente, sendo infectado com a AIDS. Sem meias palavras, a 
AIDS é uma ameaça à solução de continuidade da espécie humana no planeta

 

Isto não quer dizer que todos os homens gays deveriam começar a tomar uma pílula
azul todos os dias. Há ainda um grande espectro de risco dentro da comunidade. Levar
em consideração a estimativa que talvez menos que 2,5 por cento dos encontros sexuais
entre homens envolva um parceiro ejacular dentro do reto do outro – o ato é de longe
o mais provável de transmitir o vírus.

 

Indiscutivelmente a maneira mais eficaz de aumentar o poder do PrEP é mirar em homens
HIV-negativo que não estão usando preservativos de maneira consistente, e especialmente
àqueles que ficam por baixo quando o parceiro ejacula dentro deles. (Esta prioridade
demográfica iria excluir homens em uma relação monógama ou com outro homem HIV-negativo
ou com um homem HIV-positivo que tenha o vírus suprimido e esteja em cuidados regulares
com o HIV.)

 

“Meu foco não é ajudar os bem preocupados conseguir acesso ao PrEP”, diz Jim Pickett,
diretor de defesa da prevenção na Fundação AIDS de Chicago.

 

Com tal prioridade em mente, os resultados de Julho da fase aberta do iPrEx são 
encorajadores: aqueles em risco maior de contrair o vírus estavam ambos mais propensos
a seguir a PrEP e estavam mais propensos a aderir. Entretanto, a aderência geral
foi dramaticamente menor entre os participantes mais jovens.

 

Esperançosamente, os benefícios da PrEP se estenderão aos indivíduos tomando Truvada.
De acordo com Demetre Daskalakis, médico, Mestre em Saúde Pública, novo comissário
de assistência a saúde do Centro de Prevenção e Controle da AIDS no Escritório da
Cidade de Nova York, “o PrEP, se dado à população correta em risco, não é realmente
só prevenção ao HIV, mas especificamente é prevenção ao HIV agudo.”

 

De fato, durante as primeiras seis a doze semanas de infecção – um período conhecido
como fase aguda – as cargas virais disparam, o que torna muito mais fácil a transmissão
do HIV. Durante esta fase, uma pessoa pode sentir-se perfeitamente bem e continuar
a engajar-se no tipo de sexo de alto risco que o expôs ao vírus em primeiro lugar,
assim ajudando o vírus abrir caminho através de sua “rede de contatos sexuais”. 
Então, em última análise, o PrEP pode operar como um cortador do fio que quebra 
a corrente.

 

***

 

Quanto a levar o PrEP a uma massa critica, muito tem sido feito da estimativa do
fabricante do Truvada, Gilead Sciences, que somente por volta de 2,300 pessoas estão
tomando o PrEP. Mas este dado têm muitas limitações que são geralmente negligenciadas:
ele reflete somente dados de Setembro de 2013; ele foi abatido de somente 55 por
cento das farmácias norte-americanas; e ele exclui os milhares que estão tomando
PrEP através de estudos.

 

Numerosos fornecedores de cuidados de saúde que foram contatados para este artigo
relataram que, desde que o burburinho da mídia começou em 2013, eles têm visto uma
oscilação de 2, 5 ou até 20 vezes maior nas prescrições.

![TruvadaAbstr](https://soropositivo.org/wp-content/uploads/2014/12/truvadaabstr.
jpg)

“Nós temos tido um tremendo aumento no interesse”, diz C. Bradley Hare, médico, 
diretor de serviços em prevenção e cuidados com HIV no Centro Médico Kaiser Permanente
em São Francisco, onde 250 pacientes estão no PrEP, comparado há 40 anos. “Tem crescido
e se mantido no último ano.”

 

Porque candidatos ao PrEP escolheriam não tomá-lo? Para começar, há a possibilidade
de barreiras com o seguro (embora no PrEP sejam geralmente cobertas), preocupações
com efeitos colaterais (fundadas ou infundadas), uma falta de vontade de tomar um
remédio todos os dias, e medo de ser estigmatizado como uma pessoa promíscua que
faz sexo sem proteção. Mas o maior bloqueio para os homens gays poderia ser sua 
própria falta de informação que o PrEP poderia beneficiá-los pessoalmente.

 

Daskalakis publicou recentemente um estudo com homens gays em pontos de encontro
na Cidade de Nova York, que descobriu que, dos 80 por cento que eram candidatos 
potenciais ao Truvada, mais de três quartos não achavam que eles corriam risco suficientes
para usar o PrEP.

 

Mas talvez o caso mais forte para o PrEP não seja necessariamente feito do contexto
de encontros anônimos. Pesquisas criticamente negligenciadas sugerem que os gays
estão muitos mais propensos a usar preservativo em um encontro casual e que entre
um terço e somente acima de dois terços de transmissões entre homens ocorrem com
seus parceiros primários. Em outras palavras: um monte de caras estão contraindo
HIV de namorados, não de encontros sexuais.

 

A janela de transmissão parece ser aberta geralmente quando há a necessidade de 
mostrar confiança e experimentar a intimidade em um relacionamento novo deixa o 
preservativo de lado – antes de os homens terem sido testados para HIV e discutido
a monogamia.

 

***

 

Infelizmente, um estudo ainda não publicado liderado pelo professor de psicologia
e saúde pública da Universidade de Nova York, Perry Halkitis, PhD, Mestre em Saúde
Pública, descobriu que jovens MSM em relacionamentos românticos estavam menos propensos
a ver o uso em tomar PrEP apesar de não usarem preservativos.

 

Do outro lado da moeda estão descobertas recentes de um estudo publicado recentemente
de co-autoria entre Kristi Gamarel, PhD na Universidade de Brown e Sarit Golub da
Faculdade Hunter que estudaram homens MSM adultos na Cidade de Nova York – um conjunto
de homens mais velhos, com idade me´dia de 32 anos – que estavm em relacionamentos
estáveis nos quais os dois eram HIV negativo. Quando os homens citaram a intimidade
como a razão pela qual eles tinham relações sexuais sem preservativo com seus parceiros,
a probabilidade que eles expressassem interesse no PrEP subiu para 55 por cento.
Aqueles que relataram que tiveram relações sexuais sem preservativo com outra pessoa
que não seu parceiro também foram mais propensos a dizer que eles usariam PrEP.

 

Bem como deve ser levado em consideração de que o HIV atinge negros MSM de maneira
mais desproporcional: Eles compõem por volta de um quinto de todas as infecções 
anuais nos Estados Unidos. Jovens negros MSM estão em risco particularmente mais
alto. Um alarmante 12 por cento de jovens negros MSM em Atlanta contraem o vírus
a cada ano.

 

A chave para engajar esta população demográfica, diz Phil Wilson, fundador e CEO
do Instituto da AIDS em Negros, é usar esforços dirigidos por iguais.

 

“Alguém aparece com um tênis ou uma música de rap ou uma camiseta e fica popular
no Bronx”, diz Wilson. “Quatro dias depois está nos cartazes em Watts e Compton.
Então há mecanismos em voga que são usados todo santo dia para atingir os jovens
negros.”

 

Infelizmente, tentar obter Truvada geralmente significar batalhar com médicos de
cuidados primários que se recusam a prescrever uma receita com a qual eles não estejam
familiarizados, com a qual eles acreditam que levará a compensação de risco, e a
qual eles erroneamente consideram altamente complexa para monitorar a segurança.

 

Parte do problema se origina da decisão da Gilead em não anunciar o Truvada como
PrEP. Ao invés disso, a companhia faz doações modestas a grupos de comunidade, universidades
e agências de saúde pública as quais pegam alguma folga ao educar o público e os
médicos. Isto permanece como um forte contraste a divulgação do controle de natalidade
nos anos 60, quando a G.D. Searle & Company enviou um exército de “homens minuciosos”
as clínicas dos médicos para promover o anticoncepcional Enovid.

 

“Em alguns casos, pelo fato do sexo gay ser tão estigmatizado, ele está levando 
os médicos a fazer julgamentos inapropriados”, diz José Zuniga, PhD, Mestre em Saúde
Pública, e presidente da Associação Internacional dos Fornecedores de Cuidados em
AIDS.

 

Até recentemente, a clínica da Kaiser Permanente em São Diego pedia que aqueles 
procurando PrEP assinassem um formulário que avisava, “A qualquer momento, o Fornecedor
pode considerar interromper o PrEP se houver evidências contínuas de sexo arriscado
ou der positivo para DST´s.” Não importa que tanto fazer sexo sem preservativo como
contrair doenças sexualmente transmissíveis estejam na lista do que torna alguém
um candidato ao PrEP em primeiro lugar.

 

Lisa, uma mulher de 34 anos vivendo em uma grande cidade da Costa Leste que está
querendo engravidar de seu namorado HIV-positivo, perguntou primeiro a sua ginecologista
sobre o PrEP.

 

“Assim que disse a ela que meu parceiro era soropositivo, o olhar que aquela mulher
me deu foi de tamanho nojo,” Lisa se lembra. “Ela falou comigo como se eu fosse 
uma pessoa irresponsável e a escória da Terra.”

 

Como é aparentemente altamente comum, a médica de Lisa disse que ela consultasse
um médico de doenças infecciosas, que então disse a ela que ele não procurasse pessoas
HIV-negativo e que ela fosse procurar seu primeiro médico, sujeitando ela a meses
de idas e vindas conforme ela procurava um médico que simpatizasse com o PrEP. “
Era tão humilhante,” Lisa disse.

 

Daskalakis, por sua vez, teme que experiências como a de Lisa signifiquem que os
médicos especialistas irão tornar-se o grande grupo que receitam Truvada e que os
médicos comuns não irão fazer testes para selecionar candidatos em potencial ao 
PrEP.

 

***

 

 

 

 

 

 

Dados de eficácia promissora à parte, descobertas preocupantes emergiram na fase
aberta do iPrEx: os participantes tomaram quatro ou mais pílulas por semana apenas
33 por cento do tempo e aderiram diariamente 12 por cento do tempo. Felizmente, 
parece que os MSM tomando Truvada podem perder até TRE doses por semana e provavelmente
permanecerem completamente protegidos. Estima-se que até mesmo tomando a pílula 
somente duas vezes na semana reduz o risco de HIV em 76 por cento.

 

Nesta perspectiva, há esperança que as primeiras descobertas de um estudo contínuo
de uso do PrEP no mundo real entre os MSM e as mulheres trans em São Francisco, 
Washington, DC, e Miami. Um mês dentro do estudo, os participantes estavam aderindo
quatro ou mais vezes por semana em taxas de 92 por cento, 90 por cento, e 73 por
cento, nas respectivas cidades. A aderência diária, entretanto, foi somente um respectivo
66 por cento, 45 por cento e 19 por cento. E se este estudo seguir as tendências
da fase aberta do iPrEx , as taxas de aderência podem cair com o passar do tempo.

 

Michael Weinstein, presidente da AIDS Healthcare Foundation (AHF), conselheiro da
mídia em citações de oposição ao PrEP, insiste, “Não há prova na literatura científica
que o PrEP seja uma abordagem bem-sucedida na saúde pública.” Ele aponta para o 
fato de que a baixa aderência tenha puxado para baixo a eficácia em nível populacional,
e então ele demonstra os dados médios de redução de risco como falhas. A campanha
de mídia de “Fatos do PrEp” se opõe ao PrEP como uma intervenção na saúde pública
por estas razões.

 

Mas outra maneira de olhar para uma eficácia mediana de 44 por cento é dizer que
se você der o PrEP a um número bom de homens gays de alto risco, as taxas de HIV
diminuirão.

 

Estes dados também estão próximos da redução de aproximadamente 60 por cento no 
risco da transmissão de mulher para homem que a circuncisão masculina confere. Pesquisas
estão começando a mostrar que a campanha massiva em circuncidar homens Africanos
está não somente ligada a reduzir o HIV entre homens circuncidados, mas também entre
as mulheres. O que nos leva de volta ao ponto de Daskalakis que o PrEP pode prevenir
as pessoas de maneira eficaz de transmitir o HIV às outras, ao manter pessoas que
estão fazendo sexo de alto risco de contrair o HIV em primeiro lugar.

 

O argumento derradeiro de Weinstein é que a abordagem de prevenção dominante deveria
focar em promover o uso de preservativos juntamente com o tratamento e diagnóstico
de pessoas HIV-positivo, e que o PrEP deveria ser reservado para “casos especiais.”

 

De fato, pesquisas recentes sugerem que ter uma carga viral indetectável torna praticamente
impossível para pessoas soropositivas transmitir o HIV. Mas a baixa aderência aos
antiretrovirais também puxa para baixo a eficácia do nível populacional de “tratamento
como prevenção” (TasP, em inglês): Um estimado 75 por cento dos Americanos tratados
para o HIV tem na verdade um vírus totalmente supresso.

 

Outra maneira de olhar para isto é que somente 40 por cento de todos os Americanos
diagnosticados com HIV estão em tratamento e apenas 30 por cento são viralmente 
supressos. Reconhecido, dar medicamentos para indivíduos com HIV é uma maneira muito
mais objetivada de conter as transmissões do que dar Truvada a pessoas HIV-negativo
na esperança de impedir qualquer HIV que eles possam encontrar. Mas todas estas 
coisas consideradas, o PrEP ainda está sendo mantido em um padrão muito mais alto:
a aderência é sempre fatorada no debate sobre seu merecimento enquanto aquele elemento
é amplamente ignorado quando se discute o TasP. Além do mais, somente uma minoria
dos MSM aparentemente adere consistentemente ao preservativo.

 

“Não há uma única pessoa que eu conheça que acha que o PrEP é perfeito ou que a 
aderência é uma questão critica,” diz Mitchell Warren, diretor-executivo do grupo
de apoio de prevenção global ao HIV (AVAC, em inglês), que acrescentou que a aderência
é critica para todas as formas de redução de risco do HIV.

 

“Se houvesse uma intervenção perfeita, nós a preferiríamos,” ele diz. “Mas em 2014
a melhor abordagem é um _patchwork _de abordagens boas, mas não perfeitas. Por que
nós iríamos querer desistir de qualquer uma delas não faz sentido para mim.”

 

**Pelos números**

Entendendo a eficácia do PrEP

 

**44 por cento**

No experimento iPrEX com MSM e mulheres transgêneras que foram os primeiros a provar
a eficácia do PrEP em 2010, ao grupo dado Truvada teve uma taxa de redução da infecção
por HIV de 44 por cento quando comparado com o grupo placebo.

 

**92 por cento **

Somente 51 por cento dos participantes atribuídos a tomar o Truvada no iPrEX detectaram
a droga em seus sistemas, mas eles tiveram uma redução da taxa de HIV de 92 por 
cento quando comparados com aqueles com nenhuma droga detectável. O Centro Americano
de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirma incorretamente que o uso consistente
do Truvada reduz o risco de HIV em “até 92 por cento”. O dado não é o limite superior
do risco de redução do Truvada com aderência perfeita; ele representa uma média 
de redução de risco entre aqueles tomando absolutamente qualquer droga.

 

**99 por cento**

** **

Uma modelagem específica (chamada de análise regressiva) baseada nos dados do iPrEX
projetou que tomar Truvada sete dias por semana reduz o risco de HIV em 99 por cento.
O dado verdadeiro, os pesquisadores estimam, poderia ser entre 96 por cento e maior
do que 99 por cento.

 

**100 por cento**

Na fase livre de placebo do iPrEx os pesquisadores analisaram os dados com o que
é chamado de análise estratificada, que permitiu que a avaliação deles refletisse
mais diretamente o fato que, como na fase inicial do iPrEX, ninguém contraiu HIV
enquanto tomava Truvada quatro ou mais dias na semana: eles projetaram que aderir
ao regime que favoravelmente oferece 100 por cento de eficácia. Um inconveniente
de usar esta forma diferente de análise estatística foi um alcance de estimativas
mais amplas: eles só poderiam especular com confiança que a eficácia era nada menos
que 86 por cento.

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 * [Falha em PrEP Já Aconteceu. E Pode Acontecer de novo](https://soropositivo.org/falha-em-prep-ja-aconteceu-e-pode-acontecer-de-novo/)
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