# Procuradorias tentam reduzir processos por medicamentos, informa valor econômico

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- Published: 2009-06-19T22:56:30-03:00
- Author: Cláudio Souza — Soropositivo.Org

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**04/MARÇO/08**

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3/3/2008 – 14h20

A edição desta segunda-feira, 3, do jornal Valor Econômico traz na seção “Legislação
e Tributos”, um artigo sobre a tentativa das procuradorias reduzirem o número crescentes
de ações judiciais por meio das quais pacientes pedem o fornecimento de medicamentos
às secretarias de saúde. Segundo o artigo, o cumprimento destas decisões judiciais
desorganiza o sistema financeiro dos Estados e gera o bloqueio de valores no orçamento
da saúde. “Em São Paulo, os gastos com o cumprimento de decisões também são significativos.
Conforme dados fornecidos pela Secretaria da Saúde, o orçamento da saúde é de cerca
de R$ 6 bilhões e, em 2007, foram gastos R$ 400 milhões com o cumprimento de decisões
judiciais – 25% a mais do que em 2006”, informa o jornal. Leia o artigo na íntegra.

PROCURADORIAS TENTAM REDUZIR PROCESSOS POR MEDICAMENTOS, INFORMA VALOR ECONÔMICO

Parte dos Estados brasileiros tem desenvolvido, nos últimos meses, estratégias jurídicas
na tentativa de reduzir o número crescente de ações judiciais por meio das quais
pacientes pedem o fornecimento de medicamentos às secretarias de saúde. Isto ocorre
porque o cumprimento destas decisões judiciais desorganiza o sistema financeiro 
dos Estados e gera o bloqueio de valores no orçamento da saúde. No Rio de Janeiro,
onde os bloqueios correspondem a 20% do orçamento da saúde, a procuradoria estadual
encomendou um estudo para definir critérios para o fornecimento dos medicamentos
ou tratamentos. Em São Paulo, a defensoria pública tenta um acordo com a Secretaria
da Saúde para regularizar o fornecimento de remédios e evitar os processos – só 
em 2007, R$ 400 milhões foram gastos para atender a cerca de 25 mil ações judiciais
no Estado.

Em grande parte dos processos são pleiteados tratamentos e drogas que não constam
na lista do Sistema Único de Saúde (SUS). Os juízes os concedem por julgarem que
o direito à saúde é uma garantia constitucional. As decisões que negam o bloqueio
de verbas são minoria no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de
Justiça (STJ) e, geralmente, ocorrem quando há a comprovação de que o paciente não
corre o risco de morte.

Apesar de este ser o entendimento predominante, uma decisão do STF, proferida pela
ministra Ellen Gracie no ano passado, negou o pedido de concessão de um medicamento
de alto custo a um paciente do Rio Grande do Norte. Para a magistrada, a medida 
prejudicaria os serviços de saúde oferecidos ao restante da coletividade.

A decisão de Ellen Gracie foi um dos fundamentos do estudo desenvolvido pelo advogado
Luís Roberto Barroso, do escritório Luís Roberto Barroso & Associados, encomendado
pela Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro. Ao fazer uma análise das decisões
em prol do fornecimento de medicamentos pelos Estados, Barroso estabeleceu critérios
que serão propostos aos magistrados como, por exemplo, determinar a inserção de 
drogas que não estão na lista do SUS somente por meio de ações coletivas e priorizar
medicamentos nacionais e genéricos. "São escolhas trágicas, mas deve-se estabelecer
padrões para salvar o maior número de vidas", afirma Barroso.

Outra sugestão do estudo é que o réu na demanda deve ser o ente federativo – União,
Estado ou Município – que tiver incluído em sua lista o medicamento solicitado. 
Segundo Lúcia Léa Guimarães, procuradora-geral do RJ, muitas vezes o pedido é feito
a mais de um ente ao mesmo tempo, o que não é conferido pelos magistrados e que,
portanto, acarreta desperdício. "Esperamos que, a partir do estudo, a questão possa
ser repensada nos tribunais", diz. Outra estratégia, segundo Lúcia, será a tentativa
de acordos com a defensoria pública, responsável por 90% dos processos judiciais
desta natureza no Estado.

Em São Paulo, os gastos com o cumprimento de decisões também são significativos.
Conforme dados fornecidos pela Secretaria da Saúde, o orçamento da saúde é de cerca
de R$ 6 bilhões e, em 2007, foram gastos R$ 400 milhões com o cumprimento de decisões
judiciais – 25% a mais do que em 2006. Segundo Vânia Agnelli Casal, coordenadora
da Defensoria Pública de São Paulo – que, em 2007, ajuizou cerca de 70 ações por
mês pleiteando remédios – o órgão tentará neste mês um acordo com a secretaria da
saúde para regularizar o fornecimento de alguns medicamentos, principalmente para
tratamento de diabetes. Para Vânia, há uma desorganização no sistema de saúde – 
muitas vezes, os remédios não fornecidos pelo Estado foram receitados por médicos
da própria rede pública.

Já no Rio Grande do Sul, foram feitos acordos nos últimos dois anos – entre a Procuradoria,
a Secretaria de Saúde e o Ministério Público – para garantir o fornecimento de medicamentos
de alto custo. Segundo Bruno Naundorf, coordenador da assessoria jurídica da Secretaria
de Saúde do Estado, a iniciativa já surte efeitos positivos, pois os valores bloqueados
mantiveram-se estáveis no ano passado. Do orçamento destinado à compra de medicamentos
para a população, que é de cerca de R$ 120 milhões, foram bloqueados, em 2006, R
$ 22 milhões e, no ano seguinte, R$ 23 milhões – em 2005, o valor foi de R$ 7 milhões.
Entretanto, os bloqueios continuam consumindo mais da metade do orçamento total 
da saúde. "Há muitas decisões antigas que precisam ser cumpridas", diz.

Uma das apostas da secretaria de saúde gaúcha, neste ano, é o trabalho de conscientização
junto aos juízes. O desembargador Rogério Gesta Leal, do Tribunal de Justiça do 
Rio Grande do Sul (TJRS), por exemplo, afirma que tem ponderado, em suas decisões,
critérios como a emergência do tratamento e a condição econômica do paciente. "A
responsabilidade não é só do Estado, mas também da família", diz.

Outra tentativa de diminuir os bloqueios é o Projeto de Lei nº 219, de 2007, em 
tramitação no Senado. O projeto, que tem o apoio do Ministério da Justiça e do Ministério

da Saúde, estabelece critérios para a dispensa de medicamentos. "Muitos remédios
indicados pelo Judiciário poderiam ser substituídos por outros da lista do SUS",
diz Pedro Vieira Abramovay, secretário de assuntos legislativos do Ministério da
Justiça.

Luiza Carvalho, de São Paulo

Fonte: Valor Econômico

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